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11 de mai. de 2016

Review: “Capitão América: Guerra Civil” capitaliza no barulho, mas triunfa na modéstia

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por Caio Coletti

Os irmãos Joe e Anthony Russo não são nem um pouco como os outros diretores que passaram pelo universo cinematográfico Marvel (ou MCU) desde 2008. Vencedores do Emmy pelo trabalho no episódio piloto da inovadora série de comédia Arrested Development, em 2003, os irmãos não são iconoclastas pomposos (Kenneth Branagh, Thor), artistas com ramificações pessoais profundas (Joss Whedon, Os Vingadores), diretores/roteiristas com vozes satíricas únicas (Shane Black, Homem de Ferro 3), ou puros paus mandados de estúdio (Joe Johnston, do primeiro Capitão América). Em cada uma das entrevistas e listas de influências que os Russo passam conforme vão divulgando seus filmes da Marvel, fica claro que os irmãos são cinéfilos dedicados antes mesmo de serem amantes dos personagens e materiais dos quadrinhos. Se Capitão América: O Soldado Invernal era um thriller político traiçoeiro disfarçado de filme de super-heróis, Capitão América: Guerra Civil é um suspense psicológico profundo que quer discursar sobre guerra, vingança, efeitos colaterais e controle governamental – sem esquecer de entreter.

Dessa vez, é preciso considerar, os irmãos estão lidando com uma quantidade muito maior de personagens fantasiados (e fantasiosos) do que em Soldado Invernal, então Guerra Civil não tenta se apegar àquela sensação de gravidade e realismo que permeava seu predecessor, quase um filme de espião em meio às aventuras extravagantes da Marvel – pelo contrário, os Russo procuram abraçar a exuberância desses personagens e seus poderes com gosto, produzindo cenas desenhadas especialmente para que o espectador se deleite com os feitos apresentados em tela, e dirigindo as sequências de ação com um senso de escala, um olho aguçado e uma edição rápida que nunca se torna confusa. Valem palmas os trabalhos do diretor de fotografia Trent Opaloch (Distrito 9) e dos editores Jeffrey Ford & Matthew Schmidt, medalhões do MCU desde Capitão América: O Primeiro Vingador. No entanto, por mais que se venda com o espetáculo de cenas como a imensa batalha do aeroporto, sobre a qual virtualmente ninguém parou de falar desde a estreia do filme, Guerra Civil ganha o jogo mesmo é com seus elementos mais modestos. Em muitos sentidos, o filme se parece com um grande exercício de contenção.

A sensação é que os roteiristas Stephen McFreely e Christopher Markus são predadores cercando os fios de trama e personagens puxados de outros filmes da franquia, os juntando em um ponto concentrado, e usando-os para contar uma história que passa por temas e sub-tramas complexas e numerosas para construir uma narrativa cuja estrutura, em si, é bastante simples. Quando os Vingadores divergem de opinião sobre uma “proposta” (que mais parece uma ordem) do governo de registro e controle das ações dos super-heróis, aos poucos os heróis vão tomando lados distintos, com o Capitão América (Chris Evans) e o Homem de Ferro (Robert Downey Jr) agindo como líderes desses “times”. As motivações dos personagens são construídas com cuidado e consideração por quem eles são e como agiram em suas aparições anteriores – no caso dos dois personagens que o filme introduz (o Homem-Aranha e o Pantera Negra), as motivações, espertamente, são muito mais pessoais e emocionais do que ideológicas.

Guerra Civil desenha uma trajetória cristalina em direção ao seu clímax, que tira potência emocional, assim como alguns outros pequenos momentos espalhados pelo filme, da história dos personagens nesses oito anos de MCU. Se você pensar bem, é o primeiro filme da Marvel a realmente fazer isso, o que significa que a editora, a essa altura de seu projeto cinematográfico, não só se viu no direito de discutir questões políticas e fazer um “thriller psicológico”, como ousou começar a ser auto-referente. Construído com cuidado e nunca superestimando seus próprios momentos de culminação ou junção narrativa, Guerra Civil é um exercício de storytelling que vai contra o instinto da maioria dos roteiristas, mas funciona dentro de uma franquia que existe nesses moldes. O filme não precisa nos mostrar, nos lembrar, da bagagem que traz – o peso que ela carrega fala por si mesmo –, e essa “modéstia” dos roteiristas ao abordá-la faz bem ao efeito duradouro que Guerra Civil causa no espectador.

Faz bem também o fato de que McFreely e Markus, ao lado dos irmãos Russo, buscam acomodar seus impulsos mais grandiosos e iconoclastas às exigências de uma franquia que tem obrigações de continuidade e de introdução de personagens para cumprir. Há momentos de beleza plástica e temática espetaculares em Capitão América: Guerra Civil, e eles são distintamente idiossincráticos do estilo dos Russo, especialmente no embate final entre três dos heróis principais, e na realização do plano do vilão interpretado (com gosto, complexidade e comprometimento subestimados) por Daniel Bruhl. A discussão sobre o controle do governo sobre os super-heróis passa por todas as marcas que deveria, costurando questões de reponsabilidade, corrupção, preconceito, o caráter fundamentalmente falho da lei e a importância dela para ordenar nossa vida em sociedade. Sem advogar por nenhum dos lados de forma explícita, Guerra Civil olha para o mito do super-herói de um ponto de vista frio, político e ponderado, que só funciona por conta do equilíbrio fornecido pela paixão envolvida nas jornadas íntimas dos personagens.

Robert Downey Jr brilha como há muito tempo não lhe era permitido, explorando as complexidades, hipocrisias, razões, imaturidades, egoísmos e fundamentais boas intenções de Tony Stark com a disposição de um ator que ainda não cansou de submergir em seu personagem. Chadwick Boseman cria um Pantera Negra que não esconde seu status de realeza, mas também não se esconde por trás dele – um herói feroz e duro, cuja humanidade se esconde por trás dos olhos decisivos de um governante. E Tom Holland encarna o espírito de Peter Parker/Homem-Aranha através de um carisma nada calculado que se expressa de forma charmosa e comunicativa com o público. Como um casamento impossível entre o íntimo e o épico, o estupidamente divertido e o angustiantemente questionador, a ambição artística e a comercial, Capitão América: Guerra Civil conversa com a cultura criada pelos personagens da Marvel no cinema e, de sua forma singularmente improvável, dá o golpe definitivo na ofensiva da Marvel para se tornar uma das forças definidoras do cinema pop feito no século XXI.

✰✰✰✰✰ (5/5)

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Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, EUA/Alemanha, 2016)
Direção: Joe e Anthony Russo
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFreely
Elenco: Chris Evans, Robert Downey Jr, Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Don Cheadle, Jeremy Renner, Chadwick Boseman, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Paul Rudd, Emily VanCamp, Tom Holland, Daniel Bruhl, Frank Grillo, William Hurt, Martin Freeman, Marisa Tomei, John Slattery, Hope Davis, Alfre Woodard
147 minutos

30 de jun. de 2015

Diário de filmes do mês: Junho/2015

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por Caio Coletti

Nem todos os filmes merecem (ou pedem) uma análise complexa como a que fazemos com alguns dos lançamentos mais “quentes” ou filmes que descobrimos e nos surpreendem positivamente. Particularmente, eu não me dou a escrever críticas grandes de filmes que considero ruins ou irrelevantes, porque não vejo sentido em remoer demais os erros de uma produção cinematográfica. É levando em consideração a função da crítica e da resenha como uma orientação do público em relação ao que vai ser visto em determinado filme que eu resolvi criar essa coluna, que visa falar brevemente dos filmes que não ganharam review completo no site. Vamos lá:

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Chef (EUA, 2014)
Direção e roteiro: Jon Favreau
Elenco: Jon Favreau, John Leguizamo, Bobby Cannavale, Emjay Anthony, Scarlett Johansson, Dustin Hoffman, Sofia Vergara, Oliver Platt, Robert Downey Jr
114 minutos

Chef é, para quem conhece bem carreira de Jon Favreau, talvez o projeto mais pessoal que o ator/diretor/roteirista já fez. Celebrado pelas duas primeiras comédias que dirigiu (Crime Desorganizado e Um Duende em Nova York), o cineasta foi recrutado por Hollywood e comandou os dois primeiros Homem de Ferro, além do equivocado Cowboys & Aliens, de 2011. De certa forma, ainda que contando com um elenco estrelado e um “final feliz” hollywoodiano, Chef é o retorno de Favreau não só ao gênero que o consagrou como também ao tipo de história e valor de produção que o tornou um dos queridinhos da crítica no começo da carreira. Como tal, no entanto, o filme ousa ser também uma crítica mordaz às engrenagens da indústria, usando a frustração do personagem principal, um chef de cozinha apaixonado que é pressionado pelo dono do restaurante (Dustin Hoffman, ótimo) a cozinhar “o mesmo menu de sempre” como metáfora para as pressões da indústria cinematográfica sobre um autor como Favreau, que escolheu se aventurar por blockbusters tão cedo na carreira.

O mais bacana de Chef, no entanto, é que o diretor não quer realizar uma fábula amarga contra Hollywood, e sim um estudo de personagem e uma “dramédia” familiar que expressa algumas das frustrações que carrega como artista. Daí a importância do conflito com o crítico gastronômico interpretado por Oliver Platt, e o destaque dado à relação do personagem principal (que Favreau também interpreta, e com excelência) com o filho (Emjay Anthony), com a ex-mulher (Sofia Vergara) e com o melhor amigo (John Leguizamo). O elenco ajuda a abrilhantar o roteiro, que se estrutura de forma bem desenhada e segue sem derrapar até o final, quando um flashforward é inserido para nos mostrar a felicidade utópica do protagonista. É cruel dizer que Chef peca por ser idealista demais, principalmente em se tratando de um projeto tão pessoal para Favreau – a impressão que fica é que o diretor fez o filme para respirar o ar puro de fora da máquina hollywoodiana, e que o final feliz meio Sessão da Tarde, de pouca sutileza, faz parte desse respiro. Com um elenco brilhante e momentos genuinamente tocantes, Chef é um filme que faz por merecer a boa vontade do espectador para lidar com os poucos erros que ele comete.

✰✰✰✰ (3,5/5)

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Sem Limites (Limitless, EUA, 2011)
Direção: Neil Burger
Roteiro: Leslie Dixon, baseada na novela de Alan Glynn
Elenco: Bradley Cooper, Robert De Niro, Abbie Cornish, Andrew Howard, Anna Friel
105 minutos

Histórias de ascensão ao poder e desilusão idealista com os meandros do mesmo já foram contadas inúmeras vezes por Hollywod, em quase todos os cenários imagináveis. Esse arco narrativo particular foi o cerne de O Poderoso Chefão, e mais recentemente a política moderna ganhou sua própria versão da história em Tudo Pelo Poder, um grande filme que foi tragicamente ignorado pela temporada de premiações à época. Sem Limites, de certa forma, é uma variação dessa mesma trama – a diferença é que inclui elementos de ficção científica na mistura, produzindo um conto esperto sobre a inevitável corrupção daqueles que desejam o poder. A fábula de Eddie Morra (Bradley Cooper) e sua vida meteórica e perigosa depois de descobrir uma droga que o permite utilizar 100% das capacidades cerebrais não é um aviso anti-narcóticos, como muita gente interpretou – é uma condenação da ambição desmedida, uma análise fria e pessimista da pouca consideração que temos pela vida humana quando nossa felicidade (mesmo que seja uma felicidade artificial) está em jogo.

Curiosamente, o roteiro de Leslie Dixon (Hairspray) não hesita em herdar da novela de Alan Glynn esses dois clichezões (o da história de ascensão ao poder e o da questão “do que seríamos capazes com 100% do nosso cérebro?”), principalmente porque sabe que a força da trama está no discurso político e moral que tece ao misturar essas duas coisas. Há algo de novo e refrescante em Sem Limites, mesmo que haja muito pouco de original nele – parte da culpa, é claro, é do diretor Neil Burger (O Ilusionista), um dos mais eficientes “diretores-por-contrato” de Hollywood hoje e um esteticista com o olho certeiro para expressar as emoções da trama. Ele faz também um bom trabalho de direção de atores, orientando Cooper e Abbie Cornish, o casal principal, a trazer gravitas a seus papéis ao mesmo tempo em que se aproveita da verborragia e do carisma natural de seu protagonista. Sem Limites convence o espectador de sua própria inteligência até certo ponto, principalmente porque se mantem um passo a frente de nós, meros mortais, o tempo todo – e o resultado é um dos blockbusters mais interessantes dos últimos tempos.

✰✰✰✰ (4/5)

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Terremoto: A Falha de San Andreas (San Andreas, EUA/Austrália, 2015)
Direção: Brad Peyton
Roteiro: Carlton Cuse
Elenco: Dwayne Johnson, Carla Gugino, Alexandra Daddario, Ioan Gruffudd, Archie Panjabi, Paul Giamatti, Kylie Minogue, Colton Haynes
114 minutos

O cineasta canadense Brad Peyton tem um dos currículos menos auspiciosos de Hollywood atualmente. Para além de curtas-metragens e episódios do procedural Republic of Doyle, o diretor só assinou as sequências Como Cães e Gatos 2 e Viagem 2: A Ilha Misteriosa. O novo Terremoto: A Falha de San Andreas até herda desse último o seu astro, o ex-campeão de luta livre Dwayne “The Rock” Johnson, um ator surpreendentemente carismático para suas origens. Ele é o ponto fundamental de Terremoto, e faz seu trabalho de forma bastante decente como um piloto do corpo de bombeiros de Los Angeles, recém-divorciado, que se vê na obrigação de resgatar a ex e a filha quando um tremor de proporções mastodônticas atinge a Costa Oeste americana. O problema aqui não é o elenco, que é completado por um time surpreendente de nomes famosos (e atores competentes) que inclui Carla Gugino, Paul Giamatti e até a jovem Alexandra Daddario. Todos eles lutam contra os clichêzões dos seus personagens, criando seres humanos que seriam bastante envolventes em tela caso o filme ao redor deles fosse outro.

Sim, porque Reed e o roteirista Carlton Cuse (Lost, Bates Motel) moldam o seu filme-desastre para espelhar aqueles famosos feitos cinematográficos do diretor alemão Roland Emmerich, que destruiu o planeta em O Dia Depois do Amanhã e 2012. Da história da família que foi separada por uma tragédia do passado e as consequências emocionais dela até a fotografia de Steve Yedlin (Carrie), que tenta criar imagens genuinamente impressionantes nas sequências carregadas de CGI, tudo é um reflexo do estilo de Emmerich dirigir. O problema é que Reed não tem o senso de escala e a capacidade de conversar com o espectador no sentido de localizar seus personagens dentro da catástrofe que assistimos em takes abertos e generosos. O problema de San Andreas não é sua falta de surpresas, mas a pouca habilidade de seu diretor de criar tensão genuína mesmo que o espectador já saiba, no fundo, o destino dos personagens. O resultado é um filme morno, que falha em divertir ou emocionar de qualquer maneira o espectador.

✰✰ (2/5)

22 de mai. de 2015

Review: “Vingadores: Era de Ultron” é o melhor da Marvel no cinema, mesmo com todas as suas falhas

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por Caio Coletti

Desde 2008, quando começou sua passagem de rolo compressor pelo cinema comercial, a Marvel Studios fez um trabalho (de certa forma) admirável em transpor para as telas o conceito de um universo coeso de super-heróis que agem em storylines interconectadas – um conceito que há boas décadas tem funcionado para os quadrinhos. Vingadores: Era de Ultron é o décimo filme dessa colossal franquia e, como culminação de mais um “ciclo” dentro do storytelling da Marvel, é naturalmente uma obra muito atarefada, absorvida na tentativa de nos localizar no universo que os filmes anteriores construíram e, pelo caminho, ganhar personalidade e razão de existir próprias. O mais impressionante, no entanto, é que em algum lugar na sua impressionante metragem de quase 2h30 de explosões, aniquilação mundial e conflitos de personagem, Era de Ultron encontra a rota certa para se tornar um dos filmes mais gritantemente autorais do estúdio até hoje. E mesmo que, sob um olhar técnico e analítico, seja um filme bem falho, isso também significa que é o melhor capítulo do universo cinematográfico da Marvel até hoje.

Para começar, o filme conta uma história reprocessada dezenas de vezes pelo cinema de ficção científica e consegue encontrar um ângulo interessante para abordá-la. Na tentativa de criar uma força protetora para o planeta que torne o trabalho dos Vingadores desnecessário, Tony Stark passa por cima da burocracia e usa uma das joias do infinitos (parte integral da mitologia Marvel, sobre as quais você pode saber mais aqui), contida no cetro de Loki, para criar Ultron. Visto que o nome do vilão está no título do filme, dá para perceber que o androide (dublado espetacularmente por James Spader) não sai exatamente como o planejado, e usa o assustador poder que possui para buscar a aniquilação humana na Terra (porque, como manda o clichê do gênero, nós somos a ameaça à sobrevivência do planeta). O foco do genioso roteiro de Joss Whedon, no entanto, não fica nas implicações filosóficas do abuso da tecnologia, ou na incapacidade robótica de compreender a experiência humana – Era de Ultron é um filme sobre o mito do super-herói, sobre a reponsabilidade do poder bélico, sobre o fardo e a dúvida que é intrínseca à vida desses personagens que vemos desfilar pelas produções da Marvel desde 2008.

O filme de Whedon é o primeiro dessa nova era a entender e retratar com mais profundidade o lado sombrio das histórias em quadrinhos nas quais é inspirado, e a chocante humanidade que existe nesses personagens capazes de feitos inumanos. Seu retrato do vilão Ultron é quase um pedaço de cinema de terror dentro do mundo “limpinho” e “espetacular” do universo Marvel – da voz de James Spader ao design cheio de reentrâncias e expressividades, passando pela linguagem corporal provida pelo departamento de efeitos especiais, o personagem é uma realização completa (e assustadora) da lenta decadência à insanidade que o roteiro retrata. Há algo de muito humano na confusão de Ultron sobre os próprios conceitos, no ressentimento que demonstra ao seu criador, no absoluto ódio que parece alimentar sua missão. Consequentemente, há algo de muito envolvente também no personagem e na teatralidade que Spader empresta a ele, o que só torna mais perturbador quando Ultron se multiplica em infinitas réplicas de si e cria um terror coletivo muito mais poderoso do que o medo de um só nêmesis.

A introdução dos outros dois novos personagens também acerta em cheio no tom, e faz com que Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson) sirvam a um propósito narrativo que não é apenas a expansão do universo Marvel. Ela está aqui para que possamos entrar na mente dos nossos protagonistas, criando alucinações que revelam ao espectador as ânsias e traumas mais profundos de cada um deles, a reponsabilidade que carregam e os arrependimentos que acumulam. Como se tornou comum no universo cinematográfico da Marvel, o carisma de Robert Downey Jr. faz com que o filme seja um pouco condescendente aos modos paternalistas e militaristas de Stark, trazendo redenção fácil para o personagem que, no final das contas, provocou essa confusão toda por pura soberba. Whedon acerta mais no ponto com os outros personagens, adotando uma postura ambígua em relação aos atos e motivações de todos eles e buscando um retrato realista de um mundo em que pessoas capazes de destruição formidável andam entre nós. “Ultron não sabe a diferença entre salvar o mundo e destruí-lo”, diz a Feiticeira em certo ponto. “A quem você acha que ele puxou?”

Seguindo essa deixa, a ação em Era de Ultron se preocupa muito mais com o impacto da passagem desses heróis pelo mundo em que caminham do que qualquer outro filme de super-herói recente. Enquanto outros roteiristas tentariam reduzir o dano causado pelas lutas, geralmente movendo-as para locais distantes da civilização, Whedon cria um retrato eletrizante do impacto causado pelos poderes e complicações das batalhas dos Vingadores. O clímax não só ameaça a integridade do planeta, como faz com que seja parte integral da tensão o fato de que uma cidade inteira, populada, será erguida no ar e atirada contra a Terra para arquivar o objetivo do vilão. Outra batalha na metade do filme vê dois heróis se enfrentando em uma série de desvios que destroem de forma espetacular uma outra cidade – é uma cena de ação muito empolgante (talvez a mais bem estruturada do filme), dotada de algum humor, mas que nunca se permite ser inconsequente. A câmera de Whedon tenta acompanhar o tempo todo os destroços de um impacto, por exemplo, atingindo o chão, e frequentemente volta o olhar para a expressão de medo com a qual aqueles civis olham tanto para os vilões robóticos quanto para os heróis titulares do filme.

Com um elenco que parece incrivelmente confortável em seus personagens (Scarlett Johansson faz um trabalho particularmente brilhante aqui), Era de Ultron vacila um pouco no final, quando o diálogo entre Ultron e Visão (Paul Bettany finalmente aparecendo em carne e osso no universo Marvel) apela para a filosofia barata que uma centena de ficções científicas mais competentes já elaboraram. Em alguns momentos, no entanto, como o espetacular take em câmera lenta que vê os heróis reunidos em uma catedral combatendo o exército do vilão, o filme de Whedon brilha como uma das traduções mais dignas do espírito e da alma do que fez os quadrinhos da Marvel uma forma de arte tão popular tanto nesse século quanto no século passado: em seu retrato da super-humanidade desses personagens fantasiosos, Era de Ultron é um tomo poderoso sobre as falhas e as virtudes de todos nós.

✰✰✰✰ (4/5)

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Vingadores: Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron, EUA, 2015)
Direção e roteiro: Joss Whedon
Elenco: Robert Downey Jr, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, James Spader, Samuel L. Jackson, Don Cheadle, Aaron Taylor-Johnson, Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Cobie Smulders, Anthony Mackie, Hayley Atwell, Idris Elba, Linda Cardellini, Stellan Skarsgard, Claudia Kim, Thomas Kretschmann, Andy Serkis, Julie Delpy
141 minutos

30 de mai. de 2013

Review: A polêmica (para os fãs de quadrinhos ou não) de Homem de Ferro 3

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ATENÇÃO: esses reviews contem spoilers!

por Gabryel Previtale
(@gabryel55)

O leigo dos quadrinhos, eu (que não sou tão leigo assim, digamos que não compartilho das milhões de histórias e personagens existentes da Marvel e etc), irei dar meu parecer do filme Homem de ferro 3.

De início deixo claro que não espero muita coisa de filmes da Marvel além de entretenimento no geral, e pra chutar o balde de vez o Tony Stark não é nem de longe meu herói favorito. Mas diferenças a parte vamos aos pontos bons e ruins do filme em si. Bom, pelo que percebi nesta terceira adaptação para os cinemas do Homem de ferro, o longa focou em certa regressão de Tony, regredir no aspecto de ter só sua inteligência como arma, “humanizar” mais o herói e deixar ele sem muitos elementos de combate e sem seus superitens tecnológicos e milhões de dólares. Tem muita gente dizendo por aí que o filme tem a receita clonada de Batman, mesmo enredo, mesmo estereótipos de vilão, de mocinha, de herói e etc. Sinceramente, eu gosto muito mais de Batman, mas não achei “clonado” (claro que tem coisas parecidas, porém não me incomodou e nem se fez menos do filme por isso, pelo contrário, como eu adoro Batman tudo que se “parecer” com ele, vou gostar também). Daí existem alguns fatores que eu gostei muito e em contrapartida coisas que odiei.

O filme começa com um flashback de Stark em 1999 em uma festa de Réveillon onde é bem óbvia a marcação do futuro vilão e a aparição de Dr. Wu, que apareceu por 4 segundos e eu não entendi o porquê (talvez quem seja fã dos quadrinhos saiba) e da cientista nerd que era pra ser feia, no entanto não é nem um pouco feia. Nesta festa nasce o vilão do filme, Aldrich Killian, que é rejeitado/leva um bolo do Stark. A premissa é interessante, por dar valor ao “anonimato”, Killian percebe que é mais vantajoso viver sem que as pessoas soubessem quem ele é, ao contrario do nosso herói. O vilão segue financiando projetos terroristas com a cientista até chegar ao Extremis, que faz com que as pessoas explodam e se regenerem. Acho que não é nessa ordem, mas o fato é que eu achei original. Aí o filme não tem reviravolta nenhuma porque todo mundo sabe quem vai ser o vilão, até entrar o Mandarim na historia, que sinceramente deve ter deixado os fãs de HQ’s emputecidos de raiva, uma vez que o Mandarim no filme é um ator, criado por Killian para amedrontar os EUA e nos quadrinhos ele realmente é um vilão bem foda (pelo que me disseram).

Sinceramente, pra mim não mudou muita coisa, achei meio óbvio também, mas original para o cinema ao mesmo tempo e bom para a proposta do longa (digo óbvio porque logo no começo eu já tinha sacado que o Mandarim possivelmente era uma invenção). Mas aí está o pulo do gato, minha gente! Um filme norte americano jogar na cara da sociedade que o país precisa de um vilão, precisa de uma mira e ainda mais que ele precisa ser combatido pelas forças supremas dos EUA (o Patriota no caso, amigo do Stark, meio que um auxiliar) fez a premissa ficar mais sensacional ainda. Achei boa essa mudança para o filme porque, primeiro, bate mais com a proposta do filme que é muito calcada na realidade, temas políticos, tráfico de armas, poder, dinheiro e etc, e ao mesmo tempo reflete temas atuais que os EUA vêm sofrendo. E as cenas de ação não vou nem comentar porque são realmente muito, mais muito boas mesmo, muito caprichadas (a do avião, nossa).

Agora vou falar do que eu não gostei: o filme é tão bom nas cenas de ação que os buracos de roteiro ficaram quase que imperceptíveis, quer dizer “quem liga se a historia faz sentido quando se tem robôs voando e atirando bombas”. News flash: eu ligo. Ouvi gente dizendo que não gostou da participação de uma criança que ajuda Stark em uma grande etapa do filme, eu não liguei, achei até bom essa aproximação dele com o “publico infantil” até porque né, gente, é um filme de herói, não é só pra nerds com 20 e tantos anos. Mas me incomodou demais o humor excessivo e desnecessário do Tony com a criança e com o resto do elenco, eu não achei graça; na verdade quebrava a cena que podia ser legal com uma piada ridícula. Eu virava o olho no cinema e pensava: “BITCH SAY WHAT?”. Outro ponto, no inicio do filme a cientista bonitinha vai para a casa de Stark quando a mesma é bombardeada: ora, a cientista estava junto de Killian, o vilão, portanto sabia que iam derrubar a casa que ia explodir tudo ali, e porque mesmo assim ela foi? Pra se suicidar? E pra falar a verdade nem sei como ela sobreviveu, já que só a Pepper usava a armadura (falando nisso adorei a Pepper, achei ela bem boa no filme). Daí o lance do Extremis que faz as pessoas explodirem, mas em certa parte do filme o povo infectado com esse experimento viram uns X-Men, meio que faltou uma explicação, como eles passaram a controlar esses “poderes”? Ficou meio vago aí. Outro ponto: o Tony parece chamar a armadura em certos momentos que a gente achava que ele não podia ou não tinha mais armadura de ferro, digo, se ele podia ter feito isso, porque não o fez antes?

Fez-me desgostar mais do filme a cena bem no final em que Tony deixa a Pepper cair e choca a todos dando a impressão que ela morreu, mas logo em seguida ela sobrevive e etc. Sei que ela é uma personagem importante, mas a cena foi tão boa, que se ela de fato tivesse morrido ia agregar bastante ao filme, principalmente em enredo. O ajudante dele, o Patriota, é bem vago também, quando mais se precisou dele, ele não estava com a armadura, ela passou maior parte do tempo “vazia”. A cena em que Tony chama os outros 42 homens de ferro, era para ser algo sensacional: achei mal aproveitada, não levantou quase nada o clima no filme. No final ele faz uma micro-operação no tórax para retirar aquele circulo de energia que Stark possuía, também não entendi: se era tão fácil porque não fez antes? Talvez quem seja fã do herói saiba melhor responder essas duvidas do que eu, mas, diga-se de passagem, o filme não é só para os fãs.

por Marlon Rosa
(@Marlon_r)

Vai ver Homem de Ferro 3 nos próximos dias? Então fique com esses três conselhos:

1. Esqueça a coerência com o primeiro filme do Homem de Ferro.

2. Se você acompanha ou já acompanhou Homem de Ferro nos quadrinhos, esqueça o Mandarim que você conhece.

3. Costuma prestar atenção em roteiros? Bom, dessa vez talvez você tenha que dar uma relevada.

Falando assim, até parece que o filme é ruim, mas não, o filme é até bom, ouso dizer que é o melhor da trilogia. Tony Stark ainda continua sendo aquele Tony Stark que a gente conhece, só que agora com crises de ansiedade devido aos eventos ocorridos no filme d’Os Vingadores. Ele também está muito mais humano, e preocupado com a vida das pessoas que ama, o que se resume a Pepper Pots (que na minha opinião foi a que mais brilha em todo filme).

O filme tem as melhores sequências de ação que eu já vi na vida - ainda estou com a do avião na cabeça <3 – cenas estas que fazem com que as falhas de roteiro possam ser deixadas um pouco de lado.

Como fã de quadrinhos, o filme realmente não foi feito pra mim por um único motivo: o vilão que eles apresentam no filme e nos cartazes, é um dos maiores vilões da Marvel, e um dos que mais deu trabalho ao Homem de Ferro. A forma como trouxeram ele no filme é até legal e uma boa sacada em prol da ambientação para os dias de hoje (vocês irão entender ao assistir o filme), mas, ao meu ver, não compensa fazer essa adaptação em troca de um ótimo Mandarim que Ben Kingsley teria sido. É a mesma coisa que tirar todo vilanismo e poder mutante do Magneto e fazer dele apenas um rosto e/ou uma bandeira para que os mutantes se escondam atrás pelos seus atos terroristas.

A conclusão a que se chega, é que o filme foi feito para quem conheceu o Homem de Ferro nos cinemas, não nos quadrinhos, esses sim vão encontrar uma sequência a altura de suas expectativas, porque as minhas foram massacradas a cada minuto do filme.

original

Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, EUA/China, 2013)
Direção: Shane Black
Roteiro: Drew Pearce, Shane Black
Elenco: Robert Downey Jr, Gwyneth Paltrow, Don Cheadle, Guy Pearce, Rebecca Hall, Jon Favreau, Ben Kingsley, William Sadler
130 minutos

29 de dez. de 2012

Estamos na Fila Especial: Os filmes mais esperados de 2013

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por Caio Coletti
(Twitter – Tumblr)

A regra das sequências de blockbusters em Hollywood é: sempre faça maior, mais perigoso, mais impressionante, mais exagerado. As aventuras de Tony Stark, até agora, tem seguido essa progressão: Iron Man 2 e seus múltiplos vilões associados a derrocada da vida pessoal do herói, era uma narrativa de grandeza multiplicada se comparada ao primeiro filme da franquia. Iron Man 3, programado para 3 de Maio no Brasil, tem apenas um vilão, mas ainda parece representar mais perigo para Tony – e para sua companheira Pepper (Gwyneth Paltrow) – do que qualquer ameaça até agora. O Mandarim de Ben Kingsley pode se tornar o acontecimento nerd do ano, mas pode também colocar o Homem de Ferro abaixo.

A troca de comando na série levanta suspeitas… desnecessárias. Quem quer que conheça o currículo de Shane Black ou ao menos tenha visto o ótimo Beijos e Tiros, que refez a carreira de Robert Downey anos antes do próprio Iron Man, sabe que o moço é nome mais do que indicado e mais do que competente. No elenco, sai quase todo mundo que esteve na segunda aventura (as exceções são Downey, Paltrow, Don Cheadle e, er, Jon Favreau – que dirigiu os dois últimos filmes, passou a bastão para Black, mas continua atuando como o segurança pessoal de Stark, Happy Hogan), e entra gente do naipe de Guy Pearce na pele de um nanocientista e Rebecca Hall como uma bióloga e amiga de longa data do protagonista.

star-trek-into-darkness-poster-thumb-444x657-193086Quatro anos é um intervalo grande entre sequências para Hollywood. Ao passo em que Iron Man vai chegando a sua terceira aventura em meia década, o reboot de Star Trek comandado por J.J. Abrams em 2009 ganha continuação só agora. Marcada para 26 de Julho, Star Trek Into Darkness traz de volta toda a tripulação que fez do primeiro filme um inesperado sucesso para a franquia, à época parada por sete longos anos. Chris Pine, cada vez mais ator adulto e menos galãzinho juvenil, ainda é o Capitão Kirk nessa aventura que, segundo a sinopse, envolve “uma força invencível de terror vinda de dentro da organização da Enterprise”, “uma caçada humana em um planeta em guerra” e “uma arma de destruição em massa de um homem só”. No elenco a novidade é Benedict Cumberbatch, queridinho de toda uma geração de nerds por estrelar Sherlock, versão televisiva britânica do famoso detetive. Rumores dizem que o personagem do moço é Khan, lendário vilão da série de filmes originais. Karl Urban, Zoe Saldana, Zachary Quinto, Simon Pegg, Anton Yelchin e John Cho retornam na tripulação da nave espacial mais famosa da federação. O roteiro é comandado por Roberto Orci & Alex Kurtzman, dupla responsável por Transformers, e Damon Lindelof, um dos criadores de Lost.

manofsteelposter8888881999Bryan Singer não foi capaz de fazer um Superman que apele ao público do século XXI, como atesta a fraca bilheteria de Superman – O Retorno, de 2005, ainda que tenha conquistado a crítica com seu olhar nostálgico para a história de Clark Kent. A aposta da Warner Bros dessa vez é mais pontual, e mais segura: entregaram o roteiro a David Goyer e Christopher Nolan, parte da trupe responsável pela criação de um Batman mais realista e contemporâneo na nova trilogia do herói, e o resultado parece ter sido, pelo trailer lançado recentemente, um olhar humanizador sob Clark e seu alter-ego. Justamente o que o herói precisava, além de um diretor visualmente brilhante (Zack Snyder, de 300 e Sucker Punch) e um elenco matador (Amy Adams como Lois Lane, Russell Crowe como Jor-El, Michael Shannon como o vilão Zod, Kevin Costner e Diane Lane como Jon e Martha Kent, Laurence Fishburne como Perry White). Man of Steel está marcado para 12 de Julho. A capa do herói, aliás, será assumida por Henry Cavill, que já era um nome considerado para o papel em Superman – O Retorno. Trata-se do primeiro ator não-americano a interpretar o personagem.

a-good-day-die-hard-poster01Yippee ki-yay, mother Russia. Esse é o icônico slogan da quinta aventura de John McClane, com Bruce Willis do alto de seus 58 anos e Jai Courtney (Spartacus: Sangue e Areia) na pele de Jack, filho do personagem. Mary Elizabeth Winstead retorna como Lucy, a irmã de Jack que esteve em Duro de Matar 4.0, última investida do personagem nos cinemas, em 2007. No novo filme, John viaja para a Russia ajudar o filho, um operativo da CIA trabalhando para evitar um roubo de armas nucleares. Skip Woods (X-Men Origens: Wolverine) assume o roteiro, enquanto John Moore (Max Payne) senta-se na cadeira do diretor após Len Wiseman, ótimo diretor da aventura anterior, não ter aceitado se envolver na sequência. Novidades no elenco incluem, rumoradamente, a presença de Patrick Stewart (o próprio Professor X) como um general russo, além da confirmação de Cole Hauser (Separados Pelo Casamento) e do alemão Sebastian Koch (A Espiã). Duro de Matar: Um Bom Dia para Morrer, está marcado para 22 de Fevereiro no Brasil.

E para outros gostos…
Oz: Mágico e Poderoso – James Franco, Rachel Weisz – 8 de Março
Carrie, a Estranha – Chloe Moretz, Julianne Moore – 15 de Março
G.I. Joe: Retaliação – Channing Tatum, Bruce Willis, The Rock – 29 de Março
A Hospedeira – Saoirse Ronan, Diane Kruger – 29 de Março
Oblivion – Tom Cruise, Morgan Freeman – 12 de Abril
Todo Mundo em Pânico 5 – Lindsay Lohan, Charlie Sheen – 19 de Abril
Evil Dead – Jane Levy, Shiloh Fernandez – 19 de Abril
Velozes e Furiosos 6 – Vin Diesel, Paul Walker, The Rock – 24 de Maio
After Earth – Will Smith, Jaden Smith – 7 de Junho
The Great Gatsby – Leonardo DiCaprio, Carey Mulligan – 14 de Junho
Universidade Monstros – Billy Crystal, John Goodman – 21 de Junho
World War Z
– Brad Pitt, Marc Forster – 28 de Junho
Meu Malvado Favorito 2 – Steve Carell, Al Pacino – 5 de Julho
Beautiful Creatures – Emmy Rossum, Emma Thompson – 12 de Julho
O Cavaleiro Solitário – Johnny Depp, Armie Hammer – 12 de Julho
The Wolverine – Hugh Jackman, James Mangold – 26 de Julho
Percy Jackson: Sea of Monsters – Logan Lerman, Stanley Tucci – 16 de agosto
Riddick – Vin Diesel, Karl Urban – 6 de Setembro
Mortal Instruments: City of Bones – Lily Collins, Jamie Campbell Bower – 6 de Setembro
Thor: The Dark World – Chris Hemsworth, Natalie Portman – 22 de Novembro
Jogos Vorazes: Em Chamas – Jennifel Lawrence, Josh Hutcherson – 22 de Novembro

23 de out. de 2012

Estamos na fila: “Homem de Ferro 3”, com Robert Downey Jr e Ben Kingsley.

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por Caio Coletti
(Twitter – Tumblr)

Depois do 1 bilhão e meio de dólares de Os Vingadores, é hora do universo Marvel provar que ainda tem fôlego para carregar seus personagens, nas graças do público, para uma segunda mega-aventura. E o primeiro trailer de Homem de Ferro 3, lançado ontem (dia 23), é uma indicação que a editora-transformada-em-estúdio não vai deixar deixar o pique diminuir.

Agora sob o comando de Shane Black (Beijos e Tiros, Máquina Mortífera) em direção e roteiro, Tony Stark – papel de Robert Downey Jr, pela quarta vez – vai enfrentar seu nêmesis, o Mandarim (Ben Kingsley), um terrorista determinado a provar que “não existem heróis”. Mesmo afastado da direção do projeto, Jon Favreau retorna como o guarda-costas de Tony, Happy Hogan, que interpretou nos filmes anteriores.

O elenco ainda inclui as adições de Guy Pearce e Rebecca Hall (Vicky Cristina Barcelona), e o filme está marcado para 3 de Maio de 2013 no Brasil.

8 de set. de 2010

JOGO RÁPIDO: “As Pedras de Fogo” + “O Solista”

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As Pedras de Fogo (Under The Mountain, Nova Zelândia, 2009)

Uma produção da 120 db Films…

Dirigido por Jonathan King…

Escrito por Matthew Grainger, Jonathan King, baseados na novela de Maurice Gee…

Estrelando Tom Cameron, Sophie McBride, Sam Neill, Matthew Chamberlain…

91 minutos

As Pedras de Fogo remete a tantos gêneros e referências ao mesmo tempo que fica difícil acreditar que a história adaptada e levada as telas pelo neozelandês Jonathan King, conhecido pelas obras de terror-B Ovelha Negra e O Tatuador, vem de uma novela original do semi-desconhecido Maurice Gee, parte de uma série literária que já foi levada a telinha da televisão em minissérie nos idos dos anos 1980. Agora, com a moda da fantasia juvenil, As Pedras de Fogo segue a cartilha do gênero no nosso século a risca, adicionando elementos do terror indiscutivelmente dominados por seu comandante, que faz uma boa parte das cenas de tensão soarem como mais uma “obra-prima” do thriller adolescente que já nos deu produtos do calibre de A Casa de Cera e afins. Se isso é bom ou ruim, cabe a você, leitor, decidir.

Acontece que As Pedras de Fogo tem seus trunfos. Se a novela de Gee já não era terrivelmente original em sua época e o roteiro que a atualiza deixa coisa demais sem explicar, não dá para negar que os truques diretivos de King funcionam por boa parte do tempo, criando imagens intrigantes que mantêm o espectador ligado cena a cena, mesmo que o script não o ajude nesse sentido. A trama: gêmeos devastados pela morte da mãe (Tom Cameron e Sophie McBride em atuações sem nenhum sal) são acolhidos pelos tios em Auckland, a cidade dos vulcões neozelandesa, e lá acham o misterioso Mr. Jones (um afiado Sam Neill), que os entrega duas pedras de aparência comum que são a chave para derrotar a ameaça de uma família alienígena que quer destruir a humanidade (é, nada de novo aqui). Claro, o objetivo só pode ser alcançado se os dois trabalharem juntos. Enfim, dá para passar a noite.

Nota: 6,0

THE SOLOIST

O Solista (The Soloist, Inglaterra/EUA/França, 2009)

Uma produção da DreamWorks SKG…

Dirigido por Joe Wright…

Escrito por Susannah Grant, baseada no livro de Steve Lopez…

Estrelando Robert Downey Jr, Jamie Foxx, Catherine Keener, Tom Hollander…

117 minutos

Títulos podem ser enganadores. Sabendo-se da trama de O Solista, soa fácil decifrar o cabeçalho que o jornalista Steve Lopez deu ao seu livro sobre o morador de rua, paciente de esquizofrenia e músico genial Nathaniel Ayers, uma figura que ele encontrou nas ruas de Los Angeles quando buscava por assunto para sua coluna no LA Times. Ayers é o solista, o violoncelista brilhante que não pode estar perto de multidões mas sente a música como nenhum outro homem, certo? Talvez, só talvez. Em O Solista, o título e o papel principal não é de Ayers, interpretado com certo exagero por um histriônico Jamie Foxx, mas sim do Steve Lopez destruído, calculista e solitário que Robetr Downey Jr interpreta com notável sutileza. É na performance dele, sensível e brilhante, na forma como a vida de Ayers afeta a sua, que O Solista encontra sua força. Mesmo porque, além delas, é um filme com muitas fraquezas.

O jovem diretor britânico Joe Wright fez um trabalho de brilhantismo incontestável em Desejo e Reparação, o drama de época terrivelmente moderno que foi a grande figura do Globo de Ouro em 2008. Aqui, em sua primeira trama real e atual, ele mostra que suas habilidades não vão tão longe quanto se imaginava. Seu olhar permanece arguto para as peculiaridades do nosso mundo e para as relações entre os personagens, mas o bom gosto que reinava na construção dos set pieces de Desejo e Reparação se traduz em imagens cansativas e às vezes quase constrangedoras nesse O Solista. Isso porque ele ainda tem em mãos um belo roteiro, redigido pela talentosa Susannah Grant, indicada ao Oscar por Erin Brockovich, que define os personagens em linhas claras e reúne a narrativa de Lopez em uma história que termina, ao menos, comovente como deveria ser. Enfim, O Solista ganha a partida, mas não joga tão bem quanto poderia com o time que tem.

Nota: 7,5

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“Talvez nossa amizade tenha ajudado o Sr. Ayers. Talvez não. Eu posso falar por mim mesmo, no entanto. Eu posso dizer que, testemmunhando a coragem do Sr. Ayers, sua humildade, sua fé no poder de sua arte, eu aprendi a dignidade de ser leal a algo em que você acredita. De se segurar a isso, sobre qualquer coisa. De acreditar, sem questionar, que isso o vai levar de volta para casa”

(Robert Downey Jr em “O Solista”)

9 de ago. de 2010

Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, 2010)

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322 milhões de dólares. 4380 salas. O lançamento em maior escala nas redes de cinema ianques da história. O quinto filme a quebrar mais rápido a marca dos 100 milhões de bilheteria. Tudo isso para uma seqüência que parecia improvável dois anos atrás, quando Homem de Ferro chegou aos cinemas chefiado por um diretor sem experiências em blockbusters (o mais perto que Jon Favreau havia chegado de grandes orçamentos tinha sido a aventura Zathura), trazendo um personagem não tão conhecido do público leigo em HQs e ainda arriscando ao escalar um astro problemático tentando se reerguer (Robert Downey, quem mais?) para o papel principal. Sem coadjuvantes de peso e batendo de frente com o mega-fenômeno O Cavaleiro das Trevas, porém, o filme de Tony Stark e compania surpreendeu comercial e criticamente, emplacando sua visão em tons mais leves do mundo dos super-heróis na cabeça de público e especialistas. Downey se tornou o nome do momento em Hollywood e a expectativa para a seqüência (e a continuação do universo Marvel nas telas, agora comandado pela própria editora transformada em estúdio) era tanta que não bastaria manter a fórmula para satisfazê-la. Favreau, que se mostrou inteligente o bastante para não pôr seu ego a frente do conjunto do filme na primeira investida, acertou de novo e deu a público tudo o que ele queria: mais, mais e mais.

Homem de Ferro 2 é, em todos os sentidos, maior que seu antecessor. Se os leitores lembrarem bem, não dá para negar que a primeira aventura do Cabeça-de-Lata era divertida e tinha Downey Jr na melhor forma em um papel para o qual tinha nascido. Tudo no lugar certo, mas nada que se destacasse em cores fortes o bastante para impressionar. Aqui a história é outra. O ator continua em seu auge artistico e comercial, entregando uma interpretação vívida e interessante de um carismático anti-herói impossível de se odiar. Stark é mesmo o papel perfeito para Downey, tão cínico e inconseqüente quanto sua persona fora das telas, e tal semelhança fica clara nas auto-paródias que o ator lança sem medo para o espectador. Sem receio de se expor, Downey faz um trabalho que conquista e admira. Mas aqui o fato é que ele não brilha sozinho.

Com Tony Stark tendo que lidar com as conseqüencias nem tão desastrosas de sua revelação, no final do filme anterior, sobre ser a identidade do Homem de Ferro, entram em cena personagens como Ivan Vanko (Mickey Rourke) e Justin Hammer (Sam Rockwell), os proverbiais vilões. O primeiro, um cientista russo que desenvolve uma armadura parecida com a de Stark, com adição de chicotes elétricos que são armas mortais, parte para a pancadaria na tentativa de vingar a morte do pai, ex-membro renegado da empresa do pai de Tony. É um vilão com muito mais vida e profundidade do que o apático Jeff Bridges representou no primeiro filme, e Rourke empresta a ele as artimanhas de ex-lutador de boxe, a inteligência arguta de ator experiente e a coesão de um trabalho feito com muita pesquisa. Ao seu lado, Rockwell faz o rival empresarial da vez, que se une a Vanko para sabotar a supremacia de Stark no campo das “máquinas de guerra”. Rockwell dá ao personagem a atuação instintiva e impetuosa que é sua marca, e seu estilo cai bem na persona de Justin Hammer, um futuro personagem fundamental para a história de Stark.

A equação do filme se fecha com o Coronel James Rhodes, agora intepretado por Don Cheadle, que substituiu o igualmente talentoso Terrence Howard. Antes melhor amigo do herói, agora Rhodes tem lá suas rusgas com o protagonista, ao ponto de roubar-lhe uma das armaduras projetadas para o Homem de Ferro e entregá-la ao exército americano, que andava mesmo louco para colocar a mão na tecnologia. Nem o talento de Cheadle consegue contornar o tom irritante do personagem, mas é sempre interessante assistir um ator competente lutando contra um roteiro que de fato não o favorece. Cheadle merece crédito, mas não tanto quanto poderia. Em meio a intriga, Tony ainda se vê entre Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), promovida a diretora da empresa Stark pelo patrão, e Natalie Rushman (Scarlett Johansson), sua nova (e extremamente “interessante”) secretária. Já que não é segredo para ninguém, Rushman revela ser na verdade Natasha Romanoff, a Viúva Negra, espiã que aqui aparece a serviço de Nick Fury (Samuel L. Jackson) e da S.H.I.E.L.D., futura reunidora do super-grupo Vingadores.

A narrativa acerta, aliás, ao não deixar a sub-trama de evolução da mitologia Marvel se interpor sobre o conflito do personagem. Tony é, aqui mais ainda do que no primeiro, o centro do holofote da trama, e mostra-se uma persona muito mais complexa e interessante do que pode fazer nas estruturas rígidas do “filme de apresentação”. Com escritor bom é assim: familiaridade nunca é desculpa para preguiça, e sempre oportunidade para aprofundamento. Substituindo um time de quatro roteiristas, Justin Theroux (Trovão Tropical) faz um trabalho exemplar, conduzindo toda a trama com fluidez e naturalidade, mexendo fácil com a adenalina e o ritmo da narrativa e ainda abrindo espaço para o senso de humor maravilhoso de Tony e seus coadjuvantes. É a condução ideal para a direção de personagem e franquia, tudo colocado em perfeita coesão por Favreau, um diretor que mostra instinto, visceralidade e ímpeto, realizando uma direção muito menos presa a estigmas e muito mais empolgante do que teve a oportunidade de fazer no primeiro.

Homem de Ferro 2 é, sim, muito maior que seu antecessor. Mas isso não significa que seja melhor. Como diria uma escola de samba carioca, “apenas diferente”. Ou nem tanto. O que importa, no finas das contas e da pipoca, é entretenimento de verdade. Emocionante, empolgante, bonito, viciante, instigante e competente. Como, aliás, poucas vezes se vê na Hollywood do século XXI.

Nota:  8,0

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Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, EUA, 2010)

Uma produção da Marvel Studios/Paramount Pictures…

Dirigido por Jon Favreau…

Escrito por Justin Theroux…

Estrelando Robert Downey Jr, Don Cheadle, Scarlett Johansson, Gwyneth Paltrow, Sam Rockwell, Mickey Rourke, Samuel L. Jackson, Clark Gregg, Jon Favreau…

124 minutos