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Janelle Monáe cria a obra de arte do ano com um álbum visual espetacular - e que desafia descrições.

Os 15 melhores álbuns de 2017

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Review: Me Chame Pelo Seu Nome

Luca Guadagnino cria o filme mais sensual (e importante) do ano.

Review: Lady Bird: A Hora de Voar

Mais uma obra-prima da roteirista mais talentosa da nossa década.

Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

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8 de fev. de 2015

Os 15 melhores álbuns do semestre

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Chegamos! Atrasados como sempre, mas chegamos. Nossa já lendária (e nada pretensiosa) lista de melhores álbuns do semestre dessa vez foi selecionada por votos de quem acompanha O Anagrama, angariados no Facebook do blog e de outros colaboradores. A seleção final foi essa que você acompanha aí embaixo, com reviews de vários autores para garantir a diversidade de visões sobre esse semestre tão rico para a música (especialmente a pop). Destaque para os vocais femininos, que dominam 13 dos 15 selecionados aqui, mas vamos deixar vocês conferirem sozinhos:

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1000 Forms of Fear
Lançamento:
04 de Julho
Gravadora: Monkey Pussle, RCA
Produção: Chris Braide, Greg Kurstin, Diplo, Jesse Shatkin
Duração: 48m41s

por James

Após longa caminhada e tropeços em seus quase 15 anos de carreira, Sia apresenta álbum completo e expansivo. Para quem ouve a australiana pela primeira vez com este novo álbum 1000 Forms of Fear, pode soar como uma nova diva que perambula entre o holofote e os bastidores, mas esta já definia desde 2008, em seu também muito aclamado Some People Have Real Problems suas veias para o pop. Diferente das outras compositoras que saem do anonimato e começam a estrelar suas próprias carreiras solo, Sia fez o caminho contrário.

De uma longa divulgação e turnê em 2010 do mediano We Are Born, álbum que foi preenchido de registros e composições muito antigas da cantora, a tímida e muitas vezes desajeitada cantora se fechou nos bastidores, na composição para outros artistas pop como Rihanna, David Guetta, Britney Spears e, pasmem, chegou até a flertar com o novo trabalho do camaleão David Bowie, dizendo-se assim “aposentada” da carreira. O tiro de Sia para o escuro acabou na verdade clareando toda a sua carreira.

Emprestando vocais para faixas poderosas como “Titanium”, “Dim The Lights” e “She Wolf”, e dona de hits dublados por Rihanna, como em “Diamonds”; e Britney Spears, como “Perfume”, era quase que uma charada se Sia lançaria outro álbum. 2 anos de preparação, sessões com o produtor e compositor Greg Kurstin e sua mãe, também musicista, Loene Furler, Sia traz à luz um álbum com visual artístico obscuro. Faixas com refrão pesado e poderoso, muitas vezes gritado e em outras, sussurrada. “Chandelier” (abaixo), sua mais célebre composição, retrata a tentativa de suícidio em 2012. Em outras faixas, como “Burn The Pages”, “Free The Animal” e “Cellophane”, Sia recupera trechos marcantes de suas baladas anteriores, incorporando batidas mais pesadas e dançantes. 1000 Forms of Fear é uma viagem de auto conhecimento e sofrimento, da própria cantora, que cativa e conquista seus antigos fãs, e com certeza, muitos outros novos.

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Trouble in Paradise
Lançamento:
18 de Julho de 2014
Gravadora: Polydor
Produção: Elly Jackson, Ian Sherwin, Al Shux
Duração: 41m27s

por Caio Coletti

Trouble in Paradise é um álbum pop de tirar o fôlego – e não é por acaso que entre todas as expressões elogiosas que viraram chavões entre os críticos, eu escolhi justamente essa para definir a segunda obra (em seis anos) de Elly Jackson. Dizer que as nove músicas do disco roubam o oxigênio do ouvinte é escrever um testamento aos sintetizadores envolventes e obsessivamente curados da moça, e também uma forma de resumir em uma expressão de fácil acesso a sensação de urgência que, mesmo sendo uma obra tão adiada, o álbum consegue passar.

Abrir com “Uptight Downtown” ajuda, o mais perto de uma canção de protesto que tivemos no pop nos últimos tempos. Questionadora, incansável, movida pelo baixo inclemente que impulsiona essa nova La Roux, a canção olha com espanto para a força mordaz que moveu os jovens londrinos a encherem as ruas em 2011, e no caminho reflete uma vontade de identificar e se juntar a essa energia que foi tão marcante nos últimos anos, no mundo todo (“How can all these people have so much to prove?”). Desde os primeiros minutos, Trouble in Paradise é a obra mais atual, imediata e importante do ano.

Seguindo o mesmo espírito que a ajudou a retirar o cerne da música oitentista para produzir o álbum que define o revival daquela década, La Roux olha para um aspecto dos anos 90 que passou batido pela maioria dos artistas que estão trazendo-os de volta. “Tropical Chancer” e “Sexotheque” são a visão mais completa do que a última década do século XX significou para a produção musical, carregando consigo a obsessão pelo exótico e pelo estrangeiro, o multiculturalismo, a sexualização do kitsch e, ao mesmo tempo, a obsessão pela elegância das batidas constantes do início da música tecno.

Trabalhando sem a ajuda de Ben Langmaid, o parceiro do primeiro disco, Jackson cria uma obra extremamente pessoal e atual (“Paradise is You” é um exorcismo dos stresses pelos quais ela passou nos últimos anos; “Cruel Sexuality” é uma canção complexa sobre as complexidades de ser bissexual no século XXI), ao mesmo tempo em que aborda temas universais e eleva o jogo retrô do pop a um novo nível. Trouble in Paradise é um álbum cheio de tribulações, mas fala em última instância sobre liberdade, como deixa claro o single “Let me Down Gently” (abaixo): “And I hope it’s siking in/ That behind your perfect skin/ There’s a part of you that’s free”.

FKA-twigs-LP1

LP1
Lançamento:
06 de Agosto
Gravadora: Young Turks
Produção: Arca, Clams Casino, Cy An, Paul Epworth, FKA Twigs, Emile Haynie, Dev  Hynes, inc., Sampha, Tic
Duração: 40m46s

por Caio Coletti

Segundo a Rolling Stone Brasil, que colocou o LP1 em 19º na sua lista de 25 melhores álbuns internacionais de 2014, “não houve disco mais sexy em 2014 do que o trabalho de estreia de FKA Twigs”. O veredito é mesmo incontestável, com o single “Two Weeks” (abaixo) liderando uma coleção de canções confiante e lânguida, que mistura referências distintas em um todo que apresenta a artista estreante para o mundo como se já estivesse pronta para marcar a iconografia pop da sua época.

Sim, porque apesar dos pendores para o experimentalismo, o cerne de Twigs é indiscutivelmente pop. Cheio de ganchos e melodias prontas para se infiltrar na memória do ouvinte, o LP1 é um ensaio em como ser acessível e diferente ao mesmo tempo. Ecos de Björk passeiam pela construção de algumas faixas, especialmente a fase mais recente da islandesa, que ecoa nas batidas fragmentadas e trechos cantados quase a capella de “Pendulum” – mas FKA faz música de uma maneira muito mais sedutora do que Björk, uma artista notadamente despreocupada em agradar o público.

“Numbers” marca o uso mais eficiente da voz extraordinariamente projetada de Twigs, que atinge agudos inéditos no refrão e mostra certa vulnerabilidade nas notas mais baixas, entregues com uma rouquidão de fundo que aparece lindamente também em “Lights On”. A sexualidade da britânica é pintada com tons de submissão por vezes, o que pode alarmar as feministas, mais FKA mostra mais do que o suficiente de controle sobre a própria libido e a própria expressão sexual para compensar.

Ela deve bastante também ao R&B contemporâneo de artistas como The Weeknd, uma influência óbvia na primeira (mais animada) parte do disco, especialmente em “Hours”. Nessa mistura armada por um time extenso de produtores, o elemento de coesão é a própria Twigs, uma personalidade cintilante que ultrapassa os limites sonoros do álbum para se materializar na mente do ouvinte. Além de sexy, nenhum disco foi mais sinestésico em 2014 do que LP1.

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Goddess
Lançamento:
05 de Setembro
Gravadora: Harvest
Produção: Tim Anderson, Lil Silva, Justin Parker, Jesse Rogg, Shlohmo, Al Shux, Sohn, Totally Enormous Extinct Dinosaurs, Jamie Woon
Duração: 59m37s

por Willian Carrilo

A californiana Jillian Rose Banks, que diz ter como principais inspirações Lauryn Hill e Fiona Apple, deu seu pontapé inicial em 2013 e não demorou muito para que conseguisse chegar aos milhares de plays em sua conta no SoundCloud. No mesmo ano em que lançou seu primeiro EP já teve seu nome citado na Billboard e sua musica usada em um comercial da Victoria’s Secret. A fama chegou antes mesmo do lançamento de seu primeiro álbum em 2014 Goddess.

A pegada trip-hop esta presente no álbum quase que inteiro assim como as letras melosas com uma pitada de agressividade. Um ponto muito interessante no álbum inteiro é a falta de complexidade nas musicas, Banks consegue ser altamente parecida com FKA Twigs, mas ao mesmo tempo suas musicas não contem a excessiva leva de sons por segundo.

Goddess conta com incríveis produtores (SOHN, Lil Silva, Totally Enormous Extinct Dinosaurs), que fizeram mais do que algo bom. Mais um ponto a ser citado sobre a produção é que o nome de quem produziu não grita no meio da musicas (acontece muitas vezes com o Diplo) – é interessante a maneira como o álbum inteiro soa homogêneo, como se até as musicas antes lançadas tivessem sido feitas para ele.

Banks e seu primeiro álbum é sem dúvida alguma um must listen da musica atual, um debut que consegue chegar onde esta indo, e mais do que indica: grifa e sublinha isso!

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Hozier
Lançamento:
19 de Setembro
Gravadora: Rubyworks/Island
Produção: Rob Kirwan
Duração: 53m26s

por Rubens Rodrigues

Você sabe que precisa prestar atenção em um artista quando a primeira música de trabalho é algo relevante como "Take Me to Church" (abaixo). Utilizando-se da intolerância religiosa como temática, a canção, que já havia sido lançada no EP homônimo em 2013, viralizou com o videoclipe de narrativa forte, fazendo referência clara aos acontecimentos que marcaram a comunidade LGBT e falta de políticas sociais relacionadas na Rússia.

Lançado em setembro de 2014, o álbum de estreia de Andrew Hozier-Byrne, ou simplesmente Hozier, confirma as expectativas de quem esperava algo tão acertado quanto as músicas lançadas no ano anterior. Embora o belíssimo single que impulsionou sua carreira ainda seja a melhor canção no registro, Hozier traz uma série de composições fortes e arranjos bem trabalhados que misturam sabiamente blues e folk com uma pegada indissociável ao rock.

As letras profundas ganham ainda mais destaque com a voz forte do músico, como fica perceptível em faixas como "To Be Alone", uma crítica aos hinos populares de cultura ao estupro, e "Sedated", uma espécie de pedido de salvação das drogas. Claro que nem tudo é espinho na trajetória musical do irlandês, que traz momentos menos obscuros como a espirituosa "Someone New".

Com um dos melhores álbuns do ano, Hozier ainda garantiu indicações no Grammy Awards, além de ter sido o responsável pelo single mais executado no Spotify em 2014. Basicamente, é o tipo de música que toca, e se ouvida com cuidado, faz pensar. O talento, portanto, é inegável. Um registro que merece crédito do primeiro ao último minuto, não que você vá querer parar de escutar.

Tove-Lo-Queen-Of-The-Clouds-2014

Queen of the Clouds
Lançamento:
24 de Setembro
Gravadora: Island
Produção: The Struts, Klas Ahlund, Mattman and Robin, Lucas Nord, Ali Payami, Alx Reuterskiold, Mike “Scribz” Riley, Kyle Shearer, Captain Cuts
Duração: 43m29s

por Marlon Rosa

Quem passa horas entrando em vários sites e vasculhando a internet por uma banda, música ou cantor novo já deve conhecer o VEVO DSCVR, um canal da VEVO no YouTube que tem por objetivo dar aquele empurrãozinho para artistas em ascensão. Foi no ano passado que em uma das minhas visitas sabáticas ao canal me deparei com Tove Nilsson, uma cantora e compositora sueca de 26 anos. Fazia meu tipo de cantora, admito, impossível de não clicar e ouvir a música intitulada "Habits" (abaixo), que fora lançada em Março de 2013 e viria a ser o seu principal hit alcançando a #3 posição na Billboard Hot 100, vendendo mais de 2 milhões de cópias nos Estados Unidos.

Hits e singles a parte, é costume que após emplacar uma música, o artista corra para lançar seu primeiro álbum de estúdio depois de ter sobrevivido só de EPs. Queen of the Clouds monta-se de personalidade ao explorar contradições e certas características sombrias, em um ambiente que apesar de às vezes decadente ainda possui um certo colorido próprio, o que faz com que o primeiro trabalho de Tove Lo, se destaque e não passe batido em meio a outros lançamentos pop do ano.

Destaque para as faixas "Timebomb", "Not On Drugs" e "Thousand Miles".

Betty-Who-Take-Me-When-You-Go-album-cover-artworkTake Me When You Go
Lançamento:
03 de Outubro
Gravadora: RCA
Produção: David Ryan Harris, Martin Johnson, Mag, Kyle Moorman, Vaughn Oliver, Brandon Paddock, Starsmith, Peter Thomas
Duração: 49m48s

por Caio Coletti

Quando Betty Who surgiu com a insuperável “Somebody Loves You” (abaixo), quase dois anos atrás, a moça parecia ser a artista mais francamente anos 80 a aparecer na cena pop em muito, muito tempo. Talvez desde que La Roux lançou seu disco de estreia e deixou os outros artistas explorarem novos cantos e ramificações da paisagem musical oitentista e noventista. Nessa situação, era refrescante ouvir uma cantora/compositora de synthpop que tinha plena consciência do gênero em que estava se metendo e não tentava fugir das convenções dele. Tudo em Betty era muito direto, honesto e contagiante – e mesmo que Take Me When You Go não seja uma obra puramente oitentista como alguns esperavam, esse espírito permanece na estreia em disco da moça.

O co-compositor e produtor Peter Thomas, que foi seu colaborador desde “Somebody Loves You”, tem o nome em 11 das 13 faixas de Take Me When You Go, o que garante uma forte identidade para o álbum, e deixa mais claro também que a parceria Thomas/Who é inteligentemente atual ao mesmo tempo em que é cheia de referências. “All Of You” é simbólica nesse sentido, combinando muitos elementos comerciais (a parte instrumental depois do refrão, feita sob medida para as pistas, é puro Calvin Harris) com o espírito melódico e a preocupação com o feeling da música, algo que muitos artistas atuais perdem pela falta de sutileza. E Take Me When You Go é, de fato, muito mais sutil do que a energia cinética das composições de Betty faz parecer.

O disco passa sua mensagem nas entrelinhas, combinando um cenário de decadência-chique com um toque de rebeldia inspirada nas mulheres do rock (de Joan Jett à P!nk) e da cultura pop americanas (Thelma & Louise, alguém?). Betty consegue soar satisfeita e plena com o momento sem apelar para sentimentos adolescentes, como faz na empolgante "Glory Days", e consegue também criar canções de heartbreak sem cair nos clichês da música-de-separação, vide o baixo gostosinho de "Just Like Me", que abre o disco. Ela é sedutora sem perder a pose na nossa pillow talk favorita do ano, "Alone Again", e pesa um pouco nas guitarras de "Heartbreak Dream". Até a power ballad do disco, "Better", foge do melodrama.

Da sua forma peculiar, o que Betty Who faz nesse disco de estreia é uma maturação dos temas comuns do pop, e tem sido mais do que claro nos últimos tempos o quanto o gênero precisa dessa maturação. Embora se pretenda perene, e portanto vise conquistar o tempo todo novas gerações de adeptos, o pop precisa aprender a não subestimar seu ouvinte, e Take Me When You Go é um dos álbuns que melhor fizeram isso em 2014.

Jessie_Ware_Tough_LoveTough Love
Lançamento:
13 de Outubro
Gravadora: PMR, Island, Interscope
Produção: BenZel, James Ford, Dave Okumu, Emile Haynie, Julio Bashmore, Nineteen85
Duração: 43m41s

por Caio Coletti

Não seria fácil para nenhum artista compor um segundo álbum quando o primeiro foi incluído pela Rolling Stone na lista de 100 melhores discos de uma década que acabou de começar. O fato de que Jessie Ware não perdeu tempo e chegou com Tough Love apenas dois anos depois de Devotion mostra extraordinária confiança e, especialmente, integridade artística de não se deixar pautar pela possível reação do público à suas escolhas musicais. Quando se ouve as 11 faixas desse disco da britânica, no entanto, é impressionante perceber a extensão das ousadias de que ela é capaz: mesmo não sendo francamente experimental como alguma de suas contemporâneas, Jessie é uma corajosa peregrina de gêneros, testando sua sensibilidade musical e compositiva contra uma gama enorme de influências. Não há nada de seguro em Tough Love, e é isso que o faz excepcional.

O disco começa com os sussurros da faixa-título, uma revisitação sexy de Sade, a intérprete da eterna "Smooth Operator" e musa inspiradora de Ware, mas logo Tough Love se mostra pronto para alçar vôos mais altos. “You & I (Forever)” tem colaboração do mago pop Benny Blanco e mostra a britânica se relacionando com o mainstream sem perder a identidade, enquanto o hit “Say You Love Me” (abaixo) é co-escrito por Ed Sheeran e traz a moça para um universo mais soul, embalada por um arranjo bem orgânico que é diferente de tudo que Jessie havia feito até então. É bacana vê-la usando a voz mais cheia, em contraste com o falsete de "Champagne Kisses", que faz par com a balançada "Sweetest Song" como as duas releituras mais criativas da musicalidade de Prince dos últimos anos.

Com sua apresentação musical cuidadosamente controlada, Jessie é quase uma Norah Jones com os pés mais decididamente no pop, abusando do apelo melódico para suportar suas viagens de gênero, e apresentando com maturidade uma elaboração temática que normalmente aparece à flor da pele nos trabalhos de artistas como Adele e Sam Smith. Tough Love é cheio de dicas e indícios de um coração quebrado, e reconhece a natureza torturante do amor – às vezes Ware assume até um tom suplicante, como na balada disco (sim!) "Want Your Feeling" –, mas é na sofisticação da produção e na cuidadosa escolha de refrões, timbres e insinuações vocais que o álbum de encontra como um dos melhores do ano.

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Lançamento:
14 de Outubro
Gravadora: RCA
Produção: Dallas Green, P!nk
Duração: 36m59s

por Marlon Rosa

Uma das primeiras vezes em que vi Alecia Beth Moore, conhecida mundialmente como P!nk, cantar algo mais próximo do folk, foi em "I Have Seen the Rain", música composta pelo seu próprio pai no Vietnã. Logo, quando ouvi pela primeira vez sobre o projeto com o Dallas Green (City and Colour), não fiquei tão surpreso sobre ela se aventurar em um estilo diferente, mas não tão distante do seu timbre de voz.

O resultado da parceria entre a dupla foi o projeto You+Me, e por incrível que pareça, parecem cantar juntos há muito tempo. As melodias em sua maioria compostas por apenas dois instrumentos e os dois vocais são literalmente música para os ouvidos. As 10 faixas que foram praticamente compostas em apenas uma semana, e o álbum gravado em oito dias trazem um tom de uma versão inacabada, feita no improviso, o que no sentido geral dá mais originalidade e sentimento para um álbum tão acolhedor, melancólico e intimista.

Faixas que não podem deixar de serem ouvidas com mais calma: "No Ordinary Love", "Love Gone Wrong” (minha preferida) e por fim a que dá o nome para o trabalho, "You and Me".

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Sound of a Woman
Lançamento:
17 de Outubro
Gravadora: Lokal Legend, Island, 4th & B’Way
Produção: Rami Samir Afuni, Jordan Orvosh, Simen & Espen
Duração: 50m21s

por Felipe Dantas

Kiesza deixou sua marquinha em 2014 de um jeito muito pessoal, não é a toa que o álbum diz sobre o "som de uma mulher" logo no título. E quando falamos "pessoal", não estamos falando de músicas introspectivas. A canadense chegou trazendo de volta um som que ninguém exatamente estava sentido falta... Assim pensávamos até ela chegar com “Hideaway” (abaixo).

Fazendo uma revisitação gostosa da house music dos anos 90, Kiesza trouxe à América o que está bombando na vida noturna européia graças ao Disclosure. E olha que antes ela cantava folk! E como se fosse um conjunto de "good vibes" que a artista quis ressuscitar, ela ainda nos traz um visual clubber e clipes cheios de coreografias bem boladas.

Sentimos essa vontade involuntária de mexer o esqueleto também em "No Enemiesz" e "Giant in my Heart", mas Kiesza preparou ainda mais para o álbum todo. Quando a dance music das duas primeiras faixas acaba e "Losin' My Mind" começa, um R&B estruturado e forte começa e a cantora nos deixa loucos de um jeito novo. Os rappers Mick Jenkins e Joey Bada$$ ainda contribuem ao longo do álbum para deixar o trabalho ainda mais firme.

O maior problema é que essa mistura de estilos pode não ser tão consumível no todo, fazendo algumas faixas se perderem. Se Kiesza bombou justamente com a dance music, então mais que a metade do álbum pode se perder.

É por isso mesmo que Kiesza marcou o ano de um jeito pessoal. Em Sound Of a Woman ela nos trouxe treze faixas fortes que talvez não se unam, mas cada uma mostra um verdadeiro talento da cantora em explorar o que ela quiser.

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1989
Lançamento:
27 de Outubro
Gravadora: Big Machine
Produção: Max Martin, Taylor Swift, Jack Antonoff, Nathan Chapman, Imogen Heap, Greg Kurstin, Mattman & Robin, Ali Payami, Shellback, Ryan Tedder, Noel Zancanella
Duração: 48m41s

por Gabryel Previtale

Confesso que nunca fui o maior fã de Taylor Swift (acho que cheguei até a odiar a moça em um determinado ponto da minha vida), mas como o mundo dá voltas, cá estou eu pra falar do 1989, último álbum da cantora norte-americana. Muita gente anda falando que este é de longe o trabalho mais diferente e distante do ~country~ que a Taylor apresentou na sua carreira. Concordo e ainda digo que, em minha opinião, é o melhor até agora. Red, que veio anteriormente mostrava uma transição da artista, saindo do country e entrando no pop. Já o último álbum deixou isso bem claro, essa transição aconteceu e foi bem realizada. Até algumas falhas e buracos do penúltimo trabalho, foram consertados no 1989, deixando o álbum totalmente coerente.

Álbum pop coeso é algo que não temos visto frequentemente, essa coesão torna o CD simples e divertido por inteiro, voltado apenas para o entretenimento. Abandonou os instrumentos do country e se jogou nos sintetizadores do synthpop. Embora as melhores faixas tenham uma base meio oitentista (dando um fundo mais leve aos hits), há claramente outras influências atuais no CD da norte-americana, tais como: Sia, Lorde e Lana Del Rey.

Sobre as faixas do 1989: “Blank Space” (abaixo), de longe minha favorita e acho que de muitos outros fãs desse álbum. Ela tem um ritmo diferente, com tempos altos e baixos, e a letra é sensacional: “Nice to meet you, where you been?/I could show you incredible things/Magic, madness, heaven, sin”. “Welcome to New York” é a faixa que abre o CD, com amostra de sons dos anos 80, e é boa, mas a letra acaba ficando repetitiva. “Style”, que começa com um solo de guitarra bem à la Daft Punk, deixa tudo mais animado – o refrão também reflete um pouco mais de eletrônico e a interpretação da Taylor para cada verso e cada emoção é simplesmente maravilhosa, desesperada e apaixonada.

“Shake it Off”, que foi o primeiro single desse trabalho, funciona muito bem como faixa isolada, talvez não no conjunto da obra. Ótima faixa, muito dançante e animada, despretensiosa, meio “doa a quem doer, vamos sacudir”. “Wildest Dreams” é uma balada lenta, uma vibe quase Lana Del Rey, romântica e com refrão muito bom de ouvir. Há presença do eletrônico de novo e uma letra sensacional.

No geral, adolescentes e jovens vão se identificar muito com essa fase da Taylor, com as letras e tudo mais, ela que já disse em entrevistas que esse álbum é resultado de uma fase experimental quando ela estava curtindo muito pop e eletrônico. Voltando para o country ou não, Taylor com certeza alavancou sua carreira e conseguiu juntar milhares de fãs por todo mundo.

PS do editor: Taylor tirou todos, absolutamente todos os links do Youtube ou de qualquer outro site para ouvir os não-singles do álbum dela em streaming. Portanto, pedimos desculpas pelos links serem para performances ao vivo (no caso de “Welcome to New York” e “Style”) ou covers (no caso de “Wildest Dreams”).

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Rock’n’Roll Sugar Darling
Lançamento:
03 de Novembro
Gravadora: Independente
Produção: Kassin, Adriano Cintra
Duração: 34m28s

por Gabryel Previtale

Ao que me parece, Thiago Pethit, sempre encarna um novo personagem a cada trabalho que lança, e não foi diferente no seu último álbum Rock’n’Roll Sugar Darling. Para os amantes de suas canções indie/MPB, essas evoluções e mudanças de caráter são sempre positivas e crescentes. Não consigo classificar Thiago nessa categoria “nova MPB”, embora a maioria de suas faixas passeiem por esse gênero, mas sem amarras ou limitações. Tanto é que nesse último álbum o cantor paulista decidiu colocar influências claras de rock clássico dos anos 70. O próprio artista disse que ter essas nuances do rock não faz desse um trabalho temático ou rotulado como “um CD de rock”. O cantor queria que o retrô fosse um elemento a somar, e não o foco do disco. Partindo disso, nós temos essa mistura da MPB poetizada e bonita com a sujeira e o peso do rock embutido nas faixas. Mistura que agradou a muito os fãs e acrescentou na música brasileira por ser algo sensível e diferente do que é produzido atualmente.

Quanto ao conteúdo do álbum, ele é um disco quente, com toques libidinosos (muitos) e muita testosterona (no sentido de ser algo sexual masculino). O trabalho conta com uma “Intro” interpretada pelo ator norte-americano Joe Dallesandro (muso de Andy Warhol), onde ele cita as músicas e fala um pouco sobre esse voluptuoso anjo sujo e do mal que extravasa pelas canções. Tudo isso ajuda o CD fazer sentido como um todo.

Sobre as faixas: a mais comentada e a que dá o tom lascivo ao trabalho, com certeza é canção-título, “Rock’n’Roll Sugar Darling”: "Doce como açúcar explode na sua boca / Vem chupar meu rock'n'roll". Melódica, bem redonda, com fundo musical de rock clássico e guitarras bem presentes, alterna em versos em inglês e o refrão em português. Em “Quero Ser Seu Cão”, o cantor reforça esse convite ao lascivo e voluptuoso nessa referência clara ao The Stooges (do single “I Wanna be Your Dog”). “Romeo” (abaixo) tem participação do Hélio Flanders (Vanguart) – a letra seria pesada se não fosse irônica e bem calculada no contexto. O abuso de guitarras e efeitos é bem interessante e valorizou a letra (que é melancólica, mas abordada de um jeito diferente). “Save the Last Dance” é uma faixa bem confusa, com inglês e português misturados e muitos elementos eletrônicos. “Voodoo” é diferente e interessante, com coro gospel americano que acaba caindo na batida do rock clássico. Confesso que quando percebi a faixa relacionei com “I Put a Spell on You”, e depois o próprio Thiago disse em entrevista que se inspirou na base desse clássico para produzir a sua faixa.

Em suma, é um grande trabalho artístico, mas deve ser ouvido de mente aberta e sensibilidade em níveis maiores. Não é um disco para simples entretenimento, há uma linha de sentimentos que devem ser seguidas (ou compreendidas) para que o álbum surta o efeito que o cantor pensou quando o produziu.

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Broke With Expensive Taste
Lançamento:
06 de Novembro
Gravadora: Azealia Banks, Prospect Park, Caroline
Produção: Azealia Banks, Apple Juice Kid, Araabmuzik, Ariel Pink, Boddika, Enon, Lazy Jay, Lil Internet, Lone, Machinedrum, M.J. Cole, Oskar Cartaya, Pearson Sound, Pop Wansel, SCNTST, Sup Doodle, Yung Skeeter
Duração: 60m19s

por Ilson Junior

6 de Novembro de 2014, data de uma grande surpresa, um acontecimento já visto como utópico - e até motivo de piada - se tornou realidade: Azealia Banks, aquela rapper tão conhecida pelo seu comportamento desbocado e temperamento forte lançou seu álbum de estreia, três anos após seu grande hit  “212” (também encontrado no álbum) começar a dar ascensão à artista. Ousado e carregado de promessas, o Broke With Expansive Taste capturou sem dúvida alguma a atenção de qualquer um que se dispôs a ouvir – independente de ser gostado ou não, o álbum merece muito reconhecimento, mas isso não seria surpresa vindo de uma artista que sempre soube ser genuinamente ímpar em seu trabalho.

BWET chegou pisando em ovos após tanto tempo de espera, e as expectativas dos fãs - e até daqueles que esperavam o fracasso dela - eram grandes, mas particularmente sempre senti essas expectativas muito nebulosas, ciente de que Azealia nunca foi de fazer algo repetido ou monótono.

Antes de dar play na primeira musica já me preparei para toda a ousadia despeitada da cantora que não temeu desafiar até Kanye West a fazer algo melhor. Segundo ela o “Broke With Expensive Taste é o mais inovador, é o mais novo, é o mais agora” e ao menos dessa vez, longe de qualquer briga em redes sociais, não digo que ela tenha falado mais do que deveria. O álbum de estreia de Banks pode não ser o melhor, mas é sem duvidas o novo; é experimental, é ousado, é ímpar faixa-a-faixa, e pode não ter carregado a sonoridade do tão bem conceituado EP 1991, mas traz o crescimento da artista que não teve medo de mostrar que não apenas sabe fazer um bom rap como em “Miss Camaraderie” mas também sabe usar sua voz muito bem, como em “Nude Beach A-Go-Go”, que até surpreende quem já conhecia a potência vocal da artista. O eletrônico e experimental tão presentes no álbum o envolvem em uma vibe alegre, bem combinada até com o cenário dark de musicas como “Ice Princess” – uma das faixas mais comerciais do álbum – e “Heavy Metal and Reflective”, que consegue com sua sonoridade pesada impor respeito ao disco.

Um show de ousadia e experimento, Broke With Expansive Taste traz sonoridades de diversos estilos musicais, desde o pop de ótima qualidade vocal e instrumental em “Chasing Time” (abaixo) até a musica latina tão bem trabalhada em “Gimme a Chance”. Azealia pode até ter decepcionado alguns que não acostumaram com suas surpresas, mas digo como uma das maiores certezas da vida que merece desfilar com louvor entre os melhores álbuns de 2014.

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Earth Sick
Lançamento:
11 de Novembro
Gravadora: Tusk or Tooth
Produção: Oh Land
Duração: 51m20s

por Caio Coletti

Se tem alguma coisa que este que vos fala aprendeu na última década acompanhando música pop é que a dinamarquesa Oh Land é infalível. Na ativa desde 2008, quando lançou o disco de estreia Fauna, a moça enfileirou outros dois trabalhos de estúdio impecáveis (Oh Land, de 2011, e Wishbone de 2013) e se infiltrou nas listas de audições obrigatórias para os fãs do gênero mesmo sem atingir o Olimpo do mainstream. Depois da desmerecida má recepção do último álbum, Oh Land cortou laços com as gravadoras e produziu Earth Sick de forma independente, compondo, produzindo e tocando quase tudo que pode ser ouvido nas 11 faixas do disco. Esse esquema de produção faz bem à artista, que entrega a obra mais pura e autêntica da sua discografia, uma pérola de delicadeza pop e faro melódico.

A primeira metade de Earth Sick é formada por seis baladas de instrumentação e tematização sutil. O single “Head Up High” (abaixo) é o paradigma dessas canções, brilhante sem fazer muito estardalhaço e machucada sem transbordar ressentimento. A fórmula ganha pequenas variações: a faixa-título, “Earth Sick”, é um suspirante exercício de climatização em que o registro agudo da dinamarquesa parece dançar em círculos ao redor dos sintetizadores; as lindíssimas "Nothing is Over" e "Doubt My Legs" testam com sucesso as particularidades de Oh Land em um ambiente melódico mais próximo à balada tradicional; e a transicional "Half Hero" se pergunta como uma balada raivosa de Adele soaria se a britânica fosse mais dada à experimentações instrumentais.

A fatia final do disco se preocupa mais com batidas, e com isso ganha um ar mais direto. Essa é uma parte da musicalidade de Oh Land que é mais informada pelas experiências de gênero do Wishbone do que a maioria dos críticos e fãs estaria propenso a admitir, e a verdade é que a dinamarquesa amadureceu muito esse som no último ano. “Daylight” explode em corais no último minuto, “Hot ‘n’ Bothered” se aproxima do hip hop sem perder a identidade experimental e indie, “No Particular Order” coloca um exército de sopros para funcionar a favor de uma apoteose musical, e e a dramática “Trailblazer” fecha o Earth Sick com o espírito experimental e lindamente melódico que é a força propulsora de uma das discografias mais interessantes e relevantes da última década.

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Sucker
Lançamento:
15 de Dezembro
Gravadora: Asylum/Atlantic/Neon Gold
Produção: Rostam Batmanglij, Patrick Berger, Benny Blanco, Cashmere Cat, Stefan Gräslund, John Hill, Jerry James, Greg Kurstin, Steve Mac, Justin Raisen, Jarrad Rogers, Stargate
Duração: 40m19s

por Felipe Dantas

2014 foi o grande ano de Charli XCX. E não vamos atribuir isso à "Fancy" não. Se o True Romance foi um pop experimentalizado, Sucker é onde a britânica finalmente atingiu seu objetivo. Com o álbum, ela faz uma grande homenagem à tudo o que a educou culturalmente como uma digna filha dos anos 90-2000. Há aqueles vocais grudentos igual Britney o fez para ela, há uma atitude feminina autônoma, educada pelo girl-power ascendente da década passada e também um casamento arranjado por ela entre o pop ritmado com melodias viciantes e as guitarras impositivas do punk-rock.

Além da sonoridade, também vemos o berço onde Charli nasceu por todo o resto de seu trabalho. Suas letras falam sobre o desejo da fama, sobre sair com as melhores amigas e se divertir, aproveitar Los Angeles como se fosse uma estrela de cinema. Sem esquecer que as referências aparecem também nos videoclipes, como Thelma & Louise, filme de 1991, sendo inspiração do recente "Doing It".

Muitos reclamam que a britânica "traiu o movimento", mas ele sempre esteve presente. Ela originalmente queria um álbum punk feminista, divulgando até algumas músicas que foram descartadas. Mas aquele não era o momento dela, e de qualquer forma está tudo em Sucker. Com uma banda formada apenas por garotas, Charli é uma rebelde que manda todo mundo se foder na faixa-título, que não é obrigada a aturar babaca em "Breaking Up" e muito menos precisa de qualquer macho para ter prazer em "Body of My Own". É tudo sobre ela, sobre seu corpo, e Charli faz como bem entender.

Sucker é uma grande homenagem à era de ouro do plastic pop, ao mesmo tempo que é um grande ato de reinvenção do gênero pela própria Charli. Definitivamente queremos ela por perto por um longo tempo.

10 de ago. de 2014

Os 15 melhores álbuns do semestre

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O Anagrama tarda (dessa vez atrasamos demais!) mas não falha. Todo semestre, religiosamente, escolhemos aqui 15 álbuns que fizeram a nossa cabeça nos últimos seis meses, e o período entre Janeiro e Junho de 2014 não deixou a desejar. Fizemos uma votaçãozinha entre colaboradores e amigos e chegamos na lista que você vê aí embaixo, que tem música para todos os gostos e artistas nos momentos mais diversos de suas carreiras: de divas a estreantes; de MPB à trap music. Divirta-se, e até semestre que vem!

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X
Lançamento:
20 de Junho de 2014
Gravadora: Atlantic
Produção: Benny Blanco, Jeff Bhasker, Peter Cobbin, Ed Sheeran, Jake Gosling, Rick Rubin, Johnny McDaid, Kirsty Whalley, Pharrell Williams
Duração: 50m05s

por Vanessa Dias

Quando “Sing” (abaixo) começou a tocar nas rádios, as opiniões sobre o novo single de Ed Sheeran, para o álbum X, foram contraditórias. Houve aqueles que estranharam a voz do ruivo em um som tão pop, quase lembrando algumas músicas antigas de Justin Timberlake – nada mais normal, estranhar quando um artista de sua preferência começa a adotar novas diretrizes. E houve aqueles, como eu, que não se incomodaram com a mudança de ares e adaram a música para tocar na playlist de seus melhores dias.

A questão é que quando você finalmente ouve o álbum X, percebe que se deixou enganar por “Sing”. Ed conseguiu colocou em doses exatas a balada romântica de sempre e as novas batidas agitadas – satisfazendo as duas metades e criando o que eu considero um dos melhores trabalhos do cantor. Os acordes de violão estão lá, perceptíveis em faixas como “I’m A Mess”, “Tenerife Sea” (a mais parecida com o romance melancólico do primeiro álbum) e “I See Fire” – a queridinha dos fãs de O Hobbit e J. R. R. Tolkien.

“Sing” e “Don’t” entram com um pouco mais de animação. A segunda, com um clima urbano, retrata a experiência de um triangulo amoroso amargo, vivida pelo próprio cantor. As surpresas continuam em “The Man” e “Take It Back”, onde Ed renovou ao apostar em influências da banda de rap inglês The Streets. Um som é diferente, mas gostoso de ouvir, pronto para agradar mesmo aqueles que não são tão fãs do rap.

De forma geral, X foi um dos poucos álbuns de 2014 que eu posso dizer, com sinceridade, que me conquistou em cada pedaço. As dezesseis faixas são distintas, te propõem sensações e opiniões diferentes – mas todas com uma qualidade excelente. Um bom lançamento pop em um ano escasso de grandes sucessos.

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Ultraviolence
Lançamento:
13 de Junho de 2014
Gravadora: Interscope/Polydor
Produção: Dan Auerbach, Lana Del Rey, Paul Epworth, Lee Foster, Daniel Heath, Greg Kurstin, Rick Nowels, Blake Stranathan
Duração: 51m24s

por Marlon Rosa

Depois de Born to Die, álbum que foi alvo de elogios e críticas em 2012, a expectativa sobre o próximo trabalho de Elizabeth Grant sob a alcunha de Lana Del Rey era indubitavelmente GRANDE! Tachada por muitos como um produto fabricado para fazer sucesso, Lana sempre se muniu apenas do seu talento, microfone e voz para desdizer todas as acusações que lhe eram feitas. Lana, enquanto personagem, nunca fez parte do nosso mundo, nasceu aqui neste século por falta de escolha, mas ora ou outra se lembra da sua outra vida, uma vida pertencente aos anos 70, na qual encarna o estereótipo da mulher que os cantores cantavam sobre na época.

Em Ultraviolence, não é diferente, Lana encarna um lado ainda mais apaixonado, sadomasoquista e submisso dessa persona. Ela mesmo já disse não ser a pessoa exata para bradar hinos feministas, de acordo com ela, "ser feminista é ser livre e poder fazer o que se tem vontade", e sem perceber, em meio à toda ultraviolência de seu terceiro álbum de estúdio, Lana dá voz a mulheres que nunca antes tiveram chance e espaço para falar sobre seus sentimentos publicamente sem serem subjugadas, às mulheres que por si só tinham que se calar e aceitar toda e qualquer imposição.

Se ainda resta alguma dúvida se Ultraviolence é um dos melhores álbuns do ano e se Lana é um produto fabricado, Dan Auerbach, produtor do álbum e integrante da banda The Black Keys só tem uma coisa pra lhe dizer: "Toda crítica que eu já tinha ouvido sobre ela foi provada errada quando nós estávamos no estúdio. Desde o quão grande as músicas eram, de quão confiante ela é como uma musicista, de como ela canta para caralho todas as músicas ao vivo, com um microfone de mão e uma banda de sete músicos. Quer dizer, sai fora, quem é que faz isso? Ninguém faz isso, não existiu um álbum pop número um que foi gravado assim em quarenta, cinquenta anos."

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Donker Mag
Lançamento:
03 de Junho de 2014
Gravadora: Zef
Produção: DJ Hi-Tek, DJ Muggs
Duração: 49m39s

por Rodrigo Cordeiro

O trio sul-Africano Die Antwoord voltou em 2014 com seu mais novo e aguardado álbum, Donker Mag. A banda (mais esquisita da cidade) que ficou conhecida com seu 2º álbum, Ten$ion, lançado em 2012, retorna às paradas com um trabalho mais completo, cheio de personalidade e bem diferente de tudo que eles já fizeram, mas que peca no exagero dos interlúdios/monólogos, que em minha opinião, não fez desse álbum o melhor trabalho do trio.

Die Antwoord é aquela banda que fez a gente se apaixonar pela excentricidade, pelo electro-hip-hop poluído, palavrões e, muitas vezes, críticas à indústria fonográfica norte-americana, sem perder o visual demoníaco (se juntasse todos os clipes, daria um ótimo filme de terror alternativo). A primeira  faixa do álbum é “Don't Fuk Me", um interlúdio que claramente é uma bela de uma indireta no estilo Die Antwoord de ser. Essa faixa e mais outras 3 – “Zars”, “Do Not Fuk Wif da Kid” e “Moon Love” são os c̶h̶a̶t̶o̶s̶ monólogos que fazem do Donker Mag u̶m̶ ̶s̶a̶c̶o̶ uma obra cheia de personalidade e o característico estilo do trio de mandar os haters se foderem.

Música mesmo começa com a faixa “Ugly Boy”, que pra mim é extremamente diferente e inesperado em relação a tudo que eles já fizeram. Adorei! Não consigo tirar do repeat. Logo vem a faixa “Happy Go Sucky Fucky”, bem no estilo “I Fink U Freeky” (que é o que mais amamos em Die Antwoord, não é mesmo?!). Seguindo, a faixa “Raging Zef Boner” que faz você pensar: “eu estou realmente ouvindo um reggae nesse álbum?”. “Cookie Thumper” (acima) foi o carro chefe do CD, lançado ano passado, e não chega aos pés do restante do disco, mas lembra uma das faixas de maiores sucesso da banda: “Baby's On Fire”, do álbum Ten$ion. A faixa “Girl I Want 2 Eat U” te leva pra Porto Rico em 4:04 minutos bem no estilo reggaeton e, claro, cheia de versos machistas. E pra tirar a bunda da cadeira e descer até o chão chega “Pitbull Terrier” (abaixo), que te traz de volta pro universo Die Antwoord – clima macabro, com batidas de eletro-hip-hop do começo ao fim, e um clipe que se não te deixar impressionado, eu não sei dizer o que deixaria. Para mim é o hit do álbum, sem dúvida.

Sombria e pesada, essa é “Rat Trap 666”, que além do ótimo nome, tem participação do DJ Muggs, mais conhecido por ser o DJ e produtor do rapper Cypress Hill. Uma das minhas favoritas do álbum, cheia de rimas, palavrões e uma batida hip hop bem ao estilo de Kendrick Lamar. (notem a referência no começo da música ao filme do Freddy Krueger! Foda, não?!). Pra finalizar o álbum, aparecem as faixas “Sex” e “Donker Mag” (que dá nome ao disco). A primeira parece mais um remix das baladas românticas do Die Antwoord feita por algum DJ famoso - acho que já vimos isso com “Summertime Sadness” da Lana Del Rey com o Cedric Gervais não é mesmo? E falando em Lana Del Rey, Die Antwoord segue o mesmo estilo em “Donker Mag”, que encerra o álbum etereamente após uma introdução silenciosa de mais de 20 segundos.

Reforçando o que eu disse: não acho que é melhor trabalho da banda, mas sem dúvida não é pior também. No geral, temos faixas menos agressivas mas que exploram territórios musicais mais diversos, sem nunca perder a identidade do trio.

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In the Lonely Hour
Lançamento:
26 de Maio de 2014
Gravadora: Capitol
Produção: Jimmy Napes, Steve Fitzmaurice, Fraser T. Smith, Two Inch Punch, Eg White
Duração: 32m47s

por Clara Montanhez

Sam Smith é uma das grandes novidades desse ano no mundo pop. Seu primeiro álbum, que foi gravado ano passado e lançado em maio de 2014, In The Lonely Hour, veio recheado de singles que se infiltraram entre as músicas mais tocadas nas rádios e paradas pop, junto a nomes como Beyoncé e Lady Gaga. Mas não é para menos: o moço britânico de 22 anos tem uma das melhores vozes masculinas dos últimos tempos, com amplo alcance, partindo de notas graves e atingindo agudos impressionantes.


Se não bastasse o timbre suave e emotivo, as letras, escritas pelo próprio Sam com várias colaborações, possuem grande carga emocional, como podemos perceber claramente no single “Stay With Me” (acima). Ao ouvir cada uma das faixas, há sempre uma agradável surpresa, seja pelos falsetes do cantor, ou os versos da música, ou o arranjo melódico... ou esses três elementos juntos. In The Lonely Hour trás uma experiência agradável para aqueles que curtem R&B com uma pegada house, traços característicos de Sam.

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Xscape
Lançamento:
13 de Maio de 2014
Gravadora: Epic
Produção: Paul Anka, Babyface, John Branca, Dr. Freeze, J-Roc, Michael Jackson, Rodney Jerkins, Daniel Jones, King Solomon Logan, John McClain, L.A. Reid, Cory Rooney, StarGate, Timbaland, Giorgio Tuinfort
Duração: 34m25s

por Bebé Ribeiro

Escrever sobre Michael nunca é fácil, pois sempre parece que não está o suficiente, os adjetivos parecem nunca serem bons o bastante. Falar sobre suas obras icônicas, mais difícil ainda. Eis que estou aqui para comentar sobre o segundo álbum póstumo de MJ, o Xscape, lançado dia 13 de maio. Qualquer notícia sobre o Michael gera amor e ódio. Enquanto uns ouvem loucamente as "novas" faixas, outros preferem dizer que nada impressiona. Não é e nunca será o melhor álbum, porém, não deve ser deixado de lado pois o álbum consegue manter qualidade pelo fato de muitas músicas lembrarem a melhor época do rei do pop.

Além desse fato, ainda existe o cuidado que se teve com o disco, que possui um ótimo trabalho de remixagem e acabamento. O destaque vai para o single do disco, “Love Never Felt So Good” (acima), que na edição de luxo inclui uma participação de Justin Fucking Hot Timberlake. A música foi feita há cerca de 30 anos atrás, em sua melhor fase, mostrando uma qualidade imensa, sem contar o clipe mega-fofo e que eu danço em frente à TV toda vez que vejo (só acho que eu deveria ter participado). As outras duas faixas que estão no meu top 3 são “Slave to the Rhythm” e “Blue Gangsta”: dançantes, sexy e tudo de lindo. Xscape nos traz um pouquinho de nostalgia e ressalta novamente que quando um ídolo torna-se ícone, nada relacionado a ele será esquecido.

Foxes-Glorious

Glorious
Lançamento: 12 de Maio de 2014
Gravadora: Epic
Produção: Future Cut, Ghostwriter, Liam Howe, Ben Preston, Jarrad Rogers, Mike Spencer, Utters, Matt Wiggins
Duração: 44m57s

por Ilson Junior

Durante o Grammy de 2014, após ganhar a categoria de BEST DANCE RECORDING ao lado do DJ e produtor Zedd, com o hit “Clarity”, a cantora inglesa Louisa Rose Allen, conhecida apenas como Foxes, postou em seu twitter o quão surpresa e feliz estava em conquistar o prêmio. Para os fãs mais antigos o Grammy também soava como uma grande surpresa, embora merecida, depois de tanto tempo trabalhando em ótimas musicas sem conseguir o sucesso merecido. Agora, esses fãs viam que a cantora ganhava o mundo com sua bela voz. Foxes lançou sua primeira musica em 2012, além do maravilhoso EP Warrior, do mesmo ano, este que já trazia uma prévia do que estava por vir. A notoriedade que Foxes recebeu com “Clarity” abriu muitas portas para o lançamento do seu primeiro álbum, intitulado Glorious.

O disco é definitivamente um culto à juventude e a tudo que a engloba: o desejo da liberdade, o aproveitamento do dia e da noite, o amor intenso e profundo, e até a dor da solidão por deixá-lo partir. Tudo que todos nós sabemos que viveremos enquanto nos sentirmos jovens. Como a própria cantora anuncia numa das melhores faixas do álbum e primeiro single, “Youth” (acima): “Don’t tell me our youth is running out, it’s only just begun” (“Não me diga que nossa juventude está acabando, ela apenas começou”). A faixa parece iniciar de verdade o álbum após a mística faixa de abertura “Talking to Ghosts”, que não possui refrão mas te leva a uma incrível imersão no clima celestial que encanta o álbum inteiro. Glorious é um mix de estilos trabalhados de uma forma delicada e encantadora como a própria cantora é. A faixa-título traz o uso do dubstep de uma forma ímpar, além de uma construção que, por mais bagunçada que seja, é também tocante e não falha em te deixar cantarolando: “Don't give it up, don't give it up, it's glorious”. Além do dubstep, o álbum soma nas suas musicas outras tendências eletrônicas, percussão tribal, intervenções de piano e vai desde as faixas superproduzidas para a pista de dança (como “Let Go for Tonight” – abaixo –, seu maior single) até aquelas faixas solitárias em que nada é maior do que a voz da cantora (como “Count the Saints” e “Night Glo”).

Foxes afirma que as letras do álbum, compostas por ela mesma, são sobre não desistir e se sentir grato pelo que você tem, sobre ver o quão glorioso o mundo pode ser (Fonte : Foxesteam). Glorious é celestial, místico, um culto á juventude somado à beleza de valorizar até o que é sombrio. Conversar com fantasmas ou contar o santos pode soar um pouco estranho, mas é o que compõe um dos melhores discos lançados esse ano, por uma cantora que ainda é nova, porém impressiona em talento vocal e nas composições grudentas e lindas, deixando claro que ainda tem muito pra mostrar pro mundo da musica.

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Sheezus
Lançamento:
02 de Maio de 2014
Gravadora: Parlophone
Produção: Paul Beard, DJ Dahi, Fryars, Greg Kurstin, Shellback, Fraser T Smith
Duração: 49m40s

por Caio Coletti

Em um dos muitos ganchos do hit (no mundo todo, menos nos EUA) “Hard Out Here” (abaixo) , Lily Allen declara de maneira muito esperta: “Inequality promises that it’s here to stay/ Always trust the injustice, ‘cause it’s not going away” (“A desigualdade promete que veio para ficar/ Sempre confie na injustiça, porque ela não vai embora”). Lançado cinco anos, um casamento e um filho depois de It’s Not Me It’s You, de 2009, o Sheezus pode facilmente passar a impressão de ser uma obra acomodada para aqueles que conhecem o espírito ferino e combativo da discografia da moça. O começo do álbum, com canções que caminham pelo trend fácil da música trap e trazem mais celebrações amorosas hedonistas do que críticas sociais, podem passar a impressão de que se trata de uma Lily Allen domesticada, mas não é bem assim. Ela só é uma Lily Allen mais madura.

Aos 29 anos, nossa inglesinha preferida canta as virtudes do maridão em “L8 CMMR” e “Close Your Eyes” , e mostra uma sexualidade muito mais confiante do que a que permeava o It’s Not Me It’s You. Tanto que “As Long as I Got You” empresta o estilo country da inesquecível “Not Fair” para fazer uma ode romântica, e não uma crítica birrenta ao desempenho físico de um amante. A verdade é que passadas as 4 primeiras faixas, Sheezus é um álbum bem distintamente Lily Allen. A produção de Greg Kurstin em 10 das 12 canções deixam a cantora em território confortável para sair com a linda balada “Take My Place” e a agridoce “Life for Me” , canções intimistas e em alguns momentos dolorosas que seguem a tradição de “I Could Say” e “Who’d Have Known”, do álbum anterior.

No final das contas, Sheezus é um segundo take em uma mesma visão de mundo. Lily não é um espírito conformado, mas talvez esteja um pouco cansada de atirar socos em um saco de pancadas que não parece absorver o impacto. Ela é quase explícita nessa mensagem com “Silver Spoon”, a melhor faixa trap do álbum, cantando: “I can not believe I’m still here/ Still telling you that you’re wrong” (“Eu não posso acreditar que ainda estou aqui/ Ainda te dizendo que você está errado”). Ela ainda arrisca alguns golpes mais incisivos, principalmente na genial faixa-título (acima), e em “URL Badman”, mas o que ela quer mesmo dizer com o terceiro disco da carreira é que talvez não possamos vencê-los, mas nem por isso precisamos nos juntar a eles.

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I Never Learn
Lançamento:
02 de Maio de 2014
Gravadora: Atlantic
Produção: Greg Kurstin, Lykke Li, Björn Ytting
Duração: 32m50s

por Ilson Junior

Quem vê a capa do I Never Learn, terceiro álbum de estúdio da cantora sueca Lykke Li, feita em preto e branco como as duas capas dos seus albuns anteriores, definitivamente não pode se deixar levar pela ideia de que haverá também uma grande semelhança no conteúdo entre ele e seus antecessores. Após o sucesso repentino de “I Follow Rivers”, faixa do seu penúltimo álbum, a cantora surpreendeu os fãs com um vídeo da canção-título de I Never Learn, na qual mostrou que o que estaria por vir seria algo ainda mais profundo do que os seus trabalhos anteriores.

I Never Learn é doloroso, e não há quem conteste isso. Triste, melancólico, chega a ser sádico, mas de uma forma encantadora. Não seria espantoso dizer que é ouvido de uma forma masoquista. O álbum é um daqueles que qualquer pessoa que já teve o coração quebrado irá apreciar de uma forma ainda mais intensa. “I Never Learn”, que na minha opinião é uma das melhores musicas lançadas este ano, abre o álbum de forma profunda, mística, com apenas o violão e um canto arrastado, seguido de um refrão construído por um coral ecoante e convidativo - a faixa te imerge na energia do álbum perfeitamente. “No Rest for the Wicked” (acima), escolhida como terceiro single, é ainda mais triste, trazendo uma melodia dessas que te fazem parar de sentir o chão e se perder nas claras notas de piano, e o refrão é uma obra prima, ficando na cabeça em questão de poucas audições. “Gunshot” (abaixo) é a faixa mais pesada do álbum, sombria como um abraço indesejado no escuro e talvez uma das faixas que melhor casam voz e melodia como se um ou o outro não fizessem sentido sozinhos. Chega a ser difícil destacar algumas faixas sendo que o álbum é excelente por inteiro, possuindo uma unidade impressionante.

Lykke, tão misteriosa e sombria - como sempre soube ser muito bem-, neste álbum traz um lado mais sensível, e soa como um desabafo sofrido e carente de um ombro pra chorar. Dispensando completamente as faixas mais dançantes, o álbum todo se engloba numa mesma vibe, te fazendo vivenciá-lo da primeira à ultima faixa, e dificilmente não te fará repetir uma ou outra musica, senão ele inteiro. A solidão e a tristeza, tão presentes nele, trazem diversas faces conhecidas por alguém que vivencia a falta de um grande amor perdido, desde o sofrimento solitário até a rejeição à ideia de viver um novo amor novamente. Ouvir o I Never Learn é uma experiência fantástica, que deve ser feita de coração aberto. É emocionante e definitivamente um dos melhores albuns que foram lançados esse ano.

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The New Classic
Lançamento:
21 de Abril de 2014
Gravadora: Def Jam
Produção: The Invisible Men, The Arcade, 1st Down, The Messengers, Watch the Duck, StarGate, Reeva & Black
Duração: 51m11s

por Gabryel Previtale

Depois de quase um ano do bem sucedido single "Work", lançado em março de 2013, finalmente a rapper autraliana Iggy Azalea lançou seu album: The New Classic. Nele, mostra toda sua evolução e influência desde o lançamento do single. Vale lembrar que Iggy já havia lançado um disco, bem antes de ser famosa, chamado Ignorant Art, e que obviamente não foi muito bem recebido e comercializado. O The New Classic chega como uma linha do tempo da vida de Iggy – seus acontecimentos, suas inspirações –, quase seguindo uma linha cronológica para o produto final.

A rapper insiste em dizer que o tema do seu ultimo trabalho não é transformar o classic em algo hypado ou cult alternativo, argumentando: "É como conceituar e aclamar um determinado período de sua vida, relacionando a música produzida ao momento que você está vivendo“, isto é, enquadrar o que está se vivendo de uma forma musical e não transformar o musical em certos modismos. O conteúdo do álbum é bem diversificado, "100" é com certeza uma das faixas que valem o CD da cantora, produzida juntamente do trio de trapstep Watch the Duck. Se assemelha muito a produções do Jay Z das antigas, e também do Puff Daddy no ínicio dos anos 2000. Seria uma ótima jogada se a artista tivesse colocado essa faixa como um "summer-single" norte americano.

Continuando com as faixas da australiana, no geral o que se ouve é um rap quase eletrônico, bem dançante e divertido, mas nem tudo é flores no CD de Iggy. Com essa ideia de ser um álbum quase "autobiográfico", acabou ficando repetitiva a elaboração de algumas faixas, como "Impossible is Nothing" e "Rolex". Na faixa "Walk That Line" pode ser captada uma grande influência do rapper Eminem, trazendo um vocal mais violento e enunciado de forma mais impactante. Outra faixa que poderia ser muito boa é "Fuck Love" que recebeu uma remixagem pesada e excessiva por parte de Diplo. Azaelia Banks, quem diria, também foi encontrada como forte influência em uma das faixas, no caso "Goddess", talvez inserida pelos produtores, que também trabalharam para a cantora de “212”. O pop aparece mais evidente em "Just Askin", faixa sonora e bem dividida do resto, totalmente voltada para as rádios.

No geral, o saldo do álbum é bem positivo: Iggy consegue passar mensagens positivas ao mesmo tempo sem abusar do clichê, fazendo rimas que não são comuns, deixando as letras das músicas como ponto forte e, claro, ao mesmo tempo criando um disco divertido e dançante. Merecem ser ouvidas:  Walk The Line”, “100″, “New Bitch”, “Just Askin’” além das já conhecidas “Work”, “Change Your Life” , “Bounce” e “Fancy” (acima).

Shakira-Shakira

Shakira
Lançamento:
21 de Março
Gravadora: RCA/Sony
Produção: Battledecoy, Billboard, Busbee, Cirkut, Dr. Luke, John Hill, J2, Kid Harpoon, Kosakovsky, Greg Kurstin, Steve Mac, Adam Messinger, Nasri, Luis Fernando Ochoa, Shakira
Duração: 41m45s

por Caio Coletti

A sensação de ouvir o Shakira é a de perceber que, por mais que você ache que aquele seu velho amigo tenha mudado muito, ele ainda tem uma essência muito particular que você conhece como a palma da sua mão. O prazer do décimo álbum de estúdio da colombiana que aprendemos a amar desde meados da década de 90 não está só em uma produção brilhante, em ouvir as influências da moça se juntarem para formar um todo coerente, na voz particularíssima dela, ou mesmo na doçura de um disco que é essencialmente apaixonado – grande parte desse prazer está também em ver Shakira colocando sua personalidade em primeiro plano. Não é uma questão de voltar para o mesmo som de uma década e meia atrás, e sim uma questão de perceber que talvez esse som represente muito do que Shakira é como artista.

“Dare (La La La)” (acima) abre o disco com uma conjunção de produtores pop impressionante: Dr. Luke, Cirkut e Billboard. Mesmo assim, é uma canção distintamente autoral (“Your blue Spanish eyes are my witness”) que incorpora elementos compositivos diferentes, como a ponte que é introduzida pelos gritos de “ola! ola!”, e termina como uma das faixas de pista de dança mais incríveis do ano. Seguindo essa deixa ,o restante do álbum faz um trabalho brilhante em incorporar a particularidade de Shaki em vários contextos diferentes. É claro que ajuda o fato de ela ser co-compositora e co-produtora da imensa maioria das músicas – é desse comprometimento que surgem pérolas como o dance-tango “You Don’t Care About Me”, o sensacional pop rock “Spotlight”, dono do refrão mais empolgante do álbum, e os country-latinos “Broken Record” e “Medicine”, cantada com Blake Shelton.

Shakira é um álbum barulhento, cheio de tintas de reggae (o single “Can’t Remember to Foget You” – acima – é o mais óbvio nesse sentido, mas a influência da música jamaicana percorre todo o disco), que se mostra incansavelmente experimental em alguns momentos. Nenhuma das canções passa dos 4 minutos de duração, o que contribui para a impressão de um álbum entusiástico, ágil e – talvez seja esse o adjetivo certo – encantado. A Shakira que emerge desse (merecidamente) auto-intitulado é uma mulher apaixonada, é claro, pelo marido e pela filha que faz uma participação na lindíssima “23”, mas isso não a fez perder o espírito. Pelo contrário, parece ter reascendido nela um fogo latino e uma força motriz e contamina o disco e, por consequência, o ouvinte.

silva-vistapromar

Vista Pro Mar
Lançamento:
17 de Março de 2014
Gravadora: Som Livre
Produção: N/F*
Duração: 48m30s

por Gabryel Previtale

Silva, um nome que vem rodeando os ouvidos de quem ouve e aprecia MPB. Ganhou destaque com seu disco de estreia, Claridão (2012), que se espalhou rapidamente com seu som irreverente, cheio de transições, mixagens modernas para o mpb original e com influências que deram muito certo. Resumindo, hoje ele é considerado uma das vozes deste new-mpb, ou dessa nova musica popular brasileira feita por outra geração. O cantor lançou este ano Vista pro Mar, que gerou muita curiosidade e especulação: o que seria o sucessor de Claridão?  Será que seria tão bom como o anterior? Será que iria impressionar até os ouvidos mais críticos? Será que ele mudou seu estilo em dois anos?

Em seu site, Silva diz: "Vista pro Mar surgiu em uma tarde ensolarada na piscina - como se fosse um caso de amor adolescente, daqueles que nos rende um ano de dor de cabeça criativa...". De cara o que tiramos desse seu novo trabalho é que ele continua nos traços do seu trabalho anterior, cheio de influências synthpop que mesclam perfeitamente com a MPB. Não podemos deixar de notar também a evolução do cantor quanto a qualidade das das faixas – o disco anterior tinha canções extremamente boas e outras nem tanto, esse novo album ganhou uma "nivelada". Todas as faixas estão com um padrão de qualidade muito bom, o que torna o disco mais completo, simétrico, quase sem imperfeições, esse eu acho que é diferencial do novo CD.

Sobre o conteúdo do Vista pro Mar, uma das faixas nacionais mais viciantes lançadas nos últimos tempos, que foi exibida antes mesmo do álbum ser totalmente disponibilizado, é " É Preciso Dizer" (acima), que ficou um pop bem divertido e dançante, com ótimas dosagens de synthpop e com o refrão bem melódico. "Okinawa", que conta com a participação de Fernanda Takai, segue na mesma linha de qualidade da citada anteriormente, só que dessa vez não tão animada, porém ainda sim com um pop bastante aparente, só que mais calma. "Universo" é uma faixa que funciona, fez seu trabalho, mas não possui uma melodia inédita que grita originalidade, embora seja single neste álbum. Isso que nos faz pensar que, normalmente, quando um artista escolhe teus singles, são porque são as melhores musicas do CD, e que no caso de Silva não é bem assim. "Disco Novo" prova isso; possui uma batida eletronica e sons de palmas, que apresente uma belíssima letra, bem simples e honesta "Já amei, amei também/ Já desanimei/ Insisti em não lembrar/ Depois lembrei".

O que ficou do ultimo trabalho de Silva, foi que o álbum acertou em cheio ao ter musicas muito boas e ao mesmo tempo muito distintas, o que pode ter causado alguma implicância em outras pessoas, ao chamar o disco de "confuso e muito transitório", mas vale ouvir e tentar captar a essência do disco que ficou muito bem feito. Vale a pena ouvir: “Janeiro”, “Volta”, “Disco Novo”, “É Preciso Dizer”.

Paloma-Perfect Contradiction

A Perfect Contradiction
Lançamento:
10 de Março 2014
Gravadora: Sony
Produção: Eric Appapoulay, Chris Braide, AC Burrell, G’Harah Degeddingseze, Mr Hudson, Stuart Matthewman, Kieron Mcintosh, Dave Okumu, Plan B, Steve Robson, Raphael Saadiq, Taura Stinson, Kyle Thownsend, Dylan Wiggins, Pharrell Williams
Duração: 39m22s

por Marlon Rosa

Junte Pharrell Williams, John Legend, Raphael Saadiq e Diane Warren, some com o poderoso alcance vocal de Paloma Faith, e o que temos é um álbum com batidas e arranjos que remetem aos anos anos 60 e 70, em uma combinação perfeita de R&B e disco. Apesar de não apresentar novidades musicais em relação aos seus trabalhos anteriores, que sempre tiveram um ar mais “vintage”, A Perfect Contradition soa como uma Paloma mais madura, mas que ora ou outra perde a mão e a originalidade.

O lead sing “Can’t Rely on You” por exemplo, transpira mais o groove e o soul, marca registrada de várias composições de Pharrell, como já visto em “Blurred Lines”, do que propriamente soul-pop de suas músicas. Entretanto, as exeções não atrapalham em nada a maravilhosa experiência que é ouvir a voz de Faith, como acontece em “Only Love Can Hurt Like This”, talvez um dos maiores destaques do álbum e de sua carreira. Outras faixas que merecem atenção são “Trouble With My Baby” e “The Bigger You Love (The Harder You Fall)”.

mo-mythologies

No Mythologies to Follow
Lançamento:
07 de Março de 2014
Gravadora: RCA Victor
Produção: Diplo, James Dring, August “ELOQ” Fenger, Ronni Vindahl
Duração: 43m59s

por Marlon Rosa

Karen Marie Ørsted faz parte do seleto, mas em rápida ascensão, grupo de músicos pops escandinavos que misturam vocal de notas altas, pop alternativo, synthpop, indie pop e mais uma caralhada de estilos. E ela, no  auge dos seus 25 não poderia ter escolhido um nome artístico melhor: MØ significa virgem em dinamarquês, e assim como o significado do seu nome, ela encarna em suas músicas uma vontade de se libertar, e se desvirginar com o mundo da forma mais louca e imediata possível.

Isso acontece com versos como: "You make me wanna spit on your honor/ Go with the bus waiting 'round the corner /To seek the fire and my desires/ If we could all just do as I do/ Where, where do we go?/ Where the, where the wind blows/ We're the youth on our own" (“Você me faz querer cuspir na sua honra/ Ir com o ônibus que espera na esquina/ Procurar o fogo e meus desejos/ Se todos nós pudéssemos só fazer do jeito que eu faço/ Onde, onde nós vamos?/ Onde, onde o vento nos levar/ Nós somos a juventude por nós mesmos”), da música que dá título ao álbum de estreia.

MØ invoca a juventude dentro de cada um e nos convida a sair sem rumo, seguindo apenas nossos instintos. É exatamente essa a fórmula que faz No Mythologies to Follow um álbum que transborda originalidade e faz do descompromisso e da liberdade criativa uma verdadeira sinfonia para os ouvidos. Ouvindo-o, surge aquela vontade de chamar os amigos, subir em um carro daqueles conversíveis, que dá pra sentir o vento no rosto, ligar a música no alto e seguir sempre em frente, sem nunca olhar pra trás e sem medo de arrependimentos.

“Fire Rides”, “Never Wanna Know”, “Don't Wanna Dance” (acima) e “XXX 88” se encontram entre as melhores músicas de um dos melhores álbuns de 2014.

Lea-Louder

Louder
Lançamento:
28 de Fevereiro de 2014
Gravadora: Columbia
Produção: Josh Abraham, Benny Blanco, Chris Braide, Scott Cutler, David Hodges, Matt Rad, The Messengers, Monters & Strangerz, Colin Munroe, Oliver “Oligee” Goldstein, Ali Payami, John Shanks, Sir Nolan, Stargate, Sean Walsh
42m29s

por Caio Coletti

Desde o momento em que Lea Michele, a Rachel Berry de Glee, anunciou que estava preparando seu primeiro álbum solo, uma dúvida me falou alto: será que o mercado pop vai conseguir enquadrar a voz gigantesca dessa nova-iorquina de 27 anos? Não é exagero, e não precisa ir muito longe para achar um exemplo de que nem sempre as melhores vocalistas se dão bem no gênero. A espetacular Jennifer Hudson e seus dois álbuns de estúdio nunca encontraram mais do que momentos fugidios de brilho dentro da caixinha R&B em que os produtores insistem em colocá-la. Por sorte ou por esperteza, Lea acabou não caindo nessa mesma limitação – seu Louder, como o próprio nome diz, é barulhento, grandioso e apoteótico. E o melhor de tudo, não tenta esconder que sua vocalista é diferente de todas as outras.

O álbum é produzido em função da voz de Lea, e não o contrário. As poucas tentativas de encaixá-la em algum lugar resultam no single “On My Way” (abaixo) e na faixa-título, que a colocam na pista de dança com resultados variáveis – a primeira faixa é um pouco óbvia com sua queda dubstep e sua melodia quebrada, enquanto a segunda é bem mais agradável, com uma abordagem mais straighfforward do dance. No entanto, se mesmo nesses momentos mais esquecíveis a voz de Lea se mostra uma força poderosa para captar a atenção do ouvinte, nas melhores faixas do Louder ela aparece como uma das melhores vocalistas da música pop atualmente. E a coleção de power ballads do álbum não deve ser subestimada.

Há um bom tempo que a indústria fonográfica não apostava nesse formato, e Lea é a pessoa certa para trazê-lo de volta. Quatro faixas trazem a assinatura de Sia, talvez a compositora mais reconhecível no mercado atualmente, e duas se destacam absolutas: “You’re Mine” tem o refrão mais apoteótico do álbum, apresentando um desafio de verdade para Lea; e a amargamente linda “If You Say So” faz uma bela homenagem a Cory Monteith, dando ao álbum a nota de luto que o momento da vida da cantora exigia. Além disso, porém, a canção é também o ponto final perfeito para um álbum jovem, com o pendor certo para a dramaticidade, mas um senso de presente muito característico da geração de Lea Michele. Além de um acerto em cheio em termos de carreira, Louder é também um bonito retrato de uma artista cujo talento é absolutamente dominante.

Owlle-France

France
Lançamento:
20 de Janeiro de 2014
Gravadora: RCA
Produção: N/F*
Duração: 39m07s

por Caio Coletti

“Uma coisa que eu percebi só quando terminei o álbum é que há nele uma noção de alguém correndo incessantemente atrás de alguma coisa, alguma coisa impossível de alcançar. Eu não tinha percebido isso antes, que esse era meu tema nas letras, mas também de uma forma rítmica”. É assim que Owlle se refere a seu disco de estreia, France, numa entrevista concedida para o site de arte Amelia’s Magazine, publicada antes do lançamento mundial da obra, em 20 de Janeiro. A moça, que é (apropriadamente) francesa, chamou a atenção primeiro com o EP Ticky Ticky, virou a nova it girl europeia com seu estilo visual muito particular, e foi convidada pelo Depeche Mode para remixar a faixa “Heaven” (ouça o resultado aqui), tudo antes de estrear pra valer na indústria fonográfica. Ainda um sucesso modesto perto de muitos integrantes dessa lista, Owlle é uma artista de sutilezas, e por isso merece lugar aqui.

France é uma pequena pérola rítmica que tem muito a ensinar, ao menos nesse aspecto, para o trabalho de outras pretendentes a diva do synthpop. Há um entrelaçamento entre as batidas e a melodia, sendo auxiliadas pela produção e pela forma bem straightforward de cantar da francesa, que fazem cada faixa uma progressão deliciosa de ritmo. Isso já fica bem nítido em “Fog”, que abre o disco, e cujos versos são levados em uma cadência bem particular. No álbum de Owlle, tudo parece estar aqui para hipnotizar: os synths graves que garantem o clima da balada “Your Eyes” são contrastados pelas intervenções mais agudas e pela batida four-on-the-floor de “Ticky Ticky” (acima), o grudento e viciante hit da cantora. Existe mesmo essa noção de busca em France – há algo de incansável no álbum que é encantador.

Sobram outros conceitos interessantes para apreciar no disco de Owlle, no entanto. A faixa “Creed” é esperta o bastante para pegar uma melodia essencialmente pop-rock (não estou falando besteira, juro! Ouça, feche os olhos, e pense em Kelly Clarkson cantando essa música) e decorá-la com um instrumental essencialmente synthpop. O resultado é empolgante, assim como a capacidade de criar verdadeiros épicos de menos de três minutos (“Silence” e a faixa final do álbum, “My Light Has Gone”) com batidas militares e sintetizadores que se sobrepõem em um clímax quase orgástico. Até a balada “Free”, levada pelo piano, ganha charme na voz de Owlle. Pode ser que a moça ainda não seja uma estrela, mas ela sem dúvida entregou o melhor álbum de synthpop do ano.