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Janelle Monáe cria a obra de arte do ano com um álbum visual espetacular - e que desafia descrições.

Os 15 melhores álbuns de 2017

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Review: Me Chame Pelo Seu Nome

Luca Guadagnino cria o filme mais sensual (e importante) do ano.

Review: Lady Bird: A Hora de Voar

Mais uma obra-prima da roteirista mais talentosa da nossa década.

Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

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2 de set. de 2015

6 anos d’O Anagrama: 6 personagens de TV marcantes dos últimos 6 anos

POST

Essa semana O Anagrama completa 6 aninhos! Incrível pensar em como esse tempo todo passou rápido, e o quanto o site mudou de 2009 pra cá, mas mais incrível ainda é pensar em quanta coisa, quanta cultura pop, passou por aqui e pelo mundo nesse período. Por isso, para comemorar em grande estilo os 6 anos do site, resolvemos olhar para fora de nós mesmos e montamos uma série de listas selecionando alguns dos “itens” mais marcantes da cultura pop dos últimos anos. Serão dois posts de TV, dois de cinema e dois de música, para pagar tributo ao caráter multi-assunto d’O Anagrama, nos próximos seis dias, e embora as nossas seleções sejam muito pessoais, como sempre estamos mais que abertos para discutir quem faltou e quem sobrou nas listas com vocês, maravilhosos leitores!

Hoje, elencamos 6 personagens de TV que acompanhamos nesses 6 anos. Amanhã rola a última lista, com 6 álbuns que mais nos marcaram desde 2009.

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Gloria Delgado-Pritchett (Sofia Vergara)
de Modern Family (2009-)

por Gabryel Previtale

A belíssima atriz colombiana Sofia Vergara é o nome por traz da maravilhosa, divertidíssima e carismática personagem Glória Prichett. A atriz interpreta, na série Modern Family, a também colombiana Glória, casada com Jay Pritchett e mãe de Manny Delgado. Seu marido é americano e mais velho, o que leva o espectador (a primeira vista) a tirar várias conclusões errôneas e preconceituosas acerca da personagem. No entanto, quem a segue e acompanha a série sabe que Gloria quebra vários paradigmas, sendo uma excelente mãe e uma esposa mais que dedicada, que liga mais para o interior das pessoas do que para beleza. Entre tantos preconceitos que não cabem a personagem, existe a ideia machista de que mulher muito bonita não pode ser engraçada ou ser independente, e é aí que Sofia Vergara consegue brilhar e cravar sua marca como uma ótima atriz.

Mesmo dando um ar caricato a sua personagem, com um sotaque muito carregado (traço que suporta boa parte do humor da personagem), ela se mostra muito esperta, intensa e forte como mulher latina, com a série a colocando em situações cômicas, juntamente com o restante da família, onde sua personalidade divertida e forte consegue se sobressair. Sofia foi indicada 4 vezes ao Emmy pelo papel, além de eleita a terceira melhor mãe da TV americana e uma das 7 melhores personagens femininas de comédia pela BuddyTV.

Mais Sofía: A colombiana atua em Hollywood desde 2002, mas desde o sucesso da sitcom da ABC conseguiu papéis bem mais destacados em filmes que muito mais gente viu. As escolhas variam de comédias bobinhas (Os Smurfs, Noite de Ano Novo) até filmes com mais pedigree (vide o tragicômico Chef, em que nossa Gloria entrega uma atuação agradavelmente contida). Esse ano ela foi a co-estrela de Reese Witherspoon em Belas e Perseguidas, buddy-cop-comedy lançada no começo de Julho.

THE GOOD WIFE

Alicia Florrick (Julianna Margulies)
de The Good Wife (2009-)

por Rubens Rodrigues

Após a prisão do marido, envolvido em um escândalo sexual, a esposa do promotor viu sua vida mudar quando virou objeto de observação pública. Com dois filhos adolescentes para criar, Alicia Florrick voltou a trabalhar como advogada, carreira que havia largado ao casar com Peter Florrick. A premissa é interessante e promete um drama dos bons, o que The Good Wife entregou desde o começo.

Com desenvolvimento na medida certa, se desenrolando naturalmente, a série desconstrói a “boa esposa” durante a primeira temporada e constrói Alicia Florrick como a conhecemos hoje: mulher, mãe e advogada. Uma fortaleza que aprendeu da forma mais difícil a lidar com as voltas da vida. Os roteiristas Robert e Michelle King são brilhantes ao escrever o programa em volta dessa (des)construção da personagem interpretada por Julianna Margulies, que faz um dos trabalhos de maior destaque na TV atualmente. Alicia Florrick é dessas personagens que devem ser lembradas ainda por muito tempo.

Mais Julianna: Essa nova-iorquina é uma estrela da TV desde bem antes de embarcar em The Good Wife (ela passou seis temporadas, entre 1994 e 2000, em Plantão Médico), e faz bem pouco cinema. Desde o começo da série, atuou só em dois filmes: Amigos Inseparáveis e Confusões em Família, ambos comédias acima da média em que seus companheiros de cena são gente do calibre de Andy Garcia, Al Pacino, Christopher Walken e Alan Arkin.

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Arya Stark (Maisie Williams)
de Game of Thrones (2011-)

por Vanessa Dias

Game Of Thrones estreou em 2011 e, desde então, cada temporada junta um novo número considerável de fãs assíduos pela série. Como sabemos, no universo de Westeros é preciso ser o mais desapegado possível dos personagens, uma vez que você nunca sabe quem poderá ser o próximo cujo o sangue vai parar de correr pelas veias. No entanto, é inevitável apostar nos seus favoritos e torcer para que eles durem ao máximo na série.

Caçula da família Stark (e uma das poucas sobreviventes da linhagem), Arya é seguramente uma das personagens que mais amadureceu dos primeiros episódios até agora. A garotinha que tinha aulas de luta escondida, dizendo serem “aulas de dança”, sofreu uma série de eventos traumáticos e deu espaço a uma garota madura, amarga, talvez um pouco psicopata e certamente sedenta por vingança. Ainda sim, Arya se difere da maioria dos personagens da série principalmente por mostrar um amadurecimento na série sem deixar que seus ideais fossem corrompidos.

Ao contrário de alguns pensamentos calculistas tão vistos em alguns personagens, Arya nunca se importou com laços por interesse ou status. A garota se aproxima de todos que merecem sua amizade, sem olhar para classe social e nem mesmo levando em conta se isso poderá prejudica-la. Oposta a sua irmã, Sansa, que na primeira temporada queria acima de tudo casar com Joffrey e se tornar rainha (se ao menos ela soubesse o que lhe aguardava...), Arya mostrava tais ideais ainda como uma criança nobre – o amor pelo irmão bastardo Jon Snow, a amizade com o filho de um açougueiro fiel a ponto de desafiar o futuro Rei de Westeros, a decisão por não seguir os padrões da sociedade de ser a futura esposa de um nobre. Se analisarmos, Arya é inclusive uma mulher à frente de seu tempo e sociedade. Sempre defendeu que mulheres podem ser mais que moedas de troca em acordos políticos, dizendo ainda na primeira temporada que “essa não era ela”. A Stark não cedeu às pressões sociais mesmo em momentos de crise, mantendo a autenticidade e princípios – o que, convenhamos, é um pouco raro de encontrar na série.

É característica predominante na personagem a coragem. Arya é extremamente corajosa e, ao contrário de praticamente todos os outros personagens, a garota não é ambiciosa. Certamente Arya não iria se importar nem um pouco de nunca ter conhecido King’s Landing, de ainda estar em Winterfell, ao lado de Nymeria e dos irmãos. Infelizmente a vida em Game Of Thrones não é, em momento algum, uma máquina de realização de desejos e, como sabemos, a vida de Arya (e de todos os Starks, no geral) não foi nem um pouco justa. Arya sofreu e, sim, se tornou extremamente amarga de uma maneira irremediável. Passou a não ter receio de matar, a não sentir condolência por pessoas que julgava não merecer e, acima de tudo, a buscar vingança por aqueles que ama. É justamente por isso que, apesar da mudança e dos sentimentos negativos fervilhando, a personagem se mantém doce: é de suas perdas e de boas lembranças que a garota tira forças para continuar sobrevivendo. O que move o desejo de vingança de Arya não é uma raiva cega, mas justiça.

A verdade é que Arya não precisa de grandes cenas chocantes ou ambição sem tamanho para ganhar destaque na série. Tampouco precisa ser extremamente forte ou traiçoeira para estar entre os sobreviventes de Westeros. Arya é esperta o suficiente para, aos onze anos de idade, enganar um assassino profissional e se manter anônima em um universo onde sua cabeça é prêmio, sem deixar de ser doce e altruísta o suficiente para abrir mão de alguns amigos, se for o melhor para eles. É impossível saber o que o futuro de Game Of Thrones guarda para a caçula Stark. Só podemos desejar que, a cada episódio, Arya continue aplicando a primeira lição aprendida durante as aulas de dança. What do we say do death? Not today.

Mais Maisie: A mais feroz dos Stark foi o primeiro papel dessa jovem (18 anos!) britânica. Desde então, ela aproveitou a fama para estrelar uma minissérie de suspense da BBC (The Secret of Crickley Hall), um filme de ação B (Heatstroke), uma dramédia familiar elogiada (Gold) e o misterioso The Falling, que ganhou trailer recentemente. Ainda esse ano ela participa de dois episódios da nona temporada de Doctor Who, argumentadamente a série mais popular da Inglaterra.

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Hannah Horvath (Lena Dunham)
de Girls (2012-)

por Caio Coletti

Não faltam polêmicas envolvendo Girls, a comédia que a HBO estreou em 2012 e se tornou um dos carros-chefe do canal, ou mesmo envolvendo sua criadora e protagonista, Lena Dunham. Da exposição constante da nudez de suas personagens até a reclamação quanto à pouca diversidade racial na série, a jornada de Hannah Horvath como personagem não foi uma das mais tranquilas desses últimos 6 anos na TV. Há algo de essencial a se reconhecer sobre ela, no entanto: Hannah é corajosamente falha de uma maneira que poucas protagonistas na televisão são hoje em dia. Egocêntrica, com uma opinião de si mesma nada modesta, verborrágica, cheia de paranoias e preocupações fúteis. Hannah começa a série dizendo que talvez seja a voz da sua geração, e talvez Lena Dunham tivesse essa mesma ambição lá em 2012 – a jornada da personagem em Girls, no entanto, é uma de luta pelo aperfeiçoamento pessoal e, ao mesmo tempo, apego àquelas características que fazem Hannah ser quem ela é, e isso inclui todos os defeitos citados aí em cima.

“Eu sou um indivíduo e sinto o que sinto quando sinto”, ela diz em certo ponto da série, com convicção inabalável. No mundo imperfeito de Girls, que reflete sempre e de forma muito honesta também as limitações de sua equipe de criação e roteiro, somos incentivados a abraçar Hannah e suas amigas (igualmente problemáticas) da forma como elas são. Há algo de muito relacionável nisso, porque é o que todos nós desejamos quando saímos da frente da tela para encarar o mundo real – ou deveríamos desejar, ao menos. Hannah é, no cenário televisivo de hoje, uma das personagens que mais mudou e melhorou na sua jornada narrativa, e paradoxalmente também a que foi escrita com o melhor senso de coesão e fidelidade aos traços fundamentais da sua personalidade. Há algo de refrescante na honestidade e vulnerabilidade desse processo, e algo de muito especial também.

Mais Lena: Concentrada na série da HBO, Lena não teve muito tempo para continuar a carreira cinematográfica como roteirista, que tinha começado bem com Mobília Mínima e Nobody Walks. Como atriz, ela apareceu em pequenos papéis nas comédias Supporting Characters (projeto pessoal do companheiro de Girls Alex Karpovsky), Bem-Vindo aos 40 e Um Novo Começo. Quem estiver ansioso por mais Lena, no entanto, deve correr ler Não Sou uma Dessas, livro auto-biográfico que ela lançou ano passado.

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Claire Underwood (Robin Wright)
de House of Cards (2013-)

por Caio Coletti

Robin Wright é um dos talentos mais gritantemente mal-aproveitados de Hollywood. Encarnando a esposa do senador (no começo da série) Frank Underwood feito por um Kevin Spacey sempre excelente, ela construiu praticamente sozinha uma das personagens mais fascinantes e importantes dos últimos anos da televisão. Durante o primeiro ano, no qual o roteiro estoico da série deixava muito (demais?) para a imaginação quanto ao casamento de Frank e Claire e os objetivos que verdadeiramente moviam as ações de ambos, ela quietamente dispôs as fundações da personagem. O trabalho sutilmente brilhante garantiu que, no segundo ano, Claire ganhasse mais destaque e a trama a analisasse com mais cuidado – Robin nos mostra, durante aqueles 13 episódios, uma mulher com um compasso moral que aprendeu que, em alguns casos, os fins justificam os meios. O showrunner Beau Willimon não foi gentil com a personagem, cavando falhas nessa atitude de paladina da justiça com métodos escusos, e no terceiro ano o que vimos foi Robin operando uma lenta realização na agora primeira-dama, um confronto com as verdades de sua situação e seu casamento.

Muito alarde se faz quanto às citações ácidas e sombrias de Frank, um dos vilões (e não, ele não é um anti-herói) mais verdadeiramente assustadores da televisão hoje em dia, mas a verdadeira carta na manga de House of Cards (sem trocadilhos) é Claire. Uma personagem tremendamente humana que carregou a série, com essa humanidade, para um caminho menos cínico, que enxerga a tragédia de seus personagens e a grandeza, mesmo que duvidosa, deles. Wright é a grande responsável por termos, hoje em dia, a House of Cards que aprendemos a amar, e realiza temporada após temporada um dos trabalhos mais precisos, importantes, fortes e sutis do cenário televisivo. Estamos melhores, como espectadores, com Claire Underwood em cena – e isso não é pouco.

Mais Robin: Quem acompanha o cinema um pouco mais avidamente sabe que House of Cards é só mais uma marca na carreira brilhante dessa texana. Ela estreou em 1987 em A Princesa Prometida e fez todo mundo se apaixonar por ela em Forrest Gump – de 2013 para cá, esteve no polêmico Amor Sem Pecado, com Naomi Watts, no lindo O Congresso Futurista (que revisamos aqui no site), e no thriller O Homem Mais Procurado, que tem uma das últimas atuações do falecido Philip Seymour Hoffman.

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Rust Cohle (Matthew Mcconaughey)
de True Detective (2014)

por Caio Coletti

Eu confesso que não estou assistindo a segunda temporada de True Detective, a antologia criminal da HBO, mas poucas histórias na televisão me afetaram e fascinaram tanto quanto a do primeiro ano da série de Nic Pizzolato. Há algo de verdadeiramente mitológico ou místico na forma como o roteirista moldou seus personagens e a filosofia deles em torno de noções centrais de narrativa (de certa forma, True Detective é uma história sobre o ato de contar histórias), niilismo e psicologia. Há algo de ainda mais especial no personagem central da série, o Rust Cohle interpretado por Matthew McConaughey – escrito sob medida para entrar para o imaginário popular com seus longos monólogos sobre a futilidade da vida e da percepção humana, Rust é também, habilmente, transformado em um personagem integral e intenso, com motivações e sentimentos identificáveis. McConaughey, no que é absolutamente a melhor performance da sua carreira, o interpreta com a sensibilidade certa, construindo uma atitude debochada e cínica só para desmoroná-la perto do final, quando vemos Cohle acordar depois de solucionar o caso que ocupa a temporada inteira (e quase morrer no processo).

O processo minucioso de desenho dessa linha narrativa apenas torna sua conclusão ainda mais tocante, revelando o âmago da narrativa da temporada e dos dois personagens principais que acompanhamos. Cohle deixa de ser essa criatura sobrenatural que aparece em nossas telas, na expressão perdida e fascinante de um ator com o qual estamos acostumados a dialogar, para nos dizer que a vida nada mais é que “um sonho que tivemos dentro de uma sala trancada”; ele se torna um ser humano com esperanças e sonhos e desejos e pensamentos demais dentro de si, que precisa estourar tudo isso em algum momento. Há algo de muito catártico em ver Rust chorar como chora em “Form and Void” (1x08), por mais cruel que isso seja – faz pensar que, se a vida é mesmo essa gigantesca ilusão, talvez seja melhor tirar tudo o que pudermos dela.

Mais Matthew: Difícil é saber onde Matthew não está nos últimos anos. Depois de se firmar como ator sério e com um Oscar na prateleira, o ator americano estrelou Interestelar, que dividiu críticos e espectadores mas segue sendo um dos filmes obrigatórios de 2014, e The Sea of Trees, drama de Gus Van Sant (Gênio Indomável) mal-recebido em Cannes. Ano que vem ele atua sob o comando de Gary Ross (Seabiscuit) no épico de Guerra Civil The Free State of Jones.

21 de abr. de 2015

10 filmes que Cannes 2015 vai ver (e você também deveria)

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por Caio Coletti

Como acontece todo ano, sem falta, ficamos louquinhos com o listão de selecionados para o Festival de Cannes, que vai rolar nos próximos dias 13 a 24 de Maio, na Riviera francesa. E como é nossa tradição desde 2013, fizemos das tripas coração para comprimir a seleção awesome comandada pelos presidentes do júri Joel e Ethan Coen (diretores de Queime Depois de Ler, Onde os Fracos Não tem Vez e vários clássicos da cinematografia americana) em apenas 10 filmes essenciais. O mais bacana de compilar essa lista todos os anos é entrar em contato com as obras escolhidas de países e regiões do mundo que nem sempre recebem a devida atenção do circuito de cinema mainstream, e esperamos poder passar um pouquinho dessa abertura de horizontes pra vocês.

Vamos aos dados, então. Para começar, o pôster dessa que é a 68º edição do festival mais importante do mundo é esse aí em cima, estrelado pela maravilhosa da Ingrid Bergman, que todo mundo conhece por Casablanca e pelas colaborações com Alfred Hitchcock (Interlúdio e Quando Fala o Coração). Essa sueca ganhou três Oscar na carreira (número superado, entre as atrizes, só pela Katherine Hepburn), e faria 100 anos de vida no próximo dia 29 de Agosto. Infelizmente, Bergman morreu em 1982, aos 67 anos. Enquanto a homensagem do pôster vai merecidamente para ela, a escolha de dar a presidência do júri para os irmãos Coen consolida um caso de amor longo do festival com o cinema desses americanos – os dois já tiveram sete seleções para a competição principal, duas vitórias na corrida pela Palma de Ouro, e um prêmio de direção.

Nomes bem díspares de várias áreas do cinema completam o júri, como de costume: as atrizes Sophie Marceau (França), Sienna Miller (Inglaterra) e Rossy de Palma (Espanha), os diretores Guillermo Del Toro (México) e Xavier Dolan (Canadá), o ator Jake Gyllenhaal (EUA) e a compositora de trilhas-sonoras Rokia Taoré (Mali). No comando da mostra Un Certain Regard, mais concorrida das exibições paralelas à competição principal, a diva italiana Isabella Rossellini (Veludo Azul) criou uma seleção bastante fiel ao espírito da Un Certain Regard, cheia de cineastas independentes e possíveis surpresas.

Para manter nossa lista enxuta, acabamos cortando os filmes dessas mostras paralelas, mas vale a pena ficar de olho na Un Certain Regard. Também deixamos de fora, inclusive, algumas estreias aguardadas que estarão fora da competição principal, mas prometem fazer barulho: achamos que filmes como Irrational Man (o novo do Woody Allen), Inside Out (da Pixar), Mad Max: Fury Road e The Little Prince serão escolhas óbvias quando chegarem aos cinemas, e resolvemos focar em filmes importantes e que talvez não tenham ainda chamado a atenção do público. Vamos lá?

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La Tête Haute (Standing Tall)
Filme de abertura

La Tête Haute é o primeiro filme dirigido por uma mulher a ganhar a honra de ser a abertura do Festival de Cannes desde 1987 (na época, a festa começou com A Man in Love, de Diane Kurys). É também o primeiro filme francês a abrir o festival desde 2005 – boatos circulam que o manda-chuva de Cannes, Pierre Lascure, estava procurando por um filme mais low profile para abrir a 68º edição da festa, depois de uma série de filmes estrelados (Grace of Monaco, Gatsby, Moonrise Kingdom). A obra escolhida chega com o pedigree da diretora e atriz Emmanuelle Bercot, que estreou seu filme anterior, Ela Vai, no Festival de Berlim de 2008 – ambos são estrelados por Catherine Deneuve, a diva do cinema francês que ficou conhecida por aqui pela participação em Dançando no Escuro, de Lars Von Trier. Em La Tête Haute ela interpreta uma juiza que cuida do caso de uma delinquente infantil – o filme acompanha a garota protagonista entre os 6 e os 18 anos.

Il Racconto Dei Racconti (The Tale of Tales)
Competição pela Palma de Ouro

Nessa primeira escolha nossa da lista de “indicados” para a Palma de Ouro ficam claras duas tendências favorecidas pelos irmãos Coen: os filmes com inclinação bizarra e as aventuras de diretores estrangeiros no âmbito internacional (com filmes falados em inglês, em oposição a língua natal dos realizadores). The Tale of Tales é a estreia fora da Itália de Matteo Garrone, que fez muito marulho em 2008 com Gomorra, vencedor do prêmio do júri em Cannes e um dos filmes italianos mais falados dos últimos anos. O estilo bem particular que guiou aquele filme reaparece no trailer desse novo, estrelado por nomes de diversas nacionalidades como Salma Hayek (México), John C. Reilly (EUA), Toby Jones (Inglaterra) e Vincent Cassel (França). A história de fantasia, abordada de forma crua pelo diretor e com um design de produção belíssimo, se baseia em uma coleção de contos de fada famosa na Itália, o Pentamerone.

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The Lobster
Competição pela Palma de Ouro

Mais uma estreia estrangeira no cinema americano: Yorgos Lanthimos, um jovem diretor grego que ganhou aclamação crítica pelo seu incômodo Dente Canino (premiado na Un Certain Regard em 2009), estreia também na seleção principal de Cannes com The Lobster, estrelado por grandes nomes hollywoodianos como Colin Farrell, Léa Seydoux, Rachel Weisz, Ben Whishaw e John C. Reilly (de novo!). A trama do novo filme de Lanthimos é no mínimo curiosa: num futuro distópico, a humanidade desenvolveu um sistema em que, se as pessoas solteiras não encontrarem um parceiro ou parceira dentro de 45 dias depois de certo ponto na vida, elas são transformadas em animais e soltas na natureza. É isso mesmo, você não leu errado. Será que a visão de Lanthimos sob o gênero da ficção científica distópica vai ser tão incisiva e provocadora quanto seus filmes anteriores?

Carol
Competição pela Palma de Ouro

Primeiro de só dois diretores americanos da nossa lista, Todd Haynes é um dos cineastas mais celebrados das últimas décadas. Foi lembrado pelo Oscar pelo roteiro de Longe do Paraíso, foi indicado à Palma de Ouro por Velvet Goldmine e ainda dirigiu Não Estou Lá, que rendeu muitos aplausos da crítica e indicações a prêmios para seus atores. O retorno de Haynes ao cinema (ele esteve na TV com a minissérie Mildred Pierce em 2011) com Carol se qualificaria como um dos filmes “sérios” mais esperados do ano mesmo sem a seleção para a Palma de Ouro. Cate Blanchett volta a trabalhar com o diretor como a personagem-título, objeto de desejo da jovem interpretada por Rooney Mara, em plenos anos 50. Pior, a tal Carol interpretada por Blanchett é uma mulher casada.  O elenco ainda conta com Sarah Paulson, Kyle Chandler e Cory Michael Smith, e a história se baseia em uma novela de Patricia Highsmith intitulada O Preço do Sal.

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Louder Than Bombs
Competição pela Palma de Ouro

Vão contando: terceiro diretor estrangeiro expandindo fronteiras nacionais, e segundo a pular da Un Certain Regard para a competição principal de Cannes. O norueguês Joachim Trier esteve na mostra paralela em 2011, com o elogiado Oslo, 31 de Agosto, que o famoso crítico americano Roger Ebert elencou como um dos seus filmes preferidos daquele ano. Agora, ele comanda um elenco que inclui Isabelle Huppert (A Professora de Piano), Jesse Eisenberg, Rachel Broshanan, Amy Ryan, Gabriel Byrne e David Strathairn na história de uma celebrada fotógrafa francesa cuja vida vira de cabeça para baixo quando, durante a organização de uma retrospectiva de seu trabalho, um velho segredo é desenterrado e chega aos ouvidos de sua família. Elogiado por sua empatia para com os personagens e observação meticulosa das performances dos atores, esse é o tipo de história com a qual Trier é capaz de fazer maravilhas.

Umimachi Diary (Our Little Sister)
Competição pela Palma de Ouro

Escolhemos Umimachi Diary entre as duas entradas do cinema asiático para a competição pela Palma puramente por causa do pedigree do seu diretor: Hirokazu Kode-eda é um dos cineastas chineses contemporâneos mais celebrados pelos trabalhos dramáticos, especialmente o comovente Pais de Filhos, que venceu o prêmio de roteiro em Cannes em 2013. Baseado em um mangá super muito-sucedido por lá, o filme conta a história de três irmãs vivendo na parte rural do Japão que recebem uma quarta garota, mais nova, em sua casa. Vale destacar também Assassin, filme de artes marciais de Hou Hsiao Hsien (A Viagem do Balão Vermelho), que promete trazer visuais interessantes de época e o estilo particular do diretor múltiplas vezes nomeado para a competição principal de Cannes.

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The Sea of Trees
Competição pela Palma de Ouro

A floresta de Aokigahara (que, em chinês, significa “mar de árvores”) é conhecida como “a floresta do suicídio” por ser o segundo destino mais popular do mundo para pessoas que desejam se matar – perde só para a Golden Gate Bridge, em San Francisco. Anualmente, a polícia recupera mais de uma centena de corpos de lá, sem contar os que, segundo as próprias autoridades, “são achados por animais selvagens antes”. É nessa locação sombria que se passa o novo filme de Gus Van Sant, vencedor da Palma de Ouro em 2003 por Elefante e diretor de filmes como Gênio Indomável e Inquietos. Estrelado por Matthew McConaughey, Ken Watanabe, Naomi Watts e Jordan Gavaris, o filme conta a história de um americano que se perde na floresta, e conta com a ajuda de um japonês para achar a saída.

Macbeth
Competição pela Palma de Ouro

A última adaptação “séria” de Macbeth para a tela grande foi em 1948, acreditem ou não. Dirigida e estrelada por Orson Welles, aquela versão acabou se tornando a principal referência cinematográfica para um dos dramas mais famosos de Shakespeare (Ian McKellen e Patrick Stewart já interpretaram o personagem na TV). Para sua estreia no cinema americano, o australiano Justin Kurzel resolveu esticar a ambição e escalar o badalado Michael Fassbender para o papel-título, um duque escocês que, atiçado pela profecia de três bruxas, mata o rei para tomar seu lugar. Na pele da infame Lady Macbeth estará Marion Cotillard, enquanto David Thewlis e Elizabeth Debicki interpretam papéis secundários. Kurzel impressionou bastante com seu filme anterior, Snowtown (2011), que também foi exibido em Cannes, que chocou pela intensidade emocional e física, mas ganhou elogios rasgados da crítica.

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A Tale of Love and Darkness
Fora de competição

Há algum tempo uma atriz que vem mostrando controle criativo e independência na carreira, Natalie Portman finalmente estreia na direção de longas-metragens com A Tale of Love and Darkness, que será exibido em Cannes mesmo não estando na disputa pela Palma de Ouro. O filme é um projeto muito pessoal para a atriz, que nasceu em Jerusalém, Israel, em uma família judia – a história se baseia nas memórias de Amos Oz, um escritor, jornalista e ativista israelense que defende um Estado controlado por forças muçulmanas e judias para por fim à guerra em Israel. Natalie é a única grande estrela do filme, no papel da filha mais velha do escritor, Fania – ainda não está confirmado o nome do ator que interpretará o papel principal.

La Giovinezza (Youth)
Competição pela Palma de Ouro

Segundo filme em inglês do italiano Paolo Sorrentino, que venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por A Grande Beleza, em 2014. Lá em 2011, ele estreou no cinema americano comandando Sean Penn no excêntrico drama Aqui é o Meu Lugar, e embora não volte para Hollywood para comandar Youth, faz seus atores discursarem na língua inglesa. O protagonista é Michael Caine (yes!), um maestro aposentado que está passando férias num resort nos Alpes quando é chamado pela família real britânica para um último concerto. O dilema do personagem de Caine é refletido nos coadjuvantes interpretados pelo colorido e estrelado elenco: Paul Dano, Harvey Keitel, Rachel Weisz e Jane Fonda aparecem no filme. Sempre uma boa aposta, Sorrentino promete entregar mais um drama de ritmo bem peculiar, como mostra o trailer.

22 de nov. de 2014

Review: “Interestelar” é cinema-extravagância, mas não poderia deixar de ser

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por Caio Coletti

Conforme os anos passam e os filmes continuam chegando, é notável como nós espectadores (e críticos), em maior ou menor escala, passamos a conhecer bem os nomes que verdadeiramente marcarão essa época da cinematografia humana. Não dá para negar que Christopher Nolan é um deles – aos 44 anos, esse cineasta londrino é um dos poucos diretores superstar da sua geração, atraindo um exército de seguidores e outro exército de detratores. Lá se vão 14 anos e sete filmes desde que o mundo conheceu Nolan com Amnésia, e ao assistir seu último feito, esse Interestelar, é gritante como a personalidade do diretor (e roteirista) transpira pelo filme de maneira quase infiltrada – mas o que isso significa?

Para começar, na fundação de tudo, Nolan é um contador de histórias. E mais, ele é um contador de histórias que necessita, com todas as suas forças, ser entendido – esse não é o diretor que vai te encantar pela perfeição econômica de um take ou pelo absoluto enigma de suas intenções. Daí a quantidade homérica de diálogo expositivo que aparece em Interestelar e também figurou de forma insistente em A Origem. É uma característica que irrita muito dos neo-Kubrickianos (termo que talvez eu tenha acabado de forjar), crentes fiéis de que a única forma de tocar o espectador e ser fidedigno a esse mundo complexo em que vivemos é desafiá-lo a resolver um quebra-cabeças irresolvível. Kubrick não fazia cinema para discursar, e o que o fazia especial era o quanto ele se permitia ser incompreensível no caminho de satisfazer seus caprichos cinematográficos. Kubrick nos dava um olhar pelo qual podíamos espiar o enigma da vida, o que é admirável, com certeza – mas não é a única forma de se fazer bom cinema.

Interestelar, ao contrário de 2001 (e o objetivo dessa comparação toda é fazer parar todas as outras comparações que andaram jorrando desde a estreia do filme de Nolan), quer se explicar para o espectador. Quer que ele toque o significado cósmico de toda a sua filosofia, a concretização de toda a sua observação de personagem, as consequências sólidas de cada ato em cada parte do universo que o filme acompanha. Nessa missão, Nolan é descomunalmente bem-sucedido – em vários momentos de Interestelar, a dimensão da trama é atirada na cara do espectador, e o resultado emocional, eu posso testemunhar em primeira mão, é devastador. Esse é um filme que arquiva a proeza de nos engrandecer ao mesmo tempo em que nos coloca em nosso lugar, com a nossa devida insignificância, e nossas devidas falhas.

O protagonista da trama é Cooper (Matthew McConaughey), fazendeiro em uma Terra inóspita de um futuro próximo, em que a natureza se voltou contra a humanidade e ela, em resposta, se agarrou com mais firmeza ao solo árido do planeta. Cooper é também ex-piloto de testes da NASA, entidade que oficialmente foi fechada séculos atrás pelo governo americano (quem precisa de exploração espacial quando a preocupação com o nosso chão é tão urgente?). Ele detecta uma estranha anomalia gravitacional no quarto de sua filha mais nova, Murphy (feita por Mackenzie Foy e Jessica Chastain em momentos diferentes da jornada temporal do filme), e segue a mensagem em código binário que essa tal anomalia parece estar passando até um local ultra-secreto em que os últimos operativos da NASA estão construindo a última esperança da humanidade. E aí, é claro, as coisas ficam complicadas.

Em nenhum momento de sua complexa viagem cósmica, com efeitos da relatividade do tempo-espaço e física quântica incluídos, Interestelar deixa o espectador à deriva. Esse é outro elemento pelo qual é impossível culpar Nolan por querer ser entendido: ele consegue. O grande público teve um gosto muito breve do quão bom o moço é em conduzir uma narrativa complicadíssima quando A Origem nos guiou por múltiplos mundos de sonhos e nos trouxe sãos e salvos até o seu final ambíguo (mas não confuso). Em Interestelar, tanta coisa está acontecendo ao mesmo tempo que é compreensível que Nolan precise de 2h49 minutos de filme, metragem que muita gente achou excessiva, para não transformar seu filme em uma montanha russa de ficção científica metafísica. O filme toma seu tempo para fazer as coisas acontecerem, e talvez isso o torne menos poderoso em termos de sinergia de narrativa – mas também o torna muito mais forte quando se trata de significado.

Por fim, é preciso admirar uma narrativa como Interestelar quando ela consegue impressionar o espectador sem lançar mão de truques baratos. Um dos momentos mais poderosos do filme (os spoilers na frase seguinte são bem leves, eu prometo) acontece quando a Murph adulta está ateando fogo em uma plantação da antiga fazenda do pai enquanto, há galáxias de distância, Cooper e Brand (Anne Hathaway) lutam contra um inesperado contra-tempo que é fruto do puro egoísmo humano. A grande surpresa envolvendo o “personagem secreto” do filme de Nolan não é uma reviravolta inesperada – é possível vê-la há quilômetros de distância, se você prestar atenção. E por mais que o elemento-surpresa seja uma forma infalível de pegar o espectador pelo pescoço, há algo de muito honesto na forma como Nolan prefere conduzir-nos gentilmente pelo braço e nos mostrar o quão verdadeiramente magnífica é a teia de acontecimentos e destinos que ele teceu.

Como cinema, Interestelar é um feito memorável mesmo que seja falho. A trilha-sonora de Hans Zimmer é espetacular (gostaria de lembrar que esse homem só tem um Oscar – só um!), e a fotografia do suíço Hoyte van Hoytema (Her) nos dá algumas das imagens mais sufocantemente belas que veremos em celuloide esse ano. Matthew McConaughey entrega uma performance que é superior em muitos sentidos ao que ele demonstrou em Clube de Compras Dallas, e só se iguala (talvez!) ao seu desempenho em True Detective – é um retrato sensível de um personagem afetuoso que tem uma bela história para contar, e é fora das características que definem sua persona pública. Jessica Chastain mostra porque é uma das atrizes que vai dominar Hollywood nos próximos anos, nos entregando uma Murphy memorável como o roteiro exige que ela seja. Anne Hathaway não parece estar tão conectada com o momentum do filme, mas tampouco o prejudica com o seu retrato firme da Dra. Brand.

Quando a encenação de Nolan descamba para o ultra-dramático, Anne é a que parece sair mais prejudicada, e talvez isso seja mais um erro de seu posicionamento como atriz no filme do que da narrativa em si. Principalmente porque, como narrativa, Interestelar não tinha outra saída a não ser explodir em extravagância emocional – e é justamente aí, onde talvez falhe um pouco como cinema, que o filme triunfa como ficção. Como contador de histórias que é, Nolan escolhe a cada articulação de seu labirinto narrativo ser um panorama muito completo da condição humana. Interestelar não pisa em ovos: retrata com fidelidade os egoísmos, as mentiras e as pequenezas de mente das quais somos capazes. No caminho, no entanto, é capaz de mostrar também que é através de todas essas fraquezas que somos capazes de amar de forma tão espetacular a ponto de lutar pela sobrevivência e pela chance de experimentar mais desse universo para o qual somos tão inaptos. Interestelar é sobre o mesquinho e o sublime do espírito humano. E, à exemplo de seus personagens, o filme não “entra docilmente nessa noite escura” – ele a ilumina.

✰✰✰✰✰ (4,5/5)

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Interestelar (Interstellar, EUA/Inglaterra, 2014)
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan, Jonathan Nolan
Elenco: Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain, Mackenzie Foy, Casey Aflleck, Topher Grace, Michael Caine, Wes Bentley, Ellen Burstyn
169 minutos

3 de mar. de 2014

Oscar 2014: Adeus, ABC, quem manda agora é a mídia social

1620795_852649968083400_315305735_nJennifer Lawrence, Channing Tatum, Meryl Streep, Julia Roberts, Ellen Degeneres, Kevin Spacey, Brad Pitt, Bradley Cooper, Lupita Nyong’o, Angelina Jolie – 9 Oscar e 18 Globos de Ouro em uma só foto

por Caio Coletti

2014, século XXI, smartphones, mídia social e era de Acquarius: o acontecimento mais comentado da entrega do Oscar da noite passada (02) foi uma selfie. Postada por Ellen Degeneres, apresentadora da premiação, em sua conta no Twitter, a foto que reúne-a com vários dos astros e indicados da noite foi tão retweetada que derrubou o sistema do site por um tempo. Ellen quebrou o recorde que antes pertencia a Barack Obama como a foto mais repostada da rede social – no momento em que este que vos fala desenhava essas linhas, eram mais de 2 milhões e 600 mil retweets.

A performance de Ellen na premiação foi suave, esperta e sem controvérsas como o esperado, brincando com familiaridade com os indicados, a duração do show e os apresentadores. O lado de apresnetadora de daytime show ficou evidente, mas nesse clima a cerimônia foi se desenrolando com bastante naturalidade, um bônus para uma premiação que sempre parece um pouco planejada demais – em completa oposição ao caos do Globo de Ouro ou do VMA, por exemplo.

Também nas mídias sociais repercutiu a injustiça perpetuada da noite: mesmo depois de toda a comoção online clamando pela entrega do prêmio para Leonardo DiCaprio por sua performance em O Lobo de Wall Street, a estatueta de Melhor Ator foi mesmo para Matthew McConaughey por Clube de Compras Dallas. Mesmo a escolha não tendo sido inesperada, uma vez que McConaughey veio ganhando todos os prêmios anteriores da temporada pela mesma atuação, a internet não se furtou de suas piadinhas quando DiCaprio, indicado já pela quinta vez, perdeu novamente.

1508532_584524344970553_1583635000_nImagem que circulou no Facebook na noite de ontem

Por falar em premiações esperadas (ou melhor, previsíveis), nenhuma das categorias principais apresentou qualquer surpresa em 2014. A Academia preferiu confirmar tendências ditadas pela temporada de prêmios que a antecedeu, e o resultado foi um show que não pôde evitar de ser morno, mesmo com uma das melhores produções dos últimos anos do Oscar. Segue a lista com os principais vencedores, e o melhor discurso da noite (do próprio McConaughey, inclusive):

Melhor Filme: 12 Anos de Escravidão (review)
Melhor Atriz: Cate Blanchett, Blue Jasmine
Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong’o, 12 Anos de Escravidão
Melhor Ator: Matthew McConaughey, Clube de Compras Dallas
Melhor Ator Coadjuvante: Jared Leto, Clube de Compras Dallas
Melhor Diretor: Alfonso Cuarón, Gravidade (review)
Melhor Roteiro Adaptado: 12 Anos de Escravidão, por John Ridley
Melhor Roteiro Original: Her, por Spike Jonze (review)
Melhor Fotografia: Gravidade, por Emmanuel Lubezki
Melhor Trilha-Sonora: Gravidade, por Steven Price
Melhor Figurino: O Grande Gatsby, por Catherine Martin (review)

E agora nós vamos terminar o artigo com uma foto de Meryl Streep comendo pizza, porque essa é a própria definição da awesomeness do Oscar. Até o ano que vem.

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17 de jan. de 2014

Previsões para o Oscar 2014: Melhor Ator

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por Caio Coletti

O Globo de Ouro, o Critics Choice e mais meio mundo de prêmios de crítica confirmam: apesar dos discursos nada sensíveis sobre os papéis que interpretaram, Matthew McConaughey e Jared Leto devem coroar bons anos para suas carreiras com os primeiros Oscar nas mãos. Dallas Buyers Club, o filme de Jean-Marc Vallée (A Jovem Rainha Vitória) sobre a eclosão da crise da AIDS, ganhou mais amor da Academia do que do Globo de Ouro, arrancando até uma indicação a Melhor Filme.

Melhor Ator
Aposte em:

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Matthew McConaughey, por Dallas Buyers Club

2013 foi um ano mais que especial para Matthew McConaughey, e a Academia, historicamente, gosta de premiar anos “mais que especiais” na carreira de seus protegidos. Se no Oscar do ano passado as boas atuações do moço em Magic Mike e Mud não foram o bastante para os votantes, esse ano houve quem achasse que ele sairia com duas indicações. Apesar de sua performance em O Lobo de Wall Street não ser nominada, Matthew já pode arranjar um lugar na estante para seu Oscar pelo papel do soropositivo que se torna líder do tráfico de remédios em Dallas.

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Torcemos por:

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Leonardo DiCaprio, por The Wolf of Wall Street

Na verdade, Matthew só leva vantagem sobre Leo porque o número de prêmios acumulados pela performance é maior. Sem isso no caminho, 2014 sem dúvida seria o Oscar de Leonardo DiCaprio, que também teve um ano incrível, e que está na quarta indicação sem nunca ter vencido. Para ajudar, The Wolf of Wall Street tem a assinatura de Martin Scorsese, e vem sendo polemizado, estudado e aclamado por críticos do mundo todo. No papel do operador de mercado financeiro Jordan Belfort, o ator californiano que saiu da sombra do Titanic se afirma como uma força a ser respeitada.

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E esqueceram de:

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Casey Affleck, por Ain’t Them Bodies Saints

O irmão mais novo (e mais talentoso, em termos de atuação) de Ben Affleck pode ter marcado sua carreira para sempre no papel que lhe rendeu a primeira e única indicação ao Oscar, em O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, mas isso não é motivo para ignorar uma performance tão sutil e sensível quanto a que ele entrega no drama à la Malick Ain’t Them Bodies Saints. Na pele do criminoso que escapa da cadeia e quer reencontrar com a esposa e a filha que nunca conheceu, Affleck brinca com sua persona sinistra mas acaba montando um retrato tocante do seu personagem.

1 de ago. de 2013

10 candidatos fortes ao Oscar 2014 que você pode ficar de olho desde já!

jennifer-lawrence-daniel-day-lewis-oscars-2013Os atores vencedores do Oscar 2013, da esquerda para a direita: Daniel Day-Lewis (Melhor Ator por Lincoln), Jennifer Lawrence (Melhor Atriz por O Lado Bom da Vida), Anne Hathaway (Melhor Atriz Coadjuvante por Os Miseráveis) e Christoph Waltz (Melhor Ator Coadjuvante por Django Livre)

por Caio Coletti

Nem só no início do ano os cinéfilos vivem e respiram Oscar. O site Termômetro Oscar é bom exemplo de que mesmo quando ainda nem entramos na corrida oficial da premiação, já dá para começar a prever os indicados da Academia. Como nós d’O Anagrama somos cinéfilos e temos opinião, separamos 10 das apostas mais prováveis do pessoal de lá para que você já fique de olho e monte sua torcida para o ano que vem.

American Hustle
Estreia: 25 de Dezembro

David O. Russell está virando o novo queridinho da Academia, e nesse American Hustle aposta no combo de astros que estrelou seus dois últimos projetos: Christian Bale e Amy Adams de O Vencedor, Jennifer Lawrence e Bradley Cooper de O Lado Bom da Vida. Adicione Jeremy Renner, Robert DeNiro, Michael Peña e Louis C.K. e você tem o filme com o elenco mais cool de 2013, contando a história de um grupo de vigaristas que é chantageado a trabalhar com o governo para capturar outros criminosos.

O Termômetro aposta: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original.

O que a gente acha: Se o tema não assustar os votantes, American Hustle pode cavar as três vagas sugeridas pelo Termômetro, mas o certo mesmo é que Amy Adams vá conseguir a quinta indicação como Atriz Coadjuvante, e Jennifer Lawrence pode encontrar seu lugar na concorrida categoria de Atriz. Menos provável, mas possível, são os nomes de Bale e Renner como Ator e Ator Coadjuvante, respectivamente.

Saving Mr Banks
Estreia: 20 de Dezembro

O pedrigree é bom, com John Lee Hancock, que viu seu drama de esportes Um Sonho Possível render o prêmio de Melhor Atriz para Sandra Bullock, dirigindo uma história sobre a criação de um clássico dos estúdios Disney, no qual um dos personagens principais é o próprio Walt. É mais que provável que a Academia vá cair de amores pelo filme, especialmente com o sempre amado Tom Hanks na pele do fundador da Disney e Emma Thompson como a escritora P.L. Travers, autora dos livros que geraram Mary Poppins.

O Termômetro aposta: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Original.

O que a gente acha: A reverência da Academia pelo velho Walt pode render a indicação a Melhor Filme, e Tom Hanks e Emma Thompson são apostas fortes para Ator e Atriz. Com muita sorte, até Hancock crava uma indicação a Melhor Diretor. Só o que não inspira confiança é o roteiro assinado por duas estreantes, vindas da televisão.

Fruitvale Station
Estreia: 26 de Julho

As surpresas indie do Oscar normalmente são menos antecipadas, mas o hype em torno de Fruitvale Station é tanto que fica difícil acreditar que não alcance os votantes da Academia. Vencedor de dois prêmios no Festival de Sundance e de um em Cannes, a estreia do diretor/roteirista Ryan Coogler retrata a noite de revellion de Oscar (Michael B. Jordan, de Parenthood) e a violência súbita em um carro do metrô que afeta a ele e a vários outros personagens, incluindo a mãe interpretada por Octavia Spencer.

O Termômetro aposta: Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante.

O que a gente acha: Se a Academia for adotar o filme como o queridinho indie do ano, vai ser em mais categorias do que as sugeridas pelo Termômetro. A indicação a Melhor Filme e a presença de Octavia como Atriz Coajuvante são apostas certas, mas é bem possível que Coogler entre na disputa de Melhor Diretor, e Jordan fique com o posto de zebra na categoria Melhor Ator.

Inside Llewyn Davis
Estreia: 06 de Dezembro

Desde que caíram nas graças da Academia com Barton Fink, de 1990, os Irmãos Coen se viram entre os indicados do Oscar (seja pela direção ou pelo roteiro – ou pelos dois!) outras seis vezes, e Inside Llewyn Davis é a primeira chance concreta de vitória de Joel e Ethan desde que levaram tudo em 2007 com seu Onde os Fracos Não Tem Vez. Premiado com o troféu do júri em Cannes, o novo tomo dos Coen conta a história do fracassado personagem título, um cantor de folk dos anos 60.

O Termômetro aposta: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Original.

O que a gente acha: Se entrar como Melhor Filme (o que a essa altura é bem provável), Llewyn Davis traz de reboque as indicações dos Coen em Melhor Direção e Melhor Roteiro Original. A aposta em John Goodman, um consagrado queridinho da América que ainda não tem um Oscar, é razoável, mas é preciso dar espaço a Oscar Isaac (Melhor Ator), cuja atuação no papel principal causou rebuliço em Cannes.

The Wolf of Wall Street
Estreia: 15 de Novembro

Da última vez que Martin Scorsese dirigiu uma biografia, nós tivemos O Aviador. Agora, sem notícias de nenhum filme de Clint Eastwood para atrapalhar, The Wolf of Wall Street tem tudo para se tornar o papa-tudo do Oscar 2014. Adaptado do livro auto-biográfico de Jordan Belfort, um investidor americano que foi do auge ao fundo do poço em tempo recorde, o filme é escrito por Terrence Winters, de Familia Soprano e Boardwalk Empire. Scorsese escalou Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Matthew McConaughey, Jon Favreau, Jean Dujardin, Rob Reiner e Spike Jonze.

O Termômetro aposta: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator.

O que a gente acha: As três indicações dadas pelo termômetro são barbada, e vamos concordar que esse foi o ano de Leo DiCaprio (e que o tempo de dar ao moço a sua estatueta já até passou). Nós apostariamos também no trabalho de Winters na categoria Melhor Roteiro Adaptado e em Matthew McConaughey, que já merecia indicação no ano passado, como Melhor Ator Coadjuvante.

August: Osage County
Estreia: Janeiro de 2014

Terceira peça própria que Tracy Letts adapta para o cinema (ele assinou Os Possuídos e Killer Joe), August: Osage County é um drama de família que conta com um elenco sensacional para conquistar os votantes da Academia. O destaque, como sempre, é Meryl Streep no papel da matriarca da família, enquanto Benedict Cumberbatch, Julia Roberts, Ewan McGregor, Abigail Breslin, Juliette Lewis, Dermot Mulroney, Chris Cooper, Sam Shepard e Margo Martindale completam o elenco comandado por John Wells (Shameless).

O Termômetro aposta: Melhor Atriz (Meryl e Julia).

O que a gente acha: É tudo uma questão do quanto os votantes da Academia estão dispostos a favorecerem o inesperado esse ano. August pode entrar até para Melhor Filme e, especialmente, Melhor Roteiro Adaptado.  As duas indicações sugeridas pelo Termômetro são mais ou menos certas,

Ain’t Them Bodies Saints
Estreia: 16 de Agosto

Se Fruitvale Station falhar, esse Ain’t Them Bodies Saints está esperando na fila para ser a zebra do ano no Oscar. A estreia em longas-metragens do celebrado diretor/autor de curtas David Lowery passou como um furacão pelo festival de cinema independente de Sundance, levando prêmios de Melhor Filme e Fotografia. A história acompanha o fora-da-lei vidido por Casey Affleck, que escapa da prisão para reencontrar-se com sua amada (Rooney Mara) e a filha que ele nunca conheceu.

O Termômetro aposta: O filme está listado na “repescagem” de quase todas as categorias.

O que a gente acha: No momento, o status de Ain’t Them Bodies Saints é esse mesmo: na lista de espera. Mas o filme ainda não estreou nos cinemas comerciais americanos, e o hype pode mudar até o final do ano. Com sorte, veremos uma indicação a Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e até Melhor Ator para Casey Affleck.

Captain Phillips
Estreia: 11 de Outubro

A gente não perde esperanças de que um dia a Academia reconheça o gênio de Paul Greengrass. O homem que ressuscitou o cinema de ação inteligente com os dois capítulos derradeiros da trilogia Bourne original, e o britânico que realizou retratos pungentes e tensos de dois momentos da história americana com Zona Verde e Vôo United 93 (sua única indicação ao Oscar de Melhor Direção até hoje), agora escolhe outra história real para contar: o sequestro por piratas somali do navio americano Alabama, comandado pelo Capitão Phillips do título (Tom Hanks).

O Termômetro aposta: É outro que está na “repescagem”.

O que a gente acha: A nossa torcida está toda ao lado de Paul Greengrass e uma indicação para Melhor Diretor, mesmo que não seja dessa vez que ele leve a estatueta para casa. Hanks não vai competir consigo mesmo, e a Academia vai preferir lembrá-lo em Saving Mr. Banks, mas seria bacana ver Billy Ray, o homem que escreveu Plano de Vôo e Intrigas de Estado, indicado para Roteiro Adaptado.

Diana
Estreia: 25 de Outubro

Oliver Hirschbiegel passou perto do Oscar com seu A Queda! em 2004, mas desde que se instalou em Hollywood não tem emplacado exatamente as melhores escolhas. Diana tem tudo para ser uma mudança da maré, centrando nos dois últimos anos de vida da Princesa de Gales e em sua polêmica morte acidental (ou não?). O filme talvez seja um veículo para alçar Naomi Watts ao primeiro time de grandes atrizes, mas o envolvimento do roteirista Stephen Jeffreys, cujo primeiro e último filme foi O Libertino, sugere que a produção tem algo de especial.

O Termômetro aposta: Melhor Atriz.

O que a gente acha: Que esse ano é de Naomi Watts ninguém duvida, e provavelmente nenhuma outra atriz é capaz de tirar a estatueta das mãos da moça, especialmente com a Academia fresca de uma indicação para ela por O Impossível. Há sempre a possibilidade de que o bom currículo de Hirschbiegel lhe dê uma vaga em Melhor Diretor.

The Fifth Estate
Estreia: 18 de Outubro

Ok, a gente vai admitir: guardamos o nosso preferido para o final. The Fifth Estate é o filme que dramatiza a jornada de Julian Assange, criador do WikiLeaks, site que libera informações confidenciais dos governos para o público. A debatidíssima iniciativa ganha as cores sempre elegantes de Bill Condon (Amanhecer – Parte I e II), e marca também a estreia cinematográfica de Josh Singer, que escreveu para Fringe e Lie to Me. Benedict Cumberbatch, Stanley Tucci, Daniel Bruhl, Carice van Houten, Laura Linney e David Thewlis estão no elenco.

O Termômetro aposta: Na “repescagem” para Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado.

O que a gente acha: A Academia não pode passar esse ano sem indicar Benedict Cumberbatch. Ponto. Aqui ele interpreta um personagem real e notável, ao contrário de em August: Osage County, então nossa aposta fica com The Fifth Estate. Ficaríamos mais do que felizes em vê-lo também lembrado em Melhor Filme.