Review: Dirty Computer (álbum e filme)

Janelle Monáe cria a obra de arte do ano com um álbum visual espetacular - e que desafia descrições.

Os 15 melhores álbuns de 2017

Drake, Lorde e Goldfrapp são apenas três dos artistas que chegaram arrasando na nossa lista.

Review: Me Chame Pelo Seu Nome

Luca Guadagnino cria o filme mais sensual (e importante) do ano.

Review: Lady Bird: A Hora de Voar

Mais uma obra-prima da roteirista mais talentosa da nossa década.

Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

Mostrando postagens com marcador Anne Hathaway. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Anne Hathaway. Mostrar todas as postagens

28 de dez. de 2015

Diário de filmes do mês: Dezembro/2015


por Caio Coletti

Nem todos os filmes merecem (ou pedem) uma análise complexa como a que fazemos com alguns dos lançamentos mais “quentes” ou filmes que descobrimos e nos surpreendem positivamente. Particularmente, também, eu não me dou a escrever críticas grandes de filmes que considero ruins ou irrelevantes, porque não vejo sentido em remoer demais os erros de uma produção cinematográfica. É levando em consideração a função da crítica e da resenha como uma orientação do público em relação ao que vai ser visto em determinado filme que eu resolvi criar essa coluna, que visa falar brevemente dos filmes que não ganharam review completo no site. Vamos lá:

Mississippi Grind (EUA, 2015)
Direção e roteiro: Anna Boden, Ryan Fleck
Elenco: Ben Mendelsohn, Ryan Reynolds, Sienna Miller, Analeigh Tipton, Alfre Woodard
108 minutos

Mississippi Grind começa com a imagem de um arco-íris se formando no céu. A simbologia utilizada pela dupla de diretores/roteiristas composta por Anna Boden e Ryan Fleck (Half Nelson) não poderia ser mais clara: esse é um filme sobre duas pessoas correndo atrás do famoso pote de ouro no final do fenômeno multicolorido. Ben Mendelsohn, um dos melhores e mais surpreendentes quase-astros de Hollywood no momento (indicado ao Emmy por Bloodline), faz o fracassado Gerry, um corretor de imóveis viciado em apostas que encontra o mais jovem e mais charmoso Curtis (Ryan Reynolds), e o identifica como seu amuleto da sorte, o convencendo a partir em uma viagem pelo Sul dos EUA para recuperar o dinheiro que deve a meio mundo. O filme elaborado por Boden e Fleck não é um de arroubos estilísticos ou narrativos complexos, mas uma história honesta, contada de maneira inteligente pela dupla, que estrutura um roteiro econômico e expressivo ao mesmo tempo, com tempo para ao menos um belo e contemplativo interlúdio (o período que Gerry e Curtis passam com as prostitutas feitas por Sienna Miller e Analeigh Tipton), mas uma refrescante e objetiva abordagem da movimentada jornada que retrata em seus 108 minutos. Mississippi Grind é chamado de “um grande filme americano” na citação que aparece em todos os posters por aí, e tal distinção lhe é merecida pela forma como encara seus protagonistas e a tipicamente americana sede por mais – mais vitória, mais felicidade (seja ela baseada em que, quantificada em que), mais dinheiro. Não é uma perspectiva pessimista, e sem dúvida é dotada de alguma empatia, mas os coloca mais como vítimas de si mesmos do que qualquer coisa.

Reynolds e Mendelsohn encarnam essa dupla de personagens de maneira espetacular, é preciso dizer. O filme é deles, e em última instância merece ser visto porque eles incutem perspectivas novas e interessantes nessas personas desenhadas pelo roteiro. Reynolds brilha ainda mais como o carismático Curtis, um papel ao mesmo tempo feito para seus alcances como ator (ninguém faz um tagarela charmoso como ele) e muito mais complexo do que a maioria das coisas que Hollywood lhe permitiu fazer. O idealismo que transpira em alguns momentos do personagem, a liberdade que ele representa para seu co-protagonista, a ambivalência quase imediata desses mesmos valores – todas essas sutilezas moram na atuação tremendamente inteligente de Reynolds, especialmente levando-se em conta o gigante com o qual ele contracena. O australiano Mendelsohn é uma presença dominante sempre que está em tela, mas na pele de Gerry a integralidade com a qual ele encarna o personagem, o entende e o traduz para a câmera é ainda mais impressionante. Esperem muitos prêmios no futuro desse astro tardio.

Mississippi Grind termina relativizando aquela busca pelo pote de ouro no final do arco-íris. Com seus últimos minutos surpreendentes, tocantes e agridoces, o filme parece olhar para a mentalidade americana, a relação entre vitória e fracasso e as pressões sociais que levam a essas construções sob um viés arguto e detalhista, mas nunca político. O filme de Fleck e Boden é humano, acima de qualquer coisa – e talvez por isso funcione tão bem.

✰✰✰✰ (4/5)



Como Sobrevier a um Ataque Zumbi (Scouts Guide to the Zombie Apocalypse, EUA, 2015)
Direção: Christopher Landon
Roteiro: Carrie Lee Wilson, Emi Mochizuki, Christopher Landon
Elenco: Tye Sheridan, Logan Miller, Joey Morgan, Sarah Dumont, David Koechner, Halston Sage, Cloris Leachmann Blake Anderson
93 minutos

Qualquer tom de sátira passa longe de Como Sobreviver a um Ataque Zumbi, um herdeiro maldito do casamento entre o infinitamente melhor Zumbilândia e as comédias no estilo Se Beber Não Case. Toda tentativa de comédia (ou pelo menos uma imensa parte delas) é feita sem nenhuma piscadela para o ridículo da situação, seja com o insuportável personagem feito por Logan Miller tirando selfies com os mortos-vivos ou os conselhos amorosos absurdos passados pela bartender Denise (Sarah Dumont) para o inseguro protagonista Ben (Tye Sheridan). Se você realmente precisa saber, o filme conta a história de um trio de escoteiros mirins que, nem mais tão mirins assim, escolhem o dia errado para tentarem fugir de um acampamento e ir para um festa – quando eles retornam à cidade, ela foi tomada por uma praga zumbi, e boa parte da população foi evacuada. O pouco pathos e empatia que o filme consegue levantar na sua história é graças à relação dos três protagonistas, marcada pela morte do pai de um deles e pela ambivalência dos outros dois em “abandonar” tal amigo, muito mais devotado aos escoteiros do que qualquer um deles. As mensagens da importância da amizade e de ser você mesmo são sempre bem-vindas, mas vem misturadas com tantas piadas grosseiras vindas do excesso de hormônios dos protagonistas (e, presumivelmente, da plateia) que fica difícil fazer vista grossa.

De vez em quando, uma dessas piadas funciona – memoravelmente, uma envolvendo uma parte do corpo inusitada de um dos zumbis, e outra envolvendo a princesa do pop Britney Spears (!), mas não sou eu que te direi, caro leitor, se tais momentos de diversão valem pela experiência de assistir ao resto do filme. O que eu posso dizer é que o clímax em uma piscina esvaziada, envolvendo armas alternativas e os três escoteiros exterminando toda uma horda de zumbis, não poderia ser estragado nem por mil piadinhas de mau-gosto; e que, por outro lado, o filme desperdiça talentos como o jovem Tye Sheridan (Lugares Escuros) e a veterana Cloris Leachmann (Raising Hope) sem explorar seus potenciais dramático e cômico, respectivamente. Com o risco de usar o trocadilho mais óbvio de todos, o que falta para Como Sobreviver a um Ataque Zumbi é justamente a iguaria na qual os monstros que retrata se deliciam: cérebro. Dependendo do seu objetivo quando entrar na sessão, isso pode ser um pró ou um contra.

✰✰✰ (2,5/5)



Missão: Impossível – Nação Secreta (Mission:Impossible – Rogue Nation, EUA, 2015)
Direção e roteiro: Christopher McQuarrie
Elenco: Tom Cruise, Jeremy Renner, Simon Pegg, Rebecca Ferguson, Ving Rhames, Sean Harris, Tom Hollander, Alec Baldwin
131 minutos

Quando Nação Secreta estreou nos cinemas, em Agosto, muita gente o viu como uma continuação brilhante justamente por seguir com a tradição da série Missão: Impossível de não ter muita conexão entre os capítulos. Agora, bons 4 meses depois, talvez o filme não pareça mais tão convencional para a franquia em que está inserido – recentemente, foi anunciado que o sexto capítulo da série já está em produção, o que não é comum para uma franquia que até hoje foi bissexta; atrelados ao projeto também estão Christopher McQuarrie, que se tornará o primeiro diretor a retornar à série, e Rebecca Ferguson, a primeira protagonista feminina a ter essa mesma distinção; por fim, vale destacar que Nação Secreta é a primeira entrada da franquia a ter um diretor que também serve como roteirista (J.J. Abrams co-escreveu M:I III, mas McQuarrie é o único roteirista creditado aqui). Não parece, mas faz diferença, e o sentimento é cada vez mais que, finalmente gozando de boa reputação com a crítica e bilheterias confiavelmente espetaculares, a série Missão: Impossível está pronta para ter uma continuidade de verdade. Mas o que isso significa para Nação Secreta?

Para começar, significa dar um pouco de atenção aos personagens. McQuarrie, com quem Cruise trabalhou no terrível Jack Reacher, faz escolhas mais sábias aqui ao: 1) deixar Ethan Hunt como o herói mal-definido e desenhado que sempre foi, um Coringa quase super-poderoso, mas eventualmente humano, com quem podemos simpatizar sem nos envolvermos muito; 2) servir boas doses de desenvolvimento para os coadjuvantes, se aproveitando do talento de gente como Simon Pegg (voltando como Benji) e da própria Rebecca Ferguson (The White Queen) para construir o começo de uma identificação com o público. Talvez o senso de movimento de McQuarrie como diretor não seja tão espetacular quanto o dos comandantes anteriores da série, mas é interessante que M:I tenha escolhido trazer um cineasta que dá importância a história. Nação Secreta ainda é maravilhosamente divertido, com doses generosas de pulp e absurdo hollywoodiano, mas tenta fazer uma coisa diferente – resta saber onde esse esforço vai dar, em 2017.

✰✰✰✰ (4/5)



Slow West (Inglaterra/Nova Zelândia, 2015)
Direção e roteiro: John Maclean
Elenco: Kodi Smit-McPhee, Michael Fassbender, Ben Mendelsohn, Caren Pistorius, Rory McCann
84 minutos

“Mesmas estrelas, mesma Lua. Um dia nós estaremos andando por aquela Lua. Eles vão construir uma estrada de ferro, uma estrada de ferro que suba e desça até lá. Uma estrada de ferro para a Lua. E quando chegarmos lá, a primeira coisa que faremos é caçar e matar os nativos”. Slow West não é seu faroeste tradicional. Até entre os faroestes revisionistas, ele pode ser classificado como incomum. Feito por um diretor britânico, com um elenco todo europeu, e filmado em uma das ilhas da Nova Zelândia, ele jamais poderia ser qualquer coisa que não um filme de Velho Oeste diferente – mas Slow Swet, felizmente, escolhe se diferenciar não só pelas circunstâncias em que foi produzido, mas pela forma como conta sua história, e pelo olhar que lança para ela. No trechinho de diálogo transcrito nas primeiras linhas deste parágrafo mora o coração do longa-metragem de estreia do diretor/roteirista John Maclean, a forma como ele retrata o Velho Oeste americano com um aspecto lúdico que é deixado sempre à mão, digressões filosóficas constantes e o olhar arguto de quem sabe que conjugar amor, beleza, violência e morte não é tão difícil quanto parece. No mundo real, elas andam muitas vezes de mãos dadas, e em Slow West também.

A história acompanha Jay Cavendish (Kodi Smit-McPhee em atuação espetacularmente sensível), um jovem escocês que vai parar em uma viagem improvável pelo Oeste americano após sua amada, Rose (Caren Pistorius), fugir para lá com o pai (Rory McCann). Tentando encontrá-la, ele topa com o fora-da-lei Silas (Michael Fasbender), que aceita pagamento para conduzi-lo mais ao Oeste e ajudá-lo na missão. O roteiro é impiedoso com os males e perversões da época que retrata, e ao mesmo tempo salva uma parte de sua aridez e melancolia para o tom quase conto-de-fadas da narrativa e especialmente da fotografia, uma obra de arte assinada por Robbie Ryan (Philomena), trabalhando brilhantemente as cores e enquadramentos, criando imagens marcantes para acompanhar a narrativa paciente e envolvente do filme. Slow West é um conto cruel e belo, ao mesmo tempo, sobre a forma como o impulso de violência e o impulso de paixão convivem dentro do ser humano, e sobre a forma como a realidade se choca com todos esses elementos já em conflito dentro do indivíduo. É uma estreia promissora para o diretor/roteirista, e um filme que merece ser tirado da obscuridade.

✰✰✰✰ (4/5)



Victor Frankenstein (EUA, 2015)
Direção: Paul McGuigan
Roteiro: Max Landis
Elenco: Daniel Radcliffe, James McAvoy, Jessica Brown Findlay, Andrew Scott, Charles Dance, Mark Gatiss
110 minutos

Na dança hollywoodiana das “reimaginações” de histórias clássicas, 2015 ficou mesmo no 2x0. Sem contar Cinderela, que na verdade não reimaginou tanto assim, as outras duas tentativas de grandes estúdios e elencos estrelados de revisitar personagens e histórias marcantes para a cultura do século passado não passaram nem perto de entregar o que prometeram. Pan acabou sendo uma concepção equivocada desde o início, com escalações estranhíssimas (Rooney Mara como a princesa indígena Tiger Lilly?) e uma revisão entediante do espírito e do significado da história dos Meninos Perdidos. Victor Frankenstein, por sua vez, é quase tão mal-idealizado quanto, e ainda por cima não tem um diretor como Joe Wright para fazê-lo funcionar pelo menos no nível visual. O que o filme assinado por Paul McGuigan (Xeque-Mate) tem, no entanto, é uma dupla de protagonistas comprometida com seus personagens e com a fisicalidade e intensidade deles, além da química que vai se construindo entre os dois durante o filme. Em alguns momentos em meio aos 110 minutos de metragem, isso é o bastante. Em tantos outros, passa longe de ser.

O golpe de misericórdia para quem ainda espera gostar bastante do filme vem nos últimos minutos, quando finalmente somos introduzidos à experiência de reanimação de cadáver pela qual o Dr. Frankenstein (James McAvoy) ficou conhecido no livro original de Mary Shelley. Depois da exaustiva e supostamente sombria e complexa (embora não seja nenhuma dessas duas coisas) história de origem do doutor e do assistente Igor, repaginado sem a corcunda e com o rosto de Daniel Radcliffe, o filme reduz a criatura da lendária história de terror a um slash killer instantâneo, um problema para se lidar no clímax apressado, sujo e “intenso” que não é muito diferente de muitos outros blockbusters hollywoodianos. Esse monstro formidavelmente físico é a coroação de um filme que quer com todas as forças ser um dos Sherlock Holmes de Guy Ritchie, mas não tem o bom humor e a esperteza para tanto. Victor Frankenstein depende, portanto, inteiramente de seus protagonistas – e a intensidade de McAvoy, junto com a inteligência da performance física e magnética de Radcliffe, fazem sua parte. Se isso for o bastante para você, não custa dar ao filme uma chance. Se não for, você vai se decepcionar.

✰✰✰ (2,5/5)



O Último Caçador de Bruxas (The Last Witch Hunter, EUA/China/Canadá)
Direção: Brek Eisner
Roteiro: Cory Goodman, Matt Sazama, Burk Sharpless
Elenco: Vin Diesel, Rose Leslie, Elijah Wood, Michael Caine, Òlafur Darri Ólafson
106 minutos

Filmes de Hollywood sobre bruxas são, com raras exceções, um festival de equívocos e clichês. Se há um subgênero que perpetua estruturas e storylines problemáticas (misóginas e xenofóbicas, entre outras coisas), não dá para negar que é esse. Por quê O Último Caçador de Bruxas seria diferente, então? A esperança contida no trailer do novo veículo de ação/fantasia de Vin Diesel era que o trabalho do diretor Breck Eisner (Sahara) trouxesse leveza ao material e que o roteiro assinado por Cory Goodman (Padre), Matt Sazama (Dracula Untold) e Buck Sharpless (Deuses do Egito) fosse esperto o bastante para reconhecer e brincar com o lado ridículo e pulp da história de um guerreiro imortal que, com a ajuda de uma organização religiosa/mística representada pelos padres feitos Michael Caine e Elijah Wood (!!), caça um antigo nêmesis trazido de volta à vida por bruxas dissidentes que não concordam com o opressivo tratado de ocultação dos poderes firmado e segurado pela Igreja. No entanto, se O Último Caçador de Bruxas não é o blockbuster que mais ridiculamente se leva a sério desse ano (esse título provavelmente fica com Quarteto Fantástico), está bem perto de ser.

O mais lamentável é que Diesel está entre os melhores e mais interessantes astros de ação em Hollywood hoje em dia. Tanto nos filmes da franquia Riddick quanto em momentos peculiares da carreira como o drama de tribunal Sob Suspeita, o ator californiano mostrou que não se deve subestimar o poder do seu carisma na hora de construir personagens em torno dos quais uma história pode se desenvolver. Esse magnetismo é desperdiçado aqui, juntamente com os consideráveis talentos de Wood, Caine e da jovem Rose Leslie (a Ygritte de Game of Thrones), por um roteiro fino como uma folha de papel, que não resiste a nenhum escrutínio maior e cujas “reviravoltas de trama” conseguem a proeza de serem previsíveis e insustentáveis ao mesmo tempo. Por fim, Eisner é um técnico habilidoso, mas não injeta personalidade ao filme, nem torna O Último Caçador de Bruxas mesmo que palidamente divertido. Uma pena.

✰✰ (2/5)



Quero Ser John Malkovich (Being John Malkovich, EUA, 1999)
Direção: Spike Jonze
Roteiro: Charlie Kaufman
Elenco: John Cusack, Cameron Diaz, Catherine Keener, Mary Kay Place, Orson Bean, John Malkovich, Charlie Sheen
112 minutos

Dezesseis anos atrás, Quero Ser John Malkovich foi a introdução do público ao mundo bizarro e metafictício de Charlie Kaufman, um talento que mais tarde nos daria Adaptação (2002), Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004), Sinédoque Nova York (2008) e, esse ano, o premiado Anomalisa. Cada uma das muitas idiossincrasias e marcas da escrita de Kaufman estão presentes nessa fábula dirigida com esmero por Michel Gondry (Rebobine, Por Favor), do surrealismo persistente das premissas até a caracterização aguda de personagens e relacionamentos, passando pela absoluta disposição a levar às últimas consequências as implicações filosóficas, psicológicas e práticas da história. Em Quero Ser John Malkovich, o sistema narrativo é de satisfação imediata – em um ritmo tremendamente gracioso de narrativa, Kaufman nos leva da descoberta da  peculiar “porta para a mente” do astro hollywoodiano do título para a hilária cena em que o próprio Malkovich adentra sua mente sem enrolações. Para a maioria dos filmes, 112 minutos não seria uma metragem enxuta, mas John Malkovich tem tanta história para contar que seu ritmo parece ágil e elegante mesmo assim.

A discussão que Kaufman levanta aqui. na sua estreia, é em muitos sentidos a “irmã mais nova” das discussões levantadas em seus filmes posteriores. John Malkovich é um estudo cômico, tocante e cuidadoso dos entremeios do desejo humano, da forma como uma personalidade, uma noção, uma ideia pode nos enamorar da mesma forma que o corpo físico de alguém. No final das contas, é uma história de amor torta e estranha como só Kaufman poderia escrever, e tem a sensibilidade cortante de Gondry para ajudar na direção, realçando as piadas e a precisão de seus personagens com uma direção limpa, de estética meio suja e direta. No elenco, os destaques ficam por conta de Cameron Diaz, que se aproveita do disfarce da falta de maquiagem e do cabelo diferente para mostrar profundidades novas de sua capacidade como atriz; Catherine Keener, em uma interpretação esperta e afiada do interesse romântico comum entre marido e mulher (John Cusack e Diaz), uma personalidade magnética, carismática e patética ao mesmo tempo; e do próprio Malkovich, que equilibra senso de ridículo, naturalismo e pathos para interpretar a uma versão idealizada de si mesmo com a habilidade do grande chatacter actor que inspirou Kaufman a escrever esse pequeno clássico moderno.

✰✰✰✰ (4/5)



Um Senhor Estagiário (The Intern, EUA, 2015)
Direção e roteiro: Nancy Meyers
Elenco: Robert De Niro, Anne Hathaway, Rene Russo, Anders Holm, Jojo Kushner, Andrew Rannells, Adam DeVine, Zack Pearlman, Nat Wolff, Linda Lavin, Celia Weston
121 minutos

As duas horas de metragem de Um Senhor Estagiário, novo filme dirigido e escrito por Nancy Meyers (Simplesmente Complicado, Alguém Tem que Ceder) passam quase sem serem percebidas. O estilo “classe média-alta e seus problemas” de Meyers, que atraiu muitas críticas no passado, serve bem à leveza e à eficiência do filme, uma fábula feminista light que se ancora nas atuações de seus dois protagonistas para conseguir pathos para mais uma história madura e esperta da roteirista, que ao menos guarda para si o mérito de colocar nas telas uma geração mais velha a quem quase nunca são dados papeis complexos e interessantes para interpretar. De Niro parece respirar aliviado por estar em uma comédia que o utiliza para além de piadinhas com sua idade e com sua persona de machão – pelo contrário, Um Senhor Estagiário faz dele um cavalheiro, um homem discreto, mas dotado de emoção, empatia e personalidade pulsantes. O trabalho que o veterano ator faz é detalhista, sutil e tremendamente eficiente em vários sentidos, sendo observado de perto pela câmera paciente de Meyers, que tem um olho para superfícies brilhantes e o que os críticos americanos chamam de luxury porn, mas não deixa de lado os personagens.

Quem brilha mesmo em Um Senhor Estagiário, no entanto, é Anne Hathaway, no que provavelmente é sua melhor atuação desde o Oscar por Os Miseráveis. Aqui, ao encarnar a motivada fundadora de uma companhia de comércio online que ainda mantem um casamento aparentemente feliz e uma filha adorável, Hathaway brinca habilmente com a persona de “garota perfeitinha” que cultivou na mídia (e que já a trouxe muitas críticas injustas), agarrando a oportunidade que o roteiro de Meyers a dá para tornar real, palpável e humana essa figura da mulher moderna, competente e bem-afortunada. Um Senhor Estagiário, em grande parte, apesar de contar a história de um viúvo aposentado (De Niro) que, não aguentando estar em casa o tempo todo, se torna estagiário da empresa comandada por Hathaway, pertence a ela. E a personagem complexa e carismática que ela constrói é o que faz o filme de Meyers funcionar, quase à força, porque Um Senhor Estagiário, embora seja uma experiência agradável e bem-intencionada, deixa transparecer que Meyers está esgotando as possibilidades de histórias para contar na estreita faixa socioeconômica em que ela se permite transitar.

✰✰✰✰ (3,5/5)



A Travessia (The Walk, EUA, 2015)
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Robert Zemeckis, Christopher Browne
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Charlotte Le Bon, Ben Kingsley, Clément Sibony, James Badge Dale
123 minutos

Na sua meia-hora final, A Travessia é uma obra-prima, um testamento absoluto e inegável do talento espetacular de Robert Zemeckis para transportar o espectador para o mundo de seus personagens e suas sensações, usando em iguais medidas a magia digital da Hollywood contemporânea e a preocupação “antiquada” com a expressão de sentimentos e significados para além da maravilha visual. Assim que Philippe Petit (Joseph Gordon-Levitt) dá o primeiro passo na corda bamba que ele e seus comparsas estenderam ilegalmente no topo das Torres Gêmeas, A Travessia é uma montanha-russa, um espetáculo do qual é impossível tirar os olhos. A vertigem e a ansiedade se misturam com a pura mágica que o feito físico e artístico de Petit carregaram, com a ressignificação de um cenário urbano e com a humanização visceral que ele trouxe, em 1974, às torres de concreto que vieram a significar tanto em tantos sentidos para o mundo contemporâneo.

Os que buscam um relato sem fantasias devem ir atrás de O Equilibrista, documentário de James Marsh que ganhou o Oscar na sua categoria em 2009. A Travessia é uma fábula sobre o elemento criminoso e subversivo da arte, uma história obviamente embelezada pelos óculos da nostalgia, e contaminada pela narração em primeira pessoa de Petit, interpretado com garra por Gordon-Levitt, que ultrapassa a barreira do teatral sotaque francês e empresta vida a essa representação idealizada de uma figura real – no fundo dos olhos de Levitt mora a vontade incansável de desafiar que levou Petit a seu feito extraordinário, a ambição e a auto-confiança para levá-lo a cabo. Levitt é carismático e charmoso no papel, sem dúvida admirável, mas também um pouco assustador – ele é a carta na manga de A Travessia, um filme falho na definição do seu tom e do crescendo da narrativa, mas que ganha o jogo no seu protagonista e no absoluto tour de force do seu formidável final. Como performance e entretenimento, vale os aplausos de pé que Petit arrancou dos nova-iorquinos quatro décadas atrás.

✰✰✰✰ (3,5/5)

22 de nov. de 2014

Review: “Interestelar” é cinema-extravagância, mas não poderia deixar de ser

interstellar-poster

por Caio Coletti

Conforme os anos passam e os filmes continuam chegando, é notável como nós espectadores (e críticos), em maior ou menor escala, passamos a conhecer bem os nomes que verdadeiramente marcarão essa época da cinematografia humana. Não dá para negar que Christopher Nolan é um deles – aos 44 anos, esse cineasta londrino é um dos poucos diretores superstar da sua geração, atraindo um exército de seguidores e outro exército de detratores. Lá se vão 14 anos e sete filmes desde que o mundo conheceu Nolan com Amnésia, e ao assistir seu último feito, esse Interestelar, é gritante como a personalidade do diretor (e roteirista) transpira pelo filme de maneira quase infiltrada – mas o que isso significa?

Para começar, na fundação de tudo, Nolan é um contador de histórias. E mais, ele é um contador de histórias que necessita, com todas as suas forças, ser entendido – esse não é o diretor que vai te encantar pela perfeição econômica de um take ou pelo absoluto enigma de suas intenções. Daí a quantidade homérica de diálogo expositivo que aparece em Interestelar e também figurou de forma insistente em A Origem. É uma característica que irrita muito dos neo-Kubrickianos (termo que talvez eu tenha acabado de forjar), crentes fiéis de que a única forma de tocar o espectador e ser fidedigno a esse mundo complexo em que vivemos é desafiá-lo a resolver um quebra-cabeças irresolvível. Kubrick não fazia cinema para discursar, e o que o fazia especial era o quanto ele se permitia ser incompreensível no caminho de satisfazer seus caprichos cinematográficos. Kubrick nos dava um olhar pelo qual podíamos espiar o enigma da vida, o que é admirável, com certeza – mas não é a única forma de se fazer bom cinema.

Interestelar, ao contrário de 2001 (e o objetivo dessa comparação toda é fazer parar todas as outras comparações que andaram jorrando desde a estreia do filme de Nolan), quer se explicar para o espectador. Quer que ele toque o significado cósmico de toda a sua filosofia, a concretização de toda a sua observação de personagem, as consequências sólidas de cada ato em cada parte do universo que o filme acompanha. Nessa missão, Nolan é descomunalmente bem-sucedido – em vários momentos de Interestelar, a dimensão da trama é atirada na cara do espectador, e o resultado emocional, eu posso testemunhar em primeira mão, é devastador. Esse é um filme que arquiva a proeza de nos engrandecer ao mesmo tempo em que nos coloca em nosso lugar, com a nossa devida insignificância, e nossas devidas falhas.

O protagonista da trama é Cooper (Matthew McConaughey), fazendeiro em uma Terra inóspita de um futuro próximo, em que a natureza se voltou contra a humanidade e ela, em resposta, se agarrou com mais firmeza ao solo árido do planeta. Cooper é também ex-piloto de testes da NASA, entidade que oficialmente foi fechada séculos atrás pelo governo americano (quem precisa de exploração espacial quando a preocupação com o nosso chão é tão urgente?). Ele detecta uma estranha anomalia gravitacional no quarto de sua filha mais nova, Murphy (feita por Mackenzie Foy e Jessica Chastain em momentos diferentes da jornada temporal do filme), e segue a mensagem em código binário que essa tal anomalia parece estar passando até um local ultra-secreto em que os últimos operativos da NASA estão construindo a última esperança da humanidade. E aí, é claro, as coisas ficam complicadas.

Em nenhum momento de sua complexa viagem cósmica, com efeitos da relatividade do tempo-espaço e física quântica incluídos, Interestelar deixa o espectador à deriva. Esse é outro elemento pelo qual é impossível culpar Nolan por querer ser entendido: ele consegue. O grande público teve um gosto muito breve do quão bom o moço é em conduzir uma narrativa complicadíssima quando A Origem nos guiou por múltiplos mundos de sonhos e nos trouxe sãos e salvos até o seu final ambíguo (mas não confuso). Em Interestelar, tanta coisa está acontecendo ao mesmo tempo que é compreensível que Nolan precise de 2h49 minutos de filme, metragem que muita gente achou excessiva, para não transformar seu filme em uma montanha russa de ficção científica metafísica. O filme toma seu tempo para fazer as coisas acontecerem, e talvez isso o torne menos poderoso em termos de sinergia de narrativa – mas também o torna muito mais forte quando se trata de significado.

Por fim, é preciso admirar uma narrativa como Interestelar quando ela consegue impressionar o espectador sem lançar mão de truques baratos. Um dos momentos mais poderosos do filme (os spoilers na frase seguinte são bem leves, eu prometo) acontece quando a Murph adulta está ateando fogo em uma plantação da antiga fazenda do pai enquanto, há galáxias de distância, Cooper e Brand (Anne Hathaway) lutam contra um inesperado contra-tempo que é fruto do puro egoísmo humano. A grande surpresa envolvendo o “personagem secreto” do filme de Nolan não é uma reviravolta inesperada – é possível vê-la há quilômetros de distância, se você prestar atenção. E por mais que o elemento-surpresa seja uma forma infalível de pegar o espectador pelo pescoço, há algo de muito honesto na forma como Nolan prefere conduzir-nos gentilmente pelo braço e nos mostrar o quão verdadeiramente magnífica é a teia de acontecimentos e destinos que ele teceu.

Como cinema, Interestelar é um feito memorável mesmo que seja falho. A trilha-sonora de Hans Zimmer é espetacular (gostaria de lembrar que esse homem só tem um Oscar – só um!), e a fotografia do suíço Hoyte van Hoytema (Her) nos dá algumas das imagens mais sufocantemente belas que veremos em celuloide esse ano. Matthew McConaughey entrega uma performance que é superior em muitos sentidos ao que ele demonstrou em Clube de Compras Dallas, e só se iguala (talvez!) ao seu desempenho em True Detective – é um retrato sensível de um personagem afetuoso que tem uma bela história para contar, e é fora das características que definem sua persona pública. Jessica Chastain mostra porque é uma das atrizes que vai dominar Hollywood nos próximos anos, nos entregando uma Murphy memorável como o roteiro exige que ela seja. Anne Hathaway não parece estar tão conectada com o momentum do filme, mas tampouco o prejudica com o seu retrato firme da Dra. Brand.

Quando a encenação de Nolan descamba para o ultra-dramático, Anne é a que parece sair mais prejudicada, e talvez isso seja mais um erro de seu posicionamento como atriz no filme do que da narrativa em si. Principalmente porque, como narrativa, Interestelar não tinha outra saída a não ser explodir em extravagância emocional – e é justamente aí, onde talvez falhe um pouco como cinema, que o filme triunfa como ficção. Como contador de histórias que é, Nolan escolhe a cada articulação de seu labirinto narrativo ser um panorama muito completo da condição humana. Interestelar não pisa em ovos: retrata com fidelidade os egoísmos, as mentiras e as pequenezas de mente das quais somos capazes. No caminho, no entanto, é capaz de mostrar também que é através de todas essas fraquezas que somos capazes de amar de forma tão espetacular a ponto de lutar pela sobrevivência e pela chance de experimentar mais desse universo para o qual somos tão inaptos. Interestelar é sobre o mesquinho e o sublime do espírito humano. E, à exemplo de seus personagens, o filme não “entra docilmente nessa noite escura” – ele a ilumina.

✰✰✰✰✰ (4,5/5)

interstellar-2014-movie

Interestelar (Interstellar, EUA/Inglaterra, 2014)
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan, Jonathan Nolan
Elenco: Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain, Mackenzie Foy, Casey Aflleck, Topher Grace, Michael Caine, Wes Bentley, Ellen Burstyn
169 minutos

17 de ago. de 2013

5 jovens atrizes que já entraram na mira do Oscar

US-OSCARS-ARRIVALSAmy Adams no Oscar 2013

Amy Adams contava com seus 31 anos quando recebeu sua primeira indicação ao Oscar. Na próxima terça-feira, 20 de Agosto, a moça que se tornou uma das nossas atrizes preferidas da sua geração completa 39 primaveras, e a gente resolveu comemorar com uma lista de cinco jovens atrizes (incluindo ela) que foram notadas pela Academia desde cedo. Vale lembrar que o Oscar é muito mais afeito a indicar veteranas como Meryl Streep, Maggie Smith e outras colegas da geração anterior as dessas mulheres. Ser notada já na faixa dos 20/30 é um privilégio para poucas, e indica que, nas próximas décadas, essas moças podem dominar a Academia.

Amy Adams

Uma das futuras grandes atrizes americanas nasceu na Itália. Com pais americanos e criada no coração do Colorado, Amy Lou Adams veio ao mundo em Vicenzo, no país europeu, a 20 de Agosto de 1974. Atuando desde 1999, a moça foi conseguir destaque em 2005, ao estrelar o drama intimista Retratos de Família, que lhe valeu a primeira de quatro indicações ao Oscar até agora. Ganhou o público quase ao mesmo tempo, como a protagonista de Encantada, e seguiu equilibrando escolhas de papéis dramáticos (Dúvida, O Mestre) com blockbusters e filmes leves como Julie & Julia e O Homem de Aço, onde encarnou a clássica personagem de Lois Lane.

As indicações: Melhor Atriz Coadjuvante por Retratos de Família (2005), Dúvida (2008), O Vencedor (2010) e O Mestre (2012).

Próximos Oscar? Amy está nos novos filmes de Spike Jonze (Her) e David Russell (American Hustle), deve estrelar como a pintora Margaret Keane na cinebiografia dirigida por Tim Burton intitulada Big Eyes, e rumores indicam que pode interpretar Janis Joplin em um projeto ainda sem data definida.

Michelle Williams

A garota de cidade pequena Michelle Ingrid Williams cresceu para virar a vilãzinha da série de TV adolescente Dawson’s Creek entre 1998 e 2003, mas quase ninguém poderia imaginar que só dois anos depois do final do seriado ela estaria entre as indicadas ao Oscar, por seu papel em O Segredo de Brokeback Mountain. Engatou um relacionamento com Heath Ledger e com ele teve um filho, que mais tarde subiria no palco da Academia para receber o prêmio de seu falecido pai. Embora muita gente ainda torça o nariz e chame a moça de insossa, Michelle conquistou os votantes da Academia, que só esperaram ela colocar as mãos em um bom papel para colocá-la na lista de novo.

As indicações: Melhor Atriz Coadjuvante por O Segredo de Brokeback Mountain (2005), Melhor Atriz por Namorados Para Sempre (2010) e Sete Dias com Marilyn (2011).

Próximos Oscar? Está sob o comando de Saul Dibb (A Duquesa) como uma francesa que se apaixona por um soldado alemão na Segunda Guerra em Suite Française.

Jennifer Lawrence

A mais jovem da nossa lista é também a primeira a ter ganhado o prêmio em que concorreu. Com direito a queda nas escadas para o palco, Jennifer Shrader Lawrence, do alto de seus 23 anos, recebeu a merecidíssima estatueta de Melhor Atriz por O Lado Bom da Vida, em que interpreta o ousado papel de uma jovem viúva deprimida. A descrição não faz jus a profundidade que Lawrence empresta a personagem, e isso é testemunha do talento dessa americana que foi notada em 2010 pelo papel no drama/thriller independente Inverno da Alma. Desde então, ela cravou também a preferência do público em Jogos Vorazes e X-Men: Primeira Classe.

As indicações: Melhor Atriz por Inverno da Alma (2010) e O Lado Bom da Vida (2012).

Próximos Oscar? Mesmo ocupadíssima com as continuações de Jogos Vorazes, JLaw encontrou tempo para ser musa de Susanne Bier (In a Better World) em Serena e retornar ao comando de David Russell em American Hustle.

Anne Hathaway

Em seu discurso de agradecimento pelo Oscar por Os Miseráveis, Anne Jacqueline Hathaway agradeceu a sua concorrente na categoria, Sally Field, por ser um exemplo perfeito de como fugir do “type casting”, a mania de Hollywood de escalar atrizes que fizeram sucesso em um tipo de papel repetidamente da mesma forma. Muito oportuno para a atriz que começou na comédia da Disney O Diário da Princesa e cresceu para se tornar a Fantine gigantesca da versão de Tom Hooper para o clássico do teatro musical, em uma rendição de “I Dreamed a Dream” arrepiante e crua. Queridinha de Hollywood por continuar fazendo blockbusters como o último Batman, Anne já provou ser brilhante.

As indicações: Melhor Atriz por O Casamento de Rachel (2008) e Melhor Atriz Coadjuvante por Os Miseráveis (2012).

Próximos Oscar? Anne se aventura pelo independente de novo com Song One, estreia em longa-metragem da diretora Kate Barker-Froyland, fazendo par com o músico Johnny Flynn, na pele de uma arqueóloga que se apaixona pelo cantor favorito do irmão.

Jessica Chastain

Robin Williams leva o crédito por essa: o ator vencedor do Oscar por Gênio Indomável apostou na californiana Jessica Michelle Chastain quando a moça ainda era estudante da prestigiada Julliard, pagando para a protegida uma bolsa de estudos. O resultado veio em 2008, quando ela estreou no cinema no independente e ótimo Jolene, e depois em 2011, ano em que a novata invadiu Hollywood de assalto, em produções diversas como O Abrigo, Árvore da Vida e Histórias Cruzadas. 2012 foi ainda melhor, com o sucesso do terror Mama e a segunda lembrança da Academia por A Hora Mais Escura. Só está faltando mesmo ter a estatueta nas mãos.

As indicações: Melhor Atriz Coadjuvante por Histórias Cruzadas (2011), Melhor Atriz por A Hora Mais Escura (2012).

Próximos Oscar? Ela é a personagem título de The Disappearance of Eleanor Rigby, história de um casal que será contada em dois filmes (um do ponto de vista dela, outro do de James McAvoy). Também está em Miss Julie, dirigido por Liv Ullman.

Caio