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Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

6 de jun. de 2015

5 álbuns que fazem dez anos em 2015 (e merecem ser lembrados)



Estamos há 15 anos no terceiro milênio, e em plena segunda década dos anos 2000, ainda tem gente que acha que não se produz nada de qualidade, artisticamente como um todo, hoje em dia. Ou, talvez mais certeiramente, nada que “sobreviva ao tempo” como algumas relíquias culturais de décadas atrás sobreviveram. Os cinco álbuns listados abaixo completam uma década de lançamento esse ano. E, além de sua influência ser sentida até hoje no mundo da música (o que prova sua importância histórica), eles continuam sendo peças brilhantes por si mesmos. Pièces de resistance, por assim dizer.

Arular 
Lançamento: 22 de Março de 2005
Gravadora: XL/Interscope
Produção: Paul Byrne, Cavemen, Diplo, KW Griff, Richard X, Switch, Anthony Whiting, Wizard
Duração: 38m06s

por Caio Coletti

A quantidade de contradição sobre a qual o mundo contemporâneo está erguido só se tornou mais absurda desde o lançamento de Arular, disco de estreia de M.I.A. Em termos musicais e artísticos no geral, no entanto, poucas obras representam tão bem o que pode transpirar dessas contradições do que o álbum batizado em homenagem ao pseudônimo político do pai da cantora, parte de um grupo revolucionário do Sri Lanka, de onde M.I.A. e a família fugiram em meio a um violento conflito. Naturalizada na Inglaterra, M.I.A. se tornou uma verdadeira esponja de influências e significações – formada em uma prestigiada faculdade de artes britânica e influenciada tão fortemente pelo hip-hop quanto pelos ritmos jamaicanos, brasileiros e cosmopolitas que aparecem no álbum, a documentarista-transformada-em-cantora criou um álbum desafiadoramente pluralista, que expandiu as barreiras do gênero que os americanos chamam de world music.

Na afamada “Bucky Done Gun” (abaixo), o produtor Diplo inseriu ritmos e dicas que vieram direto do funk carioca (inclusive admitindo a inspiração da música "Injeção", de Deize Tigrona). O estilo dancehall jamaicano, que assombrou a música americana por muito tempo no começo da década passada, inclusive trazendo Rihanna da ilha de Barbados para os EUA, inspira boa parte do álbum. Batidas realizadas a partir de sons de objetos como celulares, canetas e brinquedos comprados pela cantora na Índia formam a surpreendentemente empolgante "Hombre". Composto quase todo por M.I.A., incialmente em um instrumento que junta bateria eletrônica e sintetizador, Arular é, musicalmente, um exercício de pop dançante filtrado por uma sensibilidade corajosamente independente. Ousado, mas também absolutamente grudento. Firmado no sentimento do it yourself que inspirou o punk britânico, mas também obsessivamente lapidado e compilado por profissionais de estúdio e pela própria M.I.A., claramente uma perfeccionista.

Tematicamente, o álbum esconde temas políticos fortes e polêmicos ("Sunshowers" não era exibida na MTV americana sem um aviso que isentava a emissora da mensagem expressada na letra) e mistura a sensibilidade metropolitana da M.I.A. que experimentou tanta pobreza quanto riqueza na Inglaterra, e conheceu as atribulações políticas do mundo no Sri Lanka. Saudada por muitos, na época do lançamento do álbum, por trazer essa consciência política de volta à música pop, M.I.A. criou um álbum que não tem medo de parecer descartável, usar símbolos superficiais relacionados a uma cultura que por décadas foi considerada “marginal” à expressão artística humana. De fato, a missão da cantora-compositora-produtora, nesse sentido, parece ser resgatar esses símbolos considerados menores e imbui-los de uma mensagem e um propósito social e cultural que os torne atemporais. Tanto conseguiu que cá estamos, em pleno 2015, reafirmando que Arular é um dos discos pop mais inteligentes do nosso século.


Demon Days 
Lançamento: 11 de Maio de 2005
Gravadora: Parlophone
Produção: Gorillaz, Danger Mouse, Jason Cox, James Dring
Duração: 50m40s

por Caio Coletti

“Demon Days”, a faixa-título do segundo álbum de estúdio do Gorillaz, é o melhor exemplo da mistura absurda de gêneros que é a fundação do projeto paralelo de Damon Albarn (Blur). Em pouco mais de 4 minutos, a faixa passeia por sintetizadores distorcidos, desagua em uma melodia pop cantada pelo coral gospel de Londres e encobre tudo com uma batida e um riff de guitarra diretamente advindos da reggae music. De forma absolutamente corajosa, “Demon Days” é ainda a canção de encerramento do álbum, deixando que a obra da banda de desenho animado mais famosa de todos os tempo termine com uma nota completamente diferente daquela que deu o tom do álbum (seja tematicamente ou musicalmente). Com seu clima ensolarado, “Demon Days” é o exato oposto do disco de “pop sombrio” (nas palavras de Albarn) que o Gorillaz fez em parceria com o sempre fabuloso produtor Danger Mouse, o homem responsável pelas batidas do Gnarls Barkley e do álbum Little Broken Hearts de Norah Jones. O Gorillaz sempre foi, em sua essência, o projeto no qual Albarn pode descarregar sua excentricidade musical, mas Demon Days arquiva um nível de discurso musical que o frontman do Blur ainda não superou, mesmo 10 anos depois.

A primeira parte do disco pulsa com uma urgência inédita na música do Gorillaz - "Last Living Souls", "Kids With Guns" e "O Green World" se apóiam na guitarra e no baixo para nos inserir no mundo quase pós-apocalíptico do qual a banda nos traz mensagens pessimistas. Os vocais de Albarn são o destaque nessas primeiras faixas, dando vida às letras feitas sob medida para evocar imagens de desolação e abandono, como se o Gorillaz nos trouxesse avisos de um futuro em que a Terra não passa de um enorme deserto e as antigas realizações da nossa civilização sejam apenas ruínas esquecidas. O produtor Danger Mouse enche esse espaço vazio com sutilezas musicais, pacotes de cordas inesperados e intervenções de backing vocals e sintetizadores, mas a mensagem continua ali. Assim como continua, aliás, o cerne hip-hop do Gorillaz, que aparece mais a partir do lead single, “Feel Good Inc.” (abaixo) e ainda cria a pérola "DARE", comandada pelo rapper Shaun Ryder.

Assim que o primeiro terço do álbum nos climatizou com o mundo que o Gorillaz representa, Albarn e Danger Mouse se sentem mais a vontade para brincar com ritmos e instrumentações. Alguns dos melhores resultados são a grudenta "Dirty Harry", apoiada por um coral de crianças que se junta ao vocalista Albarn (ou devemos nos referir a ele como 2D?) e a excentricamente tropical "El Mañana". Em "Every Planet We Reach is Dead", os teclados de Ike Turner emprestam uma modulação soul ao som do grupo que casa surpreendentemente bem com o tom melancólico do disco. Demon Days é um álbum conceitual que não precisa ser narrativo para levar o ouvinte em uma viagem por outro mundo (ainda que seja um assustadoramente parecido com o nosso) – até a faixa falada "Fire Coming Out of the Monkey's Head" é críptica e cheia de metáforas. Como bem colocou o crítico do Pop Matters na época, o arco de Demon Days não é narrativo, e sim musical.


Oh No 
Lançamento: 30 de Agosto de 2005
Gravadora: Capitol
Produção: Tore Johansson
Duração: 41m40s

por Caio Coletti

No post de 5 álbuns que fazem dez anos de 2014, um dos nossos destaques foi o álbum de estreia do Franz Ferdinand, uma das bandas de rock mais importantes da nossa era e os definidores iniciais de uma estética muito particular que é comum, hoje, em grupos como o Two Door Cinema Club e o Passion Pit. Oh No é o álbum que colocou os americanos do OK Go no mapa, depois do sucesso estrondoso de "A Million Ways" nos EUA e de "Here it Goes Again" (abaixo) no resto do mundo. Com a ajuda do super-produtor sueco Tore Johansson, que trabalhou com o próprio Franz Ferdinand, entre muitos outros artistas, o quarteto de Chicago produziu um dos discos de rock mais divertidos, dançantes e únicos das últimas décadas. Os dois singles citados são exemplos perfeitos da dicotomia que o Oh No carrega: a começar pelo mais famoso, que ganhou vídeo no qual os integrantes se arriscam numa complexa coreografia em cima de esteiras – “Here it Goes Again” é uma empolgante gema pop-rock, com um refrão grudentíssimo e repetitivo que, graças ao arranjo genioso do produtor Johansson, nunca fica cansativo.

Cheio de backing vocals e versos gritados, a canção mais famosa da banda rima com várias outras do disco que seguem a mesma fórmula (com graus variados de sucesso): "Television, Television" é ótima, mas "Crash the Party" talvez seja a mais bacana, discursando sobre um relacionamento que dispensa “suavidade, cortesia, cavalheirismo e charme” para trocá-los por uma bela noitada a dois. Em certo ponto da música, o vocalista e compositor Damian Kulash confessa: “Eu não sou muito bom com sutilezas”. E de fato é a abordagem refrescantemente direta e honesta do OK Go diante de melodias e ganchos pop em meio a uma elaboração instrumental claramente rock que os torna únicos: ao contrário do esteticamente sofisticado Franz Ferdinand, os meninos de Chicago usam os mesmos elementos para fazer música de uma forma mais intensa e clara.

Em “A Million Ways” e algumas outras faixas, no entanto, emerge um OK Go capaz de tratar as melodias com mais gentileza, e um Damian Kulash de voz mais suave. São canções meio-amargas e machucadas que a banda trabalha para expressar musicalmente sem sair da zona de conforto do álbum – as duas canções finais ("Maybe This Time" e "The House Wins") estão entre os momentos mais brilhantes do álbum, e mostram sombras da banda ainda mais inteligente que o OK Go se tornaria nos anos seguintes. Colando vários elementos da estética de bandas que surgiram no rastro do Franz Ferdinand, o OK Go usa esse território entre o pop e o rock para experimentar com instrumentais, composição e uma temática simples de relacionamentos e decepções. Os moços de Chicago não só fizeram história com a videografia, portanto, como contribuíram muito para o que chamamos de pop rock contemporâneo.


A Fever You Can’t Sweat Out
Lançamento: 27 de Setembro de 2005
Gravadora: Decaydance/Fueled By Ramen
Produção: Matt Squire, Panic! At the Disco
Duração: 40m15s

por Henrique Fernandes

Numa época em que o emo estava no auge e que os adolescentes glorificavam My Chemical Romance, Fall Out Boy e Simple Plan, o Panic! At The Disco apareceu pra colocar um pouco de circo e teatralidade no cenário musical. A Fever You Can't Sweat Out é aquele tipo de debut que faz as pessoas duvidarem se a banda conseguirá lançar álbuns que o superem (no caso do Panic descobrimos que a banda se reinventa totalmente a cada disco e nem é possível fazer comparações). Foi um grande sucesso de crítica e público por muitas razões. Dividido em duas partes, o CD apresenta rock, pop, eletro, pianos e cordas num conjunto muito competente. Munidos de excelentes composições do guitarrista Ryan Ross, que trazem referências a livros de Chuck Palahniuk e filmes como Closer, além da potência vocal do vocalista Brendon Urie, o Panic! At The Disco conseguiu criar, junto com os outros integrantes, uma sonoridade única. Junto disso, a banda trouxe um visual Vaudeville para os clipes, shows e performances, tornando-se uma de suas marcas registradas naquela época.

A primeira parte do CD te leva para um futuro nostálgico com grandes músicas como "The Only Difference Between Martyrdom And Suicide Is Press Coverage" e "Time To Dance", que carregam grandes melodias pop rock com inteligentes intervenções eletrônicas que obrigam os ouvintes a dançar. No meio do CD, Brendon Urie declara que é impossível para eles continuarem com a música eletrônica e se desculpa com uma interlude de piano, dando início a segunda parte do CD e uma volta ao tempo onde os cabarés, o circo e o sexo eram os protagonistas. A sonoridade aqui mistura pianos, guitarras, acordeão e muitas cordas. Dessa parte do CD saiu "I Write Sins Not Tragedies" (abaixo), o maior sucesso da banda. O clipe, que conta uma história de amor carregada de ironia e com ares circenses de plano de fundo, ganhou o prêmio de melhor clipe do ano no VMA.

Quando a maioria das bandas de rock que os jovens ouviam estavam preocupados em usar preto, escrever músicas tristes e provocar o choro adolescente, o Panic! At The Disco apareceu para colocar o povo para dançar com suas músicas animadas, suas letras provocativas e sexys e um visual diferente. A Fever You Can't Sweat Out é um CD curto, coeso e completo. Devido a sua originalidade, se tornou um disco atemporal que deu ao Panic uma boa reputação. Os garotos de Las Vegas, naquela época todos na faixa dos 18 anos, fizeram muitos deixarem de chorar para dançar num cabaré moderno.


Confessions on a Dance Floor 
Lançamento: 11 de Novembro de 2005
Gravadora: Warner Bros
Produção: Madonna, Stuart Price, Mirwais Ahmadzai, Bloodshy and Avant
Duração: 56m34s

por Caio Coletti

Já fazem 10 anos, e ninguém ainda compôs um álbum pop melhor que o Confessions on a Dance Floor. Curiosamente, o disco é também o 10º na discografia de Madonna, e o último da sua carreira (outros três vieram depois dele) a receber críticas realmente entusiasmadas com o resultado conseguido pela rainha do pop. A parceria com o produtor Stuart Price (conhecido pelo trabalho com o The Killers e com o Pet Shop Boys) faz muita diferença nesse sentido, canalizando a energia compositiva que Madonna ainda tinha uma década atrás para um álbum que é paradoxalmente contemporâneo e retrô, como qualquer grande obra pop. A influência e a reputação do Confessions o precedem, sendo apontado por muitos como o álbum que trouxe o revival setentista e oitentista para a música pop eletrônica do século XXI, que arrancou essa influência do underground e o trouxe para o amebiente mainstream. Madonna sempre foi uma artista capaz de detectar as ondas sonoras do mundo alternativo e trazê-las para a música comercial, mas há algo de ainda mais subversivo e saboroso no Confessions, um álbum pop feito para ser ouvido de ponta-a-ponta numa época em que o processamento de música é muito imediato, e muito preso ao formato do single.

É impossível diminuir o Confessions a uma seleção de hits, seja porque o produtor Price o faz um todo coeso, seja por causa da decisão de intercalar as faixas como se não houvesse “pausa” entre elas, como um set de DJ. “Hung Up” (abaixo), "Sorry" e "Jump" foram os destaques na época, mas até essas faixas inexistem sem o contexto maior do disco, que mistura as referências oitentistas com um verniz de tecno moderno, fazendo do Confessions a trilha-sonora perfeita (e atemporal) para uma noite iluminada pelas luzes da pista de dança. Isso não significa que o disco não tenha peso lírico – conforme as faixas progridem, as letras se tornam mais substanciais, com o tema confessional guiando discussões sobre religião ("Isaac" é insuperável) e um instrumental mais guiado pelo violão dando a deixa para a última faixa, "Like it Or Not", ser a faixa mais fierce de uma artista que já mostrou tremenda resiliência nesses 30 anos de carreira.

Em um mundo pop em que tudo é essencialmente descartável (o que não significa que tudo seja essencialmente ruim), é a marca de um artista que realmente entende o meio em que está se metendo a criação de uma obra capaz de resistir ao tempo. Confessions on a Dance Floor não é só um disco que merece ser celebrado pelo que trouxe de definidor para aquilo que veio depois dele, mas um disco que merece ser celebrado simplesmente pelo que é. Lindamente composto, melodicamente espetacular, com o melhor trabalho de um dos melhores produtores do nosso século, o 10º álbum de Madonna sobrevive como a prova que, para falar dela, não basta dizer que “um dia ela já for relevante”. Com obras como Confessions, a ítalo-americana arquiva aquilo que qualquer artista, pop ou não, almeja: a imortalidade.

28 de mai. de 2015

Diário de filmes do mês: Maio/2015


 por Caio Coletti

Nem todos os filmes merecem (ou pedem) uma análise complexa como a que fazemos com alguns dos lançamentos mais “quentes” ou filmes que descobrimos e nos surpreendem positivamente. Particularmente, eu não me dou a escrever críticas grandes de filmes que considero ruins ou irrelevantes, porque não vejo sentido em remoer demais os erros de uma produção cinematográfica. É levando em consideração a função da crítica e da resenha como uma orientação do público em relação ao que vai ser visto em determinado filme que eu resolvi criar essa coluna, que visa falar brevemente dos filmes que não ganharam review completo no site. Vamos lá:

November Man: Um Espião Nunca Morre (The November Man, EUA/Inglaterra, 2014)
Direção: Roger Donaldson
Roteiro: Michael Finch, Karl Gdjusek, baseados no livro de Bill Granger
Elenco: Pierce Brosnan, Luke Bracey, Olga Kurylenko, Bill Smitrovich, Eliza Taylor
108 minutos

A essa altura da carreira, Pierce Brosnan já fez mais filmes em que interpreta variações do seu James Bond do que filmes da própria franquia 007. November Man é o mais recente dos thrillers que escalam o ex-Bond para viver um espião, dessa vez um operativo aposentado da CIA que é chamado de volta à labuta quando a agência se vê perto de expor um fortíssimo candidato à presidência da Rússia por corrupção – ou será que a CIA está envolvida no próprio escândalo, e o pedido do ex-chefe de Brosnan é um chamado de socorro? A chave para tudo parece ser a mulher interpretada por Olga Kurylenko, ela mesma uma ex-Bond girl, na pele de uma assistente social misteriosa. Baseado em um dos livros de Bill Granger sobre o agente Deveraux interpretado por Brosnan, o filme nunca se enrola demais na própria trama, ou fica confuso, mas cai em soluções fáceis perto do final, em que a filha que o protagonista mantinha em segredo da agência é encontrada e raptada pelos bad guys.

Até chegar lá, no entanto, November Man é um filme que corajosamente não subestima a inteligência do espectador, se privando de diálogos ultra-expositivos e examinando com inteligência a psique de seus personagens, brincando com a questão da consciência em homens treinados para matar. O filme também tem algo a dizer sobre o cuidado necessário na hora de acatar ordens, e a desconfiança necessária quanto às figuras de autoridade impostas a nós. O diretor Roger Donaldson (Efeito Dominó) é um eficiente artesão das cenas de ação, com destaque para o brutal embate entre Deveraux e o ex-pupilo, atual algoz, interpretado por Luke Bracey. Brosnan não é um grande ator, mas entende o bastante do papel para passar ileso pelos céleres, ainda que densos, 108 minutos de November Man, um bom entretenimento sem muitas consequências para o espectador. Indicado para quem gosta de thrillers espertos, e para os saudosos de Brosnan como Bond.

✰✰✰✰ (3,5/5)


Hércules (The Legend of Hercules, EUA, 2014)
Direção: Renny Harlin
Roteiro: Sean Hood, Daniel Giat, Renny Harlin, Giulio Steve
Elenco: Kellan Lutz, Gaia Weiss, Scott Adkins, Roxanne McKee, Liam Garrigan Johnathon Schaech
99 minutos

No topo do poster de Hércules, o diretor Renny Harlin é citado pelas glórias de Risco Total e Duro de Matar 2, dois filmes do começo dos anos 90. Há vinte anos removido do seu auge como diretor de ação em Hollywood, o finlandês Harlin ainda é um comandante brilhante para as cenas de adrenalina. Por mais que seu Hércules empreste mais do que algumas dicas do estilo visual de 300, é latente a habilidade do diretor ao manipular os ângulos de câmera e a coreografia dos embates físicos e efeitos especiais para dialogar com o espectador. Esteticamente e em termos de cenas de ação, Hércules é um feito impressionante, digno do seu diretor. Infelizmente, é apenas nesses sentidos que o filme de Harlin triunfa, deixando para trás consideração por personagens e originalidade da narrativa em prol de uma thrill ride que, no final das contas, nem é tão empolgante assim. Desconsiderando o cânone do personagem, Harlin e cia. criam um roteiro em que o herói grego (Kellan Lutz, direto da saga Crepúsculo) é o filho ilegítimo de um imperador cruel (Scott Adkins) que passa por uma provação à la Maximus para se tornar o herói que suas origens prometem que ele será. Afinal, Hércules ainda é filho de Zeus, concebido pela rainha Alcmene (Roxanne McKee) para libertar o reino da tirania do rei.

No meio de tudo isso o filme ainda engata uma trama romântica – é claro – em que Hércules e o irmão fracote e traiçoeiro lutam pelo amor de uma princesa estrangeira (a insossa Gaia Weiss). Lutz é um colírio para os olhos, mas não é ator o bastante para lutar contra mediocridade e o caráter derivativo do texto do filme, que parece apagar assim que as cenas de ação terminam. Adkins, um astro do cinema de ação direct-to-video, injeta intensidade no papel do vilão da vez, mas se leva a sério demais para ser verdadeiramente uma luz na penumbra narrativa de Hércules. Com um herói praticamente invencível, uma história contada dezenas de vezes por artistas mais capazes e alguns momentos em que a sede por efeitos 3D de baixo orçamento dominam a encenação, o filme de Harlin só vale os 99 minutos que tem se o espectador estiver disposto a lidar com essas deficiências pelo bem de um pouco de adrenalina. Caso contrário, passe longe.

✰✰ (2/5)


Guerreiros do Amanhã (Tomorrow, When the War Began, Austrália, 2010)
Direção: Stuart Beattie
Roteiro: Stuart Beattie, baseado na novela de John Marsden
Elenco: Caitlin Stasey, Rachel Hurd-Wood, Lincoln Lewis, Deniz Akdeniz, Phoebe Tonkin, Chris Pang, Ashleigh Cummings, Andrew Ryan
103 minutos

Beseado em uma das séries literárias infanto-juvenis mais populares da Austrália, Guerreiros do Amanhã foi um sucesso estrondoso na terra dos cangurus, mas não conseguiu encontrar um público internacional. Talvez por isso os planos para a continuação continuem sendo adiados, e boatos de uma série de TV circulem pelos fóruns de fãs. É talvez o único argumento contra a expansão cinematográfica do mundo criado por John Marsden na novela, originalmente publicada em 1993 e seguida por outras seis continuações. todas criticamente aclamadas no mundo todo. A história segue oito jovens que escapam por um lance de sorte de uma invasão estrangeira na Austrália (os oito amigos estavam acampando numa localidade remota naquele fim-de-semana fatídico) e precisam lidar com um estado de guerra quando retornam à cidade. O ponto mais positivo de Guerreiros do Amanhã, o filme, é que nenhum dos personagens adolescentes realmente se encaixa nos estereótipos comuns do gênero. A protagonista forte, Ellie, é cheia de dúvidas; seu interesse romântico, Lee, não é um galã convencional; o rebelde Homer mostra habilidades de liderança natas e uma doçura insuspeita; e por aí vai.

Com personagens tão bem delineados, bem que o filme poderia se beneficiar de diálogos mais sutis. Os momentos de reflexão dos protagonistas são traduzidos em trocas de frases que não soam, em absoluto, como pessoas de verdade conversando. Os atores parecem ter consciência disso também, mas não querem quebrar a ilusão e acabam levando-se a sério demais – mesmo assim, a protagonista Caitlin Stasey (atualmente atuando em Reign, da CW) se destaca com uma performance expressiva e inteligente. O roteiro e a direção de Stuart Beattie (do sofrível Frankenstein: Entre Anjos e Demônios) não faz um bom trabalho em realçar o que a história tem de melhor, e tampouco em disfarçar seus defeitos: questões raciais mal-resolvidas e uma mensagem que passa perto de mais do pró-militarismo. Por isso mesmo que a produção de continuações é mais que recomendável: assim, quem sabe, o espectador tem a oportunidade de tirar conclusões mais concretas sobre a história tecida por Marsden. Resta esperar.

✰✰✰ (3/5)


Padre (Priest, EUA, 2011)
Direção: Scott Stewart
Roteiro: Cory Goodman, baseado na graphic novel de Min-Woo Hyung
Elenco: Paul Bettany, Karl Urban, Cam Gigandet, Maggie Q, Lily Collins, Brad Dourif, Christopher Plummer, Alan Dale
87 minutos

Em seus secos (até áridos) 87 minutos, Padre tenta ser uma ficção científica distópica com tons cyberpunks, um improvável western futurista, a enésima reformulação da mitologia do vampiro, e um estudo de personagem. De forma espetacular, o filme consegue falhar em todos esses sentidos. Tamanha derrocada seria quase divertida se não fosse um desperdício dos talentos já largamente mal-aproveitados de Paul Bettany, Maggie Q, Christopher Plummer, Alan Dale e, vá lá, Karl Urban. Padre se leva extremamente a sério, para piorar a situação, e enche suas cenas sumariamente editadas com divagações rasas e contraditórias sobre a virtude da fé, a natureza do totalitarismo e a validade da violência. A impressão que fica é que o diretor Scott Stewart (de Legião) quer desesperadamente nos dizer que fez um filme cool, digno de entrar para as fileiras das ficções científicas “alternativas” que enchem os olhos dos espectadores contemporâneos. O que o diretor esquece é que há um abismo entre atirar elementos na narrativa que ecoem a um significado maior e efetivamente mostrá-lo em tela – Padre quer muito disfarçar o fato de que não está nem um pouco interessado em ser profundo ou filosófico. E faz isso muito mal.

Bettany parece ser uma aposta certa para esse tipo de papel, mas não lhe é dada a chance de desenvolver o protagonista além de uma débil agressividade e um olhar perdido de quem, sempre que pode, chama a atenção para o trabalho sujo que fez pela Igreja que é obrigado a trair. Ao lado do ridículo xerife interpretado por Cam Gigandet (praticamente um ímã de filmes ruins), ele se digladia com o vilão interpretado por Karl Urban pela posse da ingenue feita por Lily Collins. O meio-vampiro-meio-humano interpretado por Urban ganha tão pouco tempo de tela que até seus bons momentos parecem deslocados – vide o inspirado trejeito na cena em que o personagem “conduz”, como um maestro, o massacre de uma cidade. A reimaginação do mito dos vampiros não é mal-guiada, e as cenas de ação do diretor Stewart tem um senso de espaço bastante convencional, ainda que convincente. Curto e raso, Padre é um filme que parece lutar contra si mesmo – pede para ser diversão descompromissada, mas esbarra na obrigação de tentar ser uma “obra séria”.

✰✰ (1,5/5)


Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, EUA, 1951)
Direção: Clyde Geromini, Wilfred Jackson, Hamilton Luske
Roteiro: Winston Hibler, Ted Sears, Bill Peet, Erdman Penner, Joe Rinaldi, Milt Banta, Bill Cottrell, Dick Kelsey, Joe Grant, Dick Huemer, Del Connell, Tom Oreb, John Albridge, baseados no livro de Lewis Carroll
Elenco de vozes: Kathryn Beaumont, Ed Wynn, Richard Haydn, Sterling Holloway, Verna Felton
75 minutos

Um dos mais verdadeiramente criativos feitos da fase inicial da Disney (Alice é apenas o 16º longa de animação do estúdio), a adaptação mais encantadora dos livros de Lewis Carroll sobre a garota que escapa para um mundo de fantasia cheio de bizarrices e perigos resiste bravamente ao tempo. Aos 64 anos, o filme com maior tempo de desenvolvimento da empresa (quase duas décadas) transparece cada momento de sua longa gestação na riqueza das animações e no comprometimento do roteiro com um estilo que jamais seria permitido dentro do esquema de produção da Disney atual. Ainda que esconda os tons sombrios do livro de Carroll um pouco mais fundo do que no material original, o filme ainda é uma pérola de narrativa dispersa e lunática, que faz a jornada da protagonista (delicada e belamente desenhada) ser muito mais emocional do que concreta. Em nenhum momento a trama deixa o espectador se perder dentro do mundo sonhado de Alice, e é justamente esse afastamento que torna o filme um encanto não só para as crianças fascinadas pelas cores e impossibilidades do roteiro, como para os adultos que são capazes de detectar uma narrativa de amadurecimento e reflexão nas entrelinhas da jornada de Alice.

Ajuda, é claro, que as músicas sejam algumas das melhores que a Disney compôs na sua fase inicial, e que a caracterização dos personagens seja tão cuidadosa. Ainda trabalhando com os “nove velhinhos” originais (animadores lendários do estúdio Disney que comandaram os primeiros filmes da marca), Walt e sua equipe criam uma galeria de tipos inesquecíveis e bem calculados, com aquelas formas e personalidades mais rústicas e misteriosas que praticamente desapareceram das obras de fantasia atuais. Há uma razão pela qual a história criada por Carroll atravessou gerações, assim como há uma razão para filmes como A Viagem de Chihiro fascinarem crianças e adultos até hoje – há algo de intimidador nessas histórias, na selvagem beleza do irreal que elas representam. Alice no País das Maravilhas, lá em 1951, foi muito mais ousado e franco em explorar essa parte da história do que os grandes estúdios o permitiriam ser agora, em pleno 2015.

✰✰✰✰✰ (5/5)


Dredd (Inglaterra/EUA/Índia/África do Sul, 2012)
Direção: Pete Travis
Roteiro: Alex Garland, baseado no personagem de John Wagner & Carlos Ezquerra
Elenco: Karl Urban, Olivia Thirlby, Lena Headey, Wood Harris
95 minutos

Hora da confissão: os quadrinhos do Juiz Dredd, criados por John Wagner e Carlos Ezquerra nos anos 70, não são algo com o qual este que vos fala esteja muito familiarizado. O filme de 1995 estrelado por Sylvester Stallone e Rob Schneider (?) também passou em branco por mim (e, ao que parece, eu não estou perdendo muita coisa). Assistir Dredd, portanto, marcou meu primeiro contato com Mega City, a paisagem futurista distópica em que o violento agente-da-lei dos quadrinhos pratica sua justiça – e que primeiro contato, diga-se de passagem. A câmera de Pete Travis (Ponto de Vista), auxiliada pelo belo trabalho de fotografia de Anthony Dod Mantle (Oscar por Quem Quer Ser um Milionário) registra esse cenário quase cyberpunk com um realismo e uma paleta de cores e recursos impressionante. Não é só nas espetaculares cenas em que os personagens estão sob o efeito da droga SLO-MO (que faz exatamente o que o nome sugere) que a composição visual do filme brilha – filmado em uma metrópole da África do Sul, Dredd é um dos filmes do seu gênero que menos se importa em esconder o quão conectado com o mundo do presente é o futuro trágico que ele apresenta. Essa conexão só o torna mais assustador, como uma mistura de filme policial tremendamente violento com ficção científica pessimista e estudo degenerado da natureza humana.

Ainda mais bacana que tudo isso, no entanto, é que Dredd não se leva a sério demais. Afinal, ainda é um filme de ação razoavelmente formulaico em que um policial futurista (em Mega City, os “Juizes” tem o poder de prender, julgar e executar os criminosos) que nunca revela o rosto para o espectador usa de uma variedade inacreditável de balas e recursos especiais para derrubar o império de drogas de uma ex-prostituta com o rosto desfigurado. Ainda é confinado a um espaço pequeno, exatamente como Duro de Matar, e ainda tem Lena Headey numa performance genuinamente perturbada encarando um Karl Urban que faz a melhor imitação do queixo e boca de Clint Eastwood da história do cinema. Dredd tira uma espécie de prazer sádico da carnificina que mostra, mas não é um mero torture porn – é uma esperta e bem-realizada distopia que, em seus curtos (e grossos) 95 minutos, serve mais realidade e causa mais reação emocional no espectador do que a saga Insurgente conseguiu até hoje.

✰✰✰✰ (4/5)


Kingsman: Serviço Secreto (Kingsman: The Secret Service, Inglaterra, 2014)
Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Matthew Vaughn, Jane Goldman, baseados nos quadrinhos de Mark Millar e Dave Gibbons
Elenco: Taron Egerton, Colin Firth, Mark Strong, Michael Caine, Samuel L. Jackson, Sofia Boutella, Mark Hammil, Jack Davenport
129 minutos

A cena mais marcante de Kingsman é também a sua cena de gosto mais duvidoso – o espião Harry Hart (Colin Firth), incentivado por um sinal sonoro que torna as pessoas inconscientemente violentas, massacra uma congregação de fanáticos religiosos que estava reunida em uma Igreja. Ao som de “Freebird”, do Lynyrd Skynyrd, o diretor Matthew Vaughn (X-Men: Primeira Classe) cria um caos visual controlado, o tempo todo mantendo rédeas curtas no andamento da cena e no seu senso de movimento e espaço. É um feito para se observar, tecnicamente, e uma decisão de narrativa que poderia ser considerada corajosa em um filme que quisesse dizer algo com toda essa violência. Kingsman é um filme sangrento, dono de um senso de ação e urgência invejável, mas é também uma paródia/homenagem aos antigos filmes de espião que é um pouco consciente demais de si. A graça não funciona tanto quanto o roteiro de Vaughn e Jane Goldman parece achar, principalmente porque o filme faz seus personagens reconhecerem o pastiche de James Bond em que estão envolvidos. É como se a piada funcionasse muito melhor para eles do que jamais funciona para nós, que estamos assistindo – e o resultado é, previsivelmente, frustrante. Por outro lado, Kingsman ainda é melhor quando não quer falar sobre nada em especial do que nos momentos em que expõe um tipo de filosofia social que, vamos encarar, é bastante esnobe.

A história à la My Fair Lady que se desenrola com Eggsy (Taron Egerton), ao contrário das melhores histórias à la My Fair Lady por aí, não vem para dizer que os sinais externos de elegância são menos importantes que a nobreza inerente da pessoa. Pelo contrário, aliás – em Kingsman, as pessoas que se comportam de acordo com um código rígido e antiquado de etiqueta (os gentleman) são invariavelmente as melhores. Quando toma consciência dessa filosofia equivocada em seu cerne, aliás, é que o humor em Kingsman funciona melhor, vide a gag do jantar de fast-food servido pelo vilão (Samuel L. Jackson) ao personagem de Firth e a espetacular cena em que várias cabeças explodem em um show de fogos de artifício. Vaughn já mostrou algumas vezes ser um diretor talentoso, com identidade visual e um faro certeiro para a sátira que não prejudica o aspecto humano de seus filmes – o problema de Kingsman não é ele, muito menos o elenco, que se diverte bastante em todos os papéis. O problema é que, dessa vez, o material não está à altura do talento envolvido nele.

✰✰✰ (2,5/5)

22 de mai. de 2015

Review: “Vingadores: Era de Ultron” é o melhor da Marvel no cinema, mesmo com todas as suas falhas

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por Caio Coletti

Desde 2008, quando começou sua passagem de rolo compressor pelo cinema comercial, a Marvel Studios fez um trabalho (de certa forma) admirável em transpor para as telas o conceito de um universo coeso de super-heróis que agem em storylines interconectadas – um conceito que há boas décadas tem funcionado para os quadrinhos. Vingadores: Era de Ultron é o décimo filme dessa colossal franquia e, como culminação de mais um “ciclo” dentro do storytelling da Marvel, é naturalmente uma obra muito atarefada, absorvida na tentativa de nos localizar no universo que os filmes anteriores construíram e, pelo caminho, ganhar personalidade e razão de existir próprias. O mais impressionante, no entanto, é que em algum lugar na sua impressionante metragem de quase 2h30 de explosões, aniquilação mundial e conflitos de personagem, Era de Ultron encontra a rota certa para se tornar um dos filmes mais gritantemente autorais do estúdio até hoje. E mesmo que, sob um olhar técnico e analítico, seja um filme bem falho, isso também significa que é o melhor capítulo do universo cinematográfico da Marvel até hoje.

Para começar, o filme conta uma história reprocessada dezenas de vezes pelo cinema de ficção científica e consegue encontrar um ângulo interessante para abordá-la. Na tentativa de criar uma força protetora para o planeta que torne o trabalho dos Vingadores desnecessário, Tony Stark passa por cima da burocracia e usa uma das joias do infinitos (parte integral da mitologia Marvel, sobre as quais você pode saber mais aqui), contida no cetro de Loki, para criar Ultron. Visto que o nome do vilão está no título do filme, dá para perceber que o androide (dublado espetacularmente por James Spader) não sai exatamente como o planejado, e usa o assustador poder que possui para buscar a aniquilação humana na Terra (porque, como manda o clichê do gênero, nós somos a ameaça à sobrevivência do planeta). O foco do genioso roteiro de Joss Whedon, no entanto, não fica nas implicações filosóficas do abuso da tecnologia, ou na incapacidade robótica de compreender a experiência humana – Era de Ultron é um filme sobre o mito do super-herói, sobre a reponsabilidade do poder bélico, sobre o fardo e a dúvida que é intrínseca à vida desses personagens que vemos desfilar pelas produções da Marvel desde 2008.

O filme de Whedon é o primeiro dessa nova era a entender e retratar com mais profundidade o lado sombrio das histórias em quadrinhos nas quais é inspirado, e a chocante humanidade que existe nesses personagens capazes de feitos inumanos. Seu retrato do vilão Ultron é quase um pedaço de cinema de terror dentro do mundo “limpinho” e “espetacular” do universo Marvel – da voz de James Spader ao design cheio de reentrâncias e expressividades, passando pela linguagem corporal provida pelo departamento de efeitos especiais, o personagem é uma realização completa (e assustadora) da lenta decadência à insanidade que o roteiro retrata. Há algo de muito humano na confusão de Ultron sobre os próprios conceitos, no ressentimento que demonstra ao seu criador, no absoluto ódio que parece alimentar sua missão. Consequentemente, há algo de muito envolvente também no personagem e na teatralidade que Spader empresta a ele, o que só torna mais perturbador quando Ultron se multiplica em infinitas réplicas de si e cria um terror coletivo muito mais poderoso do que o medo de um só nêmesis.

A introdução dos outros dois novos personagens também acerta em cheio no tom, e faz com que Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson) sirvam a um propósito narrativo que não é apenas a expansão do universo Marvel. Ela está aqui para que possamos entrar na mente dos nossos protagonistas, criando alucinações que revelam ao espectador as ânsias e traumas mais profundos de cada um deles, a reponsabilidade que carregam e os arrependimentos que acumulam. Como se tornou comum no universo cinematográfico da Marvel, o carisma de Robert Downey Jr. faz com que o filme seja um pouco condescendente aos modos paternalistas e militaristas de Stark, trazendo redenção fácil para o personagem que, no final das contas, provocou essa confusão toda por pura soberba. Whedon acerta mais no ponto com os outros personagens, adotando uma postura ambígua em relação aos atos e motivações de todos eles e buscando um retrato realista de um mundo em que pessoas capazes de destruição formidável andam entre nós. “Ultron não sabe a diferença entre salvar o mundo e destruí-lo”, diz a Feiticeira em certo ponto. “A quem você acha que ele puxou?”

Seguindo essa deixa, a ação em Era de Ultron se preocupa muito mais com o impacto da passagem desses heróis pelo mundo em que caminham do que qualquer outro filme de super-herói recente. Enquanto outros roteiristas tentariam reduzir o dano causado pelas lutas, geralmente movendo-as para locais distantes da civilização, Whedon cria um retrato eletrizante do impacto causado pelos poderes e complicações das batalhas dos Vingadores. O clímax não só ameaça a integridade do planeta, como faz com que seja parte integral da tensão o fato de que uma cidade inteira, populada, será erguida no ar e atirada contra a Terra para arquivar o objetivo do vilão. Outra batalha na metade do filme vê dois heróis se enfrentando em uma série de desvios que destroem de forma espetacular uma outra cidade – é uma cena de ação muito empolgante (talvez a mais bem estruturada do filme), dotada de algum humor, mas que nunca se permite ser inconsequente. A câmera de Whedon tenta acompanhar o tempo todo os destroços de um impacto, por exemplo, atingindo o chão, e frequentemente volta o olhar para a expressão de medo com a qual aqueles civis olham tanto para os vilões robóticos quanto para os heróis titulares do filme.

Com um elenco que parece incrivelmente confortável em seus personagens (Scarlett Johansson faz um trabalho particularmente brilhante aqui), Era de Ultron vacila um pouco no final, quando o diálogo entre Ultron e Visão (Paul Bettany finalmente aparecendo em carne e osso no universo Marvel) apela para a filosofia barata que uma centena de ficções científicas mais competentes já elaboraram. Em alguns momentos, no entanto, como o espetacular take em câmera lenta que vê os heróis reunidos em uma catedral combatendo o exército do vilão, o filme de Whedon brilha como uma das traduções mais dignas do espírito e da alma do que fez os quadrinhos da Marvel uma forma de arte tão popular tanto nesse século quanto no século passado: em seu retrato da super-humanidade desses personagens fantasiosos, Era de Ultron é um tomo poderoso sobre as falhas e as virtudes de todos nós.

✰✰✰✰ (4/5)

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Vingadores: Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron, EUA, 2015)
Direção e roteiro: Joss Whedon
Elenco: Robert Downey Jr, Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Chris Evans, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, James Spader, Samuel L. Jackson, Don Cheadle, Aaron Taylor-Johnson, Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Cobie Smulders, Anthony Mackie, Hayley Atwell, Idris Elba, Linda Cardellini, Stellan Skarsgard, Claudia Kim, Thomas Kretschmann, Andy Serkis, Julie Delpy
141 minutos

18 de mai. de 2015

Temporada 2015/16: As 5 novas séries, as renovações e os cancelamentos da CBS!

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por Caio Coletti

Com os últimos episódios da fall season de 2014/15 sendo exibidos, as emissoras americanas chegam naquele momento tenso em que precisam anunciar para os fiéis espectadores quais séries serão renovadas e canceladas, e quais pilotos produzidos foram escolhidos para virarem temporadas completas. Enfim, é hora de mostrar como vai ser a programação da emissora depois do período da mid-season, que vai até meados de Setembro.

A CBS fechou o calendário quarta-feira (13), liberando a agenda para a fall season. Uma das surpresas foi a ausência de Person of Interest, que terá uma quinta temporada reduzida (13 episódios) que ainda não foi incluída na agenda da emissora – na mesma situação estão as comédias 2 Broke Girls, Mike & Molly e The Odd Couple. Aí embaixo você vê as vítimas, as renovadas e os previews:

Renovadas: The Big Bang Theory (9ª temporada), Scorpion (2ª temporada), NCIS: Los Angeles (7ª temporada), NCIS (13ª temporada), NCIS: New Orleans (2ª temporada), Criminal Minds (11ª temporada), Mom (3ª temporada), Elementary (4ª temporada), Hawaii Five-0 (6ª temporada), Blue Bloods (6ª temporada), Madam Secretary (2ª temporada), The Good Wife (7ª temporada), CSI: Cyber (2ª temporada), Person of Interest (5ª temporada), 2 Broke Girls (5ª temporada), Mike & Molly (6ª temporada), The Odd Couple (2ª temporada)

Canceladas: Stalker (1 temporada), The McCarthys (1 temporada), Battle Creek (1 temporada), The Millers (2 temporadas), Two and a Half Men (12 temporadas), The Mentalist (7 temporadas), CSI (15 temporadas)

Life in Pieces
Segundas/quintas-feiras

A primeira aposta da CBS mira diretamente no público de Modern Family, sucesso indiscutível da ABC que já está chegando ao sétimo ano no ar. A emissora, que vai exibir a comédia às segundas até o final do campeonato de futebol da NFL, quando a série vai se mudar para as quintas, chamou até Jason Winer, que ganhou um Emmy por dirigir Modern Family, para comandar o piloto de Life in Pieces. Os patriarcas da vez são interpretados por James Brolin (vencedor do Emmy por Marcus Welby M.D.) e pela sempre ótima Dianne Wiest (que tem dois Oscar na prateleira), enquanto a filha mais velha é feita por Betsy Brandt (Masters of Sex), o filho do meio por Thomas Sadoski (The Newsroom), e o mais novo por Colin Hanks (Fargo). O roteiro ficou por conta de Justin Adler, que escreveu episódios de Samantha Who? e Less Than Perfect, e o elenco ainda inclui Angelique Cabral (Enlisted), Zoe Lister Jones (Friends With Better Lives) e Dan Bakkedahl (Veep).

Supergirl
Segundas-feiras

Marcada para estrear em Novembro (depois do fim do campeonato da NFL, quando as comédias da CBS se mudam para as quintas-feiras), a série da Supergirl conta com o mesmo time de produção que trabalha há alguns anos com outros personagens da DC em Arrow e The Flash. A história já é conhecida: Kara Danvers (Melissa Benoist, de Glee) é a secretária pessoal de uma chefona da mídia de National City (Calista Flockhart, de Ally McBeal), mas esconde os mesmos super-poderes de seu primo mais famoso. Depois de incidente envolvendo sua irmã adotiva (Chyler Leigh, de Grey’s Anatomy), no entanto, Kara decide se libertar da sua vidinha normal e se junta ao chefe de uma agência de segurança (David Harewood, de Homeland) para proteger os cidadãos de National City de ameaças alienígenas (!).  Mechad Brooks (Necessary Roughness), Dean Cain (Lois & Clark) e Jeremy Jordan (Smash) estão no elenco.

Limitless
Terças-feiras

No thriller Sem Limites, de 2011, Bradley Cooper interpretava um escritor fracassado que era apresentado a uma droga capaz de aguçar todos os seus sentidos e capacidades físicas/mentais. No começo da série que estreia na próxima fall da CBS, o personagem de Cooper reaparece (interpretado pelo próprio, em papel recorrente na temporada) como um senador com ambições de presidência que serve como uma espécie de mentor para Brian Finch (Jake McDorman, de Manhattan Love Story), homem que é cooptado pelo FBI para resolver crimes complexos sob a influência da tal droga. Jennifer Carpenter (Dexter) estrela como a agente federal que acompanha o protagonista, e a sumida Mary Elizabeth Mastrantonio (Grimm) aparece para atuar como a chefe da moça. A direção do piloto, para completar o pedigree, ficou com Marc Webb, que comandou os dois O Espetacular Homem-Aranha – o roteiro está nas mãos de Craig Sweeny (Elementary).

Code Black
Quartas-feiras

O novo drama médico da CBS é baseado no documentário homônimo lançado em 2013 sobre a mudança de instalações de um dos mais movimentados prontos-socorros do mundo, em Los Angeles. O título, como explica o extenso trailer lançado pela emissora, se refere ao momento em que o número de pacientes em estado de emergência ultrapassa a quantidade de recursos disponíveis no hospital. Marcia Gay Harden (Trophy Wife, The Newsroom) estrela como a cirurgiã-chefe do local, comandando uma equipe de residentes de primeiro ano formada por Bonnie Sommerville (Golden Boy), Melanie Kannokada (NCIS: Los Angeles), Ben Hollingsworth (Cult) e o estreante Harry Ford. Michael Seitzman (Intelligence) assina o roteiro, enquanto o elenco é completado por Luis Guzmán (O Sequestro do Metro 1 2 3), Kevin Dunn (Veep) e Raza Jaffrey (Smash, Homeland).

Angel from Hell
Quintas-feiras

Sem perder muito tempo depois do final de Glee, Jane Lynch já se arranjou com a nova comédia da CBS, Angel from Hell. Apesar do título nada auspicioso, a série parece agradável o bastante, seguindo a dermatologista Allison (Maggie Lawson, de Psych), cuja vida é virada de cabeça para baixo quando ela conhece a atrapalhada Amy (Lynch), uma mulher excêntrica que se diz a personificação do seu anjo da guarda. Apesar de nem um pouco convencida pela história, quando as previsões de Amy começam a se concretizar a retraída Allison resolve admitir que talvez o que precisa seja mesmo uma “amiga estranha”. Kevin Pollak (Mom) aparece como o pai de Allison, também médico, com quem ela divide o escritório; o charmoso Kyle Bornheimer (Brooklyn Nine-Nine) faz o irmão mais velho da protagonista, que vive na garagem da irmã. O roteiro é de Tad Quill (Scrubs).

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Criminal Minds: Beyond Borders
Mid-season

Ainda sem time-slot definido, Beyond Borders é a segunda tentativa da CBS de transformar Criminal Minds em uma marca semelhante à CSI e NCIS. A primeira, lá em 2011, não deu muito certo (Suspect Behavior durou só uma temporada), mas agora eles tem uma dupla de atores de peso à bordo, além de uma premissa bem mais bacana. Ao invés de simplesmente mover as ações da Unidade de Análise de Comportamento para São Francisco, a nova série vai retratar as ações de um grupo responsável por ajudar cidadãos americanos que arranjam encrenca para além das fronteiras do país. Recém saído de CSI:NY, Gary Sinine vai encarar o detetive-chefe do time, um veterano de 30 anos no bureau – o restante da equipe é formada por Anna Gunn (vencedora de 2 Emmys por Breaking Bad), Daniel Henney (que esteve em Revolution e Hawaii Five-0) e Tyler James Williams (o próprio Chris de Todo Mundo Odeia o Chris).

RUSH HOUR, a reimagining of the hit feature film franchise, is CBS's new buddy-cop drama about maverick LAPD detective Carter (Justin Hires, right) and by-the-book Hong Kong detective and master martial artist Lee (Jon Foo), who knock heads when they are forced to partner together in Los Angeles. Photo: Neil Jacobs/CBS ©2015 CBS Broadcasting, Inc. All Rights Reserved

Rush Hour
Mid-season

Com o apoio do time de produção por trás dos filmes originais e a direção de Jon Turteltaub (A Lenda do Tesouro Perdido) no piloto, Rush Hour empresta a premissa dos filmes com Jackie Chan e Chris Tucker e pretende explorar mais a fundo as diferenças culturais, a estranha amizade e as enrascadas em que Lee e Carter se metem. John Foo, pescado direto do cinema de ação direto-para-vídeo, assume o manto que foi de Chan nos filmes, interpretando o detetive de Hong Kong que se muda para Los Angeles a fim de resolver o mistério do suposto assassinato de sua irmã. Justin Hires (Anjos da Lei) ganhou o papel que foi de Tucker, um policial sem muito respeito às regras que entra em conflito com o jeito certinho do novo parceiro, mas é controlado pela Capitã Cole (Wendie Malick, da premiada Just Shoot Me!) e pela ex-parceira, Sargenta Diaz (Aime Garcia, de Dexter).

15 de mai. de 2015

Temporada 2015/16: As 5 novas séries, as renovações e os cancelamentos da ABC!

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por Caio Coletti

Com os últimos episódios da fall season de 2014/15 sendo exibidos, as emissoras americanas chegam naquele momento tenso em que precisam anunciar para os fiéis espectadores quais séries serão renovadas e canceladas, e quais pilotos produzidos foram escolhidos para virarem temporadas completas. Enfim, é hora de mostrar como vai ser a programação da emissora depois do período da mid-season, que vai até meados de Setembro.

A ABC fechou o calendário na terça-feira (13), liberando a agenda para a fall season. Aí embaixo você vê as vítimas, as renovadas e os previews de novas séries:

Renovadas: Castle (8ª temporada), Fresh Off the Boat (2ª temporada), Agents of S.H.I.E.L.D. (3ª temporada), The Middle (7ª temporada), The Goldbergs (3ª temporada), Modern Family (7ª temporada), Black-ish (2ª temporada), Nashville (4ª temporada), Grey’s Anatomy (12ª temporada), Scandal (5ª temporada), How to Get Away with Murder (2ª temporada), Last Man Standing (5ª temporada), Once Upon a Time (5ª temporada), Agent Carter (2ª temporada), Galavant (2ª temporada), Secrets and Lies (2ª temporada), American Crime (2ª temporada)

Canceladas: Cristela (1 temporada), Forever (1 temporada), Manhattan Love Story (1 temporada), Selfie (1 temporada), Resurrection (2 temporadas), Revenge (4 temporadas)

The Muppets
Terças-feiras

Maravilhosamente auto-depreciativos e extraordinariamente engraçados como sempre foram, a ressurreição dos Muppets nos últimos anos é talvez a melhor herança que a nostalgia de décadas passadas trouxe para a cultura pop atual. Depois de dois filmes super bem-sucedidos, chegou a hora dos fantoches criados por Jim Henson voltarem para a televisão, onde não estrelam uma série desde 1981, quando The Muppet Show foi cancelado. Fazendo graça da premissa batida do falso documentário, com o recurso das entrevistas individuais e as piadas fáceis que elas trazem, o trailer da série nos apresenta a proposta: um olhar para os “bastidores” das produções do grupo, retratando todos os relacionamentos, dramas e diálogos entre os personagens clássicos. Kermit, Piggy, Fonzie, Animal, Gonzo e cia. vão liderar as terças-feiras da ABC, com roteiro de Bill Prady (The Big Bang Theory) e Bob Kushell (Anger Management).

Quantico
Terças-feiras

A estrela indiana Priyanka Chopra pode se tornar o próximo grande nome internacional em Hollywood se o esperto novo thriller da ABC decolar. O trailer de Quantico nos apresenta a personagem decidida da moça, uma entre 50 novos recrutas cooptados pelo FBI para a base de treinamento mais concorrida dos EUA – ao mesmo tempo, no entanto, vemos que um ataque terrorista gigantesco ocorreu em Nova York, e o bureau tem toda a certeza que um dos novatos trainados em Quantico está envolvido. Conforme as suspeitas começam a cair sobre a personagem de Chopra, ela deve fazer das tripas coração para provar sua inocência. O elenco tem Aunjanue Ellis (Homens de Honra), Jake McLaughlin (Believe), Tate Ellington (The Mindy Project), Graham Rogers (Revolution), Yasmine Al Massri (Crossbones) e Dougray Scott (Hemlock Grove). O roteiro é de Joshua Safran, que escreveu vários episódios de Gossip Girl e o filme Amor Sem Fim.

Dr. Ken
Sextas-feiras

A não ser que este que vos fala esteja muito equivocado, Dr. Ken não vai durar muito tempo na ABC. Nos últimos anos foram poucas as comédias que vingaram no canal, mesmo com entradas de qualidade até promissora (vide Trophy Wife, Selfie, Suburgatory). Apesar do charme do trailer, é provável que essa sitcom estrelada por Ken Jeong, o médico-transformado-em-ator que esteve memoravelmente em Se Beber Não Case e Community, também não retorne para as próximas falls. O comediante, curiosamente, interpreta um homem da medicina que, de forma típica do gênero, enfrenta problemas familiares com a esposa (Suzy Nakamura, de Go On) e os dois filhos, interpretados por Krista Marie Yu (Agent Carter) e Albert Tsai (o Bert de Trophy Wife). O roteiro ficou por conta de Jared Stern, responsável por filmes como Detona Ralph, Os Estagiários e Os Pinguins do Papai.

Oil
Domingos

Apesar da narração um pouco brega, o trailer de Oil, nova super-produção da ABC, mostra que a série tem material farto para trabalhar se quiser. O protagonista é Billy LeFever, filho de um magnata do petróleo da Dakota do Norte que se muda para a cidade do pai a fim de embarcar no negócio do homem, mas é inesperadamente despedido depois de um acidente de trabalho. Agora, o personagem interpretado por Chace Crawford (Gossip Girl) vai ter que construir sua própria fortuna, se posicionando como rival do pai (Don Johnson, de Miami Vice) em vários sentidos. A esposa de Billy é interpretada por Rebecca Rittenhouse, que vem direto de uma temporada em Red Band Society, e papéis secundários são preenchidos por Amber Valetta (Carga Explosiva 2), Scott Michael Foster (Chasing Life), Caitlin Carver (The Fosters) e Delroy Lindo (Believe). O roteiro é do estreante Rodes Fishburne e do eveterano Josh Pate (Surface).

Of Kings & Prophets
Domingos

A ABC quer ser HBO. Colocando Of Kings & Prophets, o novo épico bíblico do canal, praticamente no mesmo horário da exibição de Game of Thrones, a emissora só não se arranjou uma boa disputa por audiência por causa do calendário bem particular que a fantasia da HBO segue (geralmente sendo exibida entre Abril e Junho). De qualquer forma, a nova série adapta uma história do livro do profeta Samuel da Bíblia, trazendo o conflito entre o poderoso rei Saul e o recém-chegado camponês David, que está destinado à grandes feitos, segundo o profeta Samuel. Ray Winstone (Noé, A Invenção de Hugo Cabret) estrela como o rei, enquanto o britânico Oliver Rix (The Musketeers) interpreta David. Mohammad Bakri (Tyrant) e Simone Kessell (Terra Nova) também estão no elenco, comandados pelo roteiro da dupla Bill Collage e Adam Cooper, que escreveram o épico Êxodo: Deuses e Reis no ano passado.

The Catch
Mid-season, quintas-feiras

Com a exigência contratual de Viola Davis de uma temporada mais curta que o convencional, How to Get Away With Murder só pode preencher metade da fall season da ABC no horário das quintas-feiras as 10. Por isso a emissora já tem engatilhada outra série produzida por Shonda Rhimes, a promissora The Catch, mais uma dramática teia de intrigas estrelada por uma mulher protagonista forte. Mireille Enos (The Killing) é a escolhida dessa vez, interpretando uma contadora cuja especialidade é descobrir se as pessoas estão cometendo fraude e aplicando golpes – a vida dessa mulher vira de cabeça para baixo quando o seu noivo, Kieran (Damon Dayoub, vindo de pequenas participações em NCIS e Dallas), desaparece com uma quantia enorme de dinheiro da conta da noiva. Bethany Joy Lenz (One Tree Hill) interpreta a parceira do golpista, e o roteiro principal é de Jennifer Schuur, que escreveu para Hannibal e Big Love.

The Real O’Neals
Mid-season
, terças-feiras

Com o número também limitado de episódios de The Muppets, a partir da mid-season as terças-feiras cômicas da ABC vão ter The Real O’Neals. Centrada nos membros de uma família católica aparentemente perfeita que, em um notável surto de sinceridade, revelam diversas falhas uns para os outros, a trama parece ter aquele tom meio-ácido meio-doce que é a receita certa para comédias familiares. O protagonista é o filho Kenny (o estreante Noah Galvin), que quer sair do armário para seus pais e, assim, se livrar da responsabilidade de manter uma namorada. A fabulosa Martha Plimpton (Raising Hope) faz par com Jay Ferguson (Mad Men) como o casal que está prestes a se divorciar, o irmão mais velho de Kenny tem anorexia, e a irmã mais nova vive inventando campanhas de caridade para arrecadar dinheiro para si. O roteiro é de Casey Johnson e David Windsor, dupla com créditos em Trophy Wife e Apartment 23.

Wicked City
Mid-season
, terças-feiras

A ABC quer ser HBO, parte 2. Entre as duas metades da temporada de estreia de Quantico, a emissora vai exibir o drama criminal Wicked City, que se passa na Los Angeles dos anos 80, no auge da cena rock n’ roll e da ascenção das drogas. Nesse cenário, uma dupla de detetives (Adam Rothenberg de Ripper Street e Gabriel Luna de Matador) começa a caçada por um serial killer que anda pelas boates da cidade escolhendo mulheres para assassinar. Wicked City tem a pretensão de ser uma antologia, contando histórias diferentes (ou ao menos casos diferentes) a cada temporada – familiar, fãs de True Detective? Na encarnação da ABC, o assassino da vez é interpretado por Ed Westwick (Gossip Girl), enquanto Erika Christensen (Parenthood) e Taissa Farmiga (American Horror Story) encarnam potenciais vítimas. O roteiro é de Steven Baigelman, que assinou a cinebiografia de James Brown lançada no ano passado.

The Family
Mid-season, domingos

Of Kings and Prophets está prevista para uma temporada limitada, então The Family vai entrar no seu lugar a partir da mid-season. A série de mistério escrita por Jenna Bans (Scandal) parece tão promissora que nós quase desejamos que ela fosse estrear mais rápido – a história acompanha o retorno inesperado de Adam (Liam James, The Killing), filho da prefeita de uma cidade americana que havia desaparecido, e sido considerado morto, há mais de 10 anos. Com um teste de DNA provando a identidade do moço, ele passa a ser acolhido pela família: a ambiciosa mãe (Joan Allen, indicada ao Oscar por A Conspiração), o ressentido pai (Rupert Graves, de V de Vingança), e os irmãos Willa (Alison Pill, The Newsroom) e Danny (Zach Gilford, Friday Night Lights). O retorno ainda impacta o homem condenado, uma década antes, pelo assassinado do garoto – papel de Andrew McCarthy (As Crônicas de Spiderwick).

Uncle Buck
Mid-season

Única aposta da ABC ainda sem data de estreia, Uncle Buck é a adaptação do adorado filme de 1989 estrelado por John Candy e dirigido por Joh Hughes (Curtindo a Vida Adoidado), em que um solteirão irresponsável precisa tomar conta dos filhos de seu irmão por um fim de semana. Na adaptação televisiva, a etnia dos Russell muda e Buck é interpretado por Mike Epps (Se Beber Não Case), além é claro da estadia do personagem ser consideravelmente esticada. Nia Long (Third Watch) e James Lesure (Las Vegas) formam o casal protagonista, enquanto o papel dos filhos vai para os estreantes Sayeed Shahidi, Aalyrah Caldwell e Iman Benson. Curiosidade: as crianças eram interpretadas, no filme original, por Macaulay Culkin, Gaby Hoffman e Jean Louisa Kelly. O novo Uncle Buck tem roteiro de Brian Bradley e Steven Cragg, dupla que trabalhou junta em Scrubs.