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Review: Me Chame Pelo Seu Nome

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Review: Liga da Justiça

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17 de jan. de 2014

Previsões para o Oscar 2014: Melhor Ator

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por Caio Coletti

O Globo de Ouro, o Critics Choice e mais meio mundo de prêmios de crítica confirmam: apesar dos discursos nada sensíveis sobre os papéis que interpretaram, Matthew McConaughey e Jared Leto devem coroar bons anos para suas carreiras com os primeiros Oscar nas mãos. Dallas Buyers Club, o filme de Jean-Marc Vallée (A Jovem Rainha Vitória) sobre a eclosão da crise da AIDS, ganhou mais amor da Academia do que do Globo de Ouro, arrancando até uma indicação a Melhor Filme.

Melhor Ator
Aposte em:

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Matthew McConaughey, por Dallas Buyers Club

2013 foi um ano mais que especial para Matthew McConaughey, e a Academia, historicamente, gosta de premiar anos “mais que especiais” na carreira de seus protegidos. Se no Oscar do ano passado as boas atuações do moço em Magic Mike e Mud não foram o bastante para os votantes, esse ano houve quem achasse que ele sairia com duas indicações. Apesar de sua performance em O Lobo de Wall Street não ser nominada, Matthew já pode arranjar um lugar na estante para seu Oscar pelo papel do soropositivo que se torna líder do tráfico de remédios em Dallas.

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Torcemos por:

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Leonardo DiCaprio, por The Wolf of Wall Street

Na verdade, Matthew só leva vantagem sobre Leo porque o número de prêmios acumulados pela performance é maior. Sem isso no caminho, 2014 sem dúvida seria o Oscar de Leonardo DiCaprio, que também teve um ano incrível, e que está na quarta indicação sem nunca ter vencido. Para ajudar, The Wolf of Wall Street tem a assinatura de Martin Scorsese, e vem sendo polemizado, estudado e aclamado por críticos do mundo todo. No papel do operador de mercado financeiro Jordan Belfort, o ator californiano que saiu da sombra do Titanic se afirma como uma força a ser respeitada.

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E esqueceram de:

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Casey Affleck, por Ain’t Them Bodies Saints

O irmão mais novo (e mais talentoso, em termos de atuação) de Ben Affleck pode ter marcado sua carreira para sempre no papel que lhe rendeu a primeira e única indicação ao Oscar, em O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, mas isso não é motivo para ignorar uma performance tão sutil e sensível quanto a que ele entrega no drama à la Malick Ain’t Them Bodies Saints. Na pele do criminoso que escapa da cadeia e quer reencontrar com a esposa e a filha que nunca conheceu, Affleck brinca com sua persona sinistra mas acaba montando um retrato tocante do seu personagem.

Review: Não deixe de ver “Rush” só porque o Oscar te disse para não vê-lo

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por Caio Coletti

Apesar da boa recepção crítica, do buzz bem grande que sustentou por um tempo para a temporada de premiações, e das duas indicações ao Globo de Ouro, Rush passou em branco pelas nominações do Oscar, anunciadas ontem (16). Não dá para dizer que não é justo, embora Rush passe longe de ser um filme ruim, ou mesmo um filme mediano. Com a competição pelo prêmio da Academia acirrado como está, no entanto, é compreensível que essa produção menor de Ron Howard tenha ficado de fora da corrida (sem trocadilhos), abrindo espaço para momentos mais brilhantes de Woody Allen, David O. Russell e Martin Scorsese, entre outros. Isso tudo desde que não se deixe de saber que Rush é um filme que merece, e muito, ser assistido.

Howard é notadamente um crowd-pleaser que aos poucos aprimorou suas habilidades para transformar dramas acadêmicos como Uma Mente Brilhante (pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Diretor) e Frost/Nixon em sucessos também entre o público. Seja no campo emocional, intelectual ou físico, o diretor sabe como empolgar e envolver, tem uma noção bastante decente de narrativa e encenação, e encontra boas soluções de abordagem para os filmes que comanda. Dito isso, não há nenhuma novidade no seu trabalho em Rush, embora seja esse faro para manipular a percepção do público que faça as cenas de corrida do filme, seu próprio centro nervoso e dramátcio, momentos genuinamente excitantes e, quando preciso, agourentos e tensos.

A história acompanha a rivalidade entre o britânico James Hunt (Chris Hemsworth) e o austríaco Niki Lauda (Daniel Brühl) nas pistas da Fórmula 1, especialmente na temporada de 1976, quando Lauda sofreu seu célebre e horrendo acidente. Como boa parte dos espectadores, eu acredito, vá entrar nessa história sem saber o final, existe um aspecto em Rush que é a expectativa e a incerteza, uma vez que o roteiro de Peter Morgan se estrutura literalmente como uma “corrida” entre esses dois homens vastamente diferentes. O escritor, que repete a parceria com Howard em Frost/Nixon, consegue equilibrar bastante seu filme entre Hunt e Lauda, embora não possa deixar de fazer o primeiro ligeiramente antipático. No papel, porém, a ideia é mostrar as falhas de ambos, e as formas como a competição entre eles os levou a serem melhores – na pista e fora dela.

Se há uma indicação ao Oscar que Rush deveria ter recebido, ela é para Daniel Brühl como Melhor Ator Coadjuvante. Por pura formalidade, aliás, porque o ator alemão conhecido pela participação em Bastardos Inglórios e pelo amado Adeus Lênin é tão protagonista quanto Hemsworth, se não mais. Compenetrado e ligeiramente impulsivo como é de seu feitio, Brühl empresta uma dignidade e uma arrogância a Lauda que, estranha e imprevisivelmente, o fazem uma espécie de “underdog” muito mais identificável do que o astro de cinema interpretado por Hemsworth. O Thor dos cinemas ainda não está preparado para segurar um papel dramático, mas é carismático o bastante para não comprometer o resultado final de Rush, um filme sobre rivalidade que, de maneira quase brilhante, é também um filme sobre o valor da convivência.

✮✮✮✮ (4/5)

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Rush: No Limite da Emoção (Rush, EUA/Alemanha/Inglaterra, 2013)
Direção: Ron Howard
Roteiro: Peter Morgan
Elenco: Chris Hemsworth, Daniel Brühl, Olivia Wilde, Alexandra Maria Lara
123 minutos

16 de jan. de 2014

Review: Person of Interest, 03x13 – 4C

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ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

Nesse terceiro ano de sua trajetória, Person of Interest chegou em um ponto de desenvolvimento de personagens e narrativa, em um nível de qualidade de roteiro, no qual nenhum episódio existe por si só. São raríssimas as séries que alcançam esse pathos, e ainda mais raros os procedurals (o único outro exemplo que consigo pensar, aliás, é The Good Wife) que chegam nesse momento em que cada capítulo existe ao mesmo tempo para satisfazer o formato e desenvolver a história maior que a temporada, ou a série toda, pretende contar. Existe uma multiplicidade fundamental em “4C” que confirma o quanto Person não está pronta para “voltar a normalidade”.

Nessa semana, acompanhamos Reese deixando New York via avião, a caminho de Istanbul. Acontece que em seu vôo, não por acaso, está também Owen Matthews (Samm Levine, conhecido dos fãs da cult Freaks and Geeks), programador de um site de venda de narcóticos que, alegadamente, tem a missão de diminuir a violência relacionada ao tráfico de drogas (“cutting the middle-man”, como Owen esclarece). Que a máquina é a responsável por colocar o personagem de Jim Caviezel no avião fica claro desde o começo, mas além da ambientação claustrofóbica, a novidade de “4C” é que, dessa vez, a criação de Finch apontou para eles um número no qual os agentes do governo também estão de olho. Um número relevante.

O plot do episódio segue com a tendência da temporada de colocar uma luta de vontades  entre a máquina e os indivíduos, por vezes sugerindo que a consciência elevada dessa primeira pode saber mais sobre o que precisamos do que nós mesmos. Esse é também o momento em que Person resolve conciliar Reese com seus demônios vindos da morte de Carter e, portanto, também com as missões dele e de Finch. É preciso respeitar uma série de televisão aberta que esperou quatro longos episódios para fazer seu protagonista chegar a fase de aceitação do luto, e Jim Caviezel parece grato em fazer Reese respirar depois de uma série de episódios tão densos.

“4C” é também bastante bem-humorado, a começar pela performance divertida de Samm Levine como o guest star da vez (o episódio conta também com a adorável Sally Pressman, de Army Wives, que esperamos ver de novo daqui a uma temporada ou mais). As múltiplas ameaças a vida do personagem provem um momentum de narrativa bem considerável, provocando um verdadeiro pandemônio abafado dentro do avião em que Reese está. Com uma trama que reflete temas presentes na própria constituição intrinseca da série – tecnologia, controle e complexo de Deus – “4C” é um retorno a estrutura convencional da série que consegue o feito de não soar como tal. E é mais um triunfo para uma temporada de televisão fenomenal.

✮✮✮✮ (4/5)

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Próximo Person of Interest: 03x14 – Provenance (21/01)

15 de jan. de 2014

Review: The Blacklist, 01x11 – The Good Samaritan

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ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

“The suspense is killing me!”. No começo de sua winter season, também conhecido como a segunda metade da primeira temporada, The Blacklist faz o que a crítica de televisão precisa começar a chamar de “episódio de consequencias” (aftermath episode, ou algo assim): depois do pandemônio das duas partes de “Anslo Garrick”, lá em Dezembro, a série precisa jogar com as peças fora de lugar e arranjar um jeito de arrumá-las para uma nova realidade que, ao mesmo tempo que respeite os fatos acontecidos recentemente com esses personagens, não se distancie muito da premissa original da série (porque, por mais que a NBC esteja disposta a arriscar, ela ainda é uma emissora aberta).

“The Good Samaritan” faz esse trabalho com uma certa dose de cinismo televisivo, mas consegue fazer com que tudo funcione pelo caminho. O bom trabalho de roteiro precisa ser creditado aos staff writers Brandon Margolis e Brandon Sonnier, em sua primeira aparição como escritores principais de um episódio. Esses dois membros da equipe do programa conhecem os personagens e reconhecem as mudanças pelas quais eles passaram nos últimos episódios, mas aima de tudo reconhecem também as mudanças pelas quais eles ainda precisam passar para aprimorar a série. Essa semana, temos uma Agente Keen mais dura e mais competente em seu trabalho, se encaixando melhor na indefnição moral de The Blacklist e dando a Megan Boone material sólido para trabalhar.

O blacklister da semana é um serial killer interpretado por Frank Whaley (Pulp Fiction), que parece escolher vítimas perpretadoras de abuso físico contra filhos ou conjuges e reproduzir neles os ferimentos que causaram nos entes queridos. Pode ser que Karl Hoffman, o Good Samaritan, não seja um vilão pulp no mesmo nível físico que Anslo Garrick foi, mas tanto a performance bizarramente creepy de Whaley quanto os métodos cruéis do assassino produzem exatamente o tipo de tom no qual The Blacklist precisa sempre se apoiar na trama semanal. Do outro lado do episódio, Red está desgarrado do FBI e procurando o responsável por financiar, executar e vazar informações que tornaram possíveis a missão de Garrick contra ele. Isso significa que James Spader, pós indicação ao Globo de Ouro, tem a oportunidade de se divertir e matar alguns figurantes.

Até o final de “The Good Samaritan”, The Blacklist está de volta ao normal, ou quase. A série aproveita a virada de trama para afastar Red dos headquarters do FBI, quando a preocupação do roteiro com o personagem parecia enclipsar os coadjuvantes de tal forma que eles não tinham espaço para respirar, que dirá ter alguma personalidade. Ao que parece, agora que trata exclusivamente com Liz, o personagem de James Spader não estará por perto para sombrear as performances de gente como Jane Alexander e Parminder Nagra, aqui mostrando suas forças. Mais uma vez, a série mostrou que conhece suas forças e fraquezas como poucas outras atualmente, e promete uma segunda fatia de temporada, no mínimo, extremamente divertida.

Observações adicionais:

- A primeira sequencia de Red é ao som de Johnny Cash, interrogando aqueles que participaram em seu sequestro. O episódio dessa semana é dirigido por Dan Lerner, de extenso currículo televisivo, e está mais bem polido visualmente do que o normal.

- “I do love strogonoff”

✮✮✮✮✮ (4,5/5)

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Próximo The Blacklist: 01x12 – The Alchemist

Pixie Lott ensina a ser sexy no clipe da emprestada (mas ótima) “Nasty”

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por Caio Coletti

Apesar do primeiro single promocional do Pixie Lott, vindouro terceiro álbum da loirinha inglesa, ter sido “Heart Cry”, todo mundo estava esperando mesmo é por “Nasty”. Desde que foi anunciado que Pixie havia emprestado uma canção descartada do musical Burlesque, várias comparações entre a voz da moça e a de Christina Aguilera pipocaram na internet. Como sempre, esse não é o ponto.

Do jeito que foi arranjada e cantada, “Nasty” parece feita sob medida para Pixie. O diálogo com o hip hop do começo do século XXI (entre 2000 e 2003, especialmente) vem desde o Young Foolish Happy, álbum anterior da moça, e o clipe confirma a ideia de que Pixie, agora aos 23 anos, quer mostrar ao público que cresceu – de uma maneira bem mais interessante do que as estrelas teen americanas costumam fazer.

14 de jan. de 2014

Review: Não só arte e pop se aproximam no mais recente álbum de Lady Gaga

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por Caio Coletti

Existe um ponto fundamental sobre Lady Gaga que parece ser definidor para a atitude de determinados públicos (ou integrantes dele, dependendo de como você quiser usar a palavra) em relação a ela: essa ítalo-americana de quase 28 anos está em constante busca por conexão. Seja na sua relação com os fãs, na forma como lida com suas aparições frente a imprensa ou na linguagem rebuscada que costuma usar para falar e promover seu próprio trabalho, Lady Gaga quer estreitar cada vez mais as barreiras entre os conceitos, quaisquer que sejam eles. “Separação” não é algo que parece lhe agradar, seja ela entre a estrela e seu público, a persona pública e a persona privada, a arte e o pop, a música e o visual, o artista e sua obra. Na mente de Gaga, isso tudo é uma coisa só, então talvez não seja correto chamá-la de “completa”, um adjetivo que muitos jornalistas usaram na falta de algum outro para definir o processo da moça. A questão não é que ela saiba fazer tudo junto, mas que ela não vê motivo para fazê-los separados.

Polêmico como foi, e como tudo que ela faz por definição é, ARTPOP pouco mais é do que alguns passos a mais nessa direção, mas isso não significa que ele deva ser tido em pouca estima. Pelo contrário, significa até que muito trabalho foi posto na idealização de cada detalhe desse empreendimento, e que esse trabalho precisa ser respeitado. No mini-review do álbum postado recentemente na nossa lista de 15 melhores álbuns e singles do semestre, o colaborador d’O Anagrama Ilson Junior frisou que o ARTPOP é “uma experiência musical de extrema importância para qualquer fã de música pop”, e poucas vezes o termo megalomaníaco “experiência musical” foi usado com tanta justiça. Embora não nos mesmos níveis que o Beyoncé, obviamente, o disco de Gaga é extremamente sinestésico, e nos coloca naquela posição familiar de atrelar estímulos visuais relacionados a promoção do álbum com a música e as atitudes da cantora nos últimos tempos.

A intenção da mente que a criou é tão importante para a música e a estética quanto a forma do seu resultado final, e é possível contemplar essas intenções se prestarmos atenção em alguns detalhes: no encarte do álbum, por exemplo, a própria Lady Gaga aparece nua, porém em poses estatuescas que remetem a capa, essa uma escultura do célebre e polêmico artista moderno Jeff Koons. Em certo trecho de “Applause”, o primeiro single, ela canta: “One second I’m a Koons/ then suddenly the Koons is me” (“Num segundo sou um Kooons/ então de repente o Koons sou eu”), provocando a ambiguidade entre a identidade do artista e da obra, e principalmente indicando para o caminho de pensamento em que, de certa forma, todos nós nos fazemos arte. Desde o Born This Way a cantora é fascinada por esse conceito da personalidade como construção artística, mas com ARTPOP, essa antropo-arte-morfização está completa (se me perdoarem o termo inventado). Gaga é a artista e a arte, e diz que também podemos ser. De certa forma, já somos.

Mais instâncias de Gaga apagando linhas entre conceitos tidos como opostos podem ser encontrados na fabulosa “G.U.Y.”, uma da muitas canções com teor sexual no começo do álbum. Com sua letra sobre poder e dominação invertendo preceitos sociais (“I don’t need to be on top/ To know I’m worth it” – “Não preciso estar por cima/ Para saber que valho a pena”, “Let me be the girl under you that makes you cry” – “Deixe eu ser a garota embaixo de você que te faz chorar”), a cantora usa a sexualidade como uma plataforma para borrar as fronteiras entre masculino e feminino e suas diversas ramificações na sociedade contemporânea. Nessa pequena canção pop com um refrão genialmente simples e uma produção que se integra a alguns dos principais hits do ano (“I Love It” vem a mente), Gaga constrói uma das mais brilhantes declarações sociais em forma de música dos últimos anos.

É justamente nesse poder de colocar o que bem entender dentro de suas músicas que a cantora se apóia, e deixa bem claro na faixa-título, “ARTPOP”. Com seus sintetizadores sequenciais emprestados direto do dream pop, a crescente de cordas que acompanha a canção, o flitro de voz onipresente e a fluidez melódica de sempre, Gaga realiza um culto a tudo aquilo que “pode significar qualquer coisa” (“could mean anything”). Como o ponto de transição entre a primeira metade do álbum e a segunda, a canção é também ligeiramente perturbadora com sua adoração meio dopada ao aspecto Cavalo de Tróia da música pop. É a primeira de muitas sutis relações de amor e ódio que a cantora explora na segunda fatia do disco, incluindo a com o mundo fashion – a inóqua, irônica e cruel “Donatella” versus a gostosinha, upbeat e utópica “Fashion!” – e com os narcóticos – “Mary Jane Holland” e seu jovial show-off drogado versus “Dope” e sua amarga realização de oportunidades desperdiçadas.

Lá no começo do ARTPOP, na cosmopolita e experimental “Aura” com seu dedilhar de violão e seu dubstep estranhamente melódico nos versos, Gaga primeiro mata sua criação anterior – “I killed my former and left her in the trunk on Highway 10” (“Eu matei minha ex e a deixei no porta-malas na Highway 10”) – e depois incita: “Do you wanna see me naked, lover?/ Do you wanna peek underneath the cover?/ Do you wanna see the girl who lives behind the aura?” (“Você quer me ver nua, amante?/ Você quer espiar embaixo da cobertura?/ Você quer ver a garota por trás da aura?”). Em muitos aspectos, é examente isso, uma viagem pela “garota que vive atrás da aura” da celebridade, que o ARTPOP nos entrega. Muito sobre essa pessoa tem a ver com amor, sexualidade e libido, sim, e poucos álbuns são mais carregados nesse assunto do que o ARTPOP, mas uma parte ainda maior dele tem a ver com uma artista que está em constante procura. O “aplauso” que Gaga busca é aquele reconhecendo, mesmo que sem saber, o sucesso de seu empreendimento focado em fazer mais próximos aqueles conceitos que, por algum motivo, nos acostumados a ver separados. E é impossível negar que essa incansável expedição sempre a leva para lugares extremamente interessantes.

✮✮✮✮ (4/5)

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ARTPOP
Lançamento: 11 de Novembro de 2013
Produção: Lady Gaga, Paul “DJ White Shadow” Blair, Zedd, Madeon, Nick Monson, Rick Rubin, Giorgio Tuinfort, Dino Zisis, Infected Mushroom, will.i.am. David Guetta
Duração: 59m04s