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Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

5 de jan. de 2014

Review: Amor e destino são inimigos no belo “Ain’t Them Bodies Saints”

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por Caio Coletti

Poucas histórias no cinema contemporâneo tem a coragem de serem trágicas da forma que é Ain’t Them Bodies Saints (no Brasil, História de Amor no Texas). Para um filme que tem sido na mesma medida amado e criticado graças a sua abordagem dispersa e propulsiva da narrativa, que deixa grandes espaços de reflexão e beleza estética entre os focos de ação, o segundo longa-metragem de David Lowery é uma história intensamente sufocante. O destino marcado e irrefutável dos amantes Ruth e Bob (Rooney Mara e Casey Affleck) chama a atenção para o mundo pequeno e mesquinho desses personagens, e o quanto seus sonhos são tão fúteis e irreais quanto qualquer um dos nossos.

O roteiro, também de Lowery, deixa muito para a imaginação do espectador. Não sabemos exatamente quais atividades criminosas levam Bob a ser preso logo no começo do filme, tomando toda a culpa para si a fim de que Ruth possa ter o bebê que está esperando fora da prisão. Quatro anos depois, Bob escapa, e é responsabilidade do policial Patrick (Ben Foster), atingido por um tiro na emboscada armada contra o casal, encontrá-lo. Ao mesmo tempo, Patrick se aproxima cada vez mais de Ruth e da agora crescida filha Sylvie (as gêmeas Kennadie e Jacklynn Smith), atualmente vivendo em uma casa bancada por Skerritt (Keth Carradine), espécie de chefão local do crime que, nos tempos áureos, liderou as atividades levadas a cabo por Ruth e Bob.

As duas referências essenciais para entender Ain’t Them Bodies Saints são as sagas criminosas do Oeste americano dirigidas por Robert Altman na década de 70 (boa parte delas estreladas por Carradine) e os filmes do bissexto e celebrado cineasta americano Terrence Malick. Esses pólos aparentemente opostos se encontram no trabalho de Lowery, comandando fotografia, design de produção, trilha-sonora e narrativa a fim de produzir uma versão idílica e sensorial de uma história aparentemente simples, mas com ramificações emocionais extremamente complexas. Bradford Young, um dos diretores de fotografia queridinhos do mundo indie, poetiza em imagens essa narrativa de caráter quase elegíaco, e Daniel Hart insere palmas e percussões na trilha para conferir ritmo a um filme que, sem esse trabalho, não teria nenhum.

O elenco é parte fundamental da tragédia conduzida por Lowery, e os três atores principais mostram-se a altura do desafio. O destaque óbvio é Ben Foster, um dos atores mais subestimados de Hollywood hoje em dia, que preenche seu Patrick com uma alma e uma motivação tão genuinamente boa e livre de julgamentos que é um choque com o mundo de confusão moral de Ain’t Them Bodies Saints. Não a toa, sua ligação com Ruth é um dos aspectos mais tocantes do filme. Por falar nela, Rooney Mara baseia toda a sua atuação em uma linguagem corporal rígida e muitas vezes fragilizada, uma constante oposição entre fraquezas e forças que a fazem um ser humano fascinante. E o irmão mais novo de Ben Affleck, Casey, é a escolha perfeita para o papel de Bob, com sua habilidade de ser inescrutável e ameaçador sem perder a essência do amor extremamente puro que guia o personagem.

Ain’t Them Bodies Saints é uma perfeita plataforma para Lowery, um diretor de curtas-metragens muito celebrado, como um dos artistas mais únicos da sua geração. Sua forma de enxergar a narrativa é bastante antitética ao que se dita hoje na cartilha do bom cinema americano, e mesmo assim, com as pequenas sutilezas que aparecem pelo caminho, ele monta, por pura força de acumulação, uma das histórias de amor e destino mais pungentes dos últimos tempos. Nos últimos segundos do filme, um de muitos momentos em que a edição e montagem (palmas para Craig McKay e Jane Rizzo pelo trabalho) contribuem para a história, é quase impossível não sentir a ferroada amarga de um futuro que simplesmente não podemos saber como será.

**** (4/5)

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História de Amor no Texas (Ain’t Them Bodies Saints, EUA, 2013)
Direção e roteiro: David Lowery
Elenco: Casey Affleck, Rooney Mara, Ben Foster, Keith Carradine
96 minutos

Mais Christina Perri no super-produzido clipe de “Human”

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por Caio Coletti

Christina Perri está no caminho para se tornar um dos nomes mais notáveis do mundo da música nesse início de 2014. O álbum Head or Heart, segundo da carreira da moça, está marcado só para 11 de Março, mas o single “Human” e a promocional “I Believe” (cujo lançamento nós destacamos aqui) fazem muito bem o trabalho de aumentar o buzz em cima do disco.

Agora, “Human” ganhou vídeo. Com um visual mais sofisticado do que estamos acostumados a esperar de Perri, o clipe é super-produzido, com efeitos especiais que transformam a cantora em robô em alguns flashes, brincando com a oposição máquina-humano da letra.

2 de jan. de 2014

Review: A nova era do pop começou com o brilhantemente idealizado “Beyoncé”

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por Caio Coletti

A última década da produção musical internacional, é difícil argumentar contra essa constatação, tem sido dominada pela música pop. Desde o lançamento do Fever de Kylie Minogue em 2001 – e a subsequente subida nas paradas do single “Can’t Get You Out of My Head”, uns bons dois anos depois –, uma enxurrada de artistas, alguns mais relevantes do que outros, trouxe abordagens diferentes e combinações improváveis na música, feitas para serem conjugadas com o visual e trazer a “arte pop” de volta à voga, com toda a sua teatralidade e seu “elemento de crime”, desafiando os ainda muitos tabus da nossa sociedade. Foram dez ou doze anos gloriosos, mas 2013 trouxe a realização de que talvez a era de ouro do pop, como a conhecemos, esteja acabando. O que não significa que estejamos entrando em uma época ruim para o “gênero”, no entanto.

A ascenção da estética indie se misturando com o rock, o que não deixa de ser uma experimentação pop, dominou quietamente as paradas nos últimos dois anos, com canções como “Royals” (Lorde), “Somebody That I Used to Know” (Gotye), “We Are Young” (fun.) e “Radioactive” (Imagine Dragons), entre muitas outras. Ao mesmo tempo, grandes lançamentos do chamado “pop comercial”, aquele que teoricamente deveria atingir um número maior de pessoas, se viram lutando para saber quem teria as vendas mais patéticas nas semanas de estreia. Não houve ARTPOP nem Prism que salvasse o reino pop em 2013, e talvez por isso mesmo a chegada de Beyoncé no final do segundo tempo, na última sexta-feira 13 do ano, em Dezembro, tenha sido tão espantosa quanto genialmente óbvia.

O que essa texana de 32 anos nos mostrou exatamente três semanas atrás é o próximo passo da música pop, e não é fácil desvendar qual é o futuro a partir de agora, mas algumas coisas são certas: pode ser que não faça tanto barulho através das vias tradicionais (lojas, paradas, televisão), mas a produção pop com certeza vai continuar sendo uma das mais culturalmente relevantes da atualidade, ao buscar um público que está fundamentalmente na internet e não precisa sair dela para consumir música. Nas primeiras semanas de vendas, Beyoncé vendeu o dobro dos outros lançamentos pop do ano, e o fez simplesmente através de um processo de especialização, restrição e sofisticação do que significa fazer música nos moldes do gênero.

Em seu “documentário em capítulos” postado no Youtube desde o lançamento do álbum (dá para ver os quatro primeiros episódios aqui), a cantora discursa sobre o porquê de realizar e lançar esse projeto da forma como o fez, e revela que a vontade de filmar um videoclipe para cada canção veio da experiência sinestésica que ela mesmo, como artista, experimenta com a música. Não só o conceito de visual album, portanto, está intimamente ligado com a própria diretriz da música pop – basta pensar no que seria “Thriller” de Michael Jackson (ou, na verdade, em boa parte de suas canções) sem o videoclipe –, como também com a visão de Beyoncé de sua arte. Ao mesmo tempo saudosista e avant-garde, trazendo ao mainstream um conceito antigo que já havia sido experimentado na era contemporânea por artistas independentes como o iamamiwhoami, Beyoncé é um feito porque realça e glorifica um aspecto da experiência artística que só a produção pop pode proporcionar.

O lançamento abrupto é também parte desse resgate do conceito de “experiência” ligado ao gênero. Há tempos que estava claro o quanto as infinitas prévias, snippets, divulgações e entrevistas se colocavam no caminho da genuína surpresa e momentum de um lançamento pop. A sensação era de que nada sendo lançado era realmente novo, porque já sabiamos como aquilo iria soar, sentir e parecer aos olhos meses antes de realmente vermos o resultado. Beyoncé, o álbum, não toma qualquer passo revolucionário em aspectos técnicos, seja na música ou nos vídeos, mas é a primeira perfeita caixinha de surpresas do mundo pop em anos, talvez desde o The Fame em 2008, que tomou o mundo de assalto sem ninguém realmente perceber. Liberando tudo – as músicas e os vídeos – online e no mesmo dia, Beyoncé cirou um verdadeiro evento em torno do seu álbum, e é preciso que as outras cantoras observem bem essa estratégia. A “saída” para o pop, definitivamente, está na valorização da experiência de um lançamento.

Quando visto e ouvido através dos vídeos, e é muito aconselhável que assim seja o primeiro contato do ouvinte/espectador com a obra, o álbum é menos uma história coesa, como alguns poderiam esperar, e mais uma expressão audiovisual  bem completa da personalidade da artista que lhe dá nome. Esse é um projeto que merece a escolha de ser auto-intitulado, talvez o único entre os vários álbuns que adotaram essa tendência nesse ano. Beyoncé retrata a confiança e a insegurança, as fantasias e influências, o momento atual e as reflexões passadas, de um dos maiores nomes do mundo musical no século XXI. O álbum se comunica com o público de forma excepcional, travando um diálogo franco e vulnerável que corre para os dois lados e revela que a Beyoncé idealizada, quase estatuesca, dos momentos anteriores de sua carreira, perde feio em termos de carisma e fascinação para a Beyoncé “real” desse novo disco. Esse é o “elemento de crime” de Beyoncé, um grito de rebeldia pela causa da imperfeição e da beleza do acaso e dos erros. Durante as 14 canções (e 17 vídeos) do visual album, o que observamos é uma mulher se revoltando contra o seu próprio ideal.

Faixas-destaque: “Pretty Hurts”, “Haunted”, “Drunk in Love”, “XO”, “***Flawless”, “Blue”

***** (5/5)

Beyoncé
Lançamento: 13 de Dezembro de 2013
Produção: Ammo, Boots, Detail, Jerome Harmon, Hit-Boy, HazeBanga, Key Wayne, Beyoncé, Terius Nash, Caroline Polachek, Rey Reel, Noah “40” Shebib, Ryan Tedder, Timbaland, Justin Timberlake, Pharrell Williams
Duração: 66m35s

1 de jan. de 2014

Christina Perri: capa, data e nova canção do álbum “Head or Heart”

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por Caio Coletti

Duas semanas depois de nos dar o primeiro single do seu próximo álbum (O Anagrama destacou o lançamento aqui), Christina Perri escolheu a virada do ano para anunciar mais sobre o novo projeto. Head or Heart é o nome do sucessor do lovestrong, álbum que transformou a estrela do Youtube em uma das queridinhas da América em 2011. O lançamento está marcado para 11 de Março próximo, e a capa é essa aí em cima.

O destaque dos lançamentos desse último dia 31, no entanto, foi a faixa revelada por Perri, “I Believe”, uma balada mais contida do que o single “Human”, mas com virtudes igualmente melódicas e uma bela letra, além de um refrão dos mais fortes que a moça escreveu até hoje.

Uma Ke$ha stripper, cheia de glitter e livremente obcena no clipe de “Dirty Love”

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por Caio Coletti

Há um motivo para Warrior, o segundo álbum completo de Ke$ha, ter decepcionado tanto nas vendas, e ele não tem nada a ver com qualidade. Pelo contrário: o álbum, que é solidamente o melhor da carreira da moça, sofreu de um caso extremo de propaganda mal-dirigida, com singles mal-escolhidos (“C’Mon”, really?) e um tratamento visual deliberadamente genérico para um disco que é tudo, menos isso.

A verdade é que Ke$ha não quer ser uma diva pop perfeitinha, e a dose de obcenidade, bizarrice e kitsch que ela realmente almeja colocar na sua elaboração artística está muito além daquela que a indústria seria capaz de permiti-la. “Dirty Love”, primeiro clipe assinado pela própria Ke$ha na direção, é uma demonstração bem clara disso, e é indescritivelmente bom ver a artista livre das restrições.

Convenientemente, é claro, o vídeo e a música não contarão como um single oficial.

Lady Gaga e Christina Aguilera lançam o dueto em “Do What U Want” como single!

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por Caio Coletti

Mesmo que o videoclipe oficial de “Do What U Want” nem tenha saído, o single tem causado pouco frisson na Billboard (o pico da canção até agora é o #13). Com a performance do The Voice ao lado de Christina Aguilera marcada como icônica na memória dos fãs, portanto, é compreensível que o dueto tenha sido lançado como a “nova versão” da música, dessa vez em versão de estúdio.

Rumores dão conta também que Xtina vai estar no vídeo, marcado para algumas semanas atrás e já adiado algumas vezes. Nós não vamos mentir: começar 2014 com o repeteco de uma das parcerias mais marcantes do pop no ano passado é uma perspectiva maravilhosa.