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18 de fev. de 2016

Por que “Sleepy Hollow” ainda é um dos melhores procedurals no ar atualmente?

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por Caio Coletti

Quando Sleepy Hollow estreou, lá no final de 2013, ninguém esperava que a nova série de FOX fosse qualquer coisa além de um desastre. A premissa não ajudava: ressuscitado de seu túmulo na cidade-título dois séculos e meio depois de sua luta contra o cavaleiro sem-cabeça, Ichabod Crane se juntava à policial Abbie Mills para investigar e derrotar ameaças sobrenaturais ligadas ao próprio apocalipse. A surpresa foi perceber que Sleepy Hollow sabia que seu ponto de partida era ridículo, e sabia fazer proveito disso – logo no primeiro episódio, dirigido por Len Wiseman (Anjos da Noite, Duro de Matar 4.0), o cavaleiro sem-cabeça reaparecia e atacava os nossos heróis com uma espingarda (?!); mais tarde, John Noble (Fringe) encarnou o misterioso Henry Parrish, que começou como um guest star comum e logo se revelou parte integral da mitologia complicada que Sleepy Hollow teceu. Com uma primeira temporada espetacularmente divertida em mãos, não era difícil prever que a série teria problemas em cumprir as expectativas no segundo ano.

O problema com dita segunda temporada foi essencialmente que Sleepy Hollow começou a se levar a sério demais – embora a mitologia e a narrativa do apocalipse continuassem estupidamente absurdas, a série começou mergulhar de cabeça em reviravoltas e dramas familiares que distraiam o espectador do que realmente funcionava na produção, nomeadamente as ideias absurdas de monstro-da-semana e a relação entre Abbie e Crane, tecida com habilidade por Tom Mison e Nicole Beharie. Os melhores momentos de Sleepy Hollow são indiscutivelmente entre os dois, a química que os personagens opostos representam e a amizade que eles constroem, dividindo uma conexão que a série torna especial ao nos dizer que ambos são as profetizadas Testemunhas do Apocalipse, mas que é concretizada mesmo nas atuações e nos pequenos momentos de interação entre eles. A segunda temporada trocou tudo isso por um drama marital entre Crane e Katrina (Katia Winter), sua ex-esposa bruxa, encerrando a storyline do cavaleiro sem-cabeça e de Henry Parrish sem muita convicção antes de espertamente “limpar o tabuleiro” para o terceiro ano.

Trocando de showrunner e de vilão principal, introduzindo a intrigante Pandora de Shannyn Sossamon (Wayward Pines), Sleepy Hollow engatou em uma marcha mais procedural novamente no terceiro ano, contando uma história que tem consequências a longo prazo, mas essencialmente se abre e se fecha a cada semana. Não é a toa que a série fez crossover com Bones, maior sucesso da FOX há 11 anos, recentemente. A briga por recuperar a audiência não está exatamente funcionando, mas Sleepy Hollow mesmo assim parece ter se reencontrado – Sossamon traz mistério e uma consciência aguda do absurdo da trama no papel de Pandora, e os roteiristas cada vez mais se concentram na relação entre Crane e Abbie, abrindo espaço ainda para personagens coadjuvantes como Jenny (Lyndie Greenwood) e Joe (Zach Appelman) respirarem e ganharem vida própria.

Não acredite no que você lê por aí: a aposta do terceiro ano de Sleepy Hollow está funcionando, e os dois últimos episódios (3x09, “One Life”/3x10, “Incident at Stone Manor”) são a prova cabal disso. Com Abbie tendo se sacrificado para salvar Jenny, sua irmã, o grupo precisa lidar com a falta dela ao mesmo tempo em que novos monstros surgem, e Crane não desiste de procurá-la, acreditando que ela está presa em algum lugar do submundo. Sem querer dar muitos spoilers, resta dizer que logo encontramos a personagem de Nicole Beharie presa em um local estranhíssimo, realizado com efeitos especiais e senso de kitsch pela série, e sua jornada de volta para o nosso mundo é dramática. É verdade que Sleepy Hollow se adaptou a alguns caminhos narrativos que parecem familiares ou previsíveis, enquanto a surpresa era um dos principais elementos que davam combustível para a primeira temporada, mas uma história familiar bem contada e bem atuada ainda pode valer a pena.

Além do mais, essa nova Sleepy Hollow, mais do que a antiga, vive e morre pelas atuações de Beharie e Mison, e não há nada de errado nisso. Ambos, em seus próprios estilos, estão espetaculares na série – Mison traz uma sensibilidade teatral para Crane, seus maneirismos, seu sotaque e sua frustração com o mundo moderno; e Beharie ainda é o centro emocional da série, segurando com unhas e dentes sua personagem e ajustando seu estilo expressivo para as situações absurdas do roteiro. Eles parecem estar se divertido quando juntos em cena, e nada impede o expectador de se divertir com eles – pode ser que Sleepy Hollow não seja mais aquela série pela qual você se apaixonou em 2013, e pode ser que procedural de fantasia não seja exatamente sua praia, mas isso não significa que ela se tornou uma abominação. Se a FOX e os espectadores deixarem, Sleepy Hollow ainda pode ser uma consistente fonte de entretenimento e emoção por uns bons anos, e você não vai me ver reclamando.

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24 de set. de 2014

Review: Sleepy Hollow estreia o segundo ano nos lembrando o que a faz uma das melhores séries no ar

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ATENÇÂO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

Sleepy Hollow é a loucura mais bem controlada da televisão americana, e está começando a desafiar a própria longevidade. Na estreia da segunda temporada, exibida na última segunda-feira (22) pela FOX, a série não nos deixa esquecer de nada do que a fez uma das surpresas mais improváveis e deliciosas da última fall season: “This is War” é uma viagem alucinante, que subverte conceitos de narrativa, toma um tempo incomum para colocar à mesa todos os ingredientes do seu banquete, e mesmo assim nunca perde de vista o cerne emocional e temático de sua trama.

Nos primeiros 15 minutos de episódio, somos levados a acreditar que o roteirista Mark Goffman (já em sua sétima contribuição) começou sua trama um ano depois dos acontecimentos do finale, o que é no mínimo desesperador, considerando o cliffhanger que finalizou “Bad Blood”. Sleepy deixa o espectador se acostumar com esse grande pulo temporal para, em um dos movimentos mais audaciosos da televisão aberta americana em um bom tempo, jogar tudo de cabeça para baixo mais uma vez. Abbie ainda está no purgatório, Crane ainda está enterrado onde Henry/Jeremy/Cavaleiro da Guerra o deixou, e tudo o que vimos até aquele momento foi uma ilusão criada pelo vilão para descobrir a localização de uma “chave do purgatório”, que supostamente estava sob a tutela de Benjamin Franklin na época da Revolução.

Se o espectador pàra por dois segundos para pensar um pouco sobre tudo isso, “This Is War” é espantosamente formulaico. A virada de trama serve para deixar nossos personagens num status mais ou menos igual ao que estavam na temporada anterior – no final do episódio, nenhuma das duas mortes presumidas no finale passado realmente aconteceu, e a luta contra os demônios e as forças de Moloch continua na mera eminência. A introdução do tempo que Crane passou como aprendiz de um excêntrico Benjamin Franklin (Timothy Busfield, vencedor do Emmy por thirtysomething) serve como estepe para “refrescar” os flashbacks e introduzir mais uma versão divertidamente fantasiada de um dos pais fundadores da nação americana.

A condução do roteiro de Goffman e a mão firme dos developers Roberto Orci e Alex Kurtzman (Star Trek, O Espetacular Homem Aranha 2) não nos deixa esquecer, no entanto, da habilidade excepcional que a série tem de entreter e criar personagens absolutamente sólidos para apoiar essa loucura toda. Era de se esperar que, com uma temporada de 13 episódios para trás e uma de 18 pela frente, Sleepy Hollow eventualmente desmoronasse em algum deslize de roteiro que negligenciasse o roteiro pela pura pirotecnia visual – é fácil citar um exemplo de algo assim: a temporada Coven de American Horror Story. No entanto, a produção a FOX continua diligentemente contando sua história, não se esquecendo de desenhar motivos e evoluções para seus personagens no caminho.

Ou seja, contra todas as probabilidades imagináveis, Sleepy Hollow continua sendo uma das melhores aventuras sobrenturais/suspenses apocalípticos da televisão americana.

✰✰✰✰ (4/5)

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Próximo Sleepy Hollow: 2x02 – The Kindred (29/09)

16 de out. de 2013

Review: Sleepy Hollow, 01x05 – John Doe

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ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

E o segundo cavaleiro chegou para a festa, meu povo! Na metade de uma temporada prevista para 12 episódios, Sleepy Hollow resolveu tomar controle de sua mitologia e fazer as coisas se moverem em “John Doe”. Outro elemento que volta à discussão temática da série é o arco de “peixe fora d’água” do personagem de Ichabod, depois de algumas semanas focadas nos conflitos da Tenente Mills. Adicione a isso um caso da semana muito bem elaborado, a adição de mais um vilão para a já povoada galeria da série, e uma pitada de discussão teológica moral, e você tem um episódio lotado. Dito isso, é notável como “John Doe” tem poucos momentos em que isso transparece.

Ajuda que a trama envolvendo Mills e a irmã seja posta para descansar por uma semana, enquanto a personagem de Lyndie Greenwood presumidamente cumpre pena na prisão, aguardando a ajuda da irmã para poder ser libertada. Não só o roteiro de Melissa Blake (Ghost Whisperer) encontra novas maneiras de explorar a personagem com a ajuda de Nicole Beharie, que tem arquivado interpretação digna de Emmy, como sobra tempo para colocar o Ichabod de Tom Mison no mesmo nível de desenvolvimento pessoal. Outra falha que o script da moça corrige é que a abertura dessa semana não é tão travada e longa quanto a das investidas anteriores da série, indo bem mais direto ao assunto, e arquivando assim um pouco mais de momentum narrativo.

Vamos a trama: quando um garoto (Matthew Lintz) aparece nos arredores de Sleepy Hollow com uma doença estranha que escurece suas veias e falando inglês medieval, Ichabod e Mills são colocados na frente de investigação e acabam descobrindo que ele vem da primeira colônia inglesa nos EUA, a ilha de Roanoke, cujos habitantes desapareceram sem nenhuma explicão no final do século XVI. Na mitologia de Sleepy Hollow, esse desaparecimentos se deveu ao segundo Cavaleiro do Apocalipse, Pestilence, que colocou sobre os colonos uma doença incurável e obrigou-os a se esconderem (guiados pelo espírito de uma garotinha!) no meio de uma floresta em Sleepy Hollow, onde a comunidade permaneceu imutada nos últimos 400 anos. O problema é que agora que o garoto espalhou a doença para a cidade, Pestilence ameaça voltar a vida.

As justificativas e desdobramentos da trama tem uma marca de loucura tão distintamente Sleepy Hollow que fica difícil não se divertir, mesmo quando é tão improvável que o chefe de Mills fosse dar tanta liberdade para ela e Crane. No final das contas, poucas premissas de séries funcionam sem algum elemento de implausibilidade, e é preciso suspender um pouco da incredulidade ao assistir Sleepy Hollow. Ao mesmo tempo, o time de escritores da série parece pronto para começar a discutir alguns elementos sérios em torno da sua trama, não só com seus personagens principais, como também num escopo maior. Parece estranho, afinal, que só agora tenhamos nos feito a seguinte pergunta: no mundo tão povoado de demônios de Sleepy Hollow, existe algum Deus? A elegante resposta de “John Doe” parece ser que ele vive na crença cega de cada um de nós, seja no que for.

Observações adicionais:

- Da série “não coube no review”: Ichabod descobriu que o local onde Katrina está aprisionada é na verdade o purgatório. É legal ver o purgatório numa série de TV e ele não ser representado metaforicamente por uma ilha cheia de “sobreviventes” de um acidente aéreo. Só a boa e velha floresta enevoada em que as almas vagueiam até saber onde vão parar pelo resto da eternidade mesmo.

- Essa história de Morales ser o único desconfiado de Ichabod, ou que estranha o fato de um professor de história que diz ter 200 anos de idade ser o novo consultor da polícia de Sleepy Hollow, está estragando os prazeres da série. Aposto minha cabeça (ha ha) que isso vai acabar em um beco sem saída.

***** (4,5/5)

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Próximo Sleepy Hollow: 01x06 – The Sin Eater (21/10)

Caio

8 de out. de 2013

Review: Sleepy Hollow, 01x04 – The Lesser Key of Solomon

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Um pode reclamar que Sleepy Hollow é uma mistura sem sentido de mitologias, alguns plot holes, um cidadão usando as mesmas roupas por 200 anos... mas convenhamos, é isso que faz a série tão boa. Ela é completamente doida. Cucko bananas! E vocês estão aí assistindo séries de vampiros, lobisomens, bruxas, fofocas e vingança infinitas, então Sleepy Hollow está muito bem entre os candidatos de mais um dia normal nos Estados Unidos. Essa semana a série pareceu ouvir sobre os problemas que estávamos sentindo e se abriu um pouco mais para seus personagens – embora não todos – e definiu um caminho firme para sua mitologia.

Enquanto Jenny fugia da instituição e Ichabod nos entregava uma das cenas mais engraçadas da série até então – dando conselhos amorosos pelo telefone para um chorosa atendente da NorthStar, companhia de auxílio de veículos –, um culto antigo e alemão se torna visível novamente, atrás do que não conseguiram da última vez. Em mais um episódio com flashbacks, vemos Ichabod no século XVIII encabeçando nada mais, nada menos que a própria Boston Tea Party* que, segundo a série, teve objetivos mais obscuros: salvar um objeto misterioso da seita alemã demoníaca que o queria para trazer à Terra os 72 demônios que Solomon aprisionou no inferno, segundo a lenda.

Em uma reviravolta de roteiro impressionante, Sleepy Hollow evitou todo o drama de uma temporada que poderia se arrastar e encher o saco entre Jenny e Abbie e, aparentemente, resolveu a situação entre as irmãs pelo menos o suficiente para que possam trabalhar juntas – e assim formar o começo de uma Scooby Gang, yay! No momento “wow” do episódio descobrimos que Jenny era também protégée do xerife Corbin, sendo mandada em busca de artefatos sobrenaturais em todo o mundo. Quando ao objeto misterioso, esse era um sextante, um objeto para medir e corrigir distâncias na navegação, modificado para reproduzir um mapa antigo de Sleepy Hollow: onde encontrar a arca perdida que Ichabod salvou na Boston Tea Party.

No fim descobrimos que a arca guardava o próprio livro de Solomon, escrito em sangue e a chave para a invocação dos demônios. Os alemães bem que tentaram, mas ninguém se mete com (nenhuma) Scooby Gang. Saldo do episódio: agora podemos chamar o demônio branco da floresta pelo seu verdadeiro nome, Moloch. O problema é que ele não é realmente um demônio, se ignorarmos a cristandade humana. Antigo deus dos amonitas, um povo já extinto da atual região da Jordânia, ele é usualmente referido pelos sacrifícios infantis. Claro que ninguém sabe realmente como as práticas eram conduzidas na Antiguidade para com esse deus em particular, mas na série ele é pintado como alguém não muito agradável. Vamos nessa corrente também.

Se Sleepy Hollow não descer para o Inferno, o Inferno sobe para Sleepy Hollow, e isso ficou bem claro nesse episódio. Jenny chegou trazendo o pacote “badass” para o grupo, enquanto Ichabod e Abbie mativeram a boa química entre os dois. Os outros personagens ainda estão esquecidos, mas ao menos pudemos ver o comandante Irving em uma cena de crime com direito à corpos decapitados pela seita alemã e percebendo que não, esses não perderam a cabeça nas mão do Cavaleiro.

Observações adicionais:

- Momento História do dia: a Boston Tea Party foi um ataque dos Sons of Liberty, de Boston, em 1773 para destruir todo o chá de importação da cidade, já que esse era controlado e taxado pela Inglaterra e pela Companhia das Índias.

***** (4,5/5)

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Próximo Sleepy Hollow: 01x05 – John Doe (14/10)

Andreas

5 de out. de 2013

Review: Sleepy Hollow, 01x03 – For The Triumph of Evil…

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Seguindo o padrão atual de séries com um número menor de episódios por temporada – 13 ao invés dos longos 22 –, Sleepy Hollow não perde tempo com longas voltas no roteiro e episódios avulsos, os famosos fillers. Mesmo assim, e isso é importante, ela consegue cada vez mais agregar sua mitologia e o passado de seus personagens ao bom e antigo “caso da semana”. Com um tempo menor para contar sua história, associações como essa são importantes para deixar os telespectadores alertas e ansiosos para um próximo passo que a série pode dar.

No terceiro episódio de sua primeira temporada – e que episódio! –, Sleepy Hollow nos entrega um assustador “caso da semana”, abusando de efeitos especiais e da mistura de mitologias. Enquanto as pessoas envolvidas na investigação do desaparecimento de Abbie e sua irmã Jenny tempos atrás, quando avistaram o demônio branco na floresta, começam a apresentar um misterioso estado de possessão/sonambulismo, Abbie se dá conta de que uma viagem ao passado é inevitável. De morte em morte, Ichabod vai reconhecendo os sinais de um demônio do sono comum em lendas dos indígenas norte-americanos: uma das interpretações do famoso Sandman.

Ao perceber que a própria Abbie é a próxima na lista do demônio – este está atrás de todas as pessoas que mentiram sobre não acreditarem no avistamento no mostro sem rosto pelas garotas Mills –, Ichabod tenta encontrar uma solução nas antigas tradições Mohawk. Perdidos em um assustador mundo de sonhos, Abbie tem que enfrentar seu passado quando traiu a irmã e negou a existência de algo sobrenatural.

O ponto alto do episódio, no entanto, com certeza foi a caracterização do demônio Sandman. Simples, mas horrivelmente sinistro, a entidade apresentava areia escorrendo pelo corpo, rosto cadavérico e com fendas escuras no lugar dos olhos. Sleepy Hollow não se preocupa com o gasto de efeitos especiais, já deu pra perceber. Em um episódio de grande enfoque na sargento Mills, outros personagens – como Katrina e o próprio Cavaleiro – foram deixados de lado. Enquanto a mitologia da série avança perfeitamente, os personagens secundários são um pouco deixados no canto, mas nada que um episódio mais abrangente não resolva. E a série tem de tudo pra resolver e melhorar.

**** (4/5)

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Próximo Sleepy Hollow: 01x04 – The Lesser Key of Solomon (07/10)

Andreas

29 de set. de 2013

Review: Sleepy Hollow, 01x02 – Blood Moon

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ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Na sua semana de estreia, Sleepy Hollow nos proporcionou uma nova e divertida abordagem da famosa lenda do Cavaleiro Sem Cabeça. Embora seja uma obra ficcional, A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça se tornou peça central no folclore não só americano, bem como em vários outros países. O que poderia preocupar alguns após o episódio de estreia era se a série conseguiria se manter no nível que propôs: uma mistura de terror, mistério e comédia. No fim, essa mistura pode ser difícil de controlar. Qualquer dúvida, no entanto, é apagada após o segundo e bem direcionado episódio, “Blood Moon”.

Quando Ichabod e Abbie descobrem que os policiais que suportavam sua história sobre o Cavaleiro Sem Cabeça misteriosamente retiraram suas declarações e veem um vídeo onde Andy se mata em sua cela, a série dá uma guinada para o mundo real. Um dos pontos interessantes que foi explorado até agora em Sleepy Hollow é justamente o não esquecimento geral da realidade. Metade das personagens ignora o fator sobrenatural, enquanto a outra metade – mais precisamente Icahbood e Abbie – lutam para assimilar as duas realidades. Uma salva de palmas para os roteiristas quando criaram Abbie: é difícil ver, hoje em dia, uma personagem que é levada ao sobrenatural, mas não esquece que o mundo ainda gira sem demônios, bruxas e cavaleiros apocalípticos.

E falando em bruxa, temos uma convidada especial nesse episódio. Katrina bem que tenta avisar para Ichabod no início, mas sem muito sucesso; o demônio sem rosto ressuscita Andy (yay!) e esse traz de volta a vida uma antiga bruxa do “coven maligno”. Enquanto ela anda pela cidade de Sleepy Hollow coletando os descendentes de quem a mandou para a fogueira e assim retornar ao seu poder total, o moço Crane e a sargento Mills tentam impedi-la em mais uma correria por vezes engraçada e cheia de química por parte dos dois.

Ainda sem uma definição exata de rumo para seu plot principal, Sleepy Hollow garante mais 45 minutos de diversão e alguns sustos – os efeitos especiais e a maquiagem são surpreendentes. Metade da força da série vem, com certeza, da atuação de Tom Mison e Nicole Beharie. Um passo em falso, no entanto, é a mania dos roteiristas em matar personagens que poderiam crescer logo no começo: Andy, no primeiro, e agora a bruxa que poderia dar o que falar. Mas Andy retornou, então quem sabe! Enquanto explora sua mitologia, Sleepy Hollow costura sua história e apresenta novos personagens – Jenny, a irmã de Abbie, promete entrar para o elenco mais regular –, firmando sua estreia e dando possibilidades de uma boa temporada.

**** (4/5)

SLEEPY HOLLOW: A Revolutionary-era Ichabod Crane (Tom Mison, R) is resurrected and awakes in present day Sleepy Hollow, in the"Blood Moon" episode of SLEEPY HOLLOW airing Monday, Sept. 23 (9:00-10:00 PM ET/PT) on FOX. ©2013 Fox Broadcasting Co. CR: Brownie Harris/FOX

Próximo Sleepy Hollow: 01x03 – For The Triumph of Evil… (30/09)

Andreas

18 de set. de 2013

Estreia: Sleepy Hollow, a mistura louca da temporada, funciona e é imperdível!

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ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Toda temporada de televisão tem uma figura carimbada: a série que mistura gêneros e fórmulas para tentar algo novo e, ao mesmo tempo, muito familiar. Os resultados são os mais diversos, desde o mais do que bem sucedido mix de procedural com ousadias narrativas e construção europeia de personagens de The Good Wife, até a infeliz combinação de gore com metalinguagem literária e referências pulp de The Following. Uma coisa garantida, no entanto, é que essas séries geralmente são capazes, em um nível maior ou menor, de “balançar o coreto” das emissoras abertas americanas e puxar as barreiras do que é aceitável para a programação das mesmas e para o público médio de televisão.

Quando essa ousadia não existe como meio e fim em si própria, o resultado costuma ser bem interessante, e Sleepy Hollow, candidata óbvia ao posto de mistura inesperada de gêneros dessa temporada, consegue prometer uma jornada no mínimo cativante no piloto veiculado na última segunda feira (16) na Fox. A série chega com marcas de qualidade certificadas pelo cinema, como vem se tornando habitual no meio televisivo: os showrunners Alex Kurtzman e Roberto Orci são queridinhos de Hollywood, tendo assinado os dois filmes da nova franquia de Star Trek e os três de Transformers, enquanto o piloto ganha a assinatura de Len Wiseman, o homem responsável pelos dois primeiros Anjos da Noite e por Duro de Matar 4.0, na direção.

O primeiro bom sinal é que esses nomes hollywoodianos fazem de fato alguma diferença para Sleepy Hollow. Orci e Kurtzman tem, como pouquíssimos roteiristas da atualidade, a habilidade de equilibrar o ritmo frenético da narrativa e a construção de personagens críveis, ainda que não tão originais. Mesmo que jogue com estereótipos, é impossível negar que a dupla sabe fazê-los funcionar, como com a Tenente Abbie Mills de Nicole Beharie (Shame). Essa não é a primeira vez que o espectador vê uma personagem torturada por um evento de seu passado, o que a faz única para entender uma situação extraordinária que foge da percepção dos companheiros de trabalho presos a uma realidade que nunca pende para o extraordinário. A performance de Beharie ajuda, mas é a forma como o roteiro apresenta esse conflito, e a química entre o personagem de Mills e Ichabod Crane, que ascendem a faísca para a percepção de quem assiste. Mesmo sendo bastante ordinários no cenário televisivo, esses dois personagens são absolutamente únicos nas linhas de Orci e Kurtzman.

Já que falamos dos personagens, vamos tentar um rápido resumo da trama que não estrague muita coisa: quando uma série de misteriosos assassinatos começa a assolar a pequena cidade de Sleepy Hollow, Ichabod Crane (Tom Mison) é levantado de seu túmulo para parar seu jurado inimigo, o Cavaleiro Sem Cabeça. Acontece que na mitologia da série, o lendário conto de terror ganha tintas apocalípticas, incluindo visões que Ichabod tem de sua esposa Katrina (Katia Winter), uma bruxa condenada a fogueira 250 anos antes de o esposo ser levantado de seu sono eterno. Ela o diz que, quando o sangue de Ichabod e do Cavaleiro se misturaram no campo de batalha em que ele o decapitou, ela foi obrigada a jogar um feitiço nos dois para conter o assassino sobrenatural. Ah, e ele pode muito bem ser um dos quatro Cavaleiros do Apocalipse também, é claro. Detalhes.

É aí que vem a mistura louca de Sleepy Hollow, uma série que pelo menos por enquanto quer ser, ao mesmo tempo, um procedural policial (em certos diálogos entre Ichabod e Abbie fica implícito que o Cavaleiro não é a única ameaça que eles precisarão combater), um conto de peixe fora d’água encarnado no protagonista, que estranha o século XXI em que é despertado – algo muito bem expressado na ótima interpretação de Mison, e uma série de terror com viés sobrenatural apocalíptico. Aqui, no piloto, quem equilibra tudo isso é Len Wiseman, e o moço tem muitos recursos para fazê-lo. Além de sua linguagem dinâmica e sua mão milagrosa para as cenas de ação, o diretor empresta para a série certo senso de coesão na narrativa que faz tudo funcionar como uma engrenagem bem azeitada para nos introduzir a um mundo estranho, mas absurdamente excitante. E no final do dia, o que mais além disso é a boa televisão?

***** (4,5/5)

Pra quem gosta de: Criminal Minds, Southland, The Fall, Hemlock Grove, 666 Park Avenue, Elementary, American Horror Story.

Próximo Sleepy Hollow: 01x02 – Blood Moon (23/09)

Caio