Review: Dirty Computer (álbum e filme)

Janelle Monáe cria a obra de arte do ano com um álbum visual espetacular - e que desafia descrições.

Os 15 melhores álbuns de 2017

Drake, Lorde e Goldfrapp são apenas três dos artistas que chegaram arrasando na nossa lista.

Review: Me Chame Pelo Seu Nome

Luca Guadagnino cria o filme mais sensual (e importante) do ano.

Review: Lady Bird: A Hora de Voar

Mais uma obra-prima da roteirista mais talentosa da nossa década.

Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

Mostrando postagens com marcador Baskets. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Baskets. Mostrar todas as postagens

22 de mai. de 2016

Review: “Baskets” tira graça, drama e elegância dos lugares mais improváveis

Baskets-Season-1_poster_goldposter_com_2

por Caio Coletti

“Nem todo mundo pode ser florista ou lavador de pratos. Alguns de nós precisam ser artistas”. A frase é do segundo episódio do primeiro ano de Baskets, nova série de Zach Galifianakis (Se Beber, Não Case) para a FX exibida em 10 episódios entre janeiro e março de 2016. A inversão na frase é quase poética – aspirantes a atores, cantores, músicos, cineastas e pintores por aí já devem tê-la ouvido ao contrário: nem todo mundo pode ser um artista; o mundo precisa de carpinteiros, garis, mecânicos, secretários, recepcionistas. O dito quer fazer graça da noção de que todo trabalhador comum parece ter o sonho de se disfarçar de artista.  De sua forma ao mesmo tempo ingênua e deliciosamente cínica, Galifianakis e Baskets parecem nos perguntar se, nesse mundo capitalista esmagador, não é o artista às vezes que é compulsoriamente levado a se disfarçar de trabalhador comum.

E que trabalho magistral que Galifianakis, com a ajuda de uns poucos outros roteiristas (incluindo o comediante Louis C.K., de Louie) e do diretor Jonathan Krisel, faz em nos apresentar um personagem comovente pelos sonhos tanto quanto é por seus instintos mais patéticos. Às vezes anti-herói, o Chip Baskets de Galifianakis não é só um fracassado pelo qual é fácil torcer, como tantos outros na TV americana hoje em dia – é uma alma cujos próprios defeitos, limitações e frustrações emprestam verdade para sua arte. Nos raros momentos em que somos capazes de ver Baskets realizando suas rotinas de palhaço, o absoluto respeito que Galifianakis exibe pela forma de expressão desses artistas relegados à categoria de atrações de circo é palpável. Em uns poucos movimentos, em representações tão simples e simbólicas, Galifianakis faz cuidadosamente explodir em tela as entranhas de um personagem que ele passa o restante da série compondo.

Mas sim, antes que a gente se esqueça, Baskets é também uma comédia, e não é pouco engraçada. Por mais agridoces que sejam seus momentos mais marcantes (“Easter in Bakesfrield”, 1x04, é um episódio de TV que não vai sair da minha memória por muito tempo), Baskets também é ótima em selecionar os alvos certos e os tons certos para suas piadas. Galifianakis está especialmente engraçado como o irmão gêmeo de Chip, Dale Baskets, dono, aluno e garoto-propaganda de uma universidade à distância cuja fachada cuidadosamente construída esconde mal uma pilha de ansiedades, e cujo mero sotaque já é motivo para risadas nervosas. Martha Kelly é uma peça importante com sua entrega minimalista de algumas das melhores falas da temporada, e Louie Anderson faz um trabalho enormemente sensível (e tremendamente engraçado) com o retrato da mãe super-protetora do interior americano.

E talvez as nossas palavras façam crer que é um tipo complicado de comédia, mas Baskets é na verdade muito simples, e fundamentalmente modesto sobre si mesmo. Seus temas, as frustrações de seus personagens, os destinos de suas histórias, tudo surge com a naturalidade de uma comédia que deixou o seu universo crescer e o seus personagens crescerem junto. Se há ambição aqui, é a ambição de contar uma história, e se dessa história nascem reflexões, momentos com os quais o espectador pode se identificar emocionalmente e personagens compreensíveis, tridimensionais e humanos, é um testamento do talento do grupo que a escreveu. Em dez episódios de menos de meia hora, passeando por desertos, rodeios, motéis de beira-de-estrada, escritórios apertados e quartos de hospital, Baskets consegue encontrar poesia, elegância e graça de uma história nada provável. E esse é um tipo de storytelling que precisamos cultivar e guardar como uma pedra preciosa – como a vida, Baskets não tem intenção nenhuma de acontecer; simplesmente acontece.

✰✰✰✰✰ (4,5/5)

BASKETS -- "Renoir" Episode 101 (Airs Thursday, January 21, 10:00 pm/ep) Pictured: (l-r) Martha Kelly as Martha, Zach Galifianakis as Baskets. CR: Ben Cohen/FX

Baskets – 1ª temporada (EUA, 2016)
Direção: Jonathan Krisel
Roteiro: Louis C.K., Zach Galifianakis, Jonathan Krisel, Samuel D. Hunter, Rebecca Drysdale, Graham Wagner
Elenco: Zach Galifianakis, Martha Kelly, Louie Anderson, Sabina Sciubba, Ernest Adams, Malia Pyles
10 episódios