Review: Dirty Computer (álbum e filme)

Janelle Monáe cria a obra de arte do ano com um álbum visual espetacular - e que desafia descrições.

Os 15 melhores álbuns de 2017

Drake, Lorde e Goldfrapp são apenas três dos artistas que chegaram arrasando na nossa lista.

Review: Me Chame Pelo Seu Nome

Luca Guadagnino cria o filme mais sensual (e importante) do ano.

Review: Lady Bird: A Hora de Voar

Mais uma obra-prima da roteirista mais talentosa da nossa década.

Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

14 de jan. de 2014

Review: Mom, 01x13 – Hot Soup and Shingles

MOM

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

Quando Mom começou, lá em Setembro passado, embora eu tenha gostado das linhas gerais do que Chuck Lorre tentava construir aqui, eu mesmo não poderia prever que estaria tão feliz com o retorno da série depois do holiday break. Até mais, que estaria aqui admitindo que senti falta dela durante essas semanas. Acontece que a série tem aos poucos se tornado uma das sitcoms mais eficientes, interessantes, engraçadas e bem desenvolvidas no ar atualmente. Não é fácil usar um formato que, apesar da recente popularidade, ainda é predominantemente analógico, e criar uma história que mereça ser contada dentro dele.

Mom é um retrato muito bacana das trivialidades da vida classe média-baixa americana, analisando como essas condições afetam os personagens e construindo para eles um mundo todo particular que fala muito alto em termos temáticos. No episódio de hoje, “Hot Soup and Shingles”, descobrimos que a necessidade de sobrevivência fez Christy se tornar uma pessoa que não aceita ajuda mesmo quando precisa. Essa premissa gera algumas boas piadas físicas quando a moça sofre lesões no tornozelo e no pulso, mas insiste em fazer tudo sozinha mesmo assim.

Uma das poucas concessões que ela faz, convenientemente, é chamar Baxter para vedar um buraco no telhado que está causando goteiras. A chegada do personagem do ótimo Matt Jones é desculpa para juntá-lo em cena com Luke, pai do filho de Violet, outro personagem (e ator) que estava merecendo mais espaço. As cenas entre os dois são ótimas porque brincam com uma química diferente da existente entre Anna Faris e Allison Janney, e também porque mostra que Mom está comprometida com seu tema de maternidade/paternidade nos dois lados da moeda.

A série aproveitou o retorno da holiday break para diversificar sua equipe de escritores (Hayley Mortison, estreante, é creditada junto com Chuck Lorre aqui) e se preparar para as temporadas longas que provavelmente tem pela frente. É um sinal maravilhoso que o primeiro passo em direção a isso tenha sido voltar a questão do jogo de ressentimentos e culpas entre Christy e Bonnie. Pungente e adorável, Mom é uma pequena preciosidade a ser descoberta no rol de comédias da televisão americana.

Observações adicionais:

- “I called the landlord over and over. Each time his English got worse”

- “Maybe you should get laid” “I did”

- “It’s a miracle you’re not driving a wheelchair with your tongue!”

- “Stop tucking me, I’m not a taco”

✮✮✮✮✮ (4,5/5)

104311_wb_0807b

Próximo Mom: 01x14 – Leather Cribs and a Medieval Rack (20/01)

13 de jan. de 2014

Foster The People está de volta! “Coming of Age” é o single do novo álbum

tumblr_mzcggohAYA1rxwmvbo1_1280

por Caio Coletti

Tá vendo a lindíssima capa aí em cima? É a do novo álbum do Foster The People, intitulado Supermodel, que está marcado para sair no dia 18 de Março. A bela arte carrega o mesmo estilo daquela que estampou o disco de estreia da banda, Torches, que surpreendeu nas vendas em 2011. Com um sofisticado quote saindo da boca da “super-modelo” da capa, o disco parece ser bem mais conceitual que o predecessor:

I ate it all; plastic, diamonds and sugar-coated arsenic as we danced in honey and sea-salt sprinkled laxative. Coral blossomed portraits in Rembrandt light; cheekbones high and fashionable. Snap! goes the moment; a photograph is time travel, like the light of dead stars painting us with their warm, titanic blood. Parasitic kaleidoscopes and psychotropic glow worms stop me dead in my tracks. Aphids sucking the red off a rose, but for beauty I will gladly feed my life into the mouths of rainbows; their technicolor teeth cutting prisms and smiling benevolently on the pallid hue of the working class hero.”

(boa sorte para quem quiser traduzir isso)

O primeiro single do álbum, “Coming of Age”, mostra um Foster amadurecido brincando com um estilo rock de arena, com guitarras arejadas e pequenos toques digitais, além da assinatura melódica inconfundível dos autores do hit “Pumped Up Kicks”.

Shakira e Rihanna provam que são melhores juntas em “Can’t Remember to Forget You”

tumblr_mz50rvgzW31rrfw56o1_1280

por Caio Coletti

Anunciado nos primeiros dias do ano, “Can’t Remember to Forget You” é o primeiro sinal de vida em forma de música inédita que Shakira dá desde o lançamento de Sale El Sol, em 2010 (se você não contar o álbum ao vivo Live in Paris, claro). Para garantir que os anos afastada não diminuissem o impacto, a estratégia foi se aliar com a maior produtora de hits do pop americano atualmente: Rihanna.

As duas moças latinas (não se esqueçam que Rihanna é de Barbados!) são uma combinação e tanto. Com raízes no trabalho inicia de Shakira em inglês, o ótimo Laundry Service de 2001, a canção capricha nas guitarras e combina bem os vocais das duas divas. O novo álbum de Shaki não tem data para estreia, nem título anunciado.

9 de jan. de 2014

Review: American Horror Story Coven, ep.10 – The Magical Delights of Stevie Nicks

americanhorrorstorycoven10

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

A impressão que fica no final de “The Magical Delights of Stevie Nicks”, 10ª entrada de Coven e primeira do ano, após semanas aparentemente intermináveis de holiday break, é que o que vimos no episódio anterior, “Head”, foi a tentativa dos roteiristas de limpar a própria bagunça da maneira mais honesta possível. Desde a cena final daquele capítulo, eu estive, particularmente, em uma relação de amor e ódio com Coven (e talvez com American Horror Story como um todo). Aquela epopéia final em que Hank entra no covil das bruxas vodoo e mata todas elas por um motivo meio sem nexo, além de nada sutil, foi aos meus olhos ligeiramente ofensiva.

O que pareceu foi que Coven quis lidar com a questão racial – e não me venha dizer que não quis! Vários momentos em episódios do começo da temporada mostravam o quanto a série tentava tocar nesse assunto, e ao colocar um clã de bruxas brancas contra um de bruxas negras, é impossível, se não antiético, fugir do mesmo –, mas não soube exatamente como fazê-lo. Elegeu como protagonistas de sua história aquelas do lado “branco” da força, escolheu a dedo duas personagens da outra metade da batalha para desenvolver com esmero muito mais creditável às atrizes do que ao roteiro, e contou uma história essencialmente unilateral quando todo o ponto seria muito mais interessante se pudessemos vivenciar o ambiente dessas duas “tribos”.

Quando chegou o momento de juntar os dois lados contra um inimigo em comum, nós não conhecíamos o bastante aquelas personagens, aquele mundo, aquela situação, para sentirmos algo além da fraca empatia que aparece quando um estereótipo racial ambulante é baleado em tela. Não é do feitio de American Horror Story confiar em clichês, mas em Coven, quando estamos falando das bruxas vodoo, a série simplesmente não conseguiu fugir deles. E a culpa nisso é da expectativa do público, do estilo de contar história ao qual a série se aconrrentou, da necessidade louca de ser absolutamente não-coerente. Veja bem, caro leitor, eu não estou reclamando. Poucas pessoas se divertem mais que eu com American Horror Story, mas se a série vai continuar comprometida a ser batshit crazy, precisa aprender a não morder mais, em termos de tema, personagem e história, do que consegue mastigar.

Aliás, é justamente por isso que “The Magical Delights of Stevie Nicks” é tão bom. Por todo o mal que tenha feito para a série como um todo, a matança das bruxas negras foi uma benção dos céus para a trama prática de Coven. Esse conto épico de duas facções brigando entre si enquanto deveriam se concentrar num inimigo comum, essa narrativa espetacular sobre a verdadeira natureza das comunidades (e dos seres humanos nela) sob pressão, finalmente tem a chance de respirar quando Marie Leveau busca abrigo no coven de Fiona após o massacre. A história, o cenário, os personagens e os atores tomam um grande fôlego e começam a desfinal de uma maneira muito mais coerente agora que o roteiro os direciona diretamente para o confronto com os caçadores de bruxas.

É verdade que pouco acontece nesse sentido no episódio em si, mas é a sempre presente linha de pensamento em direção a esse objetivo que faz com que todas as coisas ao redor da trama sejam tão mais substanciais. Fiona culpa Cordelia pela desgraça do coven, e enquanto a dinâmica entre as personagens muda, podemos entender o quanto o arco da personagem de Sarah Paulson é instigante na relação mãe-e-filha, na sensação de impotência, na quieta frustração – para ajudar, Paulson está absolutamente incrível no papel, roubando a cena até de Frances Conroy, em um momento de estouro emocional.

Por falar em Fiona, mais uma vez Jessica Lange mostra porque, quando AHS realmente resolve contar uma história, ela é a jogadora do tabuleiro que encarna tudo o que ela quer passar. A atuação dessa estupenda americana de 65 anos reúne todo o gravitas, as informações acumuladas e os sofrimentos que observamos nessa personagem, e as coloca em algumas poucas expressões e entonações. Jessica é, pura e simplesmente, o ímã que junta todos os pedaços da narrativa de Coven e os transforma em uma unidade para a qual podemos olhar e vê-la olhando de volta. Apesar dos trabalhos perfeitos de tantos outros membros do elenco, é ela que faz Coven fazer sentido, e por mais que a diversão e as bizarrices todas sejam ótimas, em absolutamente nenhum momento elas conseguem ultrapassar o simples prazer de uma boa narrativa.

Observações adicionais:

- O diálogo inicial entre Fiona e Leveau coloca a personagem de Bassett sob uma nova luz, o que não é novidade em AHS, mas a mudança funciona para tirar do caminho o componente racista: Leveau foi levada à desgraça porque escolheu se isolar do mundo, e o roteiro quer nos mostrar que, em muitos sentidos, essa também foi a escolha de Fiona. É um trabalho de base raro para AHS, mas é o que faz a cumplicidade e a eventual união entre essas duas líderes egoístas soar verdadeira (além de espetacularmente cool).

- Que foda que a série arranjou uma desculpa narrativa para fazer uma de suas brincadeiras bizarras e trazer Stevie Nicks para o elenco. E uma boa! Com esse “presente” para a futura nova Suprema, Fiona mostra esperteza e para de jogar com a violência. Ao invés de eleminar Misty, ela tenta trazê-la para o seu lado.

- “I’m a huge Eminem fan, when’s he get here?” “Marshall? You’re not his type”. Eu sei que todo mundo ama a Madison, mas I’m sorry, bitch, Fiona rules this shit.

- Vamos fundar um espaço especial de apreciação a Lily Rabe nesses reviews, porque com todos os Emmys e Globos de Ouro do restante do elenco, essa moça formidável acaba meio apagada. Destaque da semana, obviamente: o desmaio.

- Coven finalmente tira proveito de sua localização nessa temporada para algo além de uma sombra temática que nunca se viu cumprida: o jazz funeral é palco do enfrentamento entre Madison e Misty, e ambas as atrizes estão ótimas na cena, que abre mais um prospecto para a temporada mostrar – um outro “preconceito”, além do tema feminista e do tema racial, jogado para o lado. Além disso, mostra Madison como tão ardilosa quanto Fiona, embora também tão estúpida, em seu imediatismo violento, quanto ela.

- RIP Nan ):

***** (5/5)

95d4183d563945ffc5cca88b2108d96b

Próximo American Horror Story Coven: ep. 11 – Protect the Coven (15/01)

Lea Michele e seu primeiro clipe, o bem-produzido “Cannonball”

lea_michele_cannonball

por Caio Coletti

Preparando-se para dominar o começo de 2014, Lea Michele lançou hoje (09) o primeiro clipe de sua carreira musical. “Cannonball”, da balada co-escrita por Sia, Benny Blanco e o duo Stargate, vem com produção refinada, mostrando Lea nas ruínas de uma casa abandonada e  em uma série de cenários mais iluminados, para representar a depressão e a recupeção retratadas pela letra.

A canção é o primeiro single do Louder, álbum de estreia da moça conhecida pelo trabalho em Glee e em filmes como Noite de Ano Novo. Marcado para o dia 28 de Fevereiro, o disco conta com outras três composições de Sia, e uma co-assinada pela cantora Christina Perri.

8 de jan. de 2014

Review: Person of Interest, 03x12 – Aletheia

Person of Interest

Curta Person of Interest Oficial Brasil no Facebook

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

por Caio Coletti

A terceira temporada de Person of Interest, nós já estabelecemos lá no último review antes do holiday break, não é só o auge criativo da série até o momento, como também uma peça extremamente corajosa que subverte tudo aquilo que a trama sempre foi desde o início. É preciso destacar que tudo isso não é pouco, nem fácil, especialmente em uma emissora que coloca tantas amarras nos escritores como a CBS (embora recentemente o canal tenha se mostrado mais interessado em narrativas de qualidade). A questão é que, como qualquer processo de mudança, esse de Person tem seus perigos a serem evitados, o principal deles sendo, nesse caso, a substituição de um determinado ideal, que havia nos guiado até esse ponto da série, por outro.

É fácil destruir as presunções dos personagens e do espectador, e é um processo espetacular de ser acompanhado, mas é preciso que essas personas em tela (e, por conseguinte, as que estão do outro lado dela, assistindo) acreditem em alguma coisa para preencher o vazio desse mundo “de cabeça para baixo”. De qualquer outra forma, a narrativa simplesmente perderia o sentido de existir: sem mensagem, não existe comunicação. Tudo isso para dizer que Person of Interest está fazendo o trabalho a que se propôs nessa temporada com todo o cuidado do mundo, porque fomos dados uma nova premissa para acreditar. Repetidamente, nesses últimos episódios, a série tem atingido o mesmo ponto, dizendo que num mundo de ambiguidade moral e fatores complicados como privacidade, terrorismo, tecnologia e dinheiro, o que realmente importa – o que nos define e pode nos salvar – são as relações humanas.

“Aletheia”, primeiro episódio de Person em 2014, marca o ponto central da temporada resolvendo conflitos e abrindo outros novos para movimentar a segunda metade dos habituais 23 episódios da season. É uma hora de televisão muito mais concentrada na ação e em elaborações específicas de enfrentamento do que boa parte dos últimos três ou quatro episódios. A trama se divide em três focos depois de uma setpiece de ação que resolve o cliffhanger do episódio anterior: Finch, Shaw e Arthur, tendo o grupo Vigilance e os agentes governamentais no encalço, são encurralados em um banco onde estão os últimos drives restantes do Samaritan, programa de vigilância que Arthur criou à imagem e semelhança da Máquina de Finch; Root, que ajudou o trio a fugir dos agentes de Control, e aprisionada pela mesma e torturada; e Fusco continua tentando convencer Reese a não fugir de sua responsabilidade.

O roteiro fica por conta de Lucas O’Connor, apenas em sua segunda contribuição para Person, e tem suas falhas. É preciso destacar para além delas, no entanto, que conceitualmente a série ainda está no pico de sua habilidade: colocar Vigilance frente a frente com o grupo de Control é uma jogada extremamente inteligente para mostrar que existe muito pouco que Person não considere errado nesse vai-e-vem conceitual sobre tecnologia e privacidade. A desconfiança para com as autoridades ainda está aqui, mas parece que o terrorismo a favor da privacidade também não é o caminho. A exploração da certidão moral de Fusco, o crescimento do personagem de Arthur (para o deleite de um ótimo Saul Rubinek), a continuação da história de Finch com o pai, e o doloroso final com Reese definindo que não está dentro de seus limites de consequencia perder alguém que ele amava, todos esses detalhes parecem dizer que muito pouco do que fazemos não tem a ver com as pessoas ao nosso redor, e como elas nos marcam para sempre.

Observações adicionais:

- Amy Acker e Camryn Manheim são uma dupla e tanto em cena. Os momentos em que Root e Control contracenam são alguns dos mais tensos e bem atuados de toda a série.

- O episódio aventa uma ideia muito bonita, de que, para ter uma inteligencia artificial perfeita, é preciso que a propria constituição do programa seja imperfeita, “quebrada” como um ser humano.

**** (4/5)

104137_d0093bc

Próximo Person of Interest: 03x13 – 4C (14/01)