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Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

19 de dez. de 2012

Review: Leona Lewis é frágil, mas nem tanto, em seu Glassheart

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por Amanda Prates
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Parece que Leona Lewis tem dado passos não muito largos em sua discografia, seja na qualidade dos discos, seja nos intervalos de lançamento entre um e outro. Spirit, álbum de estreia lançado em 2007, veio sem grandes surpresas (apesar de ter liderado as primeiras posições de importantes charts em alguns países), de um modo geral, mas revelou destaques como “Bleeding Love”, com seu refrão melodramático e chiclete, o que fazia-nos repetir sempre “Keep bleeding/Keep, keep bleeding love/I keep bleeding/I keep, keep bleeding love”. Basicamente Pop/R&B, da primeira à última música, com traços da musicalidade anos 90 de cantoras como Mariah Carey e Whitney Houston e que reuniu baladas criadas com todo um cuidado.

Com a mesma essência melódica e romântica do primeiro, em Echo, Lewis apostou mais no soul e dividiu a crítica. “Happy” foi uma das canções que surpreendeu pelo bom desenvolvimento da voz inquestionavelmente privilegiada da moça. Um álbum quase que regido por baladas, com exceção de “Outta My Head”, música que transita pelo universo pop dance, que não surpreende pelas melodias nem pelas letras.

Dois anos tinham passado desde o lançamento de Echo, e parecia que a espera pelo anúncio de um novo sucessor perduraria por mais algum tempo. Mas depois de acusações de plágio, brigas judiciais e alguns adiamentos, finalmente o terceiro da britânica foi oficialmente lançado. Glassheart possui as mesmas fórmulas usadas nos primeiros trabalhos: pop, baladas clássicas e, até mesmo, o dedo mágico de Ryan Tedder (OneRepublic). Músicas melhor trabalhadas e que oscilam entre o pop excessivo e R&B de Spirit e o pop mais soul de Echo, e a presença exclusiva do dubstep, que denunciam claramente uma mudança, em termos de melodia e mensagem das letras, assumida por Leona.

“Trouble”, balada composta por Emeli Sandé, abre o disco com elementos trip hop, levada ao piano e um tanto incomum ao restante do álbum; sendo o primeiro single, com letra e clipe clichês, mas que conquistam numa primeira audição. “Un Love Me”, faixa que se segue, é também uma balada “embalada” pelo piano, de letra sombria e sofrimento do início ao fim – nada que já não se tenha ouvido em trabalhos anteriores – em que Leona insiste para que seu amor não a ame mais. “Lovebird”, single atual que ganhou clipe (lindo) recentemente, possui refrão grudento e te apaixona já nos primeiros versos. Nesta canção, Leona se toma, como um pássaro aprisionado em uma gaiola, referindo-se metaforicamente a um amor vicioso e inútil que não a permite seguir em frente.

É em “Come Alive” que entra o tão invejável dubstep, com suas batidas animadas que dão um toque de vida ao disco. “I revive, I see you and I come alive / See you and I come alive” canta Leona e exagera no romantismo. O álbum não perde o ritmo com “Fireflies”, talvez uma das melhores faixas, mais uma baladinha que começa lenta, mas ganha força no refrão; em que Leona causa inveja no final com seu coro repetindo constantemente “Fire / It's only fire / It's only fire / It's only fireflies”. “Shake Up You” nos tira do coma melancólico das primeiras faixas, e Leona declara “I wanna shake, wanna shake, I wanna shake you up!”. É faixa mais incomum e inesperada, com seu ritmo anos 80, e que não decepciona! A seguinte, “Stop The Clocks”, resume-se em uma única palavra e não merece mais nenhum comentário: chorável.

Nunca, em fases anteriores da moça, uma canção foi tão almejada a ser single como “Glassheart”. Aqui ela está amando com seu coração de vidro, em contrapartida, é a faixa com maior presença do dubstep e este é melhor trabalhado do que em “Come Alive”, talvez esteja aí a “magia” que a faz ser a mais amada por quem ouve já na primeira vez, sem deixar de ressaltar sua produção pela ótima junção Fraser T. Smith-Ryan Tedder. Todas essas pequenas mudanças assumidas por Leona desde seu Echo, têm feito com que ela se desafaça do rótulo não tão agradável de ex vencedora do X Factor 2006, e talvez ela consiga isso definitivamente com Glassheart, que não surpreendeu, mas muito agradou.

**** (4/5)

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Glassheart
Lançamento: 12 de outubro de 2012.
Selo: Syco, RCA.
Produção: Josh Abraham, Ammo, DJ Frank E, Craigie Dodds, Rodney Jerkins, Naughty Boy, Chris Loco, Oligee, Al Shux, Fraser T Smith, Ryan Tedder, Sandy Vee, Youngboyz, Noel Zancanella
Duração: 48m51s

Top 05: One hit wonders

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por Caio Coletti
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Se você conhece essa música, das duas uma: ou você tem mais de 35 anos, ou passou a infância grudado no Cinema em Casa do SBT. A faixa-tema do cantor Limahl para o filme A História Sem Fim foi o hit solitário da carreira solo do moço, na época com seus 26 anos, ainda no armário e com o corte da cabelo que inspirou o personagem Longshot, da Marvel Comics (é sério, quem disse foi o próprio criador). Hoje, o britânico adotou esse visual, participou de um reality show em que “celebridades” são jogadas em meio a um ambiente selvagem, e completa 54 anos… exatamente no dia 19 de Dezembro! Parabéns pro Limahl!

Abaixo você tem mais 5 one-hit-wonders, cantores(as) e bandas que marcaram a cultura pop, mas nunca mais conseguiram repetir o feito. Tem de tudo, aproveitem a nostalgia:

1ª posição – “Ice Ice Baby” (Vanilla Ice)

Há alguma dúvida de que nenhum outro artista poderia estar no topo dessa lista? I mean, a gente ama absolutamente tudo em “Ice Ice Baby”. Desde o sample da linha de baixo de “Under Pressure” do Queen até a glamurização desajeitada do estilo de vida urbano da década 90, passando pelo arquétipo da garota oriental e pela dancinha em trajes de gala no telhado. Quem quer saber de Eminem? Vanilla Ice não foi só o primeiro rapper branco a dominar o gênero (ainda que brevemente), como também o primeiro rapper a chegar ao topo da Billboard. Gênio incompreendido.

Por onde anda? Vanilla, depois de problemas com drogas (e com a falência monetária, aliás), e de loucuras como lançar carreira como cantor de rock pesado (acredite!), parece estar feliz na posição de estrela de reality show (The Vanilla Ice Project) e até gravou um álbum novo em 2011 – não que alguém tenha realmente ouvido.

2ª posição – “Touch Myself” (Divinyls)

O Divinyls é uma espécie diferente de one hit wonder. Naturais da Austrália, a banda formada em 1980 foi um hit absoluto no país até 1996, emplacando todos os seus cinco álbuns no top 10 australiano. Foi só “Touch Myself”, no entanto, que ultrapassou as fronteiras da ilha e reinou na Billboard por algumas semanas. É preciso admitir que a canção é um pastiche delicioso de fantasia romântica e insinuação sexual, com um clipe que pode muito bem ser o precursor do illuminati pop (me deixa, quero que vire gênero!).

Por onde anda? O Divinyls se separou em 1997, depois de cinco álbuns. Um ensaio de comeback foi feito em 2007 com "Don't Wanna Do This", mas o single acabou não resultado em um novo álbum. A vocalista Christina Amphlett, conhecida pelas performances violentas, engatou carreira de atriz de musicais.

3ª posição – “Never Gonna Give You Up” (Rick Astley)

Talvez tenha sido a mania do rickrolling, meme virtual que consistia em hiperlinks aparentemente relevantes para o assunto de um artigo, mas que na verdade levavam direto ao vídeo de Astley. Mas a verdade é que a música do cantor britânico é um pequeno deleite dos anos 80. Os pacotes de cordas da disco music e a mistura da música eletrônica com a voz grave de Astley são uma mistura que influencia gente como Patrick Wolf, Diamond Rings e Hurts até hoje. Então não o subestime.

Por onde anda? Depois de 2007, quando houve o pico do rickrolling, Astley viu sua carreira ser renovada. Lançou single solto em 2010, intitulado "Lights Out", e arranjou um emprego permanente como DJ e apresentador da Magic FM de Londres.

4ª posição – “You Get What You Give” (New Radicals)

O inconstante Gregg Alexander já tentou carreia solo no final dos anos 80, escreveu músicas para Santana, Enrique Inglesias e Geri Halliwell, e ganhou um Grammy por "The Game of Love". Mas sua marca mais indelével na cultura pop, por incrível que pareça, é uma banda que esteve ativa durante dois anos, lançando no total um álbum e dois singles. Acontece que o primeiro deles é “You Get What You Give”, canção-símbolo de toda uma geração do final dos anos 90. A figura desajeitada de Alexander e a rebelião-de-shopping do clipe completam o pacote de um one-hit-wonder delicioso.

Por onde anda? Alexander segue como compositor, participando de gravações de ronan Keating, Sophie Ellis-Bextor, Texas e Melanie C. Outra integrante do grupo, Danielle Brisebois, se tornou conhecida pelo papel na sitcom All in The Family, e ainda escreveu “Unwritten”, hit de Natasha Bedingfield.

5ª posição – “Tainted Love” (Soft Cell)

Pioneiros da tecno music, performers e músicos brilhantes… e inegáveis one hit wonders. O duo Soft Cell tornou “Tainted Love” um dos grandes hits dos anos 80, marcando a música mesmo que ela seja, na verdade, uma versão: a original foi gravada por Gloria Jones em 1965 (ouça aqui). Mas não dá para resistir ao clipe de fantasia mitológica, com um Marc Almond afetadíssimo vestindo coroa de louros e se revoltando com sua “esposa” ao conhecer o fruto da paixão da mesma pelo guarda negro do palácio.

Por onde anda? O Soft Cell teve carreira curta, entre 1981 e 1984, com três álbuns lançados, e se reuniu em 2002 para mais um. A longa carreira solo do vocalista Marc Almond, no entanto, rendeu-lhe 18 álbuns de estúdio, tendo vendido aproximadamente 20 milhões de cópias.

Review: Brad Pitt vê a América cínica em “O Homem da Máfia”

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por Caio Coletti
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Ao sair da minha sessão de O Homem da Máfia e encontrar com um casal de amigos na saída do cinema, um deles prontamente perguntou, como é de costume: “é bom o filme?”. Eu sinceramente não soube responder, como é de meu costume, pois ainda não havia digerido a obra de Andrew Dominik, mas uma outra amiga, que a havia assistido comigo, não pareceu hesitar: “é com o Brad Pitt”. Todos riem da piada feminina, mas a verdade é que o astro realmente faz uma diferença muito grande aqui. O Homem da Máfia não seria tão contundente quanto é se não tivesse Brad Pitt, e não estou dizendo que se trata de uma performance genial (embora ela seja bastante competente) do Sr. Jolie. Acontece que, como símbolo máximo da engrenagem hollywoodiana, é um choque e uma ironia que combinam com o mote do filme vê-lo expressar um ponto de vista tão cínico quanto o de seu personagem.

Este é um filme baseado em uma novela de George V. Higgins. Conhecido por Os Amigos de Eddie Coyle, citado em quase todas as listas existentes de melhores romances de mistério e adaptada para o cinema em 1973 por Peter Yates, o escritor morto em 1999 foi advogado antes da publicação de sua primeira novela, e na profissão exerceu tanto a defesa do líder do movimento negro por direitos sociais Eldridge Cleaver quanto a do conspirador do escândalo de Watergate e criminoso político G. Gordon Liddy. Essa ambiguidade (ou simplesmente falta de) moral está marcada como ferro em O Homem da Máfia. Brad Pitt é Jackie, o assassino de aluguel contratado pelo misterioso personagem de Richard Jenkins (indicado ao Oscar por O Visitante) para aparar as pontas soltas de um assalto a uma casa de jogos que mexeu com um chefão da máfia.

Na direção e no roteiro, o neozelandês Andrew Dominik ressalta ainda mais o cinismo da trama do escritor ao adicionar trechos de discursos do final da última administração Bush, e inserir a trama no contexto da eleição de Barack Obama. Em tempos em que a política é vendida de forma utópica, O Homem da Máfia quer provar que o Sonho Americano está mais para vã ilusão. O discurso final do personagem de Pitt é um libelo de descrença, mas vem em um momento em que é impossível negá-lo. A própria trama que o precedeu o confirma. O trabalho de Dominik, que vem se mostrando um cineasta bissexto (três filmes nos últimos doze anos) e brilhante (O Assassinato de Jesse James, alguém?), é de primazia estilística e alguma competência narrativa, mantendo o espectador atento a uma trama que não se furta de seus desvios verbais – um artifício dominado por Quentin Tarantino, e que Dominik está começando a domar.

De certa forma, O Homem da Máfia aproxima-se de Tudo Pelo Poder, drama político de George Clooney estrelado por Ryan Gosling que foi injustamente ignorado na temporada de prêmios do ano passado (assim como esse filme será na atual). O laço que os une pode muito bem ser, aliás, o motivo para o corte cego desses filmes do circuito de grandes prêmios: ambos mostram-nos um ângulo, uma tese, que não gostamos de ouvir. Clooney é mais sutil em sua crítica a visão utópica de política vendida por Obama, mas Pit e Dominik disferem aqui um golpe na própria noção dos Estados Unidos como uma unidade em que todos olham por todos e todos tem a liberade para tudo. Não se trata de dizer que era melhor ter Bush do que Obama na Casa Branca. Se trata de dizer que, se realmente queremos que os discursos cheios de idealizações do atual presidente (a quem tanto Clooney quanto Pitt apoiam, aliás!) sejam algum dia críveis, ainda há muito o que fazer. E um mar de tons de cinza morais com o qual se incomodar.

**** (4/5)

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O Homem da Máfia (Killing Them Softly, EUA, 2012)
Direção: Andrew Dominik.
Roteiro: Andrew Dominik, baseado na novela de George V. Higgins.
Elenco: Brad Pitt, Scoot McNairy, Ben Mendelsohn, James Gandolfini, Richard Jenkins, Ray Liotta.
97 minutos

17 de dez. de 2012

Alicia Keys mostra porque é o nome mais respeitado do R&B moderno no clipe de “Brand New Me”

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por Caio Coletti
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Já pode chamar de majestade. Depois do lead single “Girl on Fire” chegar à 11ª posição do Billboard Hot 100 e o álbum homônimo se consagrar como o quarto da cantora a alcançar o topo da parada de discos da revista americana, “Brand New Me” ganhou clipe hoje (18) para mostrar de uma vez por todas porque Alicia Keys é a artista mais respeitada da música negra atual. Com uma atitude que precisa ser olhada como exemplo, a artista encontra na performance classuda que apresenta no vídeo, focado em sua imagem, a afirmação de sua importância no cenário musical.

A canção co-escrita por Keys com a escocesa Emeli Sandé, é pouco mais que a bela melodia do piano e os vocais da cantora, que desenham um crescendo lindíssimo nos refrãos. Quanto a experiência de escrever ao lado de Sandé, que se tornou conhecida esse ano com o álbum solo de estreia (a gente até destacou a moça como uma das revelações de 2012, aqui), Keys afirmou: “Eu tenho que dizer que eu e ela... quando nos conhecemos e realmente começamos a escrever juntas, foi mágica instantânea, e isso não acontece tão frequentemente”.

A cantora já disse que considera “Brand New Me” uma espécie de auto-biografia.

Review: DiCaprio é o James Dean da poesia em “Eclipse de Uma Paixão”

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por Caio Coletti
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Arthur Rimbaud, conhecido como o enfant terrible da geração simbolista da poesia, faleceu aos 37 anos, vítima de câncer. Leonardo DiCaprio, seu interprete em 1995 nesse Eclipse de Uma Paixão, tinha seus 19, era uma estrela ascendente e tomava a decisão ousada de embarcar no filme dirigido por uma cineasta polonesa, sobre o caso do famoso poeta francês com Paul Verlaine, um companheiro de ofício dez anos mais velho. À época do começo do affair que durou quatro anos, Rimbaud era menor de idade. Talvez hoje, aos 38 anos, mais ou menos a idade em que o poeta faleceu, DiCaprio deixasse passar essa oportunidade. Não há dúvidas que o astro amadureceu, e seus filmes recentes são prova de que isso é um reflexo positivo em sua atuação, mas assistir esse Eclipse desperta um pouco de nostalgia do DiCaprio de impulso e instinto que faz nascer um Rimbaud encantadoramente cruel.

Recebido com críticas frequentemente pouco gentis, Eclipse de Uma Paixão de fato não é uma forma exemplar de cinema. No comando do roteiro baseado em sua própria peça, o português Christopher Hampton, que viria a escrever grandes filmes como Desejo e Reparação e Um Método Perigoso, parece hesitante com a narrativa. Os recortes de continuidade da história por vezes ganham um tom um tanto brusco, e uma impressão que não se dissipa é que o filme não retrata fielmente os motivos de Rimbaud e Verlaine tanto para se envolverem quanto para se tornarem o casal amargo e insustentável que eventualmente se tornaram. Isso não ajuda a direção de Agnieszka Holland, na época bem cotada pelos trabalhos em Filhos da Guerra e O Jardim Secreto, que acaba se mostrando pouco segura ao lidar com as emoções da trama, optando por uma abordagem austera que não combina com a relação à flor da pele de Rimbaud e Verlaine.

Se entendemos realmente os protagonistas, é mérito da bela história real que Hampton, mesmo com suas falhas, tem para contar. E dos dois intérpretes incríveis que Holland trouxe para o seu filme. DiCaprio começa como um James Dean sem a libido claramente masculina, mas sua construção cuidadosa de um personagem ao mesmo tempo delicado no trato e implacável no pensamento e nos julgamentos é sutilmente convincente. Seu Rimbaud chega ao fim do filme como um personagem tanto admirável por sua coragem e por vezes assustadora honestidade quanto odiável por seu egoísmo. E Leo não tenta fazê-lo parecer nem melhor nem pior do que é. Enquanto isso, David Thewlis (o próprio Professor Lupin da série Harry Potter) serenamente coloca o filme na palma de sua mão na pele de um Verlaine que passeia na linha do patético, por vezes cruzando-a, mas é acima de tudo extremamente identificável.

Eclipse de Uma Paixão passa longe de ser infalível. Há, na verdade, mais motivos para não gostar dele do que motivos para gostar. Mas se há uma virtude que o bom espectador precisa ter (ou desenvolver) é se deixar levar pelo filme que vê, pela história que se desenvolve, não importa de que forma, na sua frente. Arthur Rimbaud e Paul Verlaine são dois grandes poetas se envolvendo amorosamente em um mundo onde a “sodomia” era considerada crime. Verlaine tinha uma esposa, que ele amava, e havia acabado de lhe dar um filho. E esse é um filme que não pinta ninguém como herói e ninguém como vilão. O último equívoco de que se pode acusar Eclipse de Uma Paixão é maniqueismo, e se você se deixar levar, isso o torna uma história de amor extremamente saborosa.

*** (3/5)

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Eclipse de Uma Paixão (Total Eclipse, Inglaterra/França/Bélgica, 1995)
Direção: Agnieszka Holland
Roteiro: Christopher Hampton
Elenco: Leonardo DiCaprio, David Thewlis, Romane Bohringer, Dominique Blanc
111 minutos

15 de dez. de 2012

Os melhores do semestre: Votação – Singles

aliciaemaAlicia Keys no clipe de “Girl on Fire”

A votação para eleger os melhores álbuns dos semestres segundo vocês, os leitores d’O Anagrama, foi um sucesso. Em seis categorias a gente amealhou incríveis 489 votos, e estamos com a seleção prontinha de doze álbuns que você ouviu sem parar nos últimos seis meses. Agora, para manter a tradição de uma lista com 15 elementos (que sai no dia 24, de presente de Natal), falta só escolher os seus singles preferidos do semestre!

PS: A gente selecionou singles que saíram de álbuns lançados esse semestre, não simplesmente que foram lançados nos últimos seis meses. Portanto, tem single na lista que tem data de lançamento anterior a Julho (mas seus álbuns saíram depois).

A gente te dá aqui 40 opções, mas você pode sempre colocar o seu preferido pro pessoal votar, lá na enquete do blog (só clicar no link aqui embaixo que você vai direto pra ela). Mas vamos conhecer nossos 38 pré-selecionados (artistas em ordem alfabética):

VOTE AQUI PARTE 1PARTE 2PARTE 3PARTE 4!

ENQUETES ANTERIORES:
Indie/Alternativo - Parte 1
Inde/Alternativo - Parte 2
Eletrônica
Rock - Parte 1
Rock - Parte 2
Divas – Parte 1
Divas - Parte 2
Soul
Pop - Parte 1
Pop - Parte 2
Pop - Parte 3

 

“Guardian” – Alanis Morissette

Álbum: Havoc and Bright Lights (22 de Agosto).

Billboard: #27 Adult Pop Songs.

Composição: Alanis Morissette, Guy Sigsworth.

Produção: Joe Chiccarelli, Guy Sigsworth.

Clipe aqui

 

 

“Girl on Fire” – Alicia Keys

Álbum: Girl on Fire (22 de Novembro).

Billboard: #11 Billboard Hot 100.

Composição: Alicia Keys, Jeff Bhasker, Salaam Remi, Billy Squier.

Produção: Alicia Keys, Jeff Bhasker, Salaam Remi.

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“Gasoline” – Alpine

Álbum: A is for Alpine (10 de Agosto).

Billboard: Não chegou a parada.

Composição: Alpine.

Produção: Dan Humme.

Clipe aqui

 

 

“Faz Uó” – Banda UÓ

Álbum: Motel (04 de Setembro)

Billboard: Não chegou a parada.

Composição: Banda UÓ.

Produção: Rodrigo Gorky, Pedro D’Eyrot, Davi Sabbag.

Clipe aqui

 

“Laura” – Bat for Lashes

Álbum: The Haunted Man (12 de Outubro)

Billboard: Não chegou a parada.

Composição: Natasha Khan, Justin Parker.

Produção: Natasha Khan.

Clipe aqui

 

 

“Locked Out of Heaven” – Bruno Mars

Álbum: Unorthodox Jukebox (11 de Dezembro).

Billboard: #2 Billboard Hot 100.

Composição: Mark Ronson, Jeff Bhasker, Emile Haynie, Bruno Mars, Philip Lawrence, Ari Levine.

Produção: Mark Ronson, Jeff Bhasker, Emile Haynie, The Smeezingtons.

 Clipe aqui


“Feel So Close” – Calvin Harris

Álbum: 18 Months (26 de Outubro).

Billboard: #12 Billboard Hot 100.

Composição: Calvin Harris.

Produção: Calvin Harris.

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“Sweet Nothing” – Calvin Harris (feat. Florence Welch)

Álbum: 18 Months (26 de Outubro).

Billboard: #58 Billboard Hot 100.

Composição: Calvin Harris, Florence Welch, Kid Harpoon.

Produção: Calvin Harris.

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“Call Me Maybe” – Carly Rae Jepsen

Álbum: Kiss (14 de Setembro).

Billboard: #1 Billboard Hot 100.

Composição: Carly Rae Jepsen, Josh Ramsay, Tavish Crowe.

Produção: Josh Ramsay.

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“Your Body” – Christina Aguilera

Álbum: Lotus (09 de Novembro).

Billboard: #34 Billboard Hot 100.

Composição: Savan Kotecha, Max Martin, Shellback, Tiffany Amber.

Produção: Max Martin, Shellback.

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“I’m Just Me” – Diamond Rings

Álbum: Free Dimensional (23 de Outubro).

Billboard: #42 Dance/Club Play Songs.

Composição: Diamond Rings.

Produção: Damian Taylor, Diamond Rings.

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“Anything Could Happen” – Ellie Goulding

Álbum: Halcyon (05 de Outubro).

Billboard: #56 Billboard Hot 100.

Composição: Ellie Goulding, Jim Eliot.

Produção: Jim Eliot, Ellie Goulding.

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“Figure 8” – Ellie Goulding

Álbum: Halcyon (05 de Outubro).

Billboard: Não chegou a parada.

Composição: Ellie Goulding, Jonny Lattimer, Rufio Sandilands, Rocky Morris.

Produção: MONSTA, Mike Spencer.

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“Oh Love” – Green Day

Álbum: Uno! (21 de Setembro).

Billboard: #97 Billboard Hot 100.

Composição: Billie Joe Armstong, Green Day.

Produção: Rob Cavallo, Green Day.

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“Kill The DJ” – Green Day

Álbum: Uno! (21 de Setembro).

Billboard: Não chegou a parada.

Composição: Billie Joe Armstrong, Green Day.

Produção: Rob Cavallo, Green Day.

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“Stray Heart” – Green Day

Álbum: Dos! (09 de Novembro).

Billboard: Não chegou a parada.

Composição: Billie Joe Armstrong, Green Day.

Produção: Rob Cavallo, Green Day.

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“Catch My Breath” – Kelly Clarkson

Álbum: Greatest Hits: Chapter One (16 de Novembro).

Billboard: #53 Billboard Hot 100.

Composição: Kelly Clarkson, Jason Halbert, Eric Olson.

Produção: Sound Kollectiv.

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“Die Young” – Ke$ha

Álbum: Warrior (30 de Novembro).

Billboard: #2 Billboard Hot 100.

Composição: Ke$ha, Dr. Luke, Benny Blanco, Cirkut, Nate Ruess.

Produção: Dr. Luke, Cirkut, Benny Blanco.

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“Trouble” – Leona Lewis

Álbum: Glassheart (12 de Outubro).

Billboard: Não chegou a parada.

Composição: Leona Lewis, Hugo Chegwin, Harry Craze, Naughty Boy, James Murray, Mustafa Omer, Emeli Sandé, Fraser T. Smith.

Produção: Naughty Boy, Fraser T. Smith, Chris Loco, Orlando “Jalil Beats” Tucker.

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“Maedness” – Muse

Álbum: The 2nd Law (28 de Setembro).

Billboard: #60 Billboard Hot 100.

Composição: Matthew Bellamy.

Produção: Muse.

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“Big Hoops (Bigger The Better)” – Nelly Furtado

Álbum: The Spirit Indestructible (14 de Setembro).

Billboard: #6 Hot Dance Club Songs.

Composição: Nelly Furtado, Darkchild.

Produção: Darkchild.

Clipe aqui

 

“Spirit Indestructible” – Nelly Furtado

Álbum: The Spirit Indestructible (14 de Setembro).

Billboard: Não chegou a parada.

Composição: Nelly Furtado, Darkchild.

Produção: Darkchild.

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“Parking Lot” – Nelly Furtado

Álbum: The Spirit Indestructible (14 de Setembro).

Billboard: #15 Hot Dance Club Songs.

Composição: Nelly Furtado, Darkchild.

Produção: Darkchild.

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“Troublemaker” – Olly Murs (feat. Flo Rida)

Álbum: Right Place Right Time (26 de Novembro).

Billboard: Não chegou a parada.

Composição: Olly Murs, Steve Robson, Claude Kelly, Wolfie Brookes, Tramar Dillard.

Produção: Steve Robson.

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“Good Time” – Owl City & Carly Rae Jepsen

Álbum: The Misdummer Station (17 de Agosto) Kiss (14 de Setembro).

Billboard: #8 Billboard Hot 100.

Composição: Owl City, Matthew Thiessen, Brian Lee.

Produção: Owl City.

Clipe aqui


“Shooting Star” – Owl City

Álbum: The Midsummer Station (17 de Agosto).

Billboard: #36 Christian Songs.

Composição: Owl City, Stargate, Matthew Thiessen, Robopop.

Produção: Stargate, Owl City.

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“Blow Me (One Last Kiss)” – P!nk

Álbum: The Truth About Love (14 de Setembro).

Billboard: #5 Billboard Hot 100.

Composição: P!nk, Greg Kurstin.

Produção: Greg Kurstin.

Clipe aqui

 

“Try” – P!nk

Álbum: The Truth About Love (14 de Setembro).

Billboard: #18 Billboard Hot 100.

Composição: busbee, Ben West.

Produção: Greg Kurstin.

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“Constant Conversations” – Passion Pit

Álbum: Gossamer (20 de Julho).

Billboard: Não chegou a parada.

Composição: Michael Angelakos.

Produção: Michael Angelakos, Chris Zane.

Clipe aqui

 

 

“Take a Walk” – Passion Pit

Álbum: Gossamer (20 de Julho).

Billboard: #85 Billboard Hot 100.

Composição: Michael Angelakos.

Produção: Michael Angelakos.

Clipe aqui

 

 

“Home” – Phillip Phillips

Álbum: The World From the Side of The Moon (19 de Novembro).

Billboard: #7 Billboard Hot 100.

Composição: Drew Pearson, Greg Holden.

Produção: Drew Pearson.

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“Gangnam Style” – PSY

Álbum: PSY 6 (Six Rules), Part 1 (15 de Julho).

Billboard: #2 Billboard Hot 100.

Composição: PSY, Yoo Gun Hyung.

Produção: PSY, Yoo Gun Hyung.

Clipe aqui

 

 

“Candy” – Robbie Williams

Álbum: Take The Crown (02 de Novembro).

Billboard: Não chegou a parada.

Composição: Robbie Williams, Gary Barlow, Terje Olsen.

Produção: Jacknife Lee.

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“Diamonds” – Rihanna

Álbum: Unapologetic (19 de Novembro).

Billboard: #1 Billboard Hot 100.

Composição: Sia Furler, Benny Blanco, Stargate.

Produção: Benny Blanco, Stargate.

Clipe aqui



“Runaways” – The Killers

Álbum: Battle Born (17 de Setembro).

Billboard: #78 Billboard Hot 100.

Composição: Brandon Flowers.

Produção: Steve Lillywhite, Breandan O’Brien, Damian Taylor, The Killers.

Clipe aqui

 

“We Are Never Ever Getting Back Together” – Taylor Swift

Álbum: Red (22 de Outubro).

Billboard: #1 Billboard Hot 100.

Composição: Taylor Swift, Max Martin, Shellback.

Produção: Max Martin, Shellback.

Clipe aqui

 

“Sleep Alone” – Two Door Cinema Club

Álbum; Beacon (31 de Agosto).

Billboard: Não chegou a parada.

Composição: Alex Trimble, Sam Halliday, Kevin Baird.

Produção: Two Door Cinema Club.

Clipe aqui


“Sun” – Two Door Cinema Club

Álbum: Beacon (31 de Agosto).

Billboard: Não chegou a parada.

Composição: Alex Trimble, Sam Halliday, Kevin Baird.

Produção: Two Door Cinema Club.

Clipe aqui