Review: Dirty Computer (álbum e filme)

Janelle Monáe cria a obra de arte do ano com um álbum visual espetacular - e que desafia descrições.

Os 15 melhores álbuns de 2017

Drake, Lorde e Goldfrapp são apenas três dos artistas que chegaram arrasando na nossa lista.

Review: Me Chame Pelo Seu Nome

Luca Guadagnino cria o filme mais sensual (e importante) do ano.

Review: Lady Bird: A Hora de Voar

Mais uma obra-prima da roteirista mais talentosa da nossa década.

Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

3 de nov. de 2011

JOGO RÁPIDO: “A Última Estação” + “Ramona e Beezus”

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A Última Estação (The Last Station, Alemanha/Rússia/Inglaterra, 2009)

Dirigido por Michael Hoffman…

Escrito por Michael Hoffman, baseado na novela de Jay Parini…

Estrelando Helen Mirren, Christopher Plummer, Paul Giamatti, James McAvoy…

112 minutos

É um prazer as vezes meio subestimado o de ver uma atriz como Helen Mirren em cena. Os críticos que me perdoem, mas para mim não há dúvidas de que a atriz britânica é o que mais emociona, e o que fica, em A Última Estação. Seu retrato da esposa conflituosa e dramática do escritor Leon Tolstoy (aqui representado com brilhantismo quase equivalente por Chrispher Plummer) é tão rico, e ainda assim de certa forma tão discreto, que é daquelas performances que se tornam dificeis de identificar como trabalho de atriz. Helen submerge na persona que cria para si mesma, e é capaz de ao mesmo tempo cativar o espectador e deixar a mostra todas as facetas de uma mulher talvez até mais complexa do que seu célebre cônjuge. A história acompanha os últimos meses do escritor de Guerra & Paz, quando este havia abandonado a ficção e decidido se dedicar totalmente a doutrina filosófica que criara com seus textos políticos.

Helen não brilha sozinha, no entanto. Além da interpretação comovente de Plummer, A Última Estação conta com a performance de James McAvoy que, ao exemplo de seu personagem, realiza um trabalho extremamente vívido e luminoso, mas que prefere esconder essa luminosidade em uma caixa de incertezas. Paul Giamatti é o conjunto de trejeitos e o brilhantismo de olhar que todos nós aprendemos a esperar dele. O roteiro de Michael Hoffman, também diretor, favorece a história, desenvolve os personagens e ainda explora com certa doçura o carinho que Tolstoy nutria pela esposa. A Última Estação não é um filme elitista, não é um drama açucarado, e não é uma experiência burocrática (o próprio Hoffman se encarrega disso, na direção). É a medida certa para a história certa. E essa conjuntura, assim como o talento discreto de Helen, é algo que anda um pouco mal-apreciado no cinema moderno.

Nota: 9,0

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Ramona e Beezus (Ramona and Beezus, EUA, 2010)

Dirigido por Elizabeth Allen…

Escrito por Laurie Craig, Nick Pustay, baseados nas novelas de Beverly Cleary…

Estrelando Joey King, Selena Gomez, John Corbett, Bridget Moynahan, Sandra Oh, Ginnifer Goodwin, John Duhamel…

103 minutos

Nessa mania de formar cantoras/atrizes, querendo ou não, a Disney tem revelado alguns talentos promissores. Selena Gomez, por exemplo. Estrela do bobinho (mas divertido) Os Feiticeiros de Waverly Place, a garota de dezenove anos está provando ser ótima atriz. No próprio seriado ela mostra timing cômico praticamente impecável, e aos poucos sua carreira cinematográfica vai decolando, ainda que dependa de papéis um pouco mais fortes que a irmã mais velha que nomeia, ao lado da mais nova (Joey King), esse Ramona e Beezus. Mas para a cantora mediana com uma boa banda que ela faz questão de ser, Selena pode dar uma atriz e tanto. As duas filhas do casal Robert e Dorothy Quimby (John Corbett e Bridget Moynahan) precisam lidar com a demissão do pai e com os problemas comuns de serem respectivamente, uma criança super-criativa e uma adolescente que vive de aparências.

Até que o roteiro de Laurie Craig (Paulie) e Nick Pustay (Camille) explora bem o tema e a realidade a que se propõe, e faz graça com alguma eficiência inocente. A direção de Elizabeth Allen, cuja única experiência anterior atrás das câmeras havia sido o fiasco Aquamarine, não é nada demais (nem nada de menos, no entanto). Vale mesmo pela hora e meia passadas num filme que tem uma boa mensagem e algumas jogadas interessantes para nos mostrar, pela presença adorável de Ginnifer Goodwin (a moça faz até o antipático Josh Duhamel parecer melhor) e pela oportunidade de ver Selena crescer como atriz. Ainda atrelada a Disney na televisão, já voando alto na carreira musical (é preciso admitir, os três discos lançados por ela em parceria com o The Scene têm boas composições pop – ainda que elas não sejam exatamente favorecidas por sua voz), você ainda vai ouvir falar, e muito, dela.

Nota: 6,5

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[Tolstoy]: “Apesar de ter bons motivos para tal, eu nunca deixei de te amar”

[Sofya]: “É claro”

[Tolstoy]: “Mas Deus sabe que você não deixa que seja fácil!”

[Sofya]: “Porque deveria ser fácil? Eu sou o trabalho da sua vida, você é o trabalho da minha. Isso é a natureza do amor!”

(Christopher Plummer e Helen Mirren em “A Última Estação”)

31 de out. de 2011

Sucker Punch – A sinestesia incompleta de Zack Snyder

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por Caio Coletti

Para se reconhecer as falhas não é preciso se desonrar os méritos. Sucker Punch é o típico projeto que nasceu e cresceu cercado por expectativas de todos os lados. Não que seja menos do que compreensível a celeuma em torno do primeiro projeto de Zack Snyder depois de colocar as mãos na obra-prima dos quadrinhos Watchmen (e sair praticamente ileso da aventura). Adicione aí um roteiro que brinca de surrealismo e mexe com o funcionamento da mente humana, o que anda na moda desde que Martin Scorsese abriu caminho com Ilha do Medo e Christopher Nolan ditou as regras em A Origem, e a adesão de um quinteto de estrelas jovens que, de uma forma ou de outra, vem cavando seu espaço na cinematografia contemporânea. O resultado de toda essa equação pré-lançamento é que Sucker Punch já nasceu incapaz de corresponder as expectativas. Mas isso não significa, de forma alguma, que seja um filme ruim.

Pelo contrário, aliás. É de certa forma muito corajosa a tour de force que Snyder estrutura para si mesmo. O desafio constante que tem permeado sua carreira até agora, desde 300, é o de conseguir conjugar percepção visual, contextualização diretiva e conteúdo narrativo, e Sucker Punch é a história perfeita para que sua busca por essa sinestesia completa da experiência cinematográfica chegue ao ápice. São só pequenos detalhes de roteiro, talvez pela pressão do estúdio aqui e ali não deixando Snyder desenvolver sua visão completamente, ou mesmo pela ausência de experiência no campo do roteiro original (ter outro estreante, Steve Shibuya, como parceiro não ajuda muito), que impedem o filme de realizar todo o seu potencial.

Baby Doll (Emily Browning) é internada por seu padrasto abusivo em um sanatório, onde deve esperar por cinco dias até a realização da infame lobotomia, cirurgia que leva os pacientes a um estado sedado permanente. Virada narrativa número um: em sua mente, Baby Doll transforma o local em uma espécie de casa de shows/prostíbulo comandado por Blue Jones (Oscar Isaac) e Vera Gorski (Carla Gugino), de onde ela e suas colegas Sweet Pea (Abbie Cornish), Rocket (Jena Malone), Blondie (Vanessa Hudgens) e Amber (Jamie Chung) tem um plano para fugir. Virada narrativa número dois: nessa realidade alternativa, a cada vez que dança, Baby Doll é transportada para um outro mundo, ainda, onde as “missões” para escapar do lugar onde está encarcerada são feitas em metáforas pelo roteiro. Nessa brincadeira toda, Snyder cria um mundo particularíssimo, passeia por ambientação de época e brinca de Senhor dos Anéis, Eu Robô, O Resgate do Soldado Ryan… É de fato louvável, em meio a tanta referência, que Snyder faça de Sucker Punch um filme tão seu.

O elenco merece um capítulo a parte, ainda que não haja uma grande atuação a se destacar aqui. Talvez Jena Malone, que já foi comparada a Jodie Foster no começo da carreira, acabe arquivando a interpretção mais marcante. No ramo desde os 12 anos, a moça costuma ser lembrada como a irmã do protagonista de Na Natureza Selvagem, e pelo retrato da mais nova das irmãs Bennet no Orgulho & Preconceito de 2005. Abbie Cornish, uma pequena jóia a ser apreciada desde Candy, que teve papéis em Elizabeth: A Era de Ouro e O Brilho de Uma Paixão, não fica muito atrás em sua atuação discreta e intrigante como Sweet Pea. Vanessa Hudgens (High School Musical) e Jamie Chung (Dragonball Evolution) não são presenteadas com a oportunidade de brilhar, mas não fazem feio em seus papéis. Por fim, a protagonista Emily Browning cria uma imagem de certa forma muito icônica para si mesma, e é capaz de demonstrar dotes dramáticos insuspeitos na garota que surgiu como a irmã mais velha de Desventuras em Série.

Sucker Punch tem algo a dizer, sim, mas parece ter mais a mostrar. Não é uma bomba atômica conceitual e emocional como A Origem, não é o trabalho de classe, reconstrução, circunstância e tensão que foi Ilha do Medo, e muito menos pretende ser uma criação à la Robert Rodriguez. Sucker Punch é um prodigio de visual e trilha-sonora, e pode até fazer o espectador pensar com suas linhas finais, mas não é o grande filme desse ano, e ainda não é tudo o que Snyder pode nos oferecer como diretor. Portanto, fica a dica: antes de colocá-lo para rodar, esqueça um pouco do que você estava esperando. Sucker Punch pode até te surpreender.

Nota: 8,0

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Sucker Punch – Mundo Surreal (Sucker Punch, EUA/Canadá, 2011)

Dirigido por Zack Snyder…

Escrito por Zack Snyder, Steve Shibuya…

Estrelando Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Jamie Chung, Carla Gugino, Oscar Isaac, Jon Hamm, Scott Glenn…

110 minutos

29 de out. de 2011

Fabio Christofoli #3 – Analogias

Fabio opinião

Toda vez que eu leio a frase “Brasil: Onde politicos são levados na brincadeira e comediantes são levados a sério”, eu fico indignado.  Primeiro porque é uma falácia fazer essa analogia. Em que mundo humoristas e políticos estão no mesmo contexto?  Em que mundo? E só pra derrubar essa frase ignorante, cabe lembrar que este país SEMPRE se indigna quando acontece um escândalo político. Sempre. O nosso problema é que isso nunca segue em frente. Como essa indignação com humoristas não vai seguir.

Depois porque a imagem que acompanha a frase é a foto do Rafinha Bastos. Eu não consigo aceitar que alguém ache certo ou bobagem o que ele falou. Sinceramente. Eu não consigo ver argumentos pra defender a bosta de piada que ele fez, onde insinuou que faria sexo como uma grávida e seu bebê. Desculpe eu ser repetitivo, mas em que mundo isso é normal? Se você acha isso certo, por favor, pare de ler esse texto.

Na verdade, eu adorei saber que as pessoas se indignaram. Odiei ver que pessoas se indignaram com essa indignação. Se alguém se indignou com o que ele falou, é porque há esperança para essa sociedade. Não me venha dizer que foi “só uma piada”. Não brinque com a minha inteligência. Foi muito mais que isso. Antes de ser humorista (nada engraçado, no meu ponto de vista), ele é formador de opinião.  É assistido por milhões de jovens, que estão formando seu caráter, adquirindo seus valores. Sabe o que acontece quando um adolescente assiste um imbecil desses falando isso? Na maioria das vezes, ele reproduz. E isso vai se tornando comum, até, talvez, se tornar uma cultura. Antigamente respeitávamos nossos pais, as crianças eram crianças, a escola era levada a sério... Isso tudo mudou da noite pro dia, e uma das principais culpadas é a mídia de massa, os formadores de opinião presentes nela.  Desculpe ser careta, alguém tem que ser.

Pra ser sincero, há muito tempo eu tava de saco cheio do Rafinha Bastos. Ele andava extrapolando  o nível da arrogância e do mal gosto.  Antes dessa, eu vi ele debochar dos órfãos no dia das mães e de mulheres feias que são estupradas.  Em nenhum momento eu ri disso. Eu apenas me indignei. Que espécie de humor é esse que indigna? Que humilha? Humor pra mim é aquele que faz rir. Raramente eu vejo alguém rir do Rafinha, apenas vejo muita gente achar legal, debochar com ele. O humor dele é agressivo, tem o objetivo de ofender, antes de fazer rir.

Lembrei agora que há um movimento entre os humoristas que levanta a bandeira do “Humor sem censura”. Infelizmente eles confundem censura com limite. E, numa sociedade decente, tudo tem limite. Minha liberdade acaba quando ela invade a do outro. E quando humoristas se tornam agressivos com as palavras, eles ultrapassam o limite. Vir com esse papinho de que “hipocrisia” é apelo. Todo mundo pensa merda, é verdade. Mas imagina se todos fossemos sair por aí falando o que pensamos. Há uma coisa chamada bom senso e graças a ele que nossa raça ainda não foi extinta.

E já que algum “sábio” fez essa analogia do caso do Rafinha com o dos políticos, concluo meu texto fazendo outra. Sabe o que vai acontecer com ele? Nada. Assim como acontece com os políticos, a indignação vai sumir, da noite pro dia, e a maioria das pessoas que ficou indignada vai esquecer e até voltará a aplaudi-lo. Ele vai continuar ganhando uma fortuna pra ser agressivo e todo mundo vai dormir feliz, menos quem for agredido por ele.

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Muitas pessoas enviaram mensagens me pedindo para perdoá-lo, mas só se perdoa quem pede desculpas e está arrependido. Eu não tive essa opção.
Essa é a minha verdade e também a primeira e última vez que falarei publicamente sobre esse assunto. Tudo o que eu tinha para dizer, disse aqui. Não sei se todos compreenderam minhas razões lendo esse texto, mas peço, encarecidamente, pelo respeito a meu silêncio de agora em diante”

(Wanessa em seu blog pessoal)

25 de out. de 2011

Sobre… – Você me diz que os seus pais não o entendem…

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Quinta-feira, 29 de Setembro, o canal Multishow estava transmitindo um dos dias mais legais do Rock in Rio desse ano, e desde as 17h, quando o show de Joss Stone tinha começado, eu tinha trocado o computador pela televisão. Foi-se o show de pura doçura soul que Joss fez com o público entoando todas as músicas do seu último álbum (e depois perguntam porque a britânica gosta tanto de vir ao Brasil), foi-se também o espetáculo empolgante de Janelle Monáe, que trouxe de volta os tempos da Motown com um toque todo seu, colocou a platéia para cantar e dançar e ainda enlouqueceu os fãs utilizando o corredor que corta a platéia. Rendam-se créditos também a bonita homenagem ao Legião Urbana, apesar de Rogério Flausino ter feito um trabalho duvidoso nas duas faixas com a qual foi agraciado.

A atração derradeira (ao menos para mim, que ainda precisava dormir cedo enquanto as provas não acabavam) era Ke$ha. Pouco antes das 21h, a loirinha entrou no palco, e vamos convir que a primeira impressão não foi boa. O microfone “incrementado” não faz muito bem a voz de Ke$ha, e o show ainda não tinha esquentado. Duas músicas e foi o bastante para minha mãe sair da sala, reclamando do timbre da cantora e, exageradamente, de seu excesso de “formas voluptuosas”. Digamos assim, é claro. Mas não demorou pra Ke$ha botar fogo no seu espetáculo. Talvez a virada definitiva tenha sido “Party at a Rich Dude’s House”, uma música a qual, eu confesso, nunca tinha prestado muita atenção. Coincidência ou não, foi nela que a americana mostrou a que veio: roubou prato do baterista, promoveu a correria generalizada em seu palco, esmurrou o bumbo de outro instrumentista, e terminou deitada, exausta, no canto do palco. O povo vibrou. Eu também. Ke$ha sabe se divertir (e divertir ao espectador) num palco.

A partir daí o show pegou no tranco mesmo. A parte rockstar e a atitude punk de Ke$ha ficaram claras em “Backstabber”, com sua coreografia propositalmente desordenada e toda a interpretação em cima do palco, lembrando o clipe vazado recentemente, e “Blah Blah Blah”. Virada sombrio-surpreendente em “Cannibal”, com Ke$ha bebendo sangue de um coração falso e “crucificando” um dançarino. Aparece o lado artista pop da cantora. O show é essa contradição mesmo: Ke$ha não faz questão nenhuma de posar de diva, mas tem momentos de pura energia rock n’ roll, uma certa aura de ícone do “i don’t give a fuck”, e outros em que mostra essa mescla de capacidade compositiva e performance de palco que fazem a própria definição de arte pop. Que o diga “Animal”. A força da letra é tão clara que Ke$ha não precisou de nada a não ser sua voz e a linha de piano/sintetizadores para levar o público junto com ela.

Mas tudo bem, chega de análises e vamos ao que me interessa aqui. Enquanto a cantora fazia seu discurso antes de iniciar “Tik Tok”, a última música do show, meu pai chegou à sala. Primeiras palavras: “Essa é a Ke$ha? Achei que era bem mais”. Réplica: “Mais em que sentido?”. Tréplica: “Mais. Por quê tanto sucesso?”. Silêncio. Suspiro. “Deixa eu ver o show, depois a gente discute”. Explicação aqui: sempre tive muita abertura pra conversar com o meu pai sobre música. Enfim, Ke$ha canta “Tik Tok”. Eu estava feliz em sair calado, tinha me divertido com o show. Mas não.

Meu pai achou que Ke$ha deixou a desejar (ouvindo apenas uma música, mas vamos relevar isso, pelo bem da discussão). Não dá pra comparar a cantora americana com Joss e Janelle, ainda que haja o quê de performance pop no show da última também, pelo simples motivo que as três são artistas autênticas o bastante com as próprias personalidades, e fieis o bastante a elas, para serem personalíssimas em seus estilos. Mas qual é a barreira, afinal, que algumas pessoas sentem a necessidade impor no caminho para saber apreciar todos esses três tipos de espetáculos? Eu lhes digo uma coisa, caros leitores: assisti Joss, assisti Janelle, assisti Ke$ha. E me diverti, me envolvi e me vi querendo um dia ver ao vivo cada uma delas. Por razões diversas, na verdade.

Joss canta maravilhosamente, tem ótimas músicas e uma presença carismática, a sua maneira, no palco. Janelle é uma voz brilhante também, possui um repertório que só tende a melhorar conforme sua carreira for progredindo, e não há como negar que a presença de palco, a eletricidade que desprende do seu show, é o que ela tem de mais fascinante. Ke$ha não é má cantora (canta ao vivo e, quando sem o “microfone de efeitos” – ninguém é perfeito –, não faz feio), tem meu completo respeito como compositora e colocou para funcionar um show muito divertido e empolgante. O que me impede, o que impede meu pai, e a bem da verdade, o que impede a nós todos de sabermos reconhecer isso? Não é preciso um padrão do que é bom ou do que é ruim. Não é preciso uma classificação. Existe um milhão de coisas boas completamente diferentes entre si.

Talvez eu devesse entrar no mérito de Ke$ha ser a voz de uma geração (a minha, e não a do meu pai), mas isso é outra história, que o Legião Urbana soube cantar em “Pais e Filhos”. Pode ser que nossos pais nunca entendam o porquê de “Hungover”, “Animal”, “Tik Tok”, “Cannibal”, e outras músicas de outros artistas, serem tão especiais para nós. É muito mais fácil entender o passado do que o presente, afinal. Mas não deveria, e não precisa haver, esse muro que os impeça de reconhecer que, se um artista é capaz de mexer com a sensibilidade de alguém (que dirá de uma geração toda!), ele já está fazendo algo mais do que válido.

“Essa geração está perdida”, meu pai conclui. Não, definitivamente não. Essa geração está apenas começando a se encontrar.

RIO DE JANEIRO, BRASIL - 29 DE SETEMBRO - PALCO MUNDO: JANELLE MONAE, (Foto: Felipe Hidvegi/Estacio) rock in rio 3

I’ve got a right to be wrong/ My mistakes will make me strong/ I’m stepping out into the great unknown/ I’m feeling wings though I’ve never flown.
I’ve got a mind of my own/ I’m flesh and blood to the bone/ I’m not made of stone/ Got a right to be wrong/ So just leave me alone”

(Joss Stone em “Right to Be Wrong”)

22 de out. de 2011

Bebé Ribeiro #3 – Moves Like Adam

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Quando o Caio trouxe a notícia de que o próximo artigo deveria ser sobre o estilo de algum cara que servisse de inspiração para os outros homens, nem pensei muito: escreverei sobre o ADAM LEVINE! O líder da banda Maroon 5 , a qual esteve recentemente no Brasil fazendo uma apresentação IM-PE-CÁ-VEL, tem muito a ensinar no quesito fashion. Assim como a maioria dos rock stars, Adam sempre está acompanhado de sua inseparável jaqueta de couro, camisa xadrez, calça extremamente skinny e nos pés, algumas variações entre sneakers, coturnos, sapatos e por aí vai. Apesar das brincadeirinhas sobre o fato de na maioria das vezes ele estar sem camisa, fazendo a alegria das garotas (tá, pode me incluir nessa), Levine mostra que apenas com boas jogadas de peças básicas e atemporais, é possível ser considerado um ícone de estilo.

O vocalista tem a pegada rock'n roll na hora de se produzir, porém, diria que é um fresh rock. Raramente vemos Adam em produções muito inusitadas, regadas a muitas misturas de textura ou corte. Geralmente, as roupas estão inspiradas no rock com algumas doses da alfaiataria, como por exemplo, o tradicional colete acompanhado de jeans e t-shirt com estilo "era do meu tio avô e resolvi usar". Outra produção que Adam já apareceu foi usando uma das peças que eu mais AMO ver em um homem: Blazer! Estruturado na medida, não há Bebé Ribeiro que resista a um charme de um blazer novamente com jeans, camisa e gravata.

Não podemos esquecer os xodós não só dele, mas de muitíssimos e muitíssimas: CAMISAS XADREZ! Sempre em tons de vermelho, marrom, cinza, preto e azul , Adam faz bonito quando resolve aderi-las ao look do dia. O mais legal do estilo de Adam é que a maioria das peças e acessórios que ele usa é possível encontrar nas fast fashions. Zara, Renner, C&A, Riachuelo e outras possuem sempre em suas coleções vários modelitos que o astro usa.

Essa foi a minha dica da semana, espero que vocês tenham se inspirado e saiam por aí moving like ADAM!

Beijitos.

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Eu sou apaixonado por moda. Eu acho que diz algo sobre o que você é e, você se preocupando ou não com o que veste, suas roupas refletem algum tipo de atitude quanto ao estilo”

(Adam Levine)

20 de out. de 2011

GuiAndroid #3 – Ed Westwick: O sucesso de contrastes

guiandroid semana de moda

Eis que Caio Coletti propõe o novo tema da semana de moda do O Anagrama: nós da equipe teríamos que escolher um ídolo de moda masculina. Nunca havia pensado nisso, nem parado para escolher alguém para esse "cargo". Então começa a minha odisseia atrás de ''um cara'' que se vista bem e tenha estilo o suficiente para que eu possa chamar de ídolo: Jude Law, Joe Jonas, Nick Jonas, Dougie Poynter, Chace Crawford, Zac Efron e até Billie Joe. Desisto dessa cansativa pesquisa, pois nenhum deles me pareceu estar à altura de ser um ícone fashion masculino, começo então a assistir os novos episódios das minhas séries Terra Nova, The Secret Circle, Gossip Girl...

Isso mesmo, passei a questionar se Chuck Bass era tão bem vestido na vida real quanto na ficção. Surge a surpresa: Ed Westwick se veste quase tão perfeitamente quanto seu personagem na série, talvez o fato de ser inglês influencie em seu guarda-roupa semelhante ao de Chuck. Porém com um estilo mais próprio.

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Com um estilo preppy e um tanto rocker Ed segue a linha arrumadinho, vintage e toda a moda praia das décadas entre os anos 60 e 70, com suas peças inspiradas nos anos 40 e 50, não muito diferente de Chuck B., porém ele impõe seu toque pessoal em tudo o que veste, deixando nem formal de mais ou desleixado de mais; complementando camisetas regatas e acessórios rock com bermuda de alfaiataria, ternos finos com uma camiseta de gola oval por baixo, os sapatos em couro preto ou marrom (arrisco um palpite de que ele use sapatos Prada) implementados em looks modernos e básicos dando o ar extremamente sofisticado. E. Westwick também sabe se vestir muito bem quando o evento exige algo formal ou mais fashionista, talvez ele até busque inspiração em seu personagem, ainda sem se esquecer de sempre deixar sua marca. Pode-se perceber que Ed não usa gravatas e constantemente por debaixo dos blazers e paletós deixa sua camisa aberta com peito à mostra. Ed também é grande fã de cardigãs, toucas, boinas e trenchcoats, artigos claramente de grande bom gosto e que definem seu estilo.

Contrariando um pouco o que o preppy dita, Ed Westwick é uma mistura saudável entre o simples e limpo da Calvin Klein, o vintage e puramente americano (mesmo Ed sendo inglês) da Tommy Hilfiger e o toque pessoal roqueiro de Ed da nossa brasileira Cavalera.

Edward Gregory Westwick é o contraste entre o clássico e o moderno, a classe e o espírito de liberdade, a simplicidade associada à beleza, a sofisticação com um toque pessoal, o estilo preppy e o roqueiro clássico, as peças urbanas e o prêt-à-porter da mais fina alfaiataria andando lado a lado combinadas com perfeição e sobriedade. Ed faz da sua moda singular e sucesso de crítica, talvez ele seja a perfeita definição de moda vestindo-se com o que é bonito e confortável sem ser um outdoor de logotipos, etiquetas e estampas.

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Eu sou um cara do rock n’ roll. Sou um grande fã de Elvis, cara. Eu tenho ‘Heartbreak Hotel’ tatuado no meu peito. Eu tenho ‘21 grams’, ‘Love me two times’, a canção do The Doors. Eu tenho ‘I heart romance’ no meu ante-braço e ‘You make me feel like the one’ nos meus ombros… Eu vi ‘I heart romance’ em uma porta de banheiro no Brooklyn.  Eu achei legal, então tatuei”

(Ed Westwick)