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Review: Me Chame Pelo Seu Nome

Luca Guadagnino cria o filme mais sensual (e importante) do ano.

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Mais uma obra-prima da roteirista mais talentosa da nossa década.

Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

1 de set. de 2011

Guilherme Jales #1 – Trilhas-sonoras: da tela grande ao fone de ouvido.

guilherme semana de musica

Costuma se atribuir a Nietzsche a frase: “Sem música, a vida seria um erro.” E sendo muitas vezes uma representação da vida, a sétima arte também precisa da música para ampliar seu impacto. Na era do cinema mudo, era comum a presença de um pianista tocando uma peça durante a exibição da película, e depois, o acréscimo de trilha instrumental no próprio filme.

Daí pode-se extrair um lado inteiro da indústria musical que é pouco lembrado: o de trilhas sonoras originais. A venda de Original Soundtracks (ou OSTs) começou no fim dos anos 40, com a trilha de Quando as Nuvens Passam, e se popularizou a partir da era dos LPs. Nos anos 50, musicais como Cantando na Chuva, My Fair Lady e Sete Noivas Para Sete Irmãos, ganhavam ainda mais alcance com a venda de discos com suas canções.

Tenho certeza que se alguém lhe perguntar que estilo de música você gosta, dificilmente lembrará dos temas instrumentais de filmes. Não porque seja uma forma de música inferior, mas pelo simples fato de que costumamos ouvir essas composições apenas durante o ato de assistir o filme.

Assim, trazemos algumas sugestões de trilhas muito boas que merecem ser ouvidas com atenção. Composições fascinantes que podem ser ouvidas no dia-a-dia, enquanto você trabalha ou estuda. Se você é do tipo de pessoa que gosta de ouvir música enquanto faz essas atividades, anote as sugestões.

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John Williams

Talvez o grande mago das trilhas sonoras seja este maestro americano, dono de 45 indicações ao Oscar e autor de alguns dos temas mais conhecidos do cinema hollywoodiano. Grande parceiro de Steven Spielberg, compôs os temas de clássicos como Tubarão, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Superman, E.T. e Jurassic Park bem como da trilogia Indiana Jones, dos três primeiros Harry Potter e de muitas outras obras.

Mas o que talvez seja a obra mais conhecida de John Williams é a trilha sonora da saga Star Wars. O tema principal impactante faz parte do imaginário popular e é uma das aberturas de filmes mais conhecidas do mundo. Ainda no primeiro filme temos também a faixa “Binary Sunset”, uma linda faixa que simboliza a esperança em superar as dificuldades. Na sequência Star Wars – O Império Contra Ataca, somos apresentados à Marcha Imperial: o tema do vilão Darth Vader.

O estilo de Williams remete à magia, ao encantamento, ao fantástico. Seja no espaço, no mar, na terra ou num universo alternativo, suas faixas transmitem um sentimento de força de espírito. Como se levasse o espectador/ouvinte a acreditar no que vê e, porque não, acreditar na vida.

Outras trilhas recomendadas: O Império do Sol, A Lista de Schindler, O Resgate do Soldado Ryan.

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Hans Zimmer

O alemão Hans Zimmer parece seguir um caminho alternativo ao de John Williams. Suas trilhas geralmente são mais soturnas, com um clima mais dark e pesado. Isso pode ser visto, por exemplo, nos temas de Batman – O Cavaleiro das Trevas e A Origem, que dão muito destaque para pesos e notas graves. Esse lado sombrio é talvez o fator mais presente da obra de Zimmer.

Por outro lado, sua obra também mostra grande versatilidade, apresentando temas bastante delicados, como em O Último Samurai, com um som tipicamente oriental, e principalmente em O Rei Leão, que lhe rendeu o Oscar e o Globo de Ouro com composições sublimes e explorando vocais e instrumentos africanos.

Outras trilhas recomendadas: Gladiador, Lágrimas do Sol, Piratas do Caribe.

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Michael Giacchino

Giacchino se apresenta como um potencial novo queridinho da América, e sucessor de John Williams. Começando como autor de temas de jogos (como o memorável jogo do Pato Donald Maui Mallard in Cold Shadow – procure e se surpreenda!), sua obra em Hollywood pode ser dividida em duas frentes: seus trabalhos com J.J. Abrams e suas trilhas sonoras para a Disney/Pixar.

Na última década deixou sua marca na TV com os temas de Alias, Lost e Fringe, e compôs temas divertidos e emocionantes para filmes como Os Incríveis, Ratatouille, Star Trek, Up e o recente Super 8.

Poderíamos estender aqui para muitos outros compositores, dos mais pop como o Daft Punk com seu brilhante trabalho em Tron Legacy até os mais eruditos, como Alexandre Desplat (de O Curioso Caso de Benjamin Button). Há um universo imenso de música aí fora, que você com certeza já ouviu uma vez. E que merece ser ouvido muitas e muitas vezes mais!

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Alguns meses atrás, enquanto eu me preparava para ir para Nova York, eu disse a um executivo de cinema sobre a minha intenção de incluir duas composições de Bach em uma trilha-sonora. Mas quando ele perguntou qual havia sido o último hit desse tal Bach, eu soube que não havia mais lugar para mim no cinema”

(Maurice Jarre, compositor de cinema, 1924-2009)

30 de ago. de 2011

Homens, mulheres e bebês ou “o que NÃO aconteceu no VMA 2011?”

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Como se rouba a cena quando está todo mundo preparado demais para o seu esquema usual? Pelo que pode muito bem ser o terceiro ano seguido, Lady Gaga nos mostrou que o segredo é virar o jogo de cabeça pra baixo. Performance histórica em 2009, vestido de carne e mais diversos trajes bizarros/fabulosos em 2010, e agora o que ela nos faz? Aparece no palco, para abrir a premiação, vestida de homem, fumando um cigarro, e cantando com a voz puxada para o grave. Lady Gaga não foi ao VMA 2011. Quem esteve lá, em tempo integral, foi Jo Calderone, o alter-ego masculino da maior estrela do pop da atualidade, e qual não foi a surpresa quando, assim, de camiseta branca e sapato social, Jo se tornou a grande figura da noite? Katy Perry ficou apagada com suas trocas de roupas ao estilo “adorável”, entrevistas decoradas e piadinhas previsíveis. É, ela ganhou o prêmio maior da noite, e há de se reconhecer o mérito de Firework, o clipe, para vencer como Melhor Video do Ano. Mas, o show, mesmo, só ouviu ressoar quatro nomes: Gaga (ou Jo), Béyoncé, Adele e Amy Winehouse.

Justiça seja feita a quem merece, é claro. Bruno Mars brilhou também, montando mais um de seus divertidos shows naquele estilo que é só dele para homenagear Amy e entoar Valerie com muito mais propriedade do que o Twitter pode ter levado você a acreditar. Jessie J cantou para chamar os intervalos da premiação, ainda com a perna enfaixada, e ainda assim roubou algumas cenas, especialmente nas versões de Firework e Girls Just Wanna Have Fun. De novo, quem só ficou de olho nas reações a noite que iam sendo postadas no serviço de microblogs deve ter achado que o VMA 2011 não foi assim tão bom. Mas, hora de falar a verdade: em noites de premiação o Twitter é um lugar irritante pra se ficar. 80% das pessoas postando simplesmente não saem do senso comum (“Adele é gorda, Britney é sem talento, Gaga é doida, Miley é p*ta”, como bem me listou ironicamente um amigo, ao qual eu acrescentaria “Bruno é irritante, Demi engordou”), desperdiçando uma excelente oportunidade de expressar sua opinião de verdade, e não alguma piadinha de mau-gosto, num ambiente que te deixa livre para isso.

A própria Demi postou em seu Twitter, ligeiramente irritada, no fim da noite: “Advinhem? Estou saudável e feliz, e vocês me odiando por meu peso obviamente não estão. :)”. Mereceram. Mas alfinetadas virtuais a parte, falemos finalmente de quem roubou a cena de verdade nesse VMA. As dez da noite, de forma muito pontual, luzes apagadas e um holofote branco iluminando o palco. Surge-nos Jo Calderone, fumando e entregando um monólogo pra entrar pra história dos VMAs. Piano, “You and I”, dançarinos, malabarismos vocais, Brian May, uma performance completa. Só as reações de quem estava na platéia foram o bastante para garantir o entretenimento. Gaga entregou o inesperado mais uma vez, e destruiu qualquer possibilidade da noite ter algum outro candidato a destaque maior. Abrindo assim o VMA, cantando, performando e atuando como nunca, Gaga nos mostrou que, ao contrário do que muita gente já acredita, a arte da performance pop ainda tem muito para mostrar nas mãos de gente como ela. E poucas vezes tanto orgulho veio junto com as palmas dirigidas a ela.

Seria estrela solitária se não fosse por Beyoncé, Adele e, claro, Amy Winehouse. A primeira anunciou uma gravidez-surpresa, entregou uma performance recheada de classe e desempenho vocal absurdamente impressionante e ainda exibiu aquele sorriso adorável cujo efeito provocado no público é a prova de que Beyoncé já é um ícone. A segunda foi emoção pura, sem nem precisar surpreender na performance. Adele cantou “Someone Like You”, ao piano, no escuro, e houve tanta entrega, tanta excelência vocal em sua performance, que foi impossível até parar de olhá-la, linda como estava, para notar que a platéia guardou silêncio absoluto durante a performance, de pé e atentos a cada nota que vinha da cantora. E, por fim, Amy apareceu em imagens de arquivo, gravando o dueto com Tony Bennet, e foi impossível não sentir uma ponta de tristeza nessa grande lembrança de como sua voz era excepecionalmente comovente. E de como ela era uma pessoa adorável também, afinal. Guardou-se silêncio. E sepultou-se uma lenda.

Em meio a tanto show, tanta surpresa, os prêmios ficaram até em segundo plano. Mas, para quem quiser saber mesmo: Katy Perry ficou com Melhor Colaboração (E.T.) e Clipe do Ano (Firework); Gaga levou Video com Mensagem e Video Feminino, ambos por Born This Way; Nicki Minaj desbancou os garotos que dominavam a categoria Video de Hip-Hop com seu Superbass; Britney ficou como a homenageada da noite (numa apresentação meio singela demais, se você vier me perguntar) e levou também Video Pop por ‘Till The World Ends; e Justin Bieber fechou a lista com o prêmio de Video Masculino para U Smile.

Ademais, o show bom muito bom, obrigado. Mesmo que o Twitter possa te fazer ter pensado o contrário, mesmo que alguns conceitos e preconceitos tenham entrado no meio do caminho. E mesmo que a apresentação de Chris Brown tenha sido ridiulamente pautada por playback e um medley tosco dos anos 90. Nem me deixe começar a falar do quão ridículo foi Lil’ Wayne fechando a noite, aliás. Deixemos isso de lado. O que interessa é que se fez história pop, de novo. E mesmo que seja a única noite que a MTV americana ainda finja se importar com música, como disse Adam Levine (e ele tem um ponto, com a emissora investindo tanto em realities e tão pouco em música), ainda dá pra olhar para tudo isso e, depois de duas horas e pouco, dizer “que noite!”.

Alguns dos melhores momentos da noite:
Lady Gaga/Jo Calderone - You And I
Adele - Someone Like You
Beyoncé - Love on Top
Amy Winehouse Tribute/Bruno Mars – Valerie

PS: Mais alguém sentiu falta de Rihanna e Madonna? Nem dar as caras as duas deram…

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Porque quando ela sobe nesse palco, ela não reprime nada. Aquele holofote a segue para qualquer lugar que ela vá. Algumas vezes eu acho que a segue até em casa. Eu sei que a segue. Quando ela chega em casa, é como se ela cobrisse seu rosto porque ela não quer que eu veja que ela não pode aguentar um único momento honesto, mesmo enquanto não tem ninguém assistindo. Eu quero que ela seja real. Mas ela diz, ‘Jo, eu não sou real. Eu sou um teatro. E você e eu… nós somos só o ensaio’”

(Jo Calderone fala sobre Lady Gaga – é, é complexo)

27 de ago. de 2011

10 anos de Moulin Rouge (e 2 de Anagrama)

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27 de Agosto de 2001. No cinema brasileiro estreava um filme que, para além de simplesmente ter feito os musicais voltarem a moda em pleno século XXI, para além de ditar tendências e redefinir o ideal romântico do mundo todo, se destacava como uma obra personalíssima, capaz de comoção e expressão sem par na sétima arte moderna. Você pode negar muitas das qualidades de Moulin Rouge! – Amor em Vermelho, mas você simplesmente não pode deixar de admitir que se trata de uma daquelas experiências cinematográficas inesquecíveis. Você pode chamá-lo de um enorme videoclipe, e pode dizer que musicais destróem o ideal de realismo do cinema moderno. Você pode chamar o roteiro de ingênuo, maniqueísta, manipulador de emoções, piegas, brega. Você pode dizer que o estilo de Baz Luhrmann é dramatizado além do limite. Mas qual é a validade de termos críticos quando um filme é capaz de grudar no imaginário do mundo inteiro?

Satine é um ícone. Não tem como discutir isso. Da primeira aparição, cantando Diamonds Are a Girl’s Best Friend, até o final trágico que já não deve ser spoiler para ninguém, Nicole Kidman e Baz Luhrmann contróem juntos uma personagem para marcar todas as heroínas românticas e entrar ao lado da Rose Butaker de Kate Winslet para a galeria de personagens femininas mais marcantes dos últimos 15 anos. Nicole é uma atriz de sutilezas trazidas a flor da pele. É uma dessas intérpretes cuja própria presença traz ao filme o frescor, a originalidade e a transpiração de verdade que todo filme deve ter. Em todo o mundo de fantasia de Luhrmann, entre a inocência romântica de Ewan McGregor e a caricatura de Jim Broadbent (não me entendam mal, ambos estão brilhantes em seus papeis),  Kidman é a responsável por fazer de Moulin Rouge! uma história que, tão idealizada, ainda é capaz de emocionar de verdade.

Não se tire o mérito de Luhrmann, como muitas vezes é tirado, no entanto. O diretor é um maestro genial para todos os elementos da complexa equação que faz Moulin Rouge! funcionar tão bem. É notável como ele coordena figurino, cenografia, direção de arte, música, fotografia, edição, atores e coreografias num arranjo em que tudo faz sentido, colocado onde está. O argumento geral dos críticos contra Luhrmann é que o australiano é ambicioso demais. A minha resposta é simples: quando se tem talento o suficiente para lidar com a própria ambição… Luhrmann dá conta do que se propõe, e cria o que pode muito bem ser o filme mais inesquecível da nossa década. Porque, enquanto Hollywood aos poucos cansava seu público com a grandiosidade dos efeitos e da ação, esse musical nos lembra que existe outro tipo de tamanho, que é muito mais documento quando o assunto é cinema. Moulin Rouge é grandioso, sim, e não se desculpa por ser. Mas o é em emoção.

Nota: 10,0

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Corta para 27 de Agosto de 2009. Oito anos depois de Mr. Luhrmann lançar sua obra maior nos cinemas brasileiros, esse pobre mortal, cuja paixão por cinema em grande parte foi incentivada por Moulin Rouge!, juntava tudo o que lhe interessava em um espaço só. O Anagrama nascia. É com muito orgulho que eu comemoro hoje os dois anos do blog. Ele passou por uma reinvenção no comecinho de 2010, e a bem da verdade continua passando, continuamente, até hoje. Porque a vida é assim. A gente cai e se levanta, se inventa e se reinventa. É novo e se renova. Sempre.

Eu quero agradecer todo mundo que fez parte desses dois anos. Contribuindo, comentando, lendo. Nesses dois anos em que tanta coisa mudou comigo e com o mundo a minha volta, estar aqui sempre foi um conforto e um porto-seguro. Eu espero, sinceramente, que sejam os primeiros dois anos de uma história muito mais longa. E sigamos adiante, assim, nessa última nota, falando de cinema, de música, de moda. Escrevendo, opinando… na eterna busca por decifrar essa jornada para sempre indecifrável que é a vida. E a arte, é claro. Não são ambas a mesma coisa?

“’Cause I know it’s going to hurt. I’m going out!” (Florence Welch em “Hurricane Drunk”)

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Moulin Rouge! – Amor em Vermelho (Moulin Rouge!, EUA/Austrália, 2001)

Dirigido por Baz Luhrmann…

Escrito por Baz Luhrmann, Craig Pierce…

Estrelando Nicole Kidman, Ewan McGregor, Jim Broadbent, John Leguinzamo, Richard Roxburgh, Jacek Koman…

127 minutos

25 de ago. de 2011

Cameron Diaz, Bad Teacher e o reinado do politicamente incorreto.

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por Caio Coletti

O título em português, para não perder o costume, é um desastre. O diretor Jake Kasdan pode nem ter visto o seu Bad Teacher se tornar Professora Sem Classe em terras brasileiras, mas não o julgue menos esperto por isso. Pelo contrário, aliás. Ainda que não seja a comédia mais hilariante do ano, a obra do mesmo cara que dirigiu A Vida é Dura e já havia mexido com o universo escolar no hoje pouco lembrado Orange County tem seus bons momentos cômicos e, acima de tudo, é um filme que tem muito a ver com o seu tempo. O que eu quero dizer é: pense nos últimos grandes atos cômicos americanos. Eu posso apostar meu próximo boletim escolar que a primeira coisa que veio a sua cabeça foi Se Beber Não Case. Ou, no máximo, Ligeiramente Grávidos. O primeiro é a história de um grupo de caras que tenta encontrar um deles após a mais louca noitada em Las Vegas. Um detalhe: o membro perdido da trupe está prestes a se casar. O segundo, bom, é sobre um marmanjo engravidando sua namorada acidentalmente.

Não é preciso nem ir tão longe. Aqui mesmo, no Brasil, os grandes nomes do humor estão passo a passo ficando associados aquela graça ácida, sem limites ou julgamentos, que mexe com todo o tipo de convenção e senso comum com o mesmo espírito subversivo. Três exemplos claros são Rafinha Bastos, Danilo Gentili e Marcelo Adnet. Há de se notar, aliás, o trio de nomes mais popular no humor brasileiro hoje. Em tempos que os ditadores do politicamente correto se manifestam com a mesma altura de voz daqueles que simplesmente defendem que a correção política é o mal da sociedade contemporânea, a verdade é que toda essa conversa é inutilizada pela própria arte cômica atual: estamos vivendo, obviamente, o reinado do politicamente incorreto.

Opiniões pessoais a parte (para mim, registre-se, é claro que correção política só é mandatória mesmo quando o assunto é a política em si), Bad Teacher é um filme tão ajustado a seu tempo que, às vezes, até perde um pouco da graça. Se Beber Não Case tinha o senso de aventura e caos que acompanhava a enorme ressaca pela qual os personagens passavam. Ligeiramente Grávidos se aproveitou muito da graça singela de Seth Rogen e do pendor emocional do diretor Judd Apatow. Qual é o diferencial, afinal, que poderia fazer de Bad Teacher uma obra para ser lembrada daqui a uns anos, como essas são até hoje? Nada demais. O filme carece de um elemento-surpresa. O roteiro da dupla que é responsável pela versão americana do seriado The Office (Gene Stupnitsky e Lee Eisenberg) guarda algumas cartas na manga, mas nenhuma inovação dinâmica na narrativa. O diretor Kasdan impõe ritmo e ambientação competentes, mas é só.

A grande arma de Bad Teacher para conquistar seu público (o que o filme com certeza faz) acaba sendo, previsivelmente, Cameron Diaz. Vai me dizer que você, caro leitor, sabia que a dançarina sexy de O Máskara, a rouba-cenas de O Casamento do Meu Melhor Amigo, o objeto de desejo de todo o elenco de Quem Vai Ficar Com Mary? ou a belezinha dançante de As Panteras era uma atriz capaz de segurar um filme praticamente sozinha? Não que ela permaneça solitária em cena e, para fazer justiça, o trabalho de Phyllis Smith como a colega professora de Cameron é algo de brilhante. Mas é tão surpreendente o carisma e a vitalidade que a ex-modelo californiana traz para sua atuação como a incorretíssima professora Elizabeth Halsey que fica difícil não reconhecer o lado bom dessa protagonista, e mais difícil ainda não gostar do filme quando os créditos sobem.

Em curtos 92 minutos, Elizabeth negligencia alunos, rouba o namorado de uma de suas colegas, desvia dinheiro que deveria ser para uma viajem escolar, usa drogas e faz muito mais, tudo para conseguir um implante de silicone e um namorado rico. Soa mal, eu sei. Mas ela também é humana. E, bom, essa é a heroína do século XXI, meus queridos. Eu duvido que alguém seja capaz de torcer contra ela.

Nota: 7,5

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Professora Sem Classe (Bad Teacher, EUA, 2011)

Dirigido por Jake Kasdan…

Escrito por Gene Stupnitsky, Lee Eisenberg…

Estrelando Cameron Diaz, Lucy Punch, Jason Segel, Justin Timberlake, Phyllis Smith, John Michael Higgins…

92 minutos

23 de ago. de 2011

Rubens Rodrigues #1 – TV| A filosofia do Vale Tudo.

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Por mais cruel, inacreditável e relevante que a realidade seja, são as perguntas derivadas da ficção que mais geram discussões na sociedade. E não adianta dizer que a arte imita a vida, ou o reverso. O Cinema e a TV traçaram um perfil tão interessante da ficção que os roteiros que vemos na tela representam as vidas que escolhemos acompanhar. Afinal, quem matou Norma? Quem matou Odete Roitman?

A telenovela, gênero de ficção que reina no Brasil há mais de meio século, não é sobre casais apaixonados e o karma dos vilões que decidem separá-los. Por mais que o nome sugira romance, o buraco é mais em baixo. Do exemplo mais recente, o pontapé inicial do enredo de Insensato Coração foi dado a partir da música “Que país é esse?”, do Legião Urbana. A novela contou a história de Norma, uma técnica de enfermagem que foi enganada pelo namorado e acabou sendo presa por um crime que ele cometeu. A personagem descobre que o estelionatário Léo cometeu outros crimes, reúne as provas, e decide encontrar o rapaz para fazê-lo pagar por tudo que a fez passar. Resumindo, a novela era sobre vingança.

O autor Gilberto Braga é conhecido por expor até onde as pessoas vão para alcançar seus objetivos não lisonjeiros, deixando ética e moral de lado, passando por cima até dos próprios familiares (oi, Maria de Fátima?). Assim como Vale Tudo, o mais famoso folhetim do autor, Insensato também abordou a falta de honestidade e a corrupção, mas a última novela abriu discussão para uma pergunta difícil de responder. Norma se aproveitou de várias pessoas, matou outras e se tornou poderosa o suficiente para fazer Léo pagar por seus crimes. E aí, a ex-técnica de enfermagem é vítima ou criminosa?

A personagem despertou a simpatia do público justamente pela humanidade que havia nela. Quem nunca teve vontade de fazer justiça com as próprias mãos? Ora, a diferença entre a ficção e a vida real é justamente o limite da ação humana. Em Vale Tudo o autor levantou a seguinte questão: Até onde vale a pena ser honesto no Brasil? A música de abertura clamava “Brasil, mostra a tua cara!”, enquanto um mosaico montava a bandeira do país. Logo lembro que, certa vez, o ex-presidente Lula disse que assistir novela “é um processo de degradação da família brasileira”. Vê a ironia? Acabamos voltando para a máxima que diz que a arte imita a vida.

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As coisas mudaram. Eu aprendi a beça lá dentro. Conheci gente que não prestava, li muito. Não sou mais aquela imbecil que ele enganou, não. Por mais esperto que ele seja, um dia desses ele cai do cavalo, faz uma besteira e aí vai me pagar por cada dia, cada minuto que eu passei naquela cadeia, onde ele é que devia estar!”

- Norma (Glória Pires), ao ser libertada da prisão.

20 de ago. de 2011

Fabio Christofoli #1 – Uma chance ao talento, por favor.

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Anos atrás, quando ainda era um adolescente, Sandy declarou que era virgem. E mais, falou que só deixaria de ser quando encontrasse alguém especial. A entrevista repercutiu, e muita (mas coloca MUITA aí no seu pensamento) gente começou a julgá-la por isso.

Sem sal, infantil, recatada, certinha, chata, frígida, falsa, boca aberta, tediosa...

Enfim, mil adjetivos foram usados para rotular Sandy. Adjetivos quase sempre colocados em um contexto negativo. Como se ela tivesse cometido um crime por ser virgem. O que basicamente formava uma contradição, já que nossa sociedade de um modo geral sempre pregou a moral e os bons costumes (aham, sei), mas agora torcia para uma garota deslizar a qualquer momento, fazer algo errado a todo custo, porque aquela convicção dela estava incomodando demais as pessoas.

Durante anos esses rótulos perseguiram a Sandy, e até refletiram na sua carreira e no reconhecimento do seu talento. Em quase todas entrevistas, o entrevistador tentava tirar alguma declaração, algum palavrão ou algum fato da boca de Sandy. Nada saia, pois ela era educada. E isso de certa forma ofendia mais a sociedade.

Eu admito que não sou fã do estilo dela, mas seria ridículo não reconhecer que ela tem algum talento. Mas isso sempre ficou em segundo plano, pra maioria das pessoas Sandy era uma chata e ponto. A expectativa era de que ela errasse, que proporcionasse ao público uma chance para julgá-la. De longe, eu achava isso cruel. Sempre achei. Sempre acreditei que um artista, antes de tudo, faz arte. E é isso que importa. Nunca admirei o Oasis pelas polêmicas brigas dos irmãos Gallagher ou Van Gogh por ter cortado a orelha. Eu admiro a arte, a criação, e isso deveria importar. Mas não importa tanto... Infelizmente as pessoas estão cada vez mais ignorando isso e valorizando coisas banais. Vi pessoas comemorando cada tropeço da Amy Winehouse, esquecendo o gênio que ela era. Sandy não é um gênio, mas tem algo pra mostrar, quer ser ouvida. Precisa da chance que muitos negaram, por causa de um preconceito bobo gerado por uma escolha pessoal que ela fez.

Notoriamente ela está tentando se livrar dessa imagem de garotinha pura que a seguiu durante mais de 10 anos. Primeiro ela fez aquele comercial da Devassa, depois deu algumas declarações polêmicas (ou tentou dar). Achei meio forçado, mas entendi o lado dela. No entanto, um fato pode mudar tudo: a sua recente entrevista à Playboy. Não me refiro à polêmica declaração da capa. Esqueçam isso. Dentro da revista, há uma entrevista madura, franca, que expõe uma Sandy mulher, que fala abertamente sobre sexo. Discordei de muitas coisas que ela falou (uma tendência machista na entrevista), mas admirei o fato dela falar. Infelizmente isso foi necessário, para que o fardo do passado fosse deixado para trás.

Agora fica a pergunta: o que acontecerá? O rótulo de certinha vai ser sepultado e darão uma chance para a cantora Sandy? A situação irá se inverter e agora vão julgá-la pelas declarações polêmicas? Os céticos irão dizer que ela continua chata e que a entrevista foi forçada?

Sei lá, nem quero saber. Não me importo. Gostaria que o público também não se importasse, que desse uma chance ao talento, ao que o artista tem a dizer. Se isso fosse levado em conta, certamente não teríamos que agüentar tantas porcarias que tocam no rádio hoje em dia.

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Playboy - Dizem que as mulheres não gostam de sexo anal. Você concorda com isso?

Sandy - Então... não tem como não responder isso sem entrar numa questão pessoal. Mas, falando de uma forma geral, eu acho que é possível ter prazer anal, sim, porque é fisiológico. Não é todo mundo. Deve ser a minoria que gosta.”

(O comentário polêmico na íntegra)