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28 de mar. de 2011

Placar – Razões para amar e odiar: Jessie J

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1xo – Price Tag

Nenhum passo melhor para começar a conhecer a mais nova sensação inglesa do que o single que a elevou a posição de popstar-revelação do ano até agora. E a verdade é que, em uma análise mais detalhada, a canção que abre o Who You Are é mesmo, até agora, a que define Jessie como uma artista pop de verdade. Primeiro, porque tem aquela qualidade única das obras pop realmente bem-pensadas e estruturadas: a de evoluir na percepção do ouvinte/espectador a cada nova camada adicionada a sua interpretação. A primeira vista, é uma canção alto-astral sobre se livrar do consumismo desenfreado e fazer da música uma arte de novo. Por outro lado, o clipe nos coloca num contexto mais, digamos assim, interessante. Pode ser sobre a perda de inocência, ou sobre como, hoje em dia, somos desde cedo na infância acostumados a medir tudo pelo preço. Às vezes, sobre as duas coisas. É a complexidade discreta de uma obra pop por excelência.

1x1 - #heartbeats

Tudo bem, podem começar a me xingar. Mas certas coisas simplesmente não descem pela minha garganta. Uma delas, recentemente, foi a página do Twitter de Jessie, ainda nem verificado, mas com toda a pinta de autêntico, no qual a cantora já cunhou uma expressão carinhosa para se referir a seus fãs. São os #heartbeats (“batimentos cardíacos”, em tradução que empobrece muito a expressão). A expressão está contando como ponta contra Jessie não pela sua existência, mas pelo tempo em que foi cunhada. Faz um par de meses desde que o nome da cantora surgiu no mainstream. É possível que ela tenha uma base de fãs tão característica e dedicada a ponto de merecerem um nome? Eu posso entender uma artista nova querer se aproximar de seus fãs, como Gaga, aliás, fez no começo de sua carreira. Mas alguém se lembra quanto tempo demorou para surgir a expressão “little monsters”? É difícil acreditar que uma artista de personalidade ainda tão difusa possa ter fãs tão característicos. E soa forçado esse apelido precoce.

2x1 – A safra de novas cantoras britânicas

Jessie não é a primeira cantora de técnica a surgir da Inglaterra nos últimos tempos. A bem da verdade, a raridade tem sido a ascenção de uma estrela americana que una sucesso, credibilidade e talento como as britânicas. Não falo da “geração soul” de Amy Winehouse, mas de um grupo de mulheres fantásticas que, de 2009 para cá, tem tomado espaço notável na música pop. A começar pelo furacão de drama e interpretação chamado Paloma Faith. O estilo é de enganar: a primeira vista, com o timbre que tem, Paloma parece alvo fácil para comparações com Amy e suas companheiras de safra (Duffy sendo a mais notável). Mas a verdade é que Paloma tem se mostrado muito mais artista pop do que era de se esperar. A mistura de estilos, o ato dramático, as apresentações bombásticas, tudo aponta para uma Lady Gaga cheia de fleuma britânica. Depois, há Adele, cuja técnica é inquestionável, e cujo hit “Chasing Pavements”, do 19, abriu caminho para o elogiadíssimo 21, seu segundo álbum. Jessie é mais uma adição notável a essa safra promissora.

2x2 – A safra de novas cantoras britânicas

Não, você não leu errado. O segundo ponto contra Jessie é exatamente o mesmo que o segundo ponto a seu favor. Mas calma, eu explico. Assim como Adele, o que tem afastado uma parte do público mais seletivo de Jessie é a atitude, digamos assim, um pouco confiante demais. Para não dizer “de puro nariz em pé”, na verdade. Mesmo no Who You Are, o excesso de gracejos vocais é algo que incomoda em algumas faixas, especialmente no show-off ao vivo que é “Big White Room”. Aparentemente, Jessie adotou para si como trademark  um tipo de vocal picotado e crescente, que ela realiza em vários versos dessa e de outras músicas no decorrer do álbum de estreia. Para uma artista que ainda quer se apresentar a um público, é um pouco demais de pretensão terminar um show-off ligeiramente irritante (ainda que certamente ela tenha técnica para realizá-lo) com um “é a história acontecendo na sua frente, senhoras e senhores”. É o tipo de atitude excessiva que conta pontos contra qualquer artista.

3x2 – Who You Are

Sim, há algumas coisas para não se gostar em Jessie J. Mas fatos são fatos. E quando surge uma artista excepcional vocalmente e bastante promissora no campo da experimentação pop, não é possível simplesmente ignorar. Além de “Price Tag”, talvez o grande motivo para realmente prestar atenção em Jessie, o álbum de estreia ainda guarda algumas surpresas. A começar pela faixa título, uma pérola semi-acústica e uma versão melhorada da mensagem e da sonoridade de hits recentes como a por vezes irritante “Firework”, de Katy Perry. Se Jessie ainda se perde em alguns momentos (“Abracadabra”, me perdoem a repetição de referência, é Katy demais para o meu gosto), o que ouvimos e percebemos aqui é uma artista que vale a pena se observar. Talvez o maior potencial-hit do álbum ainda não lançado em single, “Nobody’s Perfect” mostra um lado mais R&B de Jessie, enquanto a já vazada “Casualty of Love” demonstra a habilidade de trovadora indie da cantora. Até a famigerada “Do It Like a Dude”, no contexto mais hip hop de algumas faixas, funciona bem. Tudo isso, essa salada de referência, sem perder de vista a imagem essencial de popstar e, mais importante, de artista pop que Jessie vendeu a seus amados “heartbeats”.

Enfim, é um trabalho louvável, com seus tropeços e contras. Mas, como ela mesma canta, ninguém é perfeito. E aqui está mais uma artista de potencial excepcional para ser aceita, não importa quantos tropeços ela dê pelo caminho.

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P.S.: O post acima não tem a intenção de incitar o ódio por artista algum. Trata-se apenas de uma relação de pontos negativos e positivos relacionados a artista em questão, de acordo com a opinião desse humilde apreciador de música. Radicalismo é para os fracos.

Don’t loose who you are, in the blur of the stars/ Seeing is deceiving, dreaming is believing/ It’s okay not to be okay.

Sometimes it’s hard to follow your heart/ But tears don’t mean you’re loosing/ Everybody’s bruising/ There’s nothing wrong with who you are”

(Jessie J em “Who You Are”)

25 de mar. de 2011

Tudo Pode dar Certo (Whatever Works, 2009)

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É raro, hoje em dia, encontrar um filme que, sem grandes dramas nem grandes farsas, faça o espectador realmente pensar sobre a forma como vem encarando a vida. O cinema pensante, mais ainda, o cinema que faz pensar, está em extinção. E a função dos filmes como forma de arte, além de entretenimento que são em primeira estância, como espelho e oportunidade de reflexão de nosso mundo, está acabando junto com ele. Talvez por isso um filme como Tudo Pode dar Certo seja como um bem-vindo refresco. Vindo de Woody Allen, não é de se espantar que a obra faça pensar: mas é a estranha e encantadora mistura de cinismo e romantismo do diretor que dá sabor e graça a história de um misantropo que, aos poucos, se prova tão certo quanto poderia estar, na teoria. Mas como o próprio protagonista diz a certa altura do filme: a vida não é na teoria. E Tudo Pode dar Certo nos ensina a reconhecer nossas próprias convicções mais arraigadas e segui-las com todo o afinco. Nada mais reconfortante, e nada menos “woodyalleniano”.

A verdade é que Tudo Pode dar Certo (no original, Whatever Works, algo como “o que quer que funcione”) é um pouco estranho no ninho das obras recentes do diretor e roteirista preferido da crítica. Primeiro, Allen volta a nova York na qual não filmava desde Melinda e Melinda, de 2004. E o conhecimento intrincado que ele tem da cidade, a liberdade que ele tem nela para incluir um tipo autoreferente como o Boris verborrágico, cínico e descrente de Larry David, tudo traz a memória um Woody Allen que costumava ser menos frio com os personagens que tratava. Sim, o roteiro ainda joga com destinos e finais com realismo e honestidade exemplares, mas Allen se permite envolvimento, afeição, quase amor incondicional pelas pessoas multifacetadas que ele constrói com a genialidade verbal de sempre.

A trama acompanha Boris (Larry David), homem passado da meia-idade, divorciado, suicida fracassado e cientista frustrado, com a visão paranóica, ácida, sarcástica e cínica do mundo que é a marca registrada do próprio Allen. Quebrando a quarta parede com muita originalidade, Boris conversa com o espectador e conta sua própria história ao encontrar-se com Melody (Evan Rachel Wood), garota mais nova e interiorana que foi parar na Grande Maçã escapando da casa dos pais puritanos de mente fechada. Abrigando ela após muita resistência, Boris surpreende-se com as tramóias do destino e, aos poucos, percebe que os dois são almas gêmeas. Ou algo parecido, na verdade. Não se preocupem, os menos românticos: Allen dá um jeito de inverter essa história, trazê-la para um contexto ao mesmo tempo estritamente reslista e engraçado na forma que é muito particular do diretor.

O elenco que Allen reúne aqui não é tão estrelado quanto passou a ser nos últimos anos, mas compensa a falta de visibilidade com performances absurdamente adequadas. Larry David, ele mesmo, é um poço de carisma e um comediante de mão cheia, tirando de letra as longas falas que Allen lhe confia e encarnando um memorável alter-ego do escritor mais idiossincrático de todo o cinema americano. É um daqueles personagens que adoramos odiar, com os quais nos irritamos as vezes, mas pelo qual nos vemos sorrindo quando sobem os créditos. Evan Rachel, por sua vez, não fica atrás e compoe uma Melody adoravelmente ignorante, com enorme força de vontade e senso de amadurecimento fantástico, uma personagem de certa forma ambígua como todas as boas personagens devem ser.

Os destaques fecham com a marcante presença de Patricia Clarkson, que Allen pescou direto de Vicky Cristina Barcelona para o papel talvez simbólico de tudo o que  Tudo Pode dar Certo representa: o processo de mudança pelo qual a mãe puritana de Melody passa ao se encontrar com o mundo de Boris e com as próprias e verdadeiras ambições artísticas é exatamente o que Allen quer dizer. Não se arrependa, não se enclausure em si mesmo. Cada pequeno gesto pode e deve valer a pena. Cada demonstração de amor deve ser agarrada com unhas e dentes, porque no final é só isso que vai fazer algum sentido. Enfim, nessa vida cheia de pontos escuros, faça o que quer que funcione para você. Mas faça. Tudo Pode dar Certo, como filme, é certamente uma oportunidade bem aproveitada.

Nota: 8,0

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Tudo Pode dar Certo (Whatever Works, EUA/França, 2009)

Uma produção da Sony Pictures Classics/Wild Bunch…

Dirigido e escrito por Woody Allen…

Estrelando Larry David, Evan Rachel Wood, Patricia Clarkson, Henry Cavill…

92 minutos

20 de mar. de 2011

Cisne Negro (Black Swan, 2010)

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Confesso que, na primeira vez que vi o trailer de Cisne Negro, muito pouco me causou expectativa no novo trabalho de Darren Aronofsky. Mas vamos esclarecer uma coisa: minha experiência com o diretor se resume a Fonte da Vida e O Lutador, seus dois últimos trabalhos antes deste, e filmes opostos em sua própria natureza. História ambiciosa em escala e temática, o épico passado em três eras e estrelado por Hugh Jackman e Rachel Weisz pode ter exagerado um pouco na própria pretensão, mas enchia os olhos com o trabalho exemplar do diretor na manipulação de todos os elementos de cena, da fotografia a iluminação. Além do mais, o filme tinha Weisz em um de seus melhores momentos. Assim como O Lutador, uma das sensações da temporada de prêmios no ano passado, tinha Mickey Rourke no topo de seu jogo. Mas a diferença é que a história do lutador em frangalhos tinha, a bem da verdade, só isso. O roteiro era frágil, a direção não impunha grandes dificuldades, e Aronofsky parecia ter se furtado, por algum motivo, da própria criatividade.

Não me culpem, portanto, por ter achado que Cisne Negro estaria mais para O Lutador, com seu jogo psicológico e sua fotografia trepidantemente indie, do que para Fonte da Vida. Mas não é bem por aí. Cisne Negro é um exemplar perfeito de filme de gênero, ao mesmo tempo em que foge de todos eles com a obstinação de uma obra contemporânea por excelência. Nessa contradição, o diretor se sai impecavelmente bem ao atingir o equilíbrio entre uma forte, clássica e coesa linha narrativa que aponta para um suspense psicológico tradicional (e dos bons), e um filme bastante experimental que não seria o mesmo sem o toque moderno e a proximidade que Aronofsky e sua fotografia trazem para a mistura. Cortesia também, aliás, do brilhante Matthew Libatique, que sem dúvida seria o detentor, por mérito, do troféu em sua categoria desse ano.

A essa altura, a trama não deve ser novidade para ninguém. Nina Sayers (Natalie Portman) é uma dançarina de ballet, estrela ascendente de uma companhia, obcecada pela perfeição e pela técnica, oprimida pela mãe controladora (Barbara Hershey) que desistiu da própria carreira para ter e criar a filha. Em começo de temporada, Nina é escalada pelo diretor da companhia, Thomas Leroy (Vincent Cassel), para interpretar os papéis principais na nova versão de “O Lago dos Cisnes” que a companhia irá montar. Isso implica, é claro, que a frívola e transtornada Nina se solte mais para incoroporar o Cisne Negro, a “versão malvada” da protagonista da peça. Coloque na equação a nova bailarina recém-chegada de San Francisco, Lily (Mila Kunis), que se aproxima de Nina, e os surtos psicóticos da protagonista e pronto, temos uma bomba relógio que explode na cara do espectador sem nenhuma sutileza aparente.

Note-se bem o “aparente”, aliás. A verdade é que o trabalho do trio de quase-estreantes Mark Heyman, Andre Heinz e John J. McLaughlin realiza um trabalho de enredamento de trama mais do que exemplar, quase que inteiramente by-the-book dos melhores manuais de roteiro que você vai poder encontrar por aí. A escalada do conflito, as passagens que sutilmente sugerem o que está por vir, o jogo de esconde-esconde com o espectador, a análise cuidadosa e intrusiva da psique da personagem principal, está tudo ali, onde e como deveria estar. E seria uma chatisse burocrática se não fosse o toque humano de Aronofsky, que tornou O Lutador patético mas caiu perfeitamente bem sobre uma trama que, claramente, precisava desse ingrediente a mais.

Mas não vamos nos esquecer, é claro, do que eleva Cisne Negro a uma categoria que faça merecer todo o barulho que fez: Natalie Portman. Não é bajulação, não é exagero, não é reconhecer toda a sua evolução durante esses anos de carreira, não é dizer que ela é a próxima Meryl Streep (o que, provavelmente, não é mesmo). É que simplesmente salta aos olhos o fato de que Nina e Natalie são personagem e atriz em completa sintonia, o tempo todo, por todas a inclinações e transformações, por todas as experiências fortes que a protagonista passa durante o filme. Natalie some junto da personagem, e se torna ela em cada uma dessas fases, de cine alvíssimo a cisne negro, sem nem mesmo parecer hesitar. É um trabalho simbiótico, e indiscutivelmente brilhante.

E é o que faz, ao lado da surpresa no final, Cisne Negro acabar como um filme que merece ser revisto. Não porque seja perfeito. Como bem o filme nos esclarece, a perfeição não está quase nunca onde nós procuramos. Mas porque funciona, surpreende e faz pensar. Como poucos filmes tem sido capazes de fazer, diga-se de passagem.

Nota: 8.5

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Cisne Negro (Black Swan, EUA, 2010)

Uma produção da Fox Searchligh Pictures… 

Dirigido por Darren Aronofsky…

Escrito por Mark Heyman, Andre Heinz, John J. McLaughlin…

Estrelando Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey, Winona Ryder…

108 minutos

18 de mar. de 2011

Decifradores – Entrevista: Talita Rodrigues

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Fabulosa. É a palavra certa para descrever Talita Rodrigues, autora do blog Speechless e, honraria nossa, colaboradora d’O Anagrama já em dois textos que refletem o incrível talento para a escrita, a auto-crítica e a relfexão que ela demonstra, parágrafo após parágrafo. Há alguns meses que eu não abria a sessão de entevistas por aqui, mas a descoberta de alguém como a Talita na blogosfera (e, vejam só, no meu círculo de amizades valiosas) certamente faz valer a pena o retorno da coluna para o blog. Primeiro porque ela é, como eu, uma escritora por necessidade e urgência. São raras as pessoas que realmente obedecem aquela citação de Rilke: “Na hora mais escura da noite, confesse a si mesmo que morreria se fosse proibido de escrever”.

Por essas e por outras, escritora nata, blogueira parceira e amiga conquistada, Talita é tão incrível que parece até de mentira. Como, aliás, é próprio das fábulas. E de onde vocês acham que eu tirei o apelido? Com vocês, a fabulosa. ;)

Parte Um: As letras…

Uma palavra: Verdade.

Um filme: “Sempre ao Seu Lado” (Hachiko: A Dog’s Story, 2009).

Uma banda: OneRepublic. :)                             Uma Série de TV: “The Vampire Diaries” (2009- ).

Um livro: “O Futuro da Humanidade” – Augusto Cury.                     Um escritor: Augusto Cury.

Uma citação: Pergunta difícil, porque eu gosto de várias, mas essa define o meu momento atual: “A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo”, de Fernando Pessoa.

Um blog: O Anagrama, é óbvio.

Dia ou noite? Dia.                 Inverno ou verão? Inverno.                    Acaso ou destino? Destino.

Último filme que viu (gostou?): “Cisne Negro” (Black Swan, 2010). Perfeito!

Tocando agora: Price Tag – Jessie J.

Parte Dois: O Anagrama…

Escrevo porque…

Só as palavras conseguem entender o que sinto.

O que seu filme preferido te ensinou?

Olha, eu aprendi várias coisas com ele, mas principalmente, aprendi a acreditar. Acreditar que as coisas podem se solucionar se eu esperar.

Planeja antes de escrever ou deixa as coisas fluírem conforme escreve?

Normalmente não planejo nada. Se estou realizando outra coisa e tenho um insight, largo tudo e pego a caneta e o papel!

Para quê gostaria de ter mais tempo? E o que passa tempo demais fazendo?

Gostaria de ter mais tempo para pensar. Pensar sobre as coisas que acontecem comigo e, talvez, tirar uma conclusão mais concreta. Pode parecer um pouco maluco, mas se todos pudessem refletir, as pessoas ofenderiam bem menos.

Na Internet as pessoas mudam? E ela é capaz de mudar a vida das pessoas? Se sim, de que forma ela mudou a sua?

Mudam muito! A Internet é a segunda vida de certos indivíduos. É o lugar onde elas fariam aquilo que não têm coragem pessoalmente. E sim, minha vida mudou completamente. Porque eu posso encontrar pessoas que partilham das mesmas opiniões que eu, e desabafar quando me sinto angustiada.

Acha que, com o crescimento da Internet, a era dos livros está acabando? E mais, acha que os futuros escritores e jornalistas virão da “geração Blogger”?

Infelizmente, está. Eu amo escrever esse blog, mas acho também que as grandes inspirações para isso estão nos livros. E isso é péssimo, porque pela Internet qualquer um pode tornar-se escritor. Sabendo ou não fazê-lo. Acredito que poderão surgir vários nomes competentes desse mundo sim, mas como já disse, será um pouco complicado em razão da facilidade com que as pessoas escrevem bobeiras por aí.

Escolha uma personalidade (de cinema, música, literatura…) que acha injustiçada e defenda-a!

Foi a pergunta mais complicada de fazer. E como não encontrei nada muito bom para falar, resolvi comentar sobre cantoras pop como Jennifer Lopez, que ficam esquecidas e são duramente criticadas quanto a forma física depois de passarem dos 30/40 anos. Ignorância do pessoal, que não sabe reconhecer o talento dos artistas de outras décadas, sem chamá-los de velhos.

Como você compara música nacional e internacional? E qual houve mais?

Olha, eu escuto várias músicas nacionais, só que de outras décadas, porque convenhamos que as de hoje não passam muito conteúdo, né? Então, a internacional ganha em disparada para mim, hoje!

Como define sua forma de escrever, seu blog e a si mesma?

Eu não sei dar boas definições, sabe? Mas o que eu tento passar através da escrita é minha forma de enxergar o mundo e minhas situações particulares. Como uma forma de mostrar a todos que eles não estão sozinhos com seus conflitos internos e que eles tem solução, sim! Sei lá, é como fazer pelas pessoas aquilo que ninguém fez por mim quando precisei. Portanto o me blog é mais ou menos neste estilo, reflexivo e por vezes pesado nos conteúdos, ao mesmo tempo que é regado por várias experiências e situações.

Quanto à mim, também não consigo me definir. E talvez seja por isso que pense e escreva tanto. É um dos meus meios de me conhecer melhor.

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Imagens recentemente usadas no blog da Talita

“Atrevo-me a dizer que fui mais derrotada do que vitoriosa. Porque no final, cada respiração é uma luta contra o tempo. Cada minuto é uma batalha contra a morte. Tudo isso para poder construir minha própria corrente. Eu quero muitos elos; quero muitos nós; muita experiência. EU QUERO MUITO TEMPO”

(Talita, em “Queimando a consciência e a sequência que ela traz”)

16 de mar. de 2011

Wild Fashion #1 – The new old fashion

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E aí, my fashion babies?

Minha coluna estreando nessa quarta, ueba! Quero ver muitas visitinhas aqui hein? E comentários também.

O título da coluna desse mês, além de transparecer o meu objetivo com a mesma - falar sobre algo tão antigo quanto moda, mas sobre suas inovações - diz tudo também sobre o tema de hoje: lenços.

Sim, hoje vamos falar sobre algo tão simples quanto os lenços.

Se você é do tipo que pensa em vovozinhas quando se fala neles, amarre os cintos (ou os lenços se preferir), porque essa novidade vai fazer sua cabeça, literalmente.

Mas acho muito justo falarmos primeiro um pouquinho sobre nosso assunto de hoje, né?

A história do lenço é bem interessante, e passa desde a época da família real no Brasil, até os gays americanos dos anos 70 e 80.

O lenço chegou ao Brasil com a família real, e sua praga de piolhos, que obrigou a princesa Carlota a utilizar turbantes para esconder a careca. E dai por diante não saiu mais da nossa vestimenta diária, em qualquer época do ano.

Quanto à história dos gays, nos anos 70 era muito comum que eles utilizassem certas cores de lenços, de certas maneiras, para informar aos demais suas intenções.

E por incrivel que pareça é por isso que o Freddy do Scooby-Doo nunca beijou a Daphne, afinal o laranja significava homossexualidade.

Enfim, o assunto na verdade é versatilidade do lenço, não?

Apesar de nunca sair da nossa vestimenta, o lenço parou de ser “explorado” pelos estilistas após os anos dourados do cinema, no qual a peça foi “hit”.

Em 2011 o lenço volta COM TUDO. Porém de uma maneira antes pouco citada. Nas tranças!

Isso mesmo, nesse verão o acessório mais utilizado nas passarelas foi o lenço em meio as tranças.

Além de, claro,como seu modo tradicional de turbante. E não houve maneira melhor de deixar explicita a versatilidade do lenço, pois os looks nos quais eles foram destaque começaram no romântico e foram ao psicodélico facilmente. E, olha, VALE OUSAR nas cores e nas tranças na hora de mesclar com os lenços, viu? Principalmente nos looks românticos, cujas cores são mais nude, vale usar cores flúor nos lenços, como laranja, verde e pink. Tudo a sua escolha.

Além de tudo os lenços são peças fáceis de encontrar, com uma diversidade enorme de estampas e cores e, claro, com preços que cabem no bolso de todo mundo.

Espero que tenham gostado da minha primeira coluninha.

Amo vocês, Fashion Kisses!

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  “Em matéria de moda, são os loucos que ditam a lei aos sensatos, as cortesãs que impõem as mulheres honestas, e o melhor que temos a fazer é respeitá-la”

(Denis Diderot, filósofo francês)

14 de mar. de 2011

Charlie Sheen: Isso não é vencer.

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Não é difícil perder a cabeça em Hollywood. Na terra em que todo mundo (ou quase todo mundo) está procurando por algum motivo para acabar com sua carreira, é quase presença garantida, no histórico dos grandes astros e estrelas, pelo menos um surto psicótico ou disputa polêmica. Na maioria das vezes, em se tratando de atores ou diretores, a briga é com os executivos. E ninguém está imune, ninguém mesmo. Veja Charlie Sheen, por exemplo. No alto de seus quarenta e poucos anos, o ator que marcou na memória de uma geração de jovens ambiciosos como o pupilo de Michael Douglas em Wall Street, de Oliver Stone (argumentadamente o melhor papel de toda sua carreira até hoje) atravessava, muitos ousavam dizer, seu melhor momento. Até alguns meses atrás. Mas vamos por partes.

Praticamente dono do maior hit televisivo cômico do nosso século (a engraçadíssima Two and a Half Men), desde o final dos anos 1990 que a conduta pessoal do nova-iorquino nascido Carlos Estevez passava por sérios questionamentos. Internações e overdoses, divórcios litigiosos e prisões por assalto (do qual ele admitiu culpa anos mais tarde), tudo culminou com o surto psicótico de Sheen no dia 24 de Fevereiro último. Convidado do programa de rádio de Alex Jones nessa data, o ator, que havia acabado de passar por mais um “programa de reabilitação” dentro de sua própria casa, o que provocara um hiato na gravação do programa da Warner, destilou veneno para o criador da série, Chuck Lorre, responsável, além de Two and a Half Men, pelo igualmente bem-sucedido The Big Bang Theory. Quatro dias depois, a Warner oficialmente declarou que Sheen era persona-non-grata nas dependências do estúdio. A resposta de Sheen: ir em rede nacional pedir por um aumento de 50% por seu salário na série, criar um Twitter que se tornou recordista do Guiness Book (escalada mais rápida a 1 milhão de followers) e ainda convencer meio mundo que o que ele estava fazendo era vencer (colocando #winning nos TTsWorldwide).

Ufa. Esclarecida toda a história, avancemos as conclusões, e ao que me guiou mais certamente a escrever esse artigo: em seu blog no site do Huffington Post, o colega de profissão e geração Alec Baldwin, outro que encontrou na TV, mais especificamente na fabulosa série 30 Rock, um porto-seguro para uma carreira que não andava tão brilhante, esclareceu bem para seus leitores (e para Sheen, que parece ter se esquecido) como as coisas funcionam em Hollywood. A verdade é que os insultos do ator foram apenas a gota d’água para a Warner, e tudo o que os estúdios que tem um astro problemático mas de alguma forma bem-sucedido nas mãos estão sempre esperando, é uma gota d’água. Para eles, é muito mais fácil ter um bom-moço que ganhe dinheiro para eles do que um bad boy que o público adore de alguma forma. E Sheen tomou o passo errado, na hora errada. A Warner simplesmente tomou a decisão que estava esperando para tomar a um bom tempo e disse: “Ok, Charlie, você nos deu um grande hit. Mas nenhum ator é maior que sua série. Chega”.

Como Baldwin, cuja única disputa notável com os estúdios foi mais um puxão de tapete que um executivo da Paramount o deu quanto as seqüências do sucesso Caçada ao Outubro Vermelho, do começo dos anos 1990, esclareceu em sua coluna: “Você não pode ganhar”. Não quando os estúdios querem o astro “viciado em drogas, namorado de uma atriz pornô” fora de suas fileiras de uma vez por todas. E Alec está certo, como ele quase sempre costuma estar. Nos últimos dias, Sheen anunciou no Twitter que vai sair em turnê pelos Estados Unidos com um show de stand-up intitulado (em tradução livre) “Meu Torpedo de Verdade/Derrota Não é Uma Opção”, enquanto a Warner já sonda Rob Lowe, recentemente visto como regular em Brothers & Sisters, para assumir o papel de Charlie Harper em Two and a Half Men. Pode ser que a sensação do Twitter garanta ao ator Charlie uma boa dose de fogo nessa turnê, mas manias da Internet, como o tempo nos ensinou, passam no final das contas,  e o personagem Charlie vai acabar vencendo.

Afinal, nenhum ator é maior que seu show. E isso, meu caro Charlie Sheen, com certeza não é a melhor definição de vencer.

76076162NG006_ROCKETS_LAKERSLA A Star Is Born Premiere

Fique sóbrio, Charlie. E volte para a TV, se não é tarde demais ainda. Estamos todos na América. Você realmente quer irritar Chuck, a Warner e a CBS? Implore por perdão para a América. Eles vão te dar esse perdão. Você é um grande astro da televisão. E você tem o sucesso. Como eu aprendi observando de perto Tony Bennett para imitá-lo no Saturday Night Live, isso foi feito para ser divertido”

(Alec Baldwin em sua coluna “Dois Homens e Meio é Melhor que Nenhum”)