Review: Dirty Computer (álbum e filme)

Janelle Monáe cria a obra de arte do ano com um álbum visual espetacular - e que desafia descrições.

Os 15 melhores álbuns de 2017

Drake, Lorde e Goldfrapp são apenas três dos artistas que chegaram arrasando na nossa lista.

Review: Me Chame Pelo Seu Nome

Luca Guadagnino cria o filme mais sensual (e importante) do ano.

Review: Lady Bird: A Hora de Voar

Mais uma obra-prima da roteirista mais talentosa da nossa década.

Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

4 de set. de 2013

“Electric Lady”: Janelle Monae liberou o álbum completo para streaming!

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por Caio Coletti

O lançamento oficial do The Electric Lady é no próximo dia 10, mas Janelle Monae não conseguiu esperar para que todos ouvissem o novo capítulo de sua saga robótica apocalíptica (o “suites IV and V” que vem inscrito na capa do álbum indica que a continuidade do The ArchAndroid, que vinha como “suites II and III”, não foi quebrada). Em parceria com a VH1, Janelle liberou as 19 faixas, incluindo interlúdios, para streaming.

Get More: Janelle Monae,


Antes de liberar o álbum todo online, a moça havia revelado três das cinco grandes parcerias que movimentam o álbum: o single “Q.U.E.E.N.”, que conta com Erykah Badu; “Primetime”, em que divide os vocais com Miguel; e a faixa-título “The Electric Lady”, com aparição especial de Solange Knowles. As únicas que permaneciam inéditas eram a primeira faixa do disco, “Give ‘Em What You Want” (feat. Prince), e “Dorothy Dandridge Eyes” (feat. Esperanza Spalding).

Para quem não quer ouvir o álbum antes do lançamento, separamos as músicas lançadas oficialmente. Confere aí embaixo:

iTunes Festival 2013: The Lumineers, os showmen do folk (+ Poliça e Sigur Rós)

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Em certo ponto do show de mais de uma hora e meia do The Lumineers no iTunes Festival nessa terça feira (03), os cinco integrantes de tour do grupo saíram do palco principal da Roundhouse Arena e, cortando pelo meio do público que acompanhava o espetáculo, foram parar em um palanque improvisado no meio da platéia, onde cantaram “Darlene” e “Elouise”, duas das faixas bônus do álbum de estreia auto-intitulado. Nesse momento, vendo os celulares na platéia prontos e apontando para a banda, o vocalista, compositor e multiinstrumentista Wesley Schultz, que serve de frontman para o grupo, pediu: “nós adoraríamos se todo mundo abaixasse seus telefones e simplesmente estivesse aqui, nesse momento, conosco”. Em muitos shows, soaria arrogante. No do Lumineers, foi mesmo uma dica de como entrar melhor no clima da banda.

O Lumineers é uma junção de músicos absurdamente talentosos e absurdamente diferentes: Wesley e o parceiro de longa data Jeremiah Frates são a fundação da banda, colaborando em composições desde 2005, boa meia década antes da violoncelista e vocalista Neyla Pakarek se juntar ao trio que posa oficialmente como a cara dos Lumineers. O pianista e faz-tudo Stelth Ulvang e o baixista Ben Wahamaki entram por trás das cortinas para garantir a consistência intrumental do som bastante acústico e climático pelo qual a banda ficou conhecida. O hit “Ho Hey”, que rendeu uma das partes mais arrepiantes do show no iTunes Festival, projetou-os de bandinha de bar em Denver, Colorado para o sucesso internacional. E não foi a toa.

O quinteto tocou a totalidade do álbum de estúdio na Roundhouse Arena, incluindo as canções da edição deluxe. Um total de 15 faixas, só aí, e ainda sobrou tempo para duas inéditas: o doce dueto não-intitulado com cara de valsinha entre Wesley e Neyla (os fãs estão chamando a música de “Falling”) e a flamejante “Gun Song”. Abriu com a ótima “Submarines”, mas mostrou energia mesmo na segunda canção, “Ain’t Nobody’s Problem”, que colocou a plateia para cantar. As lindíssimas “Flowers in Your Hair”, “Classy Girls” e “Dead Sea” ganharam tratamento de gala com performance contida e deliciosa, e o refrão sensível de “Slow it Down” emocionou. Trocando de instrumentos o tempo todo e arrasando na execução de canções que soam até melhor ao vivo do que nas limitações de um álbum, o Lumineers mostrou que ainda tem a mesma energia e bom espírito de quando tocava para um público de no máximo 100 pessoas em Colorado.

A exaustão no longo encore de três músicas não impediu a fantástica “The Big Parade” de brilhar, e nem os integrantes de fazerem a festa no palco entre si depois. Com o The Lumineers, os showmen do folk, é assim: a diversão entre eles mesmos é tanta que dá mesmo vontade de abaixar o celular e entrar na brincadeira.

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O que mais rolou no iTunes Festival?

Na segunda feira quem fez a festa foram os alternativos: os americanos do Poliça chegaram com seu synthpop funkeado e sua formação inusitada (uma vocalista/tecladista, um baixista e dois bateristas) e mostraram porque são os queridinhos da cena indie desde o ano passado; mas eles foram atos de abertura para os experientes islandeses do Sigur Rós, liderados por Jónsi, que aproveitaram para divulgar o álbum novo, Kveikur, que saiu no último dia 12 de Junho. Já é o sétimo de uma carreira que começou lá nos anos 1990 e ganhou muita gente.

2 de set. de 2013

Jessie J está escolhendo os singles errados: vazou a ótima “Square One”

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por Caio Coletti

O novo álbum de Jessie J, Alive, está mais que confirmado para lançamento no próximo dia 23, com essa capa lindíssima aí de cima, e mesmo com a baixa performance dos dois primeiros singles, “Wild” e “It’s My Party”. Cá entre nós, as duas outras faixas que vazaram/foram reveladas do álbum são bem melhores que as escolhidas para divulgação.

Primeiro foi “Excuse My Rude”, em parceria com a rapper Becky G, e agora é “Square One”, com um dueto não identificado (a gente acha que é o Future, aquele de "Loveeee Song", da Rihanna, mas pode ser só porque em ambas a voz masculina está meio distorcida). Apesar disso, quem brilha na música é Jessie, com sua voz de diva soul e seu faro para boas melodias.

Mais disso e menos de coisas genéricas como “It’s My Party”, por favor, Jessie.

Trailer e música oficial do antecipado “How I Live Now”, com Saoirse Ronan

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Imagine o outbreak de uma Terceira Guerra Mundial. Imagine o que você estaria fazendo quando as bombas começassem a cair e os países decretassem estado de sítio. Calamidade pública. Correria, confusão, morte. How I Live Now, da norte-americana Meg Rosoff, é um aclamado YA de 2004 com uma narrativa um tanto incomum: essa aí que acabamos de contar. Chegando aos cinemas em outubro de 2013 – no Reino Unido, pelo menos – vamos acompanhar a vida da jovem Daisy (Saoirse Ronan), moradora de Manhattan que é enviada para viver com primos no interior da Inglaterra por seus pais quando as ameaças de guerra se tornam mais intensas.

Contando com direção de Kevin Macdonald (The Last King of Scotland), o trailer foi divulgado logo no começo desse segundo semestre de 2013, com uma doce mistura de inocência juvenil atrelada à descoberta de forças escondidas que gritam pela sobrevivência quando a casa onde está é invadida e Daisy é levada para longe de seus primos – e par romântico. Ronan, como sempre, apresenta uma atuação inexplicavelmente divina e este que vos escreve implora para a Acedemia: “Não esqueçam da Saoirse! Não esquem da Saoirse!”.

A música oficial para o filme, uma parceria entre a melodiosa Natasha Khan – de Bat for Lashes – com o eletrônico Jon Hopkins, recebeu o sutil nome de “Garden’s Heart” e ganhou clipe ontem. Nele, vemos algumas cenas do filme enquanto uma haunting Natasha canta e uma brilhante Saoirse nos faz chorar em apenas algumas cenas. Agora imaginem no filme inteiro!

O filme ainda conta com nomes como George MacKay (The Boys Are Back), Tom Holland (The Impossible) e Anna Chancellor (The Dreamers), além da deliciosa “You and I” do Crystal Fighters, também no trailer.

Andreas

Eliza Doolittle enfrenta tempestade no deserto no novo clipe, “Let it Rain”

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por Caio Coletti

Vamos ser sinceros: a gente ainda não sabe exatamente o que pensar de “Let it Rain”, novo single e clipe retirados do segundo álbum da britânica Eliza Doolittle. Nosso instinto nos diz que ela está se levando um pouco a sério demais, mas nossa cabeça responde que ela tem todo o direito de (e o talento necessário para) fazê-lo. Power ballad edificante feita no by-the-book, a canção ganha brilho com a voz da moça, capaz de ser delicada e forte numa única nota.

Há um argumento a ser feito no fato de que a ambição amplicada do In Your Hands, o tal álbum (marcado para 14 de Outubro), é só a realização de um potencial que Eliza tinha desde sua estreia em 2010. O problema, pelo menos por hora, é que o espírito leve que encarnou até nos dois singles anteriores do CD, “Big When I Was Little” e “Waste of Time”, é substituído nesse “Let it Rain” por um senso de escala e uma gravidade que não combinam muito com a cantora.

De uma forma ou de outra, o clipe é super bem-produzido e não dá pra negar que a música tem potencial para ser mais um hit no currículo da moça, que emplacou “Big When I Was Little” no Top 20 de singles britânicos.

1 de set. de 2013

iTunes Festival 2013: Lady Gaga apresenta 8 músicas do ARTPOP

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O iTunes Festival, série de shows que cobre todo o mês de Setembro promovido pela Apple, começou agora a pouco com um estrondo: Lady Gaga deu o maior aperitivo até agora do som e do visual do seu novo álbum, ARTPOP, marcado para lançamento dia 11 de Novembro. Das 15 faixas do disco, oito figuraram no show de quase uma hora e meia apresentado na Roundhouse Arena, em Londres. A performance, que começou com pouco menos de meia hora de atraso, foi antecipada por três vídeos exclusivos dos ensaios nos últimos dias, mostrando um pouco das faixas “Swine”, “MANiCure” e “Sex Dreams”. Veja aí embaixo:

A performance abriu com a já conhecida dos fãs “Aura”. A versão tocada não difere em nada da vazada algumas semanas atrás, antes mesmo do lançamento de “Applause”. A performance-conceito começou com Gaga sendo aprisionada em uma armadura de ferro e suspendida do palco, vestida com roupas pretas e um mais que apropriado véu (lembrem-se que “Burqa” era o nome da canção antes da mudança) que deixava antever apenas os olhos verdes e a boca. O dedilhar de violão antes da entrada eletrônica continua uma das coisas mais cosmopolitas e espertas que Gaga já fez como artista pop, e o refrão empolga, apesar de não antecipar em quase nada a viagem de estilos que estaria por vir.

Depois de “Aura” foi a vez de “MANiCURE”. A batida glam rock antecipada pelo teaser estourou na Roundhouse Arena, com palminhas contagiantes e clima remetendo a era The Fame e a canções nunca lançadas (mas sempre lembradas pelos fãs) como “Fashion” e “Glitter & Grease”. Aparentemente a artista, que declarou para a Rolling Stone se sentir desconfortável em fazer referência a ela mesma musicalmente, mudou de opinião nos últimos anos, porque “MANiCURE” é tão absolutamente Gaga, naquela assinatura inconfundível de melodia e refrão, que não dá para relacioná-la a qualquer outra coisa.

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Interessante também foi o fato da cantora ter realizado essas primeiras trocas de roupa no palco, com os maquiadores e assistentes vindo ao seu socorro enquanto ela conversava com os fãs e trocava a longa peruca morena pela juba loira que apresentou na maioria das fotos promocionais do álbum, e as vestes pretas pelo biquini de conchinhas e flores que virou visual assinatura dessa primeira fase do ARTPOP. Assim montada ela cantou a faixa-título do álbum, primeira canção totalmente desconhecida dos fãs, que surpreendeu pelo clima new wave, com sintetizadores constantes e batida hipnotizante sobre o refrão “We could-we could belong together/ ARTPOP”. Um deleite oitentista.

Da Suécia dos anos 80 direto para a Nova York dos 90 com “Jewels & Drugs”, com participação de rappers como T.I. e Too-Short, a canção que vem para calibrar o estilo de Gaga com quem comprou a onda do hip hop moderno. A produção histérica e a batida alucninante abriu espaço para as participações especiais e para a performance desenvolta da moça num gênero que sem nenhuma dúvida não é seu hábitat natural.

Um interlúdio depois veio “Sex Dreams”, com Gaga saindo de uma meia esfera metalizada e dançando sugestivamente ao som de uma das letras mais picantes da sua carreira. "I lay in bed, touch myself and think of you”, cantou sobre uma backtrack de vocais sintetizados e o clima de “Heavy Metal Lover” versus Charli XCX. A faixa não é o melhor exemplo de um hit nato, mas funciona no show e deve funcionar bem na mistura louca de estilos do álbum. Vide a canção seguinte, a aguardadíssima “Swine”: despida de perucas e sentada ao piano, ela armou uma introdução acústica que só aumentou o impacto quando a produção de batida frenética entrou em cena. Um eletropop pesado que dá um aceno para as ousadias do alternativo e abre caminho para a presunção de que Gaga ainda é a artista pop mais desafiadora de sua época.

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A fofura com os fãs da noite foi a acústica “I Wanna Be With You”, uma balada lindinha sobre a época em que a artista foi obrigada a se afastar dos palcos e do público. Disfarçada de alegoria romântica e incluída na tradição de pequenos momentos serenos nas performances estendidas da artista, a canção tem uma bela melodia e a sinceridade na voz de Gaga vende muito bem a letra. Não foram poucas as lágrimas nos rostos de fãs na plateia com mais essa declaração de amor.

O ato fechou, é claro, com “Applause”, que mostrou o quanto Gaga ainda sabe exatamente o que fazer para colocar uma arena inteira para dançar. O refrão quase colocou a Roundhouse abaixo, temperado pela performance regada a coreografia e papel picado, com Gaga entrando em cena com um dos figurinos do clipe: o terninho verde-e-preto de brilhantes, completo com um cachimbo no canto da boca.

Uma performance indiscutivelmente idiossincrática (a essa altura, algo que Gaga faz não o é?), com os longos momentos em que a artista pàra o espetáculo para discursar com os fãs e as loucuras conceituais que aprendeu-se a esperar dela, esse show no iTunes Festival deu ao público cativo da moça a oportunidade de sentir o gosto abrangente e multi-facetado do ARTPOP como um álbum que não tem a pretensão de reafirmar a importância de Gaga no cenário pop. Muito mais que isso, a ideia aqui parece ser mostrar que a visão musical e artística da performer vai muito além de convenções de gêneros e trends. Música é música, não importa tanto qual é a relevância de determinados estilos de fazê-la para a Billboard atualmente. Para além de qualquer número de vendas, tudo influencia tudo, e tudo constrói aquilo que vem depois, então qual é mesmo o ponto de encontrar o caminho fácil para o #1?

Veja a performance completa abaixo:


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