Review: Dirty Computer (álbum e filme)

Janelle Monáe cria a obra de arte do ano com um álbum visual espetacular - e que desafia descrições.

Os 15 melhores álbuns de 2017

Drake, Lorde e Goldfrapp são apenas três dos artistas que chegaram arrasando na nossa lista.

Review: Me Chame Pelo Seu Nome

Luca Guadagnino cria o filme mais sensual (e importante) do ano.

Review: Lady Bird: A Hora de Voar

Mais uma obra-prima da roteirista mais talentosa da nossa década.

Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

3 de jul. de 2013

Justin Timberlake polemiza (e faz arte) no clipe de “Tunnel Vision”

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por Caio Coletti

A gente não queria que a notinha d’O Anagrama sobre “Tunnel Vision”, novo clipe do Justin Timberlake, fosse focada só no aspecto mais polêmico do vídeo, por isso vamos logo tirar o elefante da sala: a nudez das moças que aparecem durante os sete minutos do clipe é trabalhada, ao nosso ver, de forma muito mais elegente e artística do que muita gente vai dar a entender nos próximos dias. A edição e a fotografia de “Tunnel Vision” são lindas, e a sensualidade é abordada de forma condizente com o estilo de Justin e de seu The 20/20 Experience.

Dito isso, com certeza a televisão vai ter dificuldade para exibir “Tunnel Vision”, e a futura performance do single nas paradas vai ser um atestado do quanto o nome de Justin tem peso no cenário pop. E também da qualidade da canção, uma das mais brilhantes do 20/20, qualidade que Justin e Timbaland realçam no vídeo em suas cenas de dança. Em um ano com poucas instâncias de arte pop no mundo da música, Justin é definitivamente um respiro de ar fresco.

Mais um vídeo para esperar o álbum: Skylar Grey e seu “White Suburban”

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por Caio Coletti

Há seis dias do lançamento oficial do Don’t Look Down, nós já conhecemos um terço do álbum de estreia de Skylar Grey. Tudo bem que a divulgação começou cedo, lá em Dezembro passado com o sucesso de "C'Mon Let me Ride", mas desde então tivemos o excelente clipe de "Final Warning", a grudenta "Wear Me Out", e agora a melancólica “White Suburban”.

Com um clipe bem menos super-produzido, que consiste simplesmente em Skylar no piano entremeado por cenas de um carro andando pelas estradas americanas (no espírito da letra, que se refere ao “Suburban branco” de um amor perdido), “White Suburban” confia muito mais no poder da cançao, uma pequena maravilha de composição e interpretação. Ainda que já saibamos o que esperar, o Don’t Look Down promete ser nada menos que fabuloso.

2 de jul. de 2013

Review: Under The Dome, 01x02 – The Fire

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ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Em sua segunda semana, Under The Dome foge da “maldição do segundo episódio”, que muitas séries utilizam como um complemento do piloto, e não se acanha em desenvolver de verdade a trama. Esse é um passo decisivo e que mostra pulso firme do developer Brian Vaughan, especialmente considerando-se que essa é uma série baseada em um livro que, mesmo com suas 1000 páginas, limita um pouco a expectativa de longevidade da trama. Mas é também a decisão certa, e o desenrolar dos segredos de Chester’s Mill avança tão organicamente com a jornada dos personagens que é preciso dar crédito a Stephen King por uma construção de narrativa tão “natural”.

Claro, não dá para não mencionar também o trabalho de adaptação de Rick Cleveland, veterano de séries como Legit e House of Cards, que desenha um roteiro seguro e inteligente no tratamento dos personagens. As múltiplas histórias de Under The Dome aqui convergem no momento em que a casa do antigo xerife (morto no final do piloto) pega fogo. Com o corpo de bombeiros preso do outro lado do domo, os cidadãos de Chester’s precisam encontrar um jeito de parar o fogo por si mesmos. Enquanto isso, o episódio dá mais destaque para a trama que acabou soando mais fraca no episódio anterior: com a ajuda da direção de Jack Bender, o cativeiro que Junior (Alexander Koch) impõe a Angie (Britt Robertson) ganha tanto contornos de terror – this is Stephen King, after all – quanto traços mais afetuosos. O que não funcionava no piloto, passa a funcionar aqui.

Outros desenvolvimentos importantes incluem Julia (a cada vez mais cativante Rachelle Lafrevre) se tornando a repórter não-oficial das notícias do outro lado do domo, que ela capta com a ajuda da dupla dinâmica do rádio local de Chester’s (“that sounds alien” “that sounds like Bjork”). Conhecemos só um novo personagem importante: o Reverendo da cidade, interpretado com prazer quase sádico por Ned Bellamy, que descobrimos estar envolvido na operação corrupta misteriosa comandada pelo homem forte da cidade, Big Jim Rennie (Dean Norris). Under The Dome se arranja para manter os mistérios e tramas múltiplas, dar material para cada um de seus atores trabalhar, consertar tudo que não exatamente funcionou no roteiro e sumarizar o estado de espírito do confinamento sob o domo. Tudo em 44 minutos. Isso é o que chamamos de televisão de qualidade, ladies and gentlemen.

***** (5/5)

UNDER THE DOME

Próximo Under The Dome: 01x03 – Manhunt (08 de Julho)

Caio

Janelle Monae é a rockstar do fim do mundo no clipe de “Dance Apocalyptic”

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por Caio Coletti

Ela conseguiu, de novo. Depois de lançar aquele que é sem sombra de dúvida um dos melhores singles do semestre passado (“Q.U.E.E.N.”), Janelle Monae abriu o mês de Julho de forma igualmente sensacional com “Dance Apocalyptic”, que ganhou clipe hoje (02) como prévia para o álbum The Electric Lady, marcado para 10 de Setembro.

Com um clima menos ativista e mais descontraído, Janelle aparece no vídeo já assumindo o alter-ego título do álbum, The Electric Lady, que aparecentemente é uma rockstar cujas apresentações tem efeitos, literalmente, apocalípticos. A ambientação a la “Hey Ya” do Outkast ganha com a performance realmente elétrica de Janelle e com o interlúdio hilário em que a cantora interpreta uma jornalista.

1 de jul. de 2013

Review: Uma dramédia maior que o romance em “Admission”

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por Caio Coletti

O grande problema da maioria das comédias românticas (e dos dramas românticos também, aliás) por aí é que a jornada do casal retratado na trama é colocado como prioridade da narrativa, enquanto o arco emocional de cada personagem vai para segundo plano. A Proposta, para usar um exemplo mega-bem-sucedido recente, tem um processo bem delineado e até vagamente realista de evolução (e revelação, principalmente) na relação entre os personagens de Sandra Bullock e Ryan Reynolds. No entanto, muito embora o filme seja entretenimento sólido no campo cômico, a narrativa nunca deixa esses dois indíviduos existirem por si só. Para efeitos narrativos, eles só existem juntos.

Admission é precioso porque deixa seus personagens respirarem e adquirirem vida própria além das idas e vindas românticas retratadas. O casal principal é, sim, parte combustível do filme, mas o triunfo do roteiro é deixar que a vida contidiana interfira e se imponha sobre esse enredo de romance, e não o contrário. E isso é uma qualidade especialmente valiosa quando se tem uma trama que envolve um assunto tão todo-poderoso quanto esse. Portia Nathan (Tina Fey) é uma das avaliadoras de aplicação para a Faculdade de Princeton, tomando parte ativa na decisão de quem dos milhares de candidatos vai ter a chanche de entrar para a universidade. John Pressman (Paul Rudd) é o diretor aventureiro de uma escola alternativa que quer submeter seu primeiro aluno à análise de Portia e de Princeton: a grande virada é que Pressman acha que Jeremiah (Nat Wolff) pode ser o filho que a moça deu para a adoção durante sua época de faculdade.

O fato de que Admission não chegou aos cinemas brasileiros é fácil de explicar: nenhuma distribuidora colocaria seu dinheiro em uma comédia que tem seu centro em um processo que simplesmente não existe no Brasil (uma breve explicação para os que estão perdidos: nos EUA, os estudantes não fazem um “vestibular”, e sim mandam seus currículos escolares e outros documentos/ensaios para o crivo de pessoas como a personagem de Fey, que decidem quem terá uma vaga nas diversas faculdades do país). Talvez pese também na decisão o fato que Admission lida com questões como adoção, gravidez na adolescência e pais e mães solteiras de maneira muito natural, obviamente engraçada mas também desafiadoramente dramática. O roteiro de Karen Croner deve provavelmente a novela de Jean Hanff Korelitz a abordagem direta e segura desse tipo de cenário, como simples fatos da contemporaneidade, mais preocupada com o que eles significam para seus personagens do que com o que podem passar para a sociedade.

Também à novela de Korelitz (e ao roteiro de Croner) o filme deve a sua adorável narração em off, o arco de personagem inteligente aplicado tanto a Portia quanto aos coadjuvantes, e a comédia extra-verbal e extra-inteligente que apresenta. Há uma cena histericamente engraçada no início em que Portia é largada pelo companheiro de anos (Michael Sheen em participação impagável) e precisa servir pedaços de frango assado aos convidados de uma pequena festa que estava sendo dada na casa dos dois. Tanto a entrega de Tina desse diálogo é brilhante (ela está em seu território aqui, mas mostra que sabe jogar os momentos dramáticos com igual precisão) quanto a escrita do mesmo é espirituosamente aguda e trágica. Admission é uma comédia romântica que transpira verdade e tem uma mensagem e tanto para passar: nos incita a viver a vida do jeito que quisermos, e não do jeito que acharmos mais confortável.

***** (4,5/5)

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Admission (EUA, 2013)
Direção: Paul Weitz
Roteiro: Karen Croner, baseada na novela de Jean Hanff Korelitz
Elenco: Tina Fey, Paul Rudd, Nat Wolff, Lily Tomlin, Olek Krupa, Sonya Walger, Michael Sheen
107 minutos

Review: Family Tree, 01x07 – Indians

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por Caio Coletti

ATENÇÃO: esse review contem spoilers!

Uma das muitas qualidades pouco apreciadas de Family Tree é a mistura de culturas e conceitos que Christopher Guest e Jim Piddock vem empreendendo, e o tratamento igualmente cínico, contemporâneo e sentimental que os escritores dão a cada uma delas. Cada personagem de Family Tree tem vícios extremamente aparentes e virtudes muito sutis, e embora a série tire risadas desses primeiros, é ao expor-nos tão subliminarmente aos últimos que ganha o jogo. Nas últimas semanas, Tom Chadwick descobriu que tem sangue americano, flertou com uma descendência indígena e descobriu que tem antepassados judeus. “Eu ainda me sinto um pouco índio. Mazel tov!” é provavelmente a frase que melhor define o tratamento que Family Tree deu a essa confusão toda.

Talvez seja porque a série nunca pedeu o foco nessas últimas sete semanas. Quanto mais longe Guest e Piddock vão para encontrar novas personas para causar efeitos cômicos (a balconista do Departamento de Registros é a nossa preferida nesse episódio), mais concentrados na questão da identidade e na reconstrução de vida de seu protagonista eles parecem estar. Em “Indians”, Tom parte para o território da tribo Mojave americana, com esperanças de encontrar pistas da mulher nativo-americana que, aparentemente, é sua tataravó, por quem Harry Chadwick fugiu para a Inglaterra. No entanto, também o vemos tendo o primeiro encontro com a americana que ele conheceu em “Civil War”, a adorável Ally (Amy Seimetz), em uma cena adequada e docemente constrangedora.

Em “Indians”, temos também a chegada de Bea e Pete a Los Angeles, e a surpreendente revelação de que a irmã de Tom nutre uma paixão secreta (até para si mesma!) pelo melhor amigo dele. A interação entre os dois não parece forçada porque Guest e Piddock não tentam conjurar um relacionamento do nada: são sutis e moderados, tendo a consciência de que o espectador se sente mal quando cai de para-quedas em um relacionamento que nem mesmo existia antes de alguém na série mencioná-lo. Nina Conti continua brilhante no papel de Bea, talvez a melhor coisa de Family Tree, mas destaque vale também para O’Dowd, que tem achado o ponto exato do personagem e conseguido emocionar em cada monólogo na pele de Tom. Eles são o centro e as maiores virtudes de Family Tree.

***** (4,5/5)

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Próximo Family Tree: 01x08 – Cowboys (07/07)