Review: Dirty Computer (álbum e filme)

Janelle Monáe cria a obra de arte do ano com um álbum visual espetacular - e que desafia descrições.

Os 15 melhores álbuns de 2017

Drake, Lorde e Goldfrapp são apenas três dos artistas que chegaram arrasando na nossa lista.

Review: Me Chame Pelo Seu Nome

Luca Guadagnino cria o filme mais sensual (e importante) do ano.

Review: Lady Bird: A Hora de Voar

Mais uma obra-prima da roteirista mais talentosa da nossa década.

Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

4 de jul. de 2012

P!nk de volta com “Blow Me (One Last Kiss)” e novo álbum em Setembro.

Blow-Me-One-Last-Kiss

por Caio Coletti
(TwitterTumblr)

Está disponível desde ontem (dia 03) a versão finalizada de “Blow Me (One Last Kiss)”, oficialmente anunciada como o novo single de P!nk. A faixa, cujo lançamento estava planejado para o dia 09, vazou em uma versão demo no último domingo. Produzida por Greg Kurstin, responsável por ótimos álbuns desse ano como o Electra Heart de Marina & The Diamonds e o Master of My Make-Believe de Santigol, “Blow Me (One Last Kiss)” antecede o sexto álbum de estúdio da cantora.

Álbum cujo título e data de lançamentos foram anunciadas hoje, em vídeo, por P!nk. The Truth About Love está marcado para sair dia 18 de Setembro. Depois de Funhouse, o álbum que lidou com sua separação do piloto de motocross Carey Hart, em 2008, a cantora entrou em hiato, no qual reatou o casamento e teve a primeira filha, Willow, nascida no ano passado.

O álbum Greatest Hits… So Far!!!, coleção de singles da carreira, ainda produziu as inéditas (e bem-sucedidas) “F*ckin’ Perfect” e “Raise Your Glass”.

Review: Madonna é puro domínio narrativo em seu “W.E. – O Romance do Século”.

we

por Caio Coletti
(TwitterTumblr)

É natural a desconfiança quanto ao primeiro trabalho de destaque de Madonna na direção de um longa-metragem (sua investida anterior, Filth and Wisdom, de 2008, mal saiu do circuito de festivais), especialmente depois de uma carreira de atriz que passa longe de ser celebrada, mas é também um preconceito a se deixar de lado para poder apreciar W.E. – O Romance do Século. Mantendo-se atrás das câmeras e recebendo créditos também de roteiro e produção, a rainha do pop mostra que ao menos uma coisa tirou do casamento com o cineasta Guy Ritchie (Sherlock Holmes): uma noção de narrativa impecável.

Com suas duas tramas paralelas e estrutura não linear, W.E. poderia ser um pesadelo para o espectador, se mal conduzido. O título se refere a Wallis (Andrea Riseborough) e Edward (James D’Arcy), um casal que se apaixona na Inglaterra dos anos 30. O problema é que Edward é o herdeiro do trono inglês, e Wallis, além de americana (e, por isso, naturalmente vista com maus olhos pela Coroa inglesa), ainda é casada. Enquanto essa história real de desdobramentos históricos (Edward renuncia do direito ao trono por Wallis) se desenrola, vemos Wally Winthrop (Abbie Cornish), nos dias atuais, uma avaliadora de arte que largou a carreira pelo marido, o psiquiatra William (Richard Coyle), e cujo casamento está em frangalhos, fascinada pela história de Wallis e Edward.

A forma como o roteiro de Madonna e Alek Keshishian (Amor e Outros Desastres) une essas histórias é graciosa, guardando lances cômicos e doces em meio a uma história essencialmente triste, mas sem nunca extremar a encenação para a comédia pura ou para a dramaticidade exagerada. A direção, por sua vez, tem a missão de não deixar o espectador se perder em meio a trama, e de juntar essas duas boas histórias que tem para contar em uma unidade dramática, e o faz com bastante destreza e elegância. Há alguns deslizes com a fotografia, sejam eles de Madonna ou de Hagen Bogdanski (A Jovem Rainha Vitória), mas há também momentos em que esta cria cenas plasticamente estonteantes.

O filme é fortalecido pela brilhante atuação de Andrea Riseborough. A atriz conhecida por trabalhos coadjuvantes em Não Me Abandone Jamais e Simplesmente Feliz mostra aqui intensa fibra interpretativa, vibrando de emoções a um tempo contidas e à flor da pele. Sua Wallis Simpson é uma personagem facilmente admirável, e potencialmente marcante. A contraparte moderna da história, Abbie Cornish (Sucker Punch), faz um trabalho que ainda é um pouco vacilante, mas acaba conquistando em uma construção sutil e equilibrada de sua personagem. No elenco coadjuvante, James D’Arcy (Mestre dos Mares) é um poço de carisma, e Oscar Isaac (Sucker Punch) realiza um trabalho compenetrado e louvável.

W.E. pode parecer, mas não é um filme pessimista em relação ao amor. Só não usa do filtro de realidade que normalmente se encontra nas comédias românticas. O ponto de Madonna, aqui, como naturalmente seria o de alguém recentemente saído de um divórcio, é que não existe um conto de fadas. Que amor é sinônimo de sacrifício de algumas coisas importantes na vida de quem ama, e que é humanamente impossível se sentir bem o tempo todo em uma relação. Por mais belo que seja, idealmente, a realidade do “romance do século” é muito mais banal, e muito mais triste, do que se imaginou. O amor retratado aqui é justamente aquele que destrói o ideal, e escancara o ideal. É um amor falho. Mas nem por isso deixa de ser amor.

**** (4/5)

W.E. – O Romance do Século
(Inglaterra, 2011)
Direção: Madonna.
Roteiro: Madonna, Alek Keshishian.
Elenco: Abbie Cornish, Andrea Riseborough, James D’Arcy, Oscar Isaac, Richard Coyle.
Duração: 119m.

3 de jul. de 2012

Prazer, meu nome é Pé de Mesa.

TAMANHO 02

por Marcelo Antunes
(Diz Que Fui Por Aí...)

Ei, dá licença...  Alguém aí tem uma régua pra me emprestar?

O Kid Abelha já cantava, há quase trinta anos, que "são sempre os mesmos sonhos/ de quantidade e tamanhos".  E é assim desde que o mundo é mundo.  Homem que é homem tem uma preocupação excessiva com o tamanho do pinto, embora especialistas do mundo inteiro digam, em coro, que é melhor um anão esperto do que um gigante adormecido.

Esse papo veio à cabeça quando li a notícia vinda do Amapá, que conta a história de uma moça que processou o maridão por insuficiência peniana.  Isso mesmo, queridos:  Insuficiência peniana.  Trocando em miúdos,  o sujeito, tadinho, era mal dotado.

Segundo a matéria, KDB, 26 anos, advogada e residente no município de Porto Grande, no Amapá, decidiu processar o ex-marido, causando frisson na jurisprudência internacional. O casalzinho foi noivo por dois longos anos e, por motivos que desconheço, decidiram esperar a hora de subir ao altar para concretizar o ato.  Tarde demais.  A moça não conferiu a encomenda antes e, então, teve que recorrer ao "Procon" pra lhe valer a justiça:

“Se eu tivesse visto  o tamanho do ‘problema’ eu jamais teria me casado com um impotente”.

A legislação brasuca considera erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge quando existe a “ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável, ou de moléstia grave”. De acordo com esta premissa, a advogada pleiteia  a anulação da cerimônia e uma indenização de R$ 200 mil pelos dois anos de namoro e 11 meses de casamento.

O pobrezinho que, ironia do destino,  é conhecido na região como Toninho Anaconda, tem comido o pão que o diabo amassou e, agora, quer reparação por tudo que o embrolho tem lhe causado nos últimos tempos.

Por isso, meninos, cuidado com a propaganda enganosa.  Ela pode foder com sua vida.

E a régua? Alguém tem pra me emprestar?

tamanho

Vamos emprestar uma régua pro nosso amigo Marcelo Antunes, que escreve todo dia 03.

“Ted”: do criador de Family Guy e com trilha-sonora de Norah Jones.

Various-Artists-Ted-Original-Motion-Picture-Soundtrack

por Caio Coletti
(TwitterTumblr)

Foi liberado hoje (03) o videoclipe para a canção “Everybody Needs a Best Friend”, contribuição de Norah Jones para a trilha-sonora do filme Ted, estreia na direção de longas-metragens live action do criador de Uma Família da Pesada, Seth MacFarlane. Ele também é creditado no roteiro e dubla o personagem título, o Ursinho Ted de John Bennett (Mark Wahlberg), que realizou o sonho de muitas crianças ao dar vida a seu companheiro de pelúcia através de um pedido.

Politicamente incorreto e boca-suja, Ted se torna um problema quando a namorada de John, Lori (Mila Kunis) decide que quer levar o relacionamento para um outro nível. O filme ainda tem Joel McHale (Community), Giovanni Ribisi (Avatar) e a própria Norah, em uma aparição em que interpreta a si mesma. Apesar de já ter estreado em terras americanas (com uma brilhante bilheteria na primeira semana), Ted chega aos cinemas brasileiros só em Outubro.

Abaixo, assista o trailer classificado como “red band”, ou seja, para maiores, e também o videoclipe da canção de Norah.

2 de jul. de 2012

Joss Stone: “While You’re Out Looking For Sugar” e álbum novo no fim do mês.

joss

por Caio Coletti

Nove anos, cinco álbuns e três cores de cabelo diferentes depois do The Soul Sessions de 2003, Joss Stone lança nesse próximo dia 31 o Volume 2, baseado no mesmo conceito de regravar canções clássicas do soul e encontrar uma nova maneira de olhar para peças de outros gêneros. O primeiro single do novo álbum da britânica é “While You’re Out Looking For Sugar”, originalmente gravada pelo grupo vocal The Honey Cone em 1969 (é possível ouvir a versão original aqui).

O videoclipe lançado ontem (dia 01) é composto por cenas de Joss no estúdio com os produtores da S-Curve Records, gravadora que lançou os dois primeiros álbuns da cantora, e que agora retoma parceria, lançando o novo trabalho em parceria com o selo próprio da artista, o Stone’d Records. A tracklist do novo álbum conta, ainda, com um cover dos Rolling Stones (“I Got The Blues”), entre outras canções clássicas do soul.

“While You’re Out Looking For Sugar” foi performada com exclusividade por Stone para a Billboard Magazine, em um desempenho brilhante. A revista liberou a versão ao vivo no YouTube.

Muito além de belas curvas.

paes

por Fabio Christofoli
(Clube do Camaleão)

Anos atrás, a Juliana Paes conquistou o Brasil. Poucas mulheres conseguiram isso: ser ícone. Ela foi lá por 2002, 2004. Nunca deixou de ser, é verdade, apesar de perder um pouco de espaço para outras – inclusive na crise de 2008, onde as mulheres frutas, por incrível que pareça, também se tornaram ícones. O fato é que o brilho dela se apagou um pouco perto do que era, mas agora ela parece retornar de forma triunfante, revivendo a sensualíssima Gabriela. Novamente ela é o tema preferido das mesas de bar. Ela e seu corpo.

Que pena.

Primeiramente, acho que a Juliana é muito mais do que um corpo.  Ela tem uma simpatia ímpar, um sorriso sincero raro de se ver. Sim, ela é gostosa, mas isso acaba sendo um complemento ao que ela é.

Mas esse post não é sobre a Juliana. É sobre Gabriela. Fico triste de ver que uma obra tão cheia de significados seja limitada à exposição do corpo da Juliana. Gabriela tem muito mais do que isso! Fala sobre política, fala sobre o direito da mulher, fala sobre hipocrisia. Gabriela foi escrita há tanto tempo, mas seu contexto, infelizmente, parece tão atual.

Ainda somos vítimas de coronéis, eles só mudaram a abordagem. Ainda assistimos mulheres sendo discriminadas, mesmo que de maneira mais discreta. Ainda somos hipócritas. E pior, ainda temos um Nordeste sem chuvas e com fome.

Gabriela representa muito a cultura brasileira. Não só no que é dito, mas na forma que é visto. A sensualidade que envolve trama, ganha o primeiro plano em um Brasil que não paga para ser distraído. Com tantas questões, o brasileiro fica preso a uma. Esquece as outras.

Aí eu pergunto: Até quando vamos ficar chocados com um peito de fora? Até quando vamos achar mais absurdo uma cena sensual do que um político que rouba e mata inocentes? Pois isso tem em Gabriela, mas ninguém parece achar muito incomum. 

Somos o povo que consagra a menina do vestido rosa e esquece o menino descalço do sinal. Ficamos abismados com coisas bobas e ignoramos o que realmente nos faz mal. Parece que fazemos um jogo mental, onde não conseguimos estabelecer prioridades.

Dizem que o Brasil está enriquecendo, você vê isso nas ruas? Eu não. Nosso transporte público é ruim, nossos hospitais estão lotados, nossa educação passa por constantes crises, nossas ruas estão cada vez mais escuras e perigosas. Estamos mais ricos e com muito mais problemas, qual a explicação? Eu digo que falta foco. E falta mesmo.

Queremos crescer como nação, mas isso não será possível enquanto não houver maturidade. Maturidade para admirar e criticar cenas de sexo, para ir além das curvas da Juliana. Precisamos olhar o mundo com um olhar mais abrangente e não ficar parado olhando e debatendo algo que não vai nos tirar do lugar.

Fabio Christofoli escreve todo último dia do mês.