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Review: Me Chame Pelo Seu Nome

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Mais uma obra-prima da roteirista mais talentosa da nossa década.

Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

12 de jan. de 2012

JOGO RÁPIDO: “Tudo Pelo Poder” + “50%”

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Tudo Pelo Poder (The Ides of March, EUA, 2011)

Dirigido por George Clooney…

Escrito por George Clooney, Grent Heslov & Beau Willimon, baseados na peça de Beau Willimon…

Estrelando Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Evan Rachel Wood, Marisa Tomei…

101 minutos

O bom filme precisa, essencialmente, contar uma boa história. O ótimo filme precisa ter gente talentosa envolvida na missão de contá-la. Mas o grande filme é aquele que envolve em si tantas facetas e nos permite tantas visões que é impossível descrevê-lo, assim em palavras e com justiça. É preciso vê-lo. Tudo Pelo Poder, a última obra de George Clooney na direção, é um grande filme. E talvez seja um dos candidatos mais dignos desse ano a ser coroado como “o filme do ano” pelos prêmios críticos e pela própria Academia, e ao menos o motivo disso não é tão dificil de explicar: no decorrer de seus 101 minutos, Clooney nos faz traçar paralelos, na história que conta e sem nunca perdê-la de vista, com a campanha do atual presidente americano Barack Obama. E não é uma crítica ferina ou destrutiva: é uma forma de engenhosamente cutucar a noção idealista de política que o comandante-em-chefe da nação ianque pregou em sua corrida presidencial.

Nem só de paralelos e teorias políticas vive Tudo Pelo Poder, no entanto. Clooney, aliado a Grant Heslov (seu parceiro também no aplaudido Boa Noite e Boa Sorte) e ao autor da peça original Beau Willimon, injeta vida em seus personagens e na jornada psicológica pela qual eles passam. Ou melhor, ele. Stephen Meyers (Ryan Gosling) é o assistente de campanha quase idealista do pré-candidato democrata a presidência Mike Morris (o próprio Clooney). A câmera de Tudo Pelo Poder o segue sem pudor de nos mostrar como a visão distorcida desse personagem (sim, idealismo aqui é uma distorção de realidade) vai se ajustando a verdadeira conjuntura das coisas. É algo como a transformação de Michael Corleone em O Poderoso Chefão – Parte I, e Gosling libera seu Al Pacino com frieza surpreendente. Ele se mostra um ator de método, capaz de se comunicar com o espectador, na cena final, apenas com o olhar e a postura corporal. Tudo vigiado pela câmera inteligente, multifacetada e brilhante de Clooney, é claro.

Nota:  9,5

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50% (50/50, EUA, 2011)

Dirigido por Jonathan Levine…

Escrito por Will Reiser…

Estrelando Joseph Gordon-Levitt, Seth Rogen, Anna Kendrick, Bryce Dallas Howard, Anjelica Huston…

100 minutos

Ok, vamos direto ao ponto aqui: você vai ouvir bastante que 50% não é um filme comparável aos outros indicados as principais categorias das premiações cinematográficas em 2012. Mas, sendo realmente sincero, quem se importa? Baseado em uma história real, ligeiramente adocicado, com aquele charme meio indie misturado a visibilidade de ter um dos grandes nomes da comédia atual (Seth Rogen) como coadjuvante e produtor, esse é um filme que quer, pode e vai te atingir de alguma forma. A história de Adam (Joseph Gordon-Levitt), um cara de 27 anos que descobre ter câncer e precisa lidar com uma namorada que só acha ser capaz de ajudar (Bryce Dallas Howard), uma mãe super-protetora (Anjelica Huston), uma terapeuta iniciante (Anna Kendrick) e um melhor amigo que as vezes pode não aparentar ser tão solidário (Rogen), é tão inevitavelmente tocante quanto absurdamente realista em seu contexto, digamos assim, filtrado.

Adam e as pessoas ao seu redor são reais (não só no sentido da inspiração da história, mas no de mérito da encenação), e é possivel sentir isso no estilo tragicômico que os estreantes Will Reiser (roteiro) e Jonathan Levine (direção) imprimem aos 100 minutos de filme. Claro, o elenco é peça fundamental nisso. Inegável que, tão odiável aqui quanto em Histórias Cruzadas, Bryce Dallas teve um ano e tanto para se (re)afirmar como a ótima atriz que é, e nos faz perguntar porque seu trabalho, seja nesse filme ou no outro de cunho mais social, não foi reconhecido pelo Globo de Ouro. Quem foi reconhecido, e com muito mérito, foi Joseph Gordon-Levitt. Sua atuação aqui é de um detalhismo realmente discreto, na maneira como constrói seu personagem, sem perder de vista a honestidade que um papel como esse exige. Em suma: é tão fácil se identificar com Levitt quanto é notar a inteligência de sua interpretação.

Nota: 7,5

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“Eu não sou um cristão. Eu não sou um ateu. Eu não sou um judeu. Eu não sou um muçulmano. Minha religião, aquilo no que eu acredito, é chamado Constituição dos Estados Unidos da América”

(Ryan Gosling em “Tudo Pelo Poder”)

11 de jan. de 2012

JOGO RÁPIDO: “Carnage” + “Nós Precisamos Falar Sobre o Kevin”

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Carnage (Carnage, França/Alemanha/Polônia/Espanha, 2011)

Dirigido por Roman Polanski…

Escrito por Yasmina Reza & Roman Polanski, baseados na peça de Yasmina Reza…

Estrelando Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz, John C. Reilly…

79 minutos

Acreditem ou não, em menos de 80 minutos é possível fazer um filme que diz mais do que muito drama de cunho social por aí. E o feito só poderia vir de Roman Polanski. Depois de mostrar que seu talento supera qualquer parte da sua vida pessoal (as pendências com a justiça americana, para ser mais exato) em O Escritor Fantasma, o diretor reúne um elenco pequeno para um filme sem grandes ambições aparentes, adaptado de uma peça de teatro e mantido fiel a ela, com apenas um cenário e quatro personagens. É assim que Carnage realiza um comentário muito ferino sobre o quanto e até onde mantemos nossas aparências. O filme compreende uma reunião entre o casal Longstreet (Jodie Foser e John C. Reilly) e o casal Cowan (Kate Winslet e Christoph Waltz) com o objetivo de discutir uma solução amigável para um problema corriqueiro (ou nem tanto): o filho de 11 anos dos Longstreet foi agredido pelo dos Cowan, da mesma idade.

A força de Carnage está na lenta desconstrução que faz dessas figuras, que se mostram os focos para os quais as câmeras de Polanski espertamente se dirigem. E, claro, em seu elenco. Jodie Foster está uma pilha notável de nervos que desmorona com o andar do filme, e é impossível negá-la a indicação ao Globo de Ouro que recebeu pelo papel. Kate Winslet, a epítome da mulher elegante no início, realiza um trabalho notável ao desafiar a própria persona que construiu para si nessa atuação. John C. Reilly entrega a atuação mais básica entre os quatro, mas ainda consegue convencer na pele do rei das reconciliações que se revela um homem com pouquíssimos modos. E, por fim, Christoph Waltz é a escolha perfeita para um papel que exige tanto nervo e tanta ironia. Ele é quase a voz da razão no grupo, e isso é algo notável na confusão inteligente, ácida, bem-humorada e direto ao ponto de Carnage.

Nota: 8,0

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Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin, Inglaterra/EUA, 2011)

Dirigido por Lynne Ramsay…

Escrito por Lynne Ramsay & Rory Kinnear, baseados na novela de Lionel Shriver…

Estrelando Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller, Jasper Newell…

112 minutos

Se existe algum jargão crítico usado com freqüência demais e critério de menos nesse universo cheio de manias, esse jargão é dizer que um drama que lida com qualquer assunto delicado é “maniqueísta”. O que isso quer dizer, afinal? Quando um filme tenta provar um ponto, influenciar o espectador e direcioná-lo a um certo tipo de julgamento, este filme deixa de sê-lo para se tornar uma tese. E não há nada de tão errado no cinema-tese. Mas há muito mais de certo em um filme como Precisamos Falar Sobre o Kevin. Lidando com a história de Eva (Tilda Swinton), mãe de um garoto que, problemático desde a infância, foi responsável pelo assasinato de dezenas de pessoas no colégio em que estudava, seria fácil para a diretora e roteirista Lynne Ramsay apontar o dedo para os culpados usuais (exposição a mídia violenta, relação complicada com os pais, querer ser notado, negligência familiar, etc etc.), mas não é isso que ela faz.

Precisamos Falar sobre o Kevin passa por todos esses fatores, sim, mas não é com as causas que Lynne está preocupada, e isso fica mais do que claro nas cenas finais. A história aqui não é sobre um assassinato: é sobre resignação, seguir adiante, lavar o sangue das próprias mãos e fazer paz com o próprio passado. Mérito ou da novela  de Lionel Shriver ou do roteiro de Ramsay ao lado de Rory Kinnear, mas de qualquer forma é a maneira como Tilda Swinton compreende e absorve isso que eleva Precisamos Falar Sobre o Kevin, de apenas excelente, para especial. Sua Eva é tão complexa, e ao mesmo tempo parece sempre tão anestesiada, que permite que a grande atriz que Tilda sempre foi explore cada olhar sob uma nova perpectiva, e encontre o que realmente importa sobre a mulher que interpreta apenas no final. Não é a toa, e não é nem um pouco indevido, que ela seja a favorita disparada nessa temporada de premiações nas categorias femininas. Uma pena mesmo que Ezra Miller não esteja sob os mesmos holofotes, pois sua atuação decerto merecia algum reconhecimento.

Nota: 8,5

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“É assim: você acorda e assiste TV, entra no carro e ouve o rádio, você vai para o seu empreguinho ou sua escola, mas você não ouve sobre isso no noticiário das seis, e por quê? Porque nada está realmente acontecendo, e você pode ir para casa e assistir mais TV ou talvez seja uma noite divertida, e você saia de casa… e veja um filme. Eu quero dizer, a situação está tão ruim que metade das pessoas na TV, dentro dela, estão assistindo TV também. O que essas pessoas estão assistindo, pessoas como eu?”

(Ezra Miller e seu monólogo em “Precisamos Falar Sobre o Kevin”)

10 de jan. de 2012

Histórias Cruzadas (The Help, EUA/Índia, 2011)

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por GuiAndroid

Passado em uma época onde o preconceito racial dominava o sul dos Estados Unidos e empregadas domésticas eram tratadas não muito diferente de seus descendentes escravos, Histórias Cruzadas explora de maneira ampla e muito bem estruturada a iniciativa de uma jovem escritora, Skeeter Phelan (Emma Stone), de escrever um livro que narre as histórias inusitadas e de muito sofrimento vividas pelas empregadas domésticas negras da cidade de Jackson, no Mississipi. O longa se desenvolve em cima do contexto social de uma cidade do interior americano em plenos anos 60: a desigualdade social é um abismo entre as raças branca e negra, a constituição incita o ódio e força ainda mais as barreiras já existentes contra os negros. Nesse ritmo entra o livro de Skeeter, chamado obviamente de The Help (A Ajuda – no sentido de “A Criadagem”, como era usado na época), uma análise bem intimista do cotidiano dessas mulheres contando histórias, expondo a opressão vivida pelos negros e os frequentes maus tratos e desrespeitos morais às não só empregadas, mas também mulheres.

Numa sociedade feminina onde a prepotente patroa Hilly Holbrook (Bryce Dallas Howard) destrata sua empregada e comanda suas súditas do clube de bridge, Skeeter se demonstra contrária às ideias de sua "rainha", e com alfinetadas, várias indiretas e respostas afiadas, causa a fúria de Hilly.

Mas o lado cômico e moral do filme não se restringe à respostas mal criadas e atitudes fúteis e preconceituosas das mulheres do clube de bridge: as empregadas Aibileen Clark (Viola Davis) e Minny Jackson (Octavia Spencer) também fazem de suas cenas uma mistura saudável onde se demonstram mulheres de força e determinação que não se deixam abater nem por suas patroas que recebem a resposta que merecem quando fazem a objeção que não devem. Há um caso em que essa resposta não vem em uma frase, mas sim em uma torta com um ingrediente surpresa.

Em um cenário triste e sem esperança, a coragem une os corações das empregadas domésticas que lutam pelo seu direito de voz no livro de Skeeter, inicialmente com muito receio.

O filme explora todas as faces possíveis do cotidiano dessas mulheres, mostrando até que nem todas as patroas são racistas e que os dramas vividos por cada uma delas podem ser diferentes, mas que todas possuem algo para fazer suas lágrimas correrem, seja ver alguém de sua raça morrer apenas por ter nascido negro ou ter seu carro queimado pela mesma razão, seja por não poder gerar filhos e se sentir incapaz de fazer seu casamento valer a pena.

Histórias Cruzadas não é mais um filme com uma história complexa que te faz se perder a cada dez minutos, não são cenas de ação, não é uma comédia fútil e desbocada, não é um drama frio e repleto de lágrimas. É a combinação de todos os gêneros, é a perfeita junção de várias áreas do cinema e atuações competentes que o tornam uma obra simples, compreensível, respeitável e honrosa seja pelo seu tema ou por sua estruturação impecáveis. Pois o respeito cabe não apenas às empregadas domésticas, mas aos negros, às mulheres, a todo tipo de pessoa independente de seu gênero, raça, cor, profissão ou opção sexual. Histórias Cruzadas nos mostra o valor do respeito, numa atmosfera insensível e segregada pelo preconceito, regada a discursos de Martin Luther King.

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Histórias Cruzadas  (The Help, EUA/Índia, 2011)

Dirigido por Tate Taylor…

Escrito por Tate Taylor, baseado na novela de Kathryn Stockett…

Estrelando Emma Stone, Viola Davis, Bryce Dallas Howard, Octavia Spencer, Jessica Chastain, Allison Janney…

146 minutos

7 de jan. de 2012

Fabio Christofoli #5 – Muito pra pouco

Fabio opinião

Bem que eu tentei começar 2012 sem uma polêmica aqui no meu espaço no Anagrama. Bem que eu tentei... Cheguei a fazer dois parágrafos, exaltando o novo ano, opinando sobre as mudanças que gostaria de aplicar no meu cotidiano (cumpri todas as que me propus ano passado) e as que desejo ver nas pessoas. Mas aí percebi que as pessoas começaram o ano com os MESMOS erros.

Hoje, dia que estou criando esse texto, as Redes Sociais foram tomadas por uma indignação, por um senso de justiça sem freio, por discursos inflamados e montagens irônicas. Isso seria legal se o debate fosse sobre algo relevante, mas não, era sobre a capa da Época: o Michel Teló. As pessoas estavam inconformadas pela manchete que dizia que o cantor traduzia os valores da cultura popular brasileira. Elas pararam o que estavam fazendo, usaram minutos, cada vez mais preciosos nesses dias corridos, para debater a capa de uma revista. Mentes que poderiam estar pensando coisas produtivas se debatiam para queixar-se do “erro da Época”.

É aqui que começo minha primeira polêmica do ano. Quero dar um conselho a esse grupo de pessoas. Meu conselho pra 2012, que pode ser assimilado ou não (mais provável).

Parem com isso, sério. Uma coisa é não concordar, o que é até saudável, outra é criar uma revolução em cima disso. Claro que não sou guru para dar conselho, nem quero ser. Na verdade, é mais que um conselho: é uma tese, defendia em 3 importantes tópicos, que deflagram o quanto esse mimimi é absurdo.

1) Cultura é tudo – Erra quem pensa que cultura significa algo sofisticado, algo que necessariamente deve ser bom. Não! Cultura é praticamente tudo. Colocar o lixo em um recipiente (conhecido como lixeira) é uma cultura. A palavra ganhou um sentido extra, pelo menos aqui no Brasil, e muita gente fica ofendida quando ela é usada para se referir a algo popular. Sabe o funk dos morros cariocas? É cultura. É o modo de algumas pessoas se expressarem. Se é bom ou ruim, não interessa. Pelo menos para classificarmos como cultura. Espartanos matavam bebês com problemas de saúde. É algo horrível de se pensar hoje, mas era uma cultura dos caras na época. Quando a Época diz que o Michel Teló traduz a cultura popular (reparem nessa palavra), ela não esta cometendo nenhum erro. Muito pelo contrário. Ele traduz mesmo. “Aí se eu te pego” acontece por aí, está na cabeça das pessoas. Faz parte da cultura de uma população grande, é popular. Onde está o erro? Talvez em exaltar isso. Mas, ignorar isso também não seria um erro? O cara atualmente está na frente da Adele nas paradas européias. Posso não achar isso certo, mas devo admitir que é impressionante.

2) O popular SEMPRE foi contestado – João Gilberto já foi considerado lixo (pelo amor de Deus, não estou comparando ninguém, só estou lembrando um fato). Sim, a Bossa Nova ia contra o que se tocava na época, era uma novidade. E novidades quase sempre despertam interesse da massa. O “estilo” de cantores como Michel Teló no momento é uma novidade. É o que mais toca na noite. Um dia esse espaço foi do rock, depois foi da dance musica, várias vezes foi do pop, agora é do sertanejo universitário (ok, não entendo essa nomeclatura). É um ciclo. Um ciclo pouco consistente se a música não tem qualidade pra se manter. Alguns se tornam clássicos, outros caem no esquecimento. O fato é que o que o povo ama sempre, de alguma forma, foi contestado. Todos esses estilos encararam narizes torcidos dos que amavam o que “era bom”. Só o futuro vai dizer se a novidade fica ou vira hit em festas bizarras. Não se esqueça, você ou alguém que você conhece já dançou Macarena feliz da vida e nem se importou com a letra.

3) Odiar é pior que amar – Restart, Justin Bieber, Fiuk, Luan Santana e Michel Teló não fazem parte do meu playlist. Nunca farão, pois não gosto, acho ruim, não faz meu estilo. Porém, acho um absurdo fazer guerra contra quem gosta. Por favor! Isso é quase uma ditadura musical. As pessoas são livres pra gostar do que quiserem. Ok, a qualidade (pra alguns) é ruim, mas problema é de quem ouve. Não de quem não ouve. Tudo bem dizer “Restart é uma bosta”, mas uma ou duas vezes. É uma opinião. Mas é patético se estressar com isso. Vou dizer que é pior do que gostar disso, pois você deixa de curtir as suas coisas para ficar azucrinando que está curtindo algo que você não gosta. E mais, quem faz isso cria uma cultura chata, repetitiva e inútil. Quer um exemplo? Quase sempre que um vídeo de uma música “boa” leva um “não curti” no Youtube, alguém solta a pérola “tantas pessoas são alienados e gostam de Restart”. Pô! Que saco isso. Invés de o cara fazer um comentário bacana sobre a música, ele “queima” sua participação preocupado com suposições. 

Enfim, desculpem eu me estender tanto. Estou me odiando por ter que parar pra escrever sobre isso. Mas não pensem que estou aqui defendendo bandas coloridas ou cantores sertanejos, NÃO MESMO. Estou aqui indignado contra essa nova onda social de protestos, que muitas vezes mais parecem inveja. A esse ciclo viciante de briguinhas inúteis, que não levam a lugar algum. Aliás, enquanto as pessoas estão discutindo o cabelo do Neymar, os políticos desse país estão definindo o aumento do próprio salário e como vão arrecadar esses recursos, ou seja, como vão descontar de você.

Fica aqui meu apelo pra 2012: mundo, comece a se preocupar com os seus problemas de verdade, que não são poucos...

Obs.: Sobre a capa da Época. Acho importante a revista destacar um brasileiro que faz sucesso fora do país.

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“Agora chegou a vez da letra maliciosa e do rebolado discreto de Michel Teló. O mundo inteiro está dançando ao som do batidão, essa mistura de vanerão gaúcho e forró nordestino que o Teló inventou.”

(Luiz Carlos Maluly, produtor)

5 de jan. de 2012

iJunior #4 – Aos futuros heróis

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Em uma tarde quente, um pouco antes do anoitecer, eu ainda criança brincava como qualquer outra, até que uma mulher de apenas 29 anos- porém já com uma família, um marido e dois filhos - foi ao meu encontro e me fez uma das perguntas mais importantes da minha vida seguida de um comentário que me marcaria mais ainda.

A sua pergunta foi:” Se seus pais um dia se separassem, e você tivesse que escolher entre ficar com sua mãe e seu pai, com quem ficaria?” Eu, sem nem pensar duas vezes respondi de boca cheia: “com a minha mãe, claro!” E então ela me olhou fixa por um tempo, aparentou demonstrar um certo orgulho feminista por isso, porém, não deixou que isso permitisse que perdesse o foco e logo me veio com a segunda parte, trazendo com ela um curto discurso porém forte, que dizia: “Então seja diferente, cresça como um homem diferente e seja um pai que ao menos faça o filho pensar a respeito de com quem quer ficar. Você é homem, um dia será pai, e ainda pode ser diferente.” Após terminar o que tinha que me dizer, foi embora e me deixou ali, pasmo e pensativo, e eu sabia que iria carregar aquilo comigo pelo resto da vida.

Uma das maiores questões que envolvem esse tipo de pensamento pra mim é a influência, a figura que seremos para nossos filhos, porque querendo ou não os pais são a maior influência deles, não apenas para educar, mas eles se vêem em nós, se projetam à nossa imagem, mesmo que um misto de pais, irmãos e amigos, algo sempre fica com os filhos, e então o que ser pra eles?

Em minha cabeça uma das obrigações das novas gerações é saber corrigir tudo aquilo que está sendo dado de errado em sua criação, adolescentes que sabem notar esse tipo de coisa conseguem ser melhores pais para seus futuros filhos e tentarem manter isso proporcionalmente a fim de conseguirem a continuação de uma família gerada cada vez com mais melhorias.

Uma frase que deve ser excluída do pensamento de qualquer pai ou mãe é a “faça o que eu mando, não faça o que eu faço” e sim saber envergonhar-se pelos seus erros e até aceitar aqueles “puxõezinhos” de orelha dos filhos, pois eles também são capazes de corrigir (o que está errado claro) e sugerir melhorias na convivência de uma família.

Então deixo aqui, minha sincera esperança, aos futuros heróis, àqueles que ouvirão de seus filhos um “eu te amo” sincero, àqueles que ouvirão dos mesmo que querem ser como eles, seguir sua profissão, ser tão grande quando, e por mais que pequeno, sejam titãs para o pedaço de si mesmo que deixará no mundo, onde depositará suas esperanças deixadas de lado, seus estudos, tudo o que não foi aproveitado, as oportunidades e os sonhos, mas mesmo assim deixá-los viverem e aprenderem, não sozinhos, mas com amor e dedicação, de pais que sempre terão sua admiração, e um porto seguro eterno.

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“Não são só as crianças que crescem: são os pais, também. Tanto quanto nós vigiamos para ver o que nossos filhos fazem com a vida deles, eles nos vigiam para ver o que fazemos com as nossas. Eu não posso simplesmente dizer aos meus filhos para ter grandes objetivos. Eu preciso tê-los por mim mesmo”(Joyce Maynard)

3 de jan. de 2012

Sobre… – Quem produz nossos espelhos?

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“Beauty is a lie”. Se vocês me perdoarem por começar esse artigo com uma citação que não é de nenhum filósofo ou poeta Iluminista de séculos atrás, eu posso até explicar. As quatro palavrinhas ali foram o mote da artista pop Lady Gaga entre algumas performances de seu último álbum, Born This Way, ele mesmo todo impregnado de uma mensagem de auto-aceitação e empoderamento do ouvinte para tomar as rédeas da própria vida. Mas não é bem isso que vem ao caso. “A beleza é uma mentira” não é, para Gaga, uma forma de diminuir a beleza: é uma forma de exaltar a mentira. E, mais uma vez no campo das más interpretações, ela não fala, de forma nenhuma, de maquiagem, e muito menos, é claro, de Photoshop. Ela fala de mentir para nós mesmos.

A primeira verdade é que ninguém é perfeito, e todo mundo, eu espero, tem muita consciência disso. Costuma ser muito mais fácil listar os próprios defeitos do que as qualidades, isso quando a pessoa sequer consegue listar as qualidades. É mais fácil apontar o que há de errado no espelho do que qulquer coisa que haja de certo. E aqui ainda falo de espelho físico, mas também de espelho mental: para nós mesmos, somos muito mais falhos por dentro, nas nossas neuroses e defeitos, do que qualquer coisa. Mas é então que a frase de Gaga encontra-se naquela categoria rara de motes inspiracionais obviamente impossíveis de serem alcançados (“Carpe Diem”, alguém?), mas para serem vistos como objetivo: devemos mentir para nós mesmos, nos vermos mais bonitos do que somos, menos falhos do que somos.

A mitologia nos avisa sobre o perigo de exagerar nesse mote, aliás. A história de Narciso, que era elogiado por todos por sua beleza mas nunca havia mirado seu reflexo, e quando o fez acabou afogado num espelho d’água, virou até origem do adjetivo “narcisista”. Idolatrar a própria beleza pode levar o sujeito a um comportamento egoísta insuportável, de fato, mas tudo nessa vida é equilíbrio. Gaga nos diz para mentir, para encontrar nossa forma de nos achar bonitos a nossa maneira, pois essa é a única forma de realmente nos tornarmos bonitos, aos olhos de quem nos importa. E nos diz mais, fazendo-se de exemplo: externemos nossa personalidade, intensifiquemos nosso olhar, não nos livremos tão fácil da nossa forma de enxergar o mundo, porque essa é a forma mais fácil de driblar a beleza padronizada e provar o ponto que, afinal, de alguma forma todos somos bonitos. Personalidade é bonito. Estilo é bonito. Estar vivo, ter força de espírito, é bonito.

Agora eu volto a pergunta do começo do meu texto, lá no título, e vocês já devem ter percebido como eu vou tentar respondê-la. Não tenho medo de acabar caindo no clichê, porque às vezes eles estão certos, afinal. E tem mais: não pensem que sou capaz de cumprir, todos os dias, o que eu proponho aqui; mas eu me comprometo a tentar. Eu me comprometo a tentar, quando me olhar no espelho, tomar as rédeas do que eu achar ali de ruim, e trazer do que eu tenho dentro de mim a forma de mentir para tudo aquilo. Eu prometo tentar, com meu olhar, distorcer o que eu ali vejo, colocar uma encenação para funcionar (mas uma que mostre o que eu realmente sou). Eu prometo tentar, e tentar incansavelmente, ser eu mesmo a produzir os meus espelhos.

E nós todos também deveriamos prometer, talvez. Porque se a beleza é uma mentira, porque não contá-la a si mesmo todos os dias?

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“Eu nunca fiz cirurgia plástica e há muitas estrelas pop por aí que fizeram. Eu acho que promover insegurança na forma de cirurgia plástica é muito mais prejudicial do que se expressar artisticamente através de algo relacionado a modificação corporal”

(Lady Gaga, sobre cirurgia plástica, suas tatuagens e as próteses de “chifres” que usou por um tempo na promoção do último álbum)