Review: Dirty Computer (álbum e filme)

Janelle Monáe cria a obra de arte do ano com um álbum visual espetacular - e que desafia descrições.

Os 15 melhores álbuns de 2017

Drake, Lorde e Goldfrapp são apenas três dos artistas que chegaram arrasando na nossa lista.

Review: Me Chame Pelo Seu Nome

Luca Guadagnino cria o filme mais sensual (e importante) do ano.

Review: Lady Bird: A Hora de Voar

Mais uma obra-prima da roteirista mais talentosa da nossa década.

Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

13 de dez. de 2011

Quinze bons álbuns do segundo semestre (Parte II de III)

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10ª posição – Young Foolish Happy (Pixie Lott)

“O segundo álbum da cantora inglesa Pixie Lott trás consigo características do primeiro Turn It Up (Lounder), porém ainda bem diferente. Young Foolish Happy (Jovens Tolos Felizes) é um destes álbuns que carregam uma explosão de sentimentos da primeira à ultima faixa, cada uma podendo ser dedicada a um momento diferente, um sentimento diferente, desde àquela lembrança de um primeiro dia com alguém até o fim de tudo. Com sua voz de tonalidades ímpares, vezes meio rouca vezes afinada, merecedora de aplausos, Pixie consegue amantes de seu álbum na primeira audição. Destaque para a musica “You Win” onde, em minha opinião pessoal, a voz dela esta representada de forma mais impressionante, além de ser uma musica portadora de uma excelente letra.”
Destaque:
You Win
(por @iJuunior)

A inglesa Victoria Louise Lott foi vista como uma candidata ao trono de princesinha pop (mais pela aparência do que pela música) a época do lançamento do Turn it Up, seu álbum de estréia. A bem da verdade, seu apelo é muito mais soul do que se pode imaginar, a começar pela voz e estilo de interpretação, passando pela inteligente mescla de canções upbeat e baladas pop que é sua marca. Esse Young Foolish Happy, como o próprio título indica, favorece os momentos mais otimistas, mas não perde a qualidade soul que diferencia a música de Pixie da de, por exemplo, Katy Perry. De certa forma, aqui ela ensaia um retorno as tendências hip hop do pop do começo da nossa década, mantendo uma invejável e deliciosa consistência vocal e compositiva.

Os singles: All About Tonight - What do You Take me For?

Ouça também: Nobody Does it Better - Stevie on The Radio - Dancing on My Own

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9ª posição – Siberia (LIGHTS)

Seria um erro definir este album como apenas pop eletrônico comum. O álbum Siberia, segundo da cantora Lights, traz uma batida eletrônica corrosiva, viciante e envolvente acompanhado de uma voz doce e delicada. Este consegue envolver essa sonoridade forte com musicas que trazem consigo um sentimentalismo que o torna lindo e nos traz a uma catarse perfeita. O álbum é desses em que uma única audição nunca é suficiente. O primeiro single, “Toes” é viciante e bom para qualquer momento. Destaque à musica “Banner” que descreve bem o que foi dito a respeito dele embora seja uma das musicas mais melancólicas do álbum.”
Destaque:
Banner
(por @iJuunior)

Definir Siberia em rótulos como synthpop, indie pop, new wave e dubstep não é só inútil: é também muito equivocado. Nas 15 faixas desse seu segundo álbum de estúdio, a cantora e compositora LIGHTS molda para si um universo tão particular que as próprias referências começam a se confundir. A faixa-título ecoa The Postal Service (ou, para os leigos, Owl City) por todos os lados. “Toes” é um single tão improvável quanto brilhantemente composto. “Cactus in The Valley” coloca para funcionar um minimalismo que faz bem a linda melodia que tem. Perto do final, “Flux and Flow” coloca a canadense como a porta-voz do futuro da música eletrônica. E tudo fecha maravilhosamente com a colossal e intrumental “Day One”.

Os singles: Toes

Ouça também: Siberia - Peace Sign - Cactus in The Valley - Flux and Flow - Day One

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8ª posição – Birdy (Birdy)

“Primeramente, se você é um sentimental de coração mole ou não gosta de musicas que tenham letras que vão lembrar de desilusões, evite a Jasmine. Birdy mostra que idade não importa quando se tem talento, com uma voz apaixonante (leia-se potente tambem), aliado ao seu dom de tocar piano. Sendo assim penso que não existe alma que não se comova com “Without a Word”. OK, a tracklist do álbum é baseada em covers de clássicos; porém “Without a Word” é angustiante com o sofrimento da partida, que se torna linda da sua forma. Apenas essa musica me faz esquecer o incrivel cover de “Skinny Love”, e mostra para todos haters que ela não é somente mais uma, e seu talento ainda vai calar a boca de muitas pessoas.”
Destaque:
Without a Word
(por @Caio_bob)

Com 15 anos e uma voz que desmente facilmente sua idade, a britânica Jasmine Van Den Bogaerde ainda é uma compositora em formação, e mesmo assim é impressionante o que ela consegue fazer na única canção original (“Without a Word”) desse disco de estreia composto de covers de artistas indie como The xx e The Postal Service. A rendição do clássico do duo de indie eletrônica, “The District Sleeps Alone Tonight” é, aliás, a prova do incrível potencial que a garota encerra em sua voz. Discretamente impressionante, tocando piano com quase tanta maestria quanto abusa do seu alcance, Birdy é um prodígio que não pode e não deve sumir dos nossos olhos tão cedo. Birdy, o álbum, é um passo modesto para o tamanho do seu talento, mas impressionante para os ouvidos.

Os singles: Skinny Love - Shelter - People Help The People

Ouça também: The District Sleeps Alone Tonight - Terrible Love

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7ª posição – Biophilia (Björk)

Biophillia consegue ser calmo e super agitado ao mesmo tempo. Com tema natural, algumas musicas me agradam, outras também. De primeira não gostei do álbum, mas com o tempo fui ouvindo faixa por faixa e me apaixonando cada vez mais. Hoje já até sei algumas musicas de cor, da letra as batidas. Gostei muito do álbum em todos os aspectos. Acho a Björk uma cantora e compositora fantástica. Ela realmente nasceu para isso. Sabe me encantar e encantar muitos outros de olhos fechados. Daria 5 estrelas para Biophillia.”
Destaque:
Crystalline
(por @EVERYBODYKILLS)

A coisa mais cruel que se pode fazer com uma artista como Björk é tentar entender suas escolhas como se não fossem opções claramente subjetivas de uma compositora, cantora e produtora muito capaz de pisar fora de sua área de conforto. Trata-se, claro, de uma escolha muito inteligente: nenhum artista sobrevive em evidência por mais de 15 anos (Debut é de 1993) fazendo mais do mesmo. E mesmo que os melhores momentos desse Biophilia ainda sejam os em que ela passeia pelo seu território eletrônico-experimental (vide as batidas corrosivas, os sopros e “Tesla coil”s de “Thunderbolt”), e ainda que quase nada aqui se compare a artista enérgica que Björk um dia foi, ela ainda tem competência de sobra para produzir um álbum musicalmente belíssimo.

Os singles: CosmogonyVirusMoon 

Ouça também: Thunderbolt - Sacrifice - Mutual Core

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6ª posição – Cinderella’s Eyes (Nicola Roberts)

“Defino este álbum como único em qualquer sentido. De sonoridade ímpar acompanhada de uma voz também incomparável - a da cantora Nicola Roberts, ex Girls Aloud - o álbum carrega consigo musicas para qualquer momento, daquelas para o fim de um relacionamento àquela em que você simplesmente quer aproveitar seu dia como se fosse o ultimo. Possuí também um bom uso vocal da cantora para compor as musicas, ainda mais aquelas bem chicletes como a musica “Gladiator” que em poucas audições você já fica com “show show show show show here a go go go ....gonna tap tap tap...” na cabeça. Destaque para a musica “Take A Bite” muito envolvente e acompanhada de ótimos “La La Las”, ótima para curtir acompanhada de bons pensamentos, ou apenas para curtir o dia.”
Destaque:
Take a Bite
(por @iJuunior)

É uma preciosidade encontrar um álbum pop injetado de tamanha personalidade como é esse Cinderella’s Eyes, primeiro trabalho solo da ex-Girls Aloud Nicola Roberts. A antiga companheira de vocais de Cheryl Cole criou um som tão único quanto em sintonia com as maiores tendências do indie pop dos últimos anos. A produção é quase sempre perfeita (o único deslize do álbum é  “Fish Out of Water”, mas há de se relevar, com tantos acertos), os vocais e as letras de Roberts indicam um uso todo particular dos recursos que ela tem (e não são poucos, de fato). Aqui, melodias na melhor tradição chiclete da música pop (vide os singles “Beat of My Drum” e “Yo-Yo”) dividem espaço com trabalhos mais pessoais, como a brilhante “I”.

Os singles: Beat of My Drum - Lucky Day - Yo-Yo

Ouça também: Porcelain Heart - I - Gladiator 

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20ª posição – Junk of The Heart (The Kooks) – Ouça: Happy

21ª posição – Red (Dia Frampton)Ouça: Isabella

22ª posição – In Case You Didn’t Know (Olly Murs) – Ouça: Anwhere Else

23ª posição – Superheavy (Superheavy) – Ouça: Miracle Worker

Quinze bons álbuns do segundo semestre (Parte I de III)

listas musica

por Caio Coletti

Vamos ser honestos: 2011 foi mesmo um ano fantástico para a música. Se os bons álbuns dessa porção inicial do ano nem mesmo couberam na lista tradicional de 10 eleitos, porquê sequer tentar no segundo semestre, esse ainda mais cheio de lançamentos de qualidade? Daí a decisão de ceder espaço a quinze desses lançamentos e, ainda não sendo o bastante, citar quatro menções honrosas abaixo de cada um dos três posts que vão apresentar para vocês essa lista, todos a ser publicados ainda essa semana. Outra novidade é que cada um dos álbuns listados vai ter, além do comentário desse que vos fala, uma breve resenha de um convidado de honra. Agradeço desde já a todos que toparam o desafio.

Nessa lista, como de costume, há surpresas e artistas consagrados, presenças inesperadas e apostas certas. Eletrônica e soul. Pop, avant-garde e rock. Porque ouvir música sem preconceitos de gênero ainda é, e vai continuar sendo, uma virtude. A partir de agora, então, em contagem regressiva,  os 15 álbuns (e mais 12!) que valem a pena serem ouvidos nesse segundo semestre de 2011.

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15ª posição – Ximena Sariñana (Ximena Sariñana)

“Ximena Sariñana é uma mexicana muito atrevida, lançou seu primeiro álbum, chamado Mediocre em 2008, todo em espanhol, e foi um sucesso no seu país. Mas ela ficou realmente conhecida depois de regravar a música “Lucky” do cantor Jason Mraz em espanhol com o mesmo, que ganhou o nome de “Suerte”. Em julho de 2011 ela lançou seu segundo álbum de estúdio, inteiramente em inglês e auto-intitulado. Esse álbum é, sem exageros, uma DELÍCIA, mas comparado ao seu primeiro trabalho, ele perde alguns pontos. Quando você o coloca pra tocar, ele te cativa de uma forma que você não consegue parar enquanto não chega ao fim.”
Destaque:
Different
(por @junior_ruiz)

Mexicana, ex-atriz mirim de telenovelas em seu país, sem histórico em nenhum dos grupos pop tão populares por lá e fazendo um som muito mais denso (e cheio de referências) que os artistas dissidentes dos mesmos, Ximena Sariñana Rivera é dona de voz grave, rouca e impregnada de balanço soul, justamente o toque especial às músicas desse segundo álbum, auto-intitulado, seu primeiro trabalho em inglês. Mediocre, o anterior, era dono de uma vibe mais pop-rock, enquanto essa nova investida adota por vezes os sintetizadores (produzindo faixas memoráveis, vide “Shine Down”) e por vezes o piano quirky que lembra o primeiro álbum de Lily Allen com um toque muito pessoal, e adorável, da própria Ximena. É desse verve que o primeiro single, “Different”, bebe.

Os singles: Shine Down

Ouça também: Echo Park - Tú y Yo

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14ª posição – Ceremonials (Florence + The Machine)

Esse álbum é sem dúvida alguma um dos maiores merecedores de destaque entre os lançados este semestre/ano. Este é um álbum indiscutivelmente único. Sua sonoridade é um pouco diferente a sonoridade do primeiro álbum da banda Florence + The Machine intitulado Lungs. Este possui musicas um pouco menos agitadas como as de seu antecessor, porém nos envolve da primeira a ultima faixa. Ceremonials possuí corais, instrumentos musicais diferentes e a voz incomparável da cantora Florence Welch, que possui fôlego de sobra para cantar. O álbum provou que a banda não perdeu a pegada indie e fizeram musicas que conquistaram ainda mais fãs. Destaque para a musica “Never Let Me Go” que possui vocais excelentes, destes em que nos fazem ouvi-la sem fazer mais nada para apenas apreciar tanta arte musical.”
Destaque:
Never Let Me Go
(por @iJuunior)

Apresentada ao mundo com o álbum Lungs, a talentosíssima inglesa Florence Welch é a cabeça, a composição e a voz do Florence + The Machine, que encara agora a maldição do segundo álbum. Ceremonials é uma obra toda própria, de climatizações trabalhadas, com consideravelmente menos da energia rocker crua de faixas como “Kiss With a Fist” e mais da cuidadosa combinação de alquimia indie pop, intervenção grandiosa de corais e intensidade emocional de momentos como “Cosmic Love”. Não deixa de ser uma decisão acertada, que faz desse Ceremonials uma obra uniforme (algumas vezes até demais), que possui orientação artística clara e entrega, faixa após faixa, a visceralidade e a catarse tão boas de ouvir que aprendemos a esperar de Florence.

Os singles: What The Water Gave Me - Shake it Out - No Light, No Light

Ouça também: Seven Devils - Heartlines - Spectrum - Strangeness and Charm

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13ª posição – Gravity The Seducer (Ladytron)

Bom, como o Caio disse, Ladytron é uma banda Britânica (uma das minhas favoritas), que está com esse novo álbum Gravity The Seducer, que apesar de ser um som frio e sombrio, é leve. As coisas ficam realmente sombrias à partir da terceira música, White Gold (minha favorita), com vocais super sombrios e frios, é uma canção pesada, desesperada, com cara de que toca em pistas de “Inferninhos”(clubs estilo porões). Eu poderia ficar falando horas e horas sobre esse álbum, mas resumindo, ele é simplesmente perfeito para você ouvir em dias de inverno. Eu amei esse álbum, é um álbum quase perfeito, se não fosse a ultima faixa, Aces High, que eu achei chata e entediante.
Destaque: White Gold
(por @My_Vanity)

O Ladytron é o primeiro veterano na nossa lista: a banda britânica tem cinco gravações de estúdio lançadas desde a estreia, em 2001. Desde então, o nome Ladytron e a figura dos dois casais que a compõe se tornaram referência quando o assunto é electro e synthpop, influenciando artistas díspares como Goldfrapp e Cansei de Ser Sexy. Esse alcance do Ladytron é facilmente percebido em Gravity The Seducer: as faixas iniciais, perfeitos exemplares do que se vê hoje como a primazia do indie eletrônico, são ainda mais notáveis quando se acrescenta o fato de que o Ladytron é conhecido pela performance ao vivo sem o uso de samplers. A fatia final do álbum é a que mostra, no entanto, que o Ladytron é também uma banda avant-garde das boas.

Os singles: Ace of Hz - White Elephant - Mirage

Ouça também: Ritual - Attitude Blues - Melting Ice

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12ª posição – Crazy Clown Time (David Lynch)

Diretor, roteirista, artista plástico, guru da meditação, compositor e, agora (ufa!), cantor.  Sim, o amado e odiado David Lynch debuta, num disco solo, aos 65 anos, com o “estranho” Crazy Clown Time ou, em bom Português, A Hora do Palhaço Louco.  Vale lembrar que na cultuada Twin Peaks, Lynch já metia o seu bedelho na área musical.  Com toques de blues, música eletrônica, rock alternativo e noise rock, no melhor estilo Sonic Youth (é viagem minha?), o álbum promete dividir opiniões, assim como acontece com os filmes do cara. Destaque para a participação luxuosa de Karen O, do Yeah Yeah Yeahs, na faixa chamada Pinky’s Dream  e para a canção que dá nome ao disco - para mim, a melhor, embora a maioria do povo que converse sobre discorde de mim.”
Destaques:
Pinky's Dream - Crazy Clown Time
(por Marcelo Antunes)

Não se esperaria um álbum comum de David Lynch. O diretor de cinema conhecido por pérolas imaginativas como Eraserhead e Veludo Azul, entre outras, nos aparece aqui com seu primeiro álbum solo, e toma a direção da música eletrônica. Lynch começa nos pegando de surpresa com o apelo pop de “Pinky’s Dream”, parceria com Karen O, e “Good Day Today”, essa, escolhida como single, quase toda composta de sintetizadores e voz tratada por filtros. É uma jogada esperta, que envolve o ouvinte e, de repente, faz de uma faixa toda falada de quase oito minutos como “Strange and Unproductive Thinking” algo muito mais fácil de se ouvir. Crazy Clown Time é um trabalho atmosférico, amplo, por vezes cínico, mas uniformemente genioso (e, por isso, genial).

Os singles: Good Day Today - I Know

Ouça também: Noah's Ark - Strange and Unproductive Thinking

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11ª posição – My Life II… The Journey Continues (Act I)

Ao contrario do que muitos pensam, falar sobre o novo álbum de May J Blige é de extrema clareza, perfazendo sobre minha mente algo que exige muito menos que 6 linhas. Precisamente, basta uma palavra para sintetizar o álbum My Life II... The Journey Continues (act. 1): está sendo inacreditável. Um arranjo de estrema perfeição, melodias que soam de canções de ninar a baladas. Mary, como sempre, não deixou seu estilo quase clássico de interpretar canções.”
Destaques:
Love a Woman Mr. Wrong
(por @vinicius300)

Não se é aclamada como “a majestade do soul e do R&B”, entre outros títulos de igual lisonja, por acaso. Mary J. Blige é notável tanto na história recente do gênero quanto na atualidade, e esse My Life II é a prova cabal de que ela está lonje de ser coisa do passado. Inteligentemente, essa nova-iorquina de 40 anos realizou aqui um álbum moderno na medida certa, que deveria servir de exemplo a cantoras indecisas entre o R&B contemporâneo e o soul clássico (leia-se Jennifer Hudson). De alguma forma, com muita classe e parcimônia exemplar no uso da linda voz que tem, Blige consegue soar tão natural sob os sintetizadores de “Ain’t Nobody” quanto na balada acústica “Need Someone” ou na maravilhosa “The Living Proof”, que fecha o álbum.

O single: 25/8

Ouça também: Feel Inside - Don't Mind - Need Someone - The Living Proof

 albuns 2011 5,3albuns 2011 5,6

16ª posição – Agridoce (Agridoce) – Ouça: 20 Passos

17ª posição – Vows (Kimbra) – Ouça: Call Me

18ª posição – Destroyed. (Moby) – Ouça: The Violent Bear it Away

19ª posição – Vanbot (Vanbot) – Ouça: Make Me, Break Me

8 de dez. de 2011

Cópia Fiel (Copie Conforme, França/Itália/ Bélgica, 2010)

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por Caio Coletti

Talvez o mais celebrado de um time grande de cineastas iranianos que dominaram o circuito dos festivais europeus no século XXI, Abbas Kiarostami, como quase todos os seus conterrâneos, já teve e ainda tem problemas com a sua terra natal e a mão-de-ferro do governo de Mahmoud Ahmadinejad. A parte ruim disso são os longos períodos que, às vezes, ele e outros grandes diretores precisam passar sem filmar. A boa são produções cosmopolitas, com ritmo europeu, que deixam o cineasta a vontade para praticar sua arte. Produções como esse Cópia Fiel (tradução digna, que milagre, para o original Copie Conforme), que chega a terras brasileiras com o selo de qualidade do Festival de Cannes de 2010, que prestou homenagem a Juliette Binoche, laureando sua atuação como a dona de uma loja de antiguidades, mãe de um garoto e esposa de um marido ausente, cujo destino se cruza com o do escritor interpretado pelo barítono de ópera William Shimell em uma tarde de diálogos intensos na Toscana italiana.

Três línguas (francês, italiano e inglês) são ouvidas durante os 106 minutos de Cópia Fiel, e é absolutamente notável como Kiarostami consegue dirigir seus atores e sua mise-en-scene num sentido em que essa pluralidade toda seja apenas natural. O roteiro do próprio cineasta é um primor de diálogo, mas também de construção de dois personagens magníficos. Mesmo que se concentre tanto nas angústias da Elle de Juliette Binoche, o script encontra tempo, sem se tornar cansativo por isso, para nos dar um bom panorama do leque emocional e conceitual de alguém como o James Miller de Shimell. Cópia Fiel mantem com tal naturalidade o interesse de quem o assiste com alguma boa vontade justamente porque é capaz de percorrer uma gama de emoções, sensações e raciocínios ampla em, relativamente, pouco tempo. E, claro, pelo carisma mais do que fundamental de um elenco reduzido aos dois protagonistas.

Juliette Binoche é superlativa, e isso nem mesmo basta para descrever sua atuação. Em certa cena, num dos diálogos mais intensos com seu par, num pequeno café italiano, a atriz representa um pequeno desmoronamento emocional, uma progressiva tristeza surgindo em seu olhar, fragilidade vindo a tona na expressão de seu rosto. É o trabalho de uma atriz que conhece bem o bastante o ser humano para construir uma muralha em torno do seu personagem, e fazê-la cair, assim, em alguns segundos, com alguns olhares. Binoche é adorável, elegante, graciosa, e é fácil de identificar-se com ela. É um caso raro de carisma puro combinado com talento descomunal. Seu par em cena, William Shimell, também surpreende com uma atuação classuda, detalhista e muito resistente, mas ainda assim expressiva e acertada o bastante para seguir sempre a altura de Binoche, ainda que o filme seja indiscutivelmente dela.

Na força desses dois protagonistas, nas suas suposições filosóficas intrigantes sobre a validade da arte e da cópia, na reflexão intensa que faz das oportunidades que temos da vida, na sensibilidade com que é guiado, Cópia Fiel é cinema para quem gosta do ritmo europeu, com certeza, e para quem não se importa com toneladas de diálogo ao invés de ação fisica. Mas é também um filme que ganha-nos por, em meio a tantas nacionalidades, demonstrar que a emoção e o arrependimento humanos são, por definição, universais.

Nota: 10

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Cópia Fiel (Copie Conforme, França/Itália/Bélgica, 2010)

Escrito e dirigido por Abbas Kiarostami…

Estrelando Juliette Binoche, William Shimell…

106 minutos

5 de dez. de 2011

O Discurso do Rei (The King’s Speech, Inglaterra, 2010)

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 por Caio Coletti

2010, em quase todas as avaliações críticas, foi dado como um ano fraco para o cinema. Apesar do Festival de Cannes ter feito muito mais barulho que a edição desse ano ousou causar, a lista de indicados para o Oscar acabou decepcionando muita gente, que inclusive achou desnecessária a continuidade dada pela Academia a nomeação de 10 concorrentes ao prêmio de Melhor Filme. Por outro lado, a lista demonstrou a pluralidade da linguagem cinematográfica como poucas na história do prêmio-maior do mundo do cinema, sendo que a grande contenda do ano ficou entre pólos absurdamente opostos desse contexto: A Rede Social, de David Fincher, representa a forma de fazer cinema verborrágica, dinâmica, em que as emoções superficiais são extrapoladas, mas os dilemas profundos são protegidos pela casca quase invulnerável de uma geração que aprendeu a ser assim num mundo que gira rápido demais; esse O Discurso do Rei segue na direção oposta, expondo sem pudor as vísceras de seus personagens, mas não os fazendo sujos como o cinema independente americano. Trata-se da exposição européia da polida educação que demorona assim que se olha, um pouco mais de perto, os olhos de quem está em cena.

E que olhos, que interpretações. Seja nos cacoetes típicos de Helena Bonham-Carter, aqui um deleite crucial como a esposa praticamente perfeita do protagonista ou na deliciosa insistência e brilho de um ator magnífico (e subestimado na mesma proporção) como Geoffrey Rush, O Discurso do Rei é o grande filme que é em parte por causa de seu elenco. Não foi por acaso que deixei Colin Firth para uma sentença só dele: sua atuação é absolutamente singular, de uma complexidade impossível de mapear, demonstrando toda a insegurança de sua persona com a mesma ousadia que constrói, aos poucos, de fragilidade em fragilidade, um ser humano que qualquer um é capaz de admirar pela perseverança e pela bravura. É uma contradição, pensar que são as neuroses e gagueiras do seu Rei George VI que o fazem um protagonista tão admirável, uma figura na qual se espelhar. Mas diz-se, na vida real, que simpatizamos pela qualidade, e amamos pelo defeito. É fácil amar o personagem de Firth. Por mais temperamental, dificil, inseguro e imaturo que ele seja. Ou talvez justamente por tudo isso, e por superar tudo isso.

Se o verdadeiro herói é aquele que passa por uma transformação, o Rei George é um herói e tanto.  O roteiro de David Seidler, veterano dos filmes para TV e autor do script de O Rei e Eu, também ganhador do Oscar, sabe quando ser divertido e leve, quando pegar pesado na construção de seus personagens, e quando deixar a trama fluir pela própria grandeza de sua história real. Mas talvez sua melhor qualidade seja manter a fleuma britância e fazer de O Discurso do Rei um filme, além de grandiosamente emocional, esteticamente charmoso. Isso é trabalho dele e de Danny Cohen, o diretor de fotografia, responsável também pelas câmeras de Os Piratas do Rock, entre outros. Seu trabalho é de classicismo exemplar, mas também de certa ousadia que é essencial para a estética do filme não parece desgastada e totalmente sem sintonia com o espectador. Amparado, assim, o trabalho de Tom Hooper, conhecido pelo filme de TV Longford, na direção, é bem mais fácil. Mas sua perícia em guiar toda a hisótira e mecanismo do filme adiante é também inegável.

Independente da dança das estatuetas, O Discurso do Rei não decepciona quem, assim como este que vos fala, confia na Academia para premiar, sempre, filmes brilhantes como esse. Talvez eles nem sempre acertem aquela produção que vai ser considerada “o filme do ano” daqui a algum tempo, mas é inegável que, ao colocar para rodar um filme amparado pelo ouro do Oscar, você raramente vai se decepcionar. O Discurso do Rei tem uma ótima história pra contar, uma porção de gente talentosa para contá-la, e ainda pode nos ensinar, quem sabe, a acreditar um pouco mais em nós mesmos. E você não vai me ver negando prêmio nenhum a um filme assim.

Nota: 9,0

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O Discurso do Rei (The King’s Speech, Inglaterra, 2010)

Dirigido por Tom Hooper…

Escrito por David Seidler…

Estrelando Colin Firth, Helena Bonham-Carter, Geoffrey Rush, Derek Jacobi…

118 minutos

3 de dez. de 2011

Fabio Christofoli #4 – Quando a rede imita a vida.

Fabio opinião

Na última semana, li muitas críticas ao novo formato Facebook. Opa, só um pouquinho: eu também faço parte desse grupo. Mas vamos combinar, tá insuportável, não? As pessoas perderam a noção e fizeram da rede social mais popular do momento um negócio confuso, repetitivo e cheio de apelação. Às vezes você tá lá procurando inspiração pra atualizar o seu status e dá de cara com a foto de um cachorro mutilado. Ou vê seu mural recheado com montagens mal feitas, piadinhas sem graças ou lições de moral cheia de hipocrisia... Cansa. Já tem gente arrumando as malas e procurando uma nova rede. Alguns resmungam que “orkutizou”. E é verdade. O mesmo mal que atingiu o Orkut, está atingindo o Facebook.

Aí eu te pergunto: que mal é esse?

Eu digo que não é o Orkut ou o Facebook. São as pessoas. Somos nós. Nossa cultura de estragar tudo. Nada dura nas nossas mãos e a durabilidade cada vez é menor.

O Face era legal até o momento que as pessoas perderam a vergonha. Até o momento que aquela trava social perdeu a força. E isso é só uma representação do que acontece na vida.

As pessoas se travam, seguram o que são até o momento que o que as doma deixa de ser forte. Lembro que no início, o Face intimidava. Perguntava o que você estava pensando. No começo as pessoas colocavam coisas bobas, cotidianas, mas que eram legais de ver. Aos poucos, aquele espaço intimidador foi sendo ocupado. Até o momento que ninguém mais se intimidava. Aí muita gente começou a falar sobre tudo. Uns liberaram geral. Falavam até sobre o que não sabiam.

Nesse tempo, a migração Orkut-Facebook começou. E o nível foi descendo...

Hoje eu sinto que aquele espaço intimidador foi esmagado. Até acredito que muita gente esqueceu que o Facebook é um espaço público e que tudo que é publicado é visto por todos.  Ao mesmo tempo, muitos  querem aparecer. Ganhar destaque. Por isso publicam tudo que podem, quanto mais “likes” melhor. A qualidade, mais uma vez, deu espaço à quantidade.

É a ordem natural das coisas.

Descobrimos uma coisa boa, chegamos perto dela com cuidado. Usamos um pouco. Percebemos que podemos usar mais. E... abusamos. Até o prazer desaparecer e virar obrigação. Virar sistemático. Nossa vida está sistemática. Curtimos coisas e nem sabemos o motivo. Odiamos outras sem saber porquê. E cada vez mais queremos atenção. Alguns apelam, outros são discretos – mas nem por isso são menos carentes.

Aí reclamamos. Do sistema, da realidade. Procuramos culpados. Amanhã, todos vão reclamar em coro do Facebook, até quem o tornou insuportável.

É a vida.

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Quem precisa de televisão quando se tem tanto drama no Facebook?”

(Autor desconhecido)

1 de dez. de 2011

iJunior #3 – Afinal, vivemos pra quem?

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Todo mundo, pelo menos uma vez, perguntou a si mesmo o que queria ser da vida, e enquanto ainda crianças diversos sonhos se criam em nossa mente; o menino que quer ser bombeiro, policial, arqueólogo, a menina que quer ser secretária, médica, advogada, mas com o passar do tempo tudo se torna mais difícil, os leves sonhos ilusórios se rendem a sonhos um tanto mais reais.

O passar da pré-adolescência ainda nos trás belos sonhos - para aqueles que querem ser como os pais, seguir a carreira tão elogiada pela mãe, ou fugir das reclamações diárias feitas pelos mesmos - gerando diversos novos planos, estes aos quais nos despreocupamos, seguimos imaginando no dia em que tentaremos, ou não. Nesta fase nada é tão complicado, ainda há tempo pra muita coisa. Na adolescência as coisas se complicam um pouco mais, muitas vezes deixamos os sonhos em busca de algo que apenas nos estabilize na vida.

Ao longo de certa idade paramos de sonhar tanto, apenas fazemos planos, estes agora mais realistas, buscamos aquilo que nos parece alcançável e não aquilo que queremos realmente ser. E o motivo? Não sei. Nós resolvemos ao longo das nossas escolhas seguir algo que poderia apenas nos fazer ser “alguém na vida”. Mas quantos de nós não corremos de nossos sonhos? O filho que queria ser artista e os pais disseram que isso não era profissão, aquele que seria um grande médico, mas teve que manter a administração dos negócios da família, o grande musico que hoje é arquiteto porque ninguém acreditou nele.

Mas afinal: por que motivo precisamos que alguém acredite em nós? Por que precisamos que alguém sinta orgulho de nós? Por que esse vazio naturalmente humano acompanha as pessoas, tirando-as de caminhos gloriosos por simplesmente carregar algum tipo de moral consigo que nos impede de seguir nosso caminho?

Devemos colocar na cabeça que ninguém irá sentir nada por nós, que ninguém irá viver por nós, que tudo que somos é destinado primordialmente a nós mesmos, e que as pessoas são aquelas em que irão nos glorificar futuramente, porque quem lhe ama sabe bem o que você é, acredita, te dá forças, cai e levanta contigo.

Então pra que viver com esse medo, essa insegurança? Se levar primeiro a ganância como ponto primordial da vida deverá ter em mente que a vida poderá ser dura, e que as vezes o luxo não sacia a satisfação, o amor próprio, o amor à vida. Que nossos caminhos devem ser decididos bem desde cedo, e mesmo que haja quedas, ainda teremos tempo para lutar pelo que desejamos. Afinal, o gostinho final da luta é sempre bom, e antes chorar por algo que não foi alcançado mas foi suado do que chorar pelo tempo não aproveitado.

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Reaching for something in the distance/ So close you can almost taste it/ Release your innhibitions/ Feel the rain on your skin/ No one else can feel it for you/ Only you can let it in/ No one else, no one else/ Can speak the words on your lips”

(Natasha Bedingfield em “Unwritten”)