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Review: Me Chame Pelo Seu Nome

Luca Guadagnino cria o filme mais sensual (e importante) do ano.

Review: Lady Bird: A Hora de Voar

Mais uma obra-prima da roteirista mais talentosa da nossa década.

Review: Liga da Justiça

É verdade: o novo filme da DC seria melhor se não tivesse uma Warner (e um Joss Whedon) no caminho.

13 de out. de 2011

O Breve Fim de Mademoisselle Jaqueline Lemaire

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por GuiAndroid

O cabaré lotado, a música tocando, era difícil saber se era Jazz ou Soul, se era Soul ou música Burlesca. Nunca tive ouvido para música, apenas talento para dança. A década de 20 em Paris se demonstrava mais viva do que nunca, o fim da guerra trouxera clientes, amigos, empresários e amantes ao bar. Ao mesmo tempo em que os ares eram de paz e felicidade a minha vida pessoal e profissional estava se arruinando, com certeza em alguns meses a rua seria minha nova moradia.

-Mas senhor Baudelaire, me dê mais um mês, há cada vez mais dinheiro entrando no cabaré, tenho certeza que madame Chevalier me dará um aumento se eu a pedir.

-A única certeza que pode ter nesse momento Mademoiselle Lemaire é de que vai perder seu apartamento esta semana se não puder me pagar o aluguel.

Monsieur Rousseau viera me cobrar o aluguel em meu trabalho esta noite. A situação estava ficando precária, meu salário mal dava para me manter, muito menos para pegar o transporte até o cabaré.

Meu show começara, a música tocava e eu realizava o número de sempre. Em poucos minutos já estava cansada, mal podia respirar ou raciocinar direito, não havia jantado essa noite, não tinha dinheiro o suficiente para isso. Inevitavelmente, ainda no começo do meu show, escorrego no palco e caio, como se houvesse sabão sob meus pés. A plateia então começa com as vaias, as lágrimas escorrem pelo meu rosto e a cortina se fecha.

- Jaqueline, o que houve com você? Eu lhe disse que se isso acontecesse mais uma vez eu a tiraria do show, você não pode continuar a arruinar meus espetáculos!

-Mas Madame Chevalier, perdão, com o que a senhora me paga não possuo o suficiente nem para o jantar, não existem mais forças em mim para que eu continue todas as noites assim.

- Pois então se vire Jaqueline, todas as outras se viram muito bem com o que pago.

- É claro, elas trabalham em outros cabarés durante o dia, eu não tenho essa condição, moro longe e não tenho tempo para trabalhar tanto assim.

- Pois então arranje outra casa de espetáculos que lhe pague melhor, passe aqui amanhã cedo para pegar a sua demissão e o que eu tenho que lhe pagar por este mês.

Saí da sala de Madame Chevalier aos prantos, fugindo sem rumo pelas ruas iluminadas de Paris. Não me restava mais nada, nem trabalho, nem casa, nem roupas, muito menos comida. O que seria de uma dançarina de cabaré próxima da aposentadoria, vivendo no limbo e a beira da falência?

Na manhã seguinte passei no cabaré e peguei meu dinheiro, pouco, que mal dava para uma semana. Para o aluguel então, impossível. Fui para casa e preparei minhas malas: eu teria que arranjar algum lugar barato para ficar. Com as malas a arrastar pelo chão no meio da manhã saí a procura de uma pensão qualquer, um lugar que me abrigasse por alguns dias. As pessoas na rua me olhavam como se eu fosse uma espécie desconhecida, de animal, como se fosse um escarro no chão pronto para ser pisado.

As nuvens começaram a ficar pesadas e aos poucos as gotas foram caindo, cada vez mais grossas, o drama em meu rosto combinava com o clima e com a luz, era difícil combinar meus pensamentos com a razão, as direções incertas para os quais eles me levavam eram traiçoeiras, em um dia caminhando pelas ruas não houve se quer uma pensão ou albergue que houvesse vagas ou que me aceitasse. A noite já estava caindo e a chuva continuava desabando, as lágrimas em meu rosto eram incessantes, meu estado deplorável. Haveria para alguém como eu um final feliz? Porém como isto é vida real as chances são de que eu contraia alguma doença e simplesmente morra, pois neste ritmo de vida estou fadada a esse fim. Se é que posso chamar isso de vida.

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[Sally]: Você deve estar se perguntando o que eu faço trabalhando num lugar como o Kit Kat Club.

[Brian]: Bem, é um lugar bem incomum.

[Sally]: Essa sou eu, querido. Lugares incomuns, casos amorosos incomuns. Eu sou uma pessoa realmente estranha e extraordinária.

(Liza Minelli e Fritz Wepper em “Cabaret”)

11 de out. de 2011

A Sua Satine

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por Caio Coletti

Ela costumava povoar todos os seus sonhos. Os olhos fechados, a mente longe de qualquer lugar real, ele idealizava o seu rosto, o enchia de perfeição, de vida, de sorriso, de esperança. E a dava o brilho no olhar de uma mulher apaixonada. Na sua mente, os cabelos ruivos ardiam em fogo, a pele branca transpirava candura, e os olhos azuis transbordavam a doce essência do amor. O corpo esguio, o trato refinado, o sorriso discreto de uma dama de gelo cujo coração apenas ele poderia conhecer. Sim, ela era uma atriz. E o mundo todo acreditava em seu pálido, transparente fingimento de frieza e invulnerabilidade. Mas não ele, é claro. Ele tinha privilégios.

Ele conhecia a mulher de verdade por trás das fachadas. E talvez fosse por isso, por seu véu ser mais fácil de ultrapassar para ele do que para qualquer outro homem, ela era incondicional e inteiramente sua. Era um ideal, uma utopia. A rainha de gelo que se tornava numa princesa de fogo eternamente ardente apenas para aquele que amava. Conhecer, saber, prever todos os movimentos daquela mulher, aquela era sua conquista mais glorificada, e mais desconhecida, de todas. O mundo todo se perguntava o que ela, tão linda, vira nele. E os que não o faziam se questionavam porque ele, tão sensível, se juntara a ela, a inatingível.

Ora, ele conseguira atingi-la! Mas por quanto tempo? A questão lhe martelara na cabeça por anos a fio, no cenário difuso, no eterno jogo de agrados que se tornara a convivência dos dois. Ele mal podia se lembrar de como tudo aquilo, aquele relacionamento, aquela ligação estranha que ambos sentiam, havia começado, mas tinha certeza, agora, dos motivos pelos quais havia terminado. O que começara como um sonho se tornando realidade de súbito se transportara de volta para o mundo confuso dos desacordados como o mais funesto pesadelo. E ele a ouvia sedado, em coma, tentando assimilar as palavras que ela dizia naquela bela voz musical que ele idolatrava. Ela podia estar cantando, agora. Mas era uma canção sombria.

- Christian, eu tenho que partir – um acorde tenso soou após sua voz silenciar. – Eu sinto muito, mas esse lugar não é mais o bastante para mim – “você não é mais o bastante para mim”, ele pode ouvir o canto mais sombrio da sua consciência lendo as entrelinhas. Mas, por sua própria sanidade, resolveu ignorá-lo. – Eu vou partir. Não me pergunte para onde, não me peça para explicar. Eu não quero chorar. Eu simplesmente vou embora.

- Não – não era um lamento, e sua voz não era nem de longe a melodia que saíra dos lábios dela, mas era possível ouvir a resolução no seu tom. – Eu jamais permitiria que isso acabasse, mas você sabe que também não me colocaria na frente dos seus sonhos. Você vai estar longe, é claro que vai. Mas eu posso esperar por você. Para sempre.

Palavras sempre foram seu forte, mas não parecia estar na melhor de suas formas naquela noite, pois sua declaração de amor eterno simplesmente provocou um sorriso apagado nos lábios finos dela. E ele encarou aqueles olhos azuis que sempre foram uma fonte cristalina de amor para ele. Não importa o que ela falasse ou o que acontecesse, aqueles olhos lhe traziam a lembrança do quanto ela o amava. Ou talvez fosse apenas o quanto ele se sentia assim. Não sabia mais. E de repente aqueles olhos eram mais espelhos de sua própria e obsessiva paixão do que dos sentimentos dela. Não eram mais os olhos da sua amada, da sua Satine. Eram os olhos de uma atriz.

- Christian – ela quebrou o silencio, e de repente ele pôde ouvir a dissimulação na voz dela que seus amigos tanto tentaram avisá-lo sobre. – Eu te amo. Sempre vou te amar em alguma parte de mim. Mas não. Não me espere. Eu não vou voltar.

“Ela não quer mais isso!”, a voz no fundo de sua consciência o falou, acusadora, enquanto ele de repente via toda aquela beleza, todo aquele ideal que por tanto tempo ele tivera em seus braços, lhe fugindo. E o verdadeiro véu de sua Satine finalmente caiu. Ele não gostou do que viu, da pele branca reluzindo desonestidade, dos cabelos vermelhos pegando fogo em descaso e dos olhos azuis transbordando de desamor. Era a verdade que ele encarava agora, e não o algo belo que ela lhe mostrara por tanto tempo. Ela virou as costas, uma lágrima hipócrita caindo de seus olhos raivosos em segredo.

E ele viu o último relance daquele brilho azul que ele amara. A última nesga daquela pele branca que ele acariciara. O último rastro do perfume doce que o hipnotizara. E então, ele acordou. E a vida era real mais uma vez. Real e dolorosa, pois a sua Satine sempre existira, e sempre existiria. Mas apenas em seus sonhos.

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[Christian]: All you need is love!

[Satine]: Love is just a game.

[Christian]: I was made for loving you baby, you were made for loving me.

[Satine]: The only way of loving me baby, is to pay a lovely fee.

(Ewan McGregor e Nicole Kidman – Christian e Satine – em “Moulin Rouge!”)

8 de out. de 2011

Love? - “Papi”, o novo de JLo, está mais para paixão desenfreada e amor a primeira vista.

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Ao comer um biscoito enfeitiçado que fará com que ela recupere o amor de seu amado, ela acaba atraindo muitos outros homens além de seu namorado.

Descrição do clipe (por GuiAndroid)

Com um ar de Sex and the city, pois o clipe se passa na cidade Nova Iorque, Jennifer Lopez está no saguão de seu prédio pegando sua correspondência, como parece fazer todo os dias. Então ela devora o biscoito em questão de segundos (uma sutil falha de continuidade do clipe), e ao sair de lá os homens na rua começam a disputá-la, pegam flores, saltam por vidraças, quando menos se espera um exército de homens loucos de amores por JLo a persegue; é interessante perceber que durante metade do tempo em que os homens estão atrás dela, ela mal percebe e continua a andar nas ruas de Nova Iorque feito uma Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker).

Carrie JLo então percebe o exército de homens correndo desenfreadamente atrás dela e passa a correr também assustada com o que está acontecendo. Desta parte para frente começa uma coreografia muito criativa que dá um UP no videoclipe e faz dele ainda mais dançante. Como a música, assim como todo o álbum é feito para baladas, é impossível ficar parado, principalmente quando a coreografia começa. Você logo quer aprender a fazer aquela ''dancinha'' louca também.

Opinião

 GuiAndroid

Papi demonstra-se como uma evolução do trabalho de JLo, que em I'm Into You deixou um pouco a desejar. Fiquei procurando a Lil Wayne até o final do clipe, logo depois eles lançaram uma versão do clipe com a Lil W. que acabou por ser melhor que a versão da JLo.

Papi vem para ser a nova batida das casas noturnas do mundo todo, como uma canção indutora a sedução, movimentos sensuais e acima de tudo uma melodia muito satisfatória que te faz querer cantar, ouvir, aprender a letra e imitar os vocais exóticos de Jennifer Lopez.

Estaria Jennifer Lopez tentando um albúm com singles universais? On the floor se passa em LA., I'm into you no México, Papi em NYC, onde se passará o próximo clipe? Talvez em alguma cidade que esteja apta o bastante para toda a energia de JLo.

Caio Coletti

Papi foi uma surpresa pra mim. A persona carismática e as habilidades de dança de JLo não são novidade pra ninguém, mas esse terceiro videoclipe do álbum Love? fez algo que nenhum dos dois anteriores (On The Floor e I’m Into You) conseguiram fazer: me fez querer ouvir o álbum todo.

Culpa da direção versátil, mas sempre equilibrada e divertida de Paul Hunter (responsável por vídeos díspares como My Love de Justin Timberlake e Take it Off da Ke$ha), culpa da coreografia brilhante, culpa do refrão que contagia muito mais, com sua batida pulsante, do que a house music barata de On The Floor.

O Papi que eu vi foi um clipe bem-produzido, divertido, no qual JLo parece muito mais confortável na sua própria pele do que nos singles anteriores. No final das contas, é essa espontaneidade que conta: e não alguma camuflagem que faça o artista passar por algo que ele não deseja ser.

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Now all my super-ladies/ I got my baby/ If you got your baby, baby…

Move your body, move your body/ Dance for your papi/ Rock your body, rock your body/ Dance for your papi”

(Jennifer Lopez em “Papi”)

6 de out. de 2011

Review: Unbroken – Duas visões sobre o novo álbum de Demi Lovato.

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Caio Coletti – **** (4/5)

Demi Lovato não é a mesma garota da Disney que todos conhecemos com Camp Rock ou, para os mais desligados desse mundo, com algum dos singles de Don’t Forget ou Here We Go Again. Quando o seu primeiro álbum saiu para surpreender pelo menos a parte mais atenta da crítica com um som mais encorpado, uma personalidade mais própria e um potencial vocal mais interessante do que as investidas de seus colegas de “geração Disney” Jonas Brothers, Selena Gomez e Miley Cyrus, Demi tinha 16 anos e cantava sobre estar se adaptando a posição de ídolo adolescente, sobre paixonites da juventude e sobre afirmação de personalidade. O lançamento de estúdio seguinte, Here We Go Again, mostrou que Demi estava disposta a experimentar bastante com o meio musical. De certa forma, musicalmente, Unbroken não foge do caminho natural dessa evolução.

Quando abre com “All Night Long”, que coloca já na primeira faixa os talentos de Missy Elliott e Timbaland para funcionar juntos ao dela, e abre caminho para as três faixas seguintes (“Who’s That Boy”, “You’re My Only Shorty” e “Together”), Demi quer nos dizer que não é mais só a estrela mais rock n’ roll da Disney. Aos 19 anos, ela sabe se virar muito bem no R&B, tem voz para as ambições que traça e sabe se cercar das pessoas certas. Nessa leva de quatro primeiras músicas o único erro (e talvez seja mesmo um caso isolado em todo o Unbroken) é “Who’s That Boy”. Para uma faixa que tem trabalhando ao seu favor os talentos incontestáveis de Dev e Ryan Tedder (ela, já referência obrigatória na música eletrônica atual; ele, um dos maiores compositores pop do nosso século), a segunda do setlist do álbum erra ao não dar o devido destaque ao vocal de Demi, e ao se mostrar, essencialmente, rasa.

Esse primeiro bloco do álbum fecha brilhantemente com “Lightweight”. A última contribuição de Timbaland na produção é talvez a melhor balada do Unbroken, e é aqui que é trazida a tona a imensidão do potencial de Demi como vocalista. O refrão é de dar arrepios, e a produção é absurdamente criativa, quase toda construída em cima de diferentes harmonias vocais. É até interessante notar o link temático entre “Lightweight” e sua sucessora, “Unbroken”. A faixa-título é a primeira demonstração de que a cantora não pretende só arranhar no terreno da música eletrônica. Aqui o mergulho é fundo. Produção e composição são bem polidos, e faz toda a diferença ter Demi, e não Selena Gomez ou Ke$ha, nos vocais.

É aí, nessa dualidade com a qual os críticos tanto se preocuparam, que reside a autenticidade de Unbroken: a mensagem de Demi é que ela já esteve por baixo, e que todo mundo um dia vai estar, mas que a mudança não é o fim, e sim uma oportunidade de se construir de volta, mais forte, num lugar diferente. Por isso “Skyscraper” é tão simbólica e fundamental nesse setlist. Aqui, a power ballad perfeita, a escolha brilhante de tê-la como um primeiro single e o apelo que os vocais abalados de Demi tem com o ouvinte (o que só torna as notas que ela alcança no climax da música mais notáveis, diga-se de passagem) trabalham junto com a missão de sintetizar tudo o que Unbroken realmente quer dizer. “Go on and try to tear me down/ I will be raising from the ground/ Like a skyscraper”. Não é sobre para quê ou para quem o desafio é dirigido. É sobre o que ele significa.

Entre pequenas pérolas otimistas (destaque para as ótimas “Hold Up”, “Give Your Heart a Break” e “In Real Life”), Unbroken é sobre seguir adiante. E talvez por isso resolva deixar o gosto amargo de uma canção tão triste, tão autêntica quanto “For The Love of a Daughter” como a última impressão do ouvinte. A emoção é natural de uma letra que tem muito de autobiográfico e retrata Demi com 4 anos, lutando contra os problemas de alcoolismo do pai. Não é uma canção que saia da memória fácil, e é um lembrete muito oportuno de que, se está falando de dar a volta por cima, não é como se não se importasse com isso que Demi o faz. Ela viveu o que conta. Ainda que em curtos 19 anos. Ainda que seja, é claro, uma compositora que vai amadurecer muito. Mas se tem algo que Demi não é, e não se permite ser em momento nenhum, é uma encenação. Unbroken representa o que ela é, e o que ela sempre vai ser, independente das experimentações musicais que fizer. E só isso já é o bastante para torná-lo acima de qualquer suspeita.

Guilherme Jales – **** (4/5)

O retorno de Demi Lovato com Unbroken era esperado mesmo por quem não é fã da cantora e apenas conhece uma ou outra música. Afinal, é a sua volta depois de quase um ano afastada do showbiz após alguns meses de reclusão num centro de tratamento, seguida de um longo período de gravações em estúdio.

Mesmo antes dessa curta pausa na sua carreira, Demi sempre apontou que queria experimentar uma pegada mais próxima do pop-R&B em seu terceiro trabalho, sempre mencionando a influência de Christina Aguilera como uma de suas inspirações e o gosto pelas músicas de Rihanna e Nicki Minaj.

Unbroken começa com duetos e faixas produzidas por nomes fortes do gênero. O já não tão Midas como antes Timbaland produz “All Night Long”, uma faixa dançante com participação da mais bem sucedida rapper da música americana, Missy Elliott. Segue-se “Who’s That Boy”, provável próximo single com participação da ascendente Dev; e “You’re My Only Shorty”, dueto com o rapper Iyaz com uma batida que chega a lembrar as músicas de Justin Bieber.

Pra uma cantora que sempre teve uma pontinha de rock dentro de si, são faixas muito diferentes do que costumamos ouvir na sua voz. Ensaiam uma aproximação com um público mais velho, que já tem idade para beber e sair na noite. Sua voz sempre forte se destaca, mas as faixas não empolgam tanto como deveriam.

Nas músicas mais lentas e românticas é que Demi se sobressai. “Together” (dueto com Jason Derulo) e as belas “Lightweight” e “Fix a Heart” mostram que quando Demi foca seu esforço em músicas mais pessoais e emocionais, o resultado é bastante positivo.

Aqui também entra “Skyscraper”, seu último single, sobre recuperação emocional e uma bonita mensagem de “volta por cima”. A canção havia sido gravada no período mais difícil da cantora, com a garganta enfraquecida pelo efeito da bulimia da qual Demi começou a se tratar em seguida. Mesmo após uma regravação recente, a cantora optou por lançar a primeira versão, por representar de modo melhor a dor da letra. Parece ter sido a escolha perfeita.

O cd se encerra com “For The Love of a Daughter”, música adiada do cd anterior, onde a cantora revela seu drama de conviver na infância com um pai alcoolatra. É talvez a melhor de Unbroken, revelando uma dor pungente e verdadeira.

Outro destaque do álbum é “My Love is Like a Star”, canção co-escrita por James Morrison que lembra um tanto os vocais de Kelly Clarkson e Christina Aguilera, e apontam a esperança de que, com a voz que tem, Demi possa chegar à altura desses grandes nomes do pop.

Potencial ela tem. Falta apenas o direcionamento, o amadurecimento que só o tempo traz. E que ela perceba o valor de apostar mais nos seus bons vocais em vez de apelar à dança e ao espetáculo puramente visual.

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You can take everything I had/ I can break everything I am/ Like I’m made of glass/ Like I’m made of paper/ Go on and try to tear me down/ I will be raising from the ground/ Like a skyscraper”

(Demi Lovato em “Skyscraper”)

In memoriam: Steven Paul Jobs (24 de Fevereiro de 1955 – 05 de Outubro de 2011)

4 de out. de 2011

Guilherme Jales #2 – Impressões sobre o Rock in Rio IV

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Dois fins de semana, sete dias de apresentações, e com o final da 4ª edição brasileira do Rock in Rio, chega a hora de fazer um balanço do que aconteceu com o festival.

1. Sete dias de música, meses de mimimi

As reclamações quanto à escalação das atrações já são praxe em qualquer conversa que mencione o festival. A diferença é que, com a agilidade da internet e a amplificação de opiniões pelas redes sociais, virou padrão reclamar da quantidade de atrações pop no Rock in Rio. Nem adiantava explicar o histórico eclético de quem já apresentou nomes que vão de Elba Ramalho a Sandy & Júnior, de Moraes Moreira a Britney Spears. No fim das contas, depois de Slipknot e Metallica, ninguém reclamou mais de Katy Perry e Rihanna.

2. Cobertura na mídia: mais erros que acertos

A transmissão dos shows nas madrugadas da Globo foi limpa e seca, com pouco além das apresentações ao vivo e compactos dos shows anteriores. Zeca Camargo tinha pouco a dizer de cada banda a passar pelo Palco Mundo além de ‘fantástico’, ‘sensacional’, ‘arrasador’ e afins. Na cobertura do Multishow, pérolas e mais pérolas das apresentadoras e repórteres. Além do viral do momento na internet, a frase “Hoje é dia de rock, bebê!” pronunciada pela atriz Cristiane Torloni num estado etílico alterado em entrevista na área vip do evento.

Por outro lado, a transmissão completa do evento para o mundo todo via internet permitiu a milhões de brasileiros ter um gostinho do que foi estar na Cidade do Rock. Pra quem nunca pôde estar num Rock in Rio, foi possível sentir um pouco do clima do evento. A apresentação do Metallica foi a transmissão ao vivo mais assistida da história do YouTube – lembrando que esses dados não incluem o público brasileiro, que tinha o portal G1 como única opção para ver as apresentações online.

3. Bons shows, algumas decepções, gratas surpresas

Fora de lugar no meio de Jamiroquai, Janelle Monáe e Stevie Wonder, Ke$ha foi considerada por muitos o show mais fraco do Palco Mundo. Dentre as atrações internacionais, algumas não surpreenderam e apresentaram apenas o esperado como Katy Perry (espetáculo visual, voz questionável) e Rihanna (pouca cenografia, e vocais apenas na média).

Para este que vos escreve, talvez a maior decepção tenha sido o show de Frejat. Tocou os grandes sucessos, fez homenagens como “Malandragem” relembrando Cássia Eller, mas não deixou sua marca e nem de longe lembrou o show enérgico do Barão Vermelho que fez história 26 anos atrás.

Por outro lado, pudemos ver várias apresentações memoráveis para fãs e ouvintes de ocasião de algumas bandas. O Metallica acertou em cheio ao focar sua apresentação nas músicas mais antigas; o Coldplay emocionou, mesmo com várias músicas do cd novo que só sai dia 18 de outubro, e deu um show de música e luzes. O Brasil conheceu o groove de Janelle Monáe, e na mesma noite viu um inspirado Stevie Wonder fazer 100 mil pessoas cantar junto seus grandes sucessos e até clássicos da bossa nova como “Garota de Ipanema” e “Você Abusou”, naquele que foi unanimemente considerado pela crítica o melhor show do festival.

O Rock in Rio volta ao país em 2013, já com a confirmação de número menor de ingressos (reduzido de 100 mil para 85 mil por noite), e com venda antecipada já lançada. No fim das contas, o saldo foi positivo para o público, para os artistas, patrocinadores, e para o Rio de Janeiro, que agora ganha um novo centro de eventos e segundo a organização do evento, gerou uma renda de US$ 461 milhões para a cidade. Fica agora um gosto de quero mais. Que venha o Rock in Rio V!

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“Houve de apresentações memoráveis a exageros performáticos, de personagens inesperados a imagens de encher os olhos. Mas as coisas não acabam por aqui. Afinal, todo dia é dia de rock, bebê.”

(matéria do G1 elegendo os momentos marcantes do festival – e fazendo uso, é claro, do bordão da vez)

1 de out. de 2011

“Pânico 4” mostra a franquia em sua melhor forma.

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por Rubens Rodrigues

Foi com Pânico, lançado em 1997 aqui no Brasil (e um ano mais tarde com Titanic), que eu conheci o cinema. Lembro de ter visto os dois primeiros filmes da franquia e ter achado o máximo. Eu nem tinha 10 anos ainda, mas Sidney Prescott e o assassino com máscara de fantasma grudaram na minha cabeça como sinônimo de terror. Afinal, diferente do psicopata que matava suas vítimas dentro de seus próprios sonhos (A Hora do Pesadelo) e dos demônios que eram libertados através de uma caixa mística (Hellraiser), Pânico trouxe um assassino possível.

O filme foi uma espécie de homenagem ao gênero de terror usando da metalinguagem, e teve seus méritos, pois se tornou um sucesso de bilheteria e inspirou franquias como Eu Sei O Que Vocês Fizeram... e Lenda Urbana. O problema é que quando Pânico 3 foi lançado o plot já não era novidade e o filme apresentou um roteiro arrastado e uma direção não tão cuidadosa quanto dos anteriores. Se o terceiro filme mostrou uma franquia desgastada, como o quarto cumpriria bem seu papel em tempos de Atividade Paranormal e Jogos Mortais?

Em Pânico 4, Sidney (Neve Campbell) é autora do livro de auto-ajuda Out of Darkness (“Saindo das Sombras”, em bom português) e está de volta à Woodsboro para promover o título. Dewey (David Arquette) agora é chefe de polícia e está casado com Gale (Courteney Cox), que largou a carreira de jornalista e não consegue mais inspiração para escrever. Logo o assassino Ghostface volta a agir, mas dessa vez o alvo é Jill – a prima da protagonista é o elo entre a geração atual e a clássica.

O diretor Wes Craven e o roteirista Kevin Williamson sabiam que para contar a história para um novo público teriam que se adaptar a era da informação instantânea e do live streaming, e é justamente onde o filme triunfa. A narrativa apresenta um grupo de cinéfilos que festeja todo ano o “massacre de Woodsboro”, como ficou conhecido o primeiro atentado à vida de Sidney. Os geeks registram em video toda a experiência na escola e na festa Stab-a-thon, onde a franquia Stab (o filme dentro do filme) é apresentada inteiramente em sequência.

Outro detalhe interessante é que alguns momentos fazem referência ao original, como a clássica cena em que Casey Becker, interpretada de forma sublime por Drew Barrymore, tenta salvar o namorado amarrado em uma cadeira durante um jogo de perguntas e respostas. Moderna, Hayden Panettiere mostrou que tem potencial para “rainha do grito” em uma verdadeira homenagem à participação de Barrymore – e porque não, ao próprio filme.

Aproveitando o gancho, a sequência inicial de P4 não ficou devendo nada às de seus antecessores. P2 trouxe um casal sendo assassinado no cinema, durante a exibição do filme Stab. No mais recente temos várias sequências de mortes dentro do próprio Stab até chegar às vítimas reais do assassino. Com introduções tão interessantes como estas, fica até difícil de acreditar na morna participação de Liev Schreiber em P3, que poderia ter ficado de fora.

Divertido do começo ao fim e com a medida certa de terror, Pânico 4 é o pacote completo. Wes e Kevin homenagearam o gênero e não economizaram críticas às franquias que perderam o ritmo depois de tantos filmes. Neve, David e Courteney, em uma sintonia incrível, mostraram que ainda têm fôlego para uma nova trilogia – por favor! No final, digo com facilidade que tenho orgulho de fazer parte da nova geração Pânico.

Nota: 9,0

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Pânico 4 (Scream 4, EUA, 2011)

Dirigido por Wes Craven…

Escrito por Kevin Williamson…

Estrelando Neve Campbell, Courteney Cox, David Arquette, Hayden Panettiere, Kristen Bell, Anna Paquin, Emma Roberts…

111 minutos

“Meus amigos? Em que mundo você está vivendo? Eu não preciso de amigos. Eu preciso de fãs. Você não percebe? Isso nunca foi sobre matá-la. Foi sobre… me tornar você. Eu quero dizer, minha mãe teve que morrer para que eu ficasse igual a original! É doente, não é? Bom, doente é o novo são” (Jill Roberts)